Inimigos Íntimos

52 Desabafos e conclusões


(...)

Quando chegamos na minha casa, Hikari ligou para sua mãe e avisou que dormiria na minha casa.Não posso negar que fiquei com muito medo de Kaiser me mandar alguma mensagem no D- Terminal e como eu reagiria na frente de Hikari e Tailmon, mas graças a Kami, não aconteceu.

Jantamos, tomamos banho e eu arrumei o colchonete no chão para ela. Confesso que estava me sentindo penalizada, ela estava tão deprimida que eu não sabia como melhorar aquele clima.

— Obrigada por me emprestar um pijama. Desculpe usar sem calcinha. — acaba que ela quem fez um comentário engraçado.

— Não se preocupe. Coloquei ela pra secar junto com as minhas. — rimos juntas.

— Está tudo bem mesmo eu dormir aqui. — olhou envergonhada. — Digo, no seu quarto? É que agora que as pessoas sabem das minhas preferências, podem pensar coisas.

Sentei-me na cama ao seu lado e cativei sua mão entre as minhas.

— Esse ano as pessoas já falaram tanto de mim, me deram nomes, me julgaram, me compararam, me apontaram, riram, cochicharam, inventaram boatos, calúnias, tiraram conclusões. Não há mal que você possa fazer a uma reputação que não existe. — ri amargamente e ela retribuiu. — Mesmo que ainda me restasse uma, eu não me importaria.

— Obrigada. — agradece deixando escapar algumas lágrimas e meu coração aperta. — Sabe… Depois que tudo foi exposto as pessoas mudaram muito. Elas acham que gostar de garotas significa de QUALQUER garota.— ela balança a cabeça negativamente. — Não é bem assim, não vou sair querendo agarrar qualquer uma. É tão bobo ter que lidar com esse tipo de visão.

— Me desculpe, Hikari-chan. Se o Ken não tivesse exposto tudo isso.— é engraçado que eu me sinta culpada pelas falhas de Kaiser.

— Uma hora ou outra viria a tona. Fui sincera aquele dia na confeitaria, foi melhor assim. — expõe com naturalidade.

— Mas as pessoas estão te fazendo sofrer. — afirmei o que venho percebendo.

— Não. Não vou dar a ninguém o direito de me fazer sofrer, não mais. Sempre foi assim, Miyako-san, desde pequena eu dependia muito dos outros, dependi do meu irmão, dependi do sacrifício de Wizardmon para estar viva…— ela faz uma pausa respirando profundamente, como se tentasse suportar a dor das palavras.

— Hikari-chan, você não precisa falar sobre essas coisas, se te fizer mal. — a acalmo.

— Esse é o engano, eu preciso. Preciso falar, preciso lembrar, enfrentar, superar. Esse acúmulo de dor, essa fraqueza, a incapacidade de caminhar com minhas próprias pernas, isso é o que mais me angustia e me atrai para as trevas. — confessa derramando algumas lágrimas.

— Todos temos nossas trevas. — confirmo o que eu tenho visto muito nos últimos dias.

— Eu sempre me perguntei o porque fui escolhida para representar o brasão da Luz, supõe-se que seja porque eu levo luz por onde passo, não? Mas isso está errado, se fosse assim Takeru-kun e eu já teríamos esclarecido vocês sobre muitas coisas sobre o Mundo Digital, em vez disso, ficamos ressentidos por vocês terem substituído nossa antiga equipe e os tratamos como calouros, nunca falando o que deveria ser dito, deixando as coisas vagas pra vocês.

— Eu não sabia que vocês dois se sentiram assim. — eu até tinha a impressão do incômodo deles, mas ouvir a revelação foi bem impactante.

— É feio, não é? Luz e Esperança… deveríamos auxiliar vocês, em vez disso ficamos nos sentindo os sábios, sempre jogando na cara de vocês que não sabiam isso, não sabiam aquilo. — ela relembra o que, de fato, aconteceu muitas vezes.

— Eu não sei o que dizer. — suspirei estupefata.

— Nossa união era superficial, por isso há quatro anos, quase cinco estamos lutando contra Kaiser e não chegamos a um ponto. Ter sido exposta da forma que eu fui, me fez ver que estamos fazendo tudo errado.

— E como isso tem a ver com o tal Mar Negro?

— A culpa, a dor de ter feito tudo errado. Se desde o começo não tivéssemos agido como crianças mimadas com vocês e também… Ver como as pessoas me tratam agora, as mesmas que me bajulavam antes. De certa forma eu precisava daquilo, eu gostava. Me acha um monstro agora?

— Não, não acho você um monstro. Eu entendo sua frustração de termos substituído o antigo grupo. É como quando temos uma professora maravilhosa e ela sai e vem outra, boa, mas não como aquela, pra ficar no lugar. — coloquei a mão na boca quando me dei conta do que eu disse. — Desculpe, eu não deveria ter usado essa comparação.

— Tudo bem, eu entendi o que você quis dizer. — ela deu um sorriso sincero.

— Sobre você vê como as pessoas mudaram. Eu lamento muito que tenha que passar por isso, você nã- — fui cortada em meio a fala.

— Eu mereço, mereço sim. Não é certo gostar de ser bajulado, paparicado, endeusado, me aproveitei disso e agora que sou uma aberração é minha punição. No fundo eu fui tão soberba feito Kaiser. — dessa vez ela quem cobriu a boca. — Me desculpe.

— Não precisa. Olha só pra nós, pedindo desculpas a cada coisa dita. Vamos parar. Me conta, como é esse lugar?

— Então… Primeiro eu acordei com uma tristeza insuportável, mesmo sabendo que a professora está bem, que as coisas estão melhorando, parecia ter milhares de vozes me dizendo só o lado ruim dos fatos… De repente eu sentia tanto frio, uma angústia tão grande que não era só minha.

— Angustia, frio, vozes pessimistas?

— Sim, e eu me senti sozinha, merecedora daquela dor. Eu pensava precisar ser punida, merecer ser esquecida no vazio, jogada no abismo, era como se ninguém fosse se importar...

— Que horror.

— Sim, os piores pensamentos tomaram conta de mim; que eu não pertencia a esse mundo, só causo mal estar e sofrimento, que deveria me entregar ao frio, ao vazio e me deixar cair no abismo, seria melhor para mim, para todos e de repente eu estava lá.

— No Mar Negro?

— Sim… A sensação era angustiante, como se todos os piores momentos da sua vida se juntasse e se multiplicassem. Tudo era cinza, mas a água era negra então ouvi pedidos de socorro.

— Tem alguma coisa vivendo nesse lugar?

— Sim, eles me chamaram, estavam cobertos por sombra, mas pareciam seres quadrúpedes, contaram que as Espirais Negras de Kaiser chegaram até eles e me pediram para retirar. Pensei que eu pudesse ajudar, embora meu instinto gritasse para correr dalí.

— Você os libertou?

— Sim, foi estranho que uma Espiral que nossos parceiros quebram com golpes, eu fui capaz de remover, mas depois disso eles cresceram e se tornaram assustadores, dizendo que eu seria a noiva.

— Noiva? De um Digimon?

— Não tenho certeza se aquilo são Digimons? Se eles sabem mesmo o que é uma noiva?Mas eu estava sozinha, indefesa e confesso que a primeira coisa que me veio a mente foi que eu seria violada de alguma forma.

— Que horror, amiga.

— Sim, então o Takeru-kun chegou com Pegasmon e Tailmon, nós saímos daquele lugar horrível.

— Mas isso te abalou muito, não foi?

— Demais, eu luto pra ser forte, mas hoje eu vi que continuo sendo uma fraca, meu estado emocional me conectou aquele lugar, que tipo de luz se deixa afundar em trevas?

— A Luz que ainda está em evolução. Hikari-chan, você tem razão quando diz que nós representamos aquilo que mais precisamos e não o que temos de sobra. Sua luz está ai, evoluindo com seus erros, quedas e cada vez que você se ergue ela brilha mais forte.

— Como seu amor? — questiona e eu travo sem resposta.

— O meu amor? — fico pensativa, mas não sei o que dizer.

— É, ele está aí, não é Miyako-san? Ele que não te deixa me odiar, mesmo com eu tendo confessado a birra que Takeru-kun e eu nutrimos em relação a vocês. Ele não te deixa odiar o Ichijouji.

— Eu não sei, Hikari-chan…

— Mas você não o odeia, eu sinto quando nos fala sobre ele, sobre seus planos. Você descreve como atitudes de uma criança inconsequente, não é como se fosse seu algoz. — sua observação faz com que meu peito se aperte.

— Não… Não mesmo. Se conseguirmos vencer essa batalha eu quero levá-lo de volta para sua família e…

— E?

— Quero contar tudo para eles, mostrar Poromon, a passagem para o Mundo Digital, porque Ken precisa de ajuda, de ajuda psicológica.

— Você sabe que isso precisa ser discutido em grupo, não é?

— Sei, sei sim, só não sei o que todos vão pensar disso.

— Ninguém vai te julgar por você tentar ajudar.

— Bom, eu não estou preocupada com isso. Temo que eles não aceitem a idéia de revelar sobre o Mundo Digital para os pais do Ken.

— E depois?

— Como assim?

— E vocês? Você vai deixar de vê-lo? Vai se afastar? Pensar em talvez voltar a namorar err… outra pessoa? — sem saber ela me força a pensar em tudo que eu estava evitando até hoje.

— Não, não… Não me vejo namorando ninguém, eu não sei o que vou fazer depois. Não sei nada. — abraço forte a almofada e algumas lágrimas insistem em rolar sem que eu possa disfarçá-las. — Aquele idiota soberbo.

— Amiga, descul-

— Sem se desculpar. — eu já nem tenho noção das coisas que falo e acabo desabafando desenfreadamente. — Se tudo fosse normal, se ele não fosse uma caixa de segredos, se desistisse dessa besteira de dominar o Mundo Digital, se tivesse um relacionamento normal com a família e com o mundo. Talvez nós pudéssemos ser um casal de verdade. — não consigo falar mais nada e ela me abraça enquanto choro copiosamente. — Que droga eu estou falando?

— Tudo bem amiga, tudo bem. — Hikari-chan me acalenta e estou perdida em dúvidas, vergonha e dor.

O que eu disse? O que estou pensando? O que estou sentindo? Quando essa conversa passou a ser sobre mim e esses sentimentos confusos?

— Acho melhor irmos dormir. — sugiro me dando conta do quanto me expus.

— Tudo bem. — ela respondeu compreensiva, pude sentir seu olhar de compaixão e me senti péssima.— Obrigada por tudo, Miyako-san.

Assenti com a cabeça, nossos parceiros já dormiam tranquilamente. Nos deitamos e eu apaguei o abajur, nos despedimos e adormecemos. Ela adormeceu e eu fiquei meditando no peso das minhas palavras, acabei chorando um pouco mais.

POV Narrador

Miyako passou o restante da semana chocada com as próprias palavras e consigo mesmo. Se julgava inteligente o bastante para não se apaixonar por alguém louco feito Kaiser, mas tudo o que conseguia fazer o dia todo era pensar nele, sentir seu cheiro do nada, ouvir sua voz, buscar semelhanças em outros garotos de sua classe , escola ou pelas ruas ou mesmo ficar comparando como nenhum deles tinha o mesmo charme.

Mal fez seus afazeres escolares, mal se concentrava nas missões pelo Mundo Digital e seu corpo estava em chamas que fazia com que a mesma sentisse vergonha de si mesma e em contrapartida a levava a questionar se tudo o que sentia por ele não era meramente luxúria.

Na Segunda-feira a noite Ken não lhe mandara nenhuma mensagem, ainda bem pois Yagami tinha dormido em seu quarto, mas a partir do dia seguinte os dois conversaram por mensagens através do D-Terminal, algumas vezes por horas, deixando Poromon mais confuso do que já estava.

Miyako sentia-se desinquieta como uma ninfomaníaca louca, tentada a pedir que ele lhe enviasse as coordenadas e ir para os braços dele. Só conseguia lembrar e relembrar as vezes que fizeram amor, o quanto foi bom, o cheiro dele, a textura da pele, as palavras, o encontro entre os corpos.

Na sexta-feira ela já estava possuída demais pelo desejo para se lembrar da existência de seu orgulho. Deitada em sua cama não conseguia adormecer. A ânsia de ser tomada lhe assombrava feito fantasmas, dançando pelo seu corpo, arrepiando-lhe a pele, fazendo-a arder em chamas de desejo, formigando as pontas dos dedos a sola dos pés e subindo em brasas por suas veias repuxando os tendões de suas coxas e explodindo em um apelo insaciável em sua pélvis.

Ela precisava dele, precisava beijá-lo, abraçá-lo, cravar as unhas em sua pele, os dentes em sua carne, apertá-lo contra si, sentir as batidas do coração dele, o peso do seu corpo sobre si, ouvir sua voz a chamar por ela. Não conseguia dormir e se dormisse sonhava estar sendo possuída selvagemente, acordava ofegante, os mamilos tão rijos que chegava a doer, a vulva se contraindo e latejando, banhada em suor, arfando tão alto que chegava a acordar Poromon que em sua inocência perguntava se a parceira tinha tido um pesadelo. Ela corria para um banho gelado, cedendo a necessidade aguda de se tocar enquanto relembrava seu sonho.

Sem dúvida aquela semana estava sendo um castigo e para Kaiser não estava sendo muito diferente, fazia mais de um mês que não tinha a violácea em seus braços, os últimos contatos foram meio restritos e não que fossem ruins, foram muito agradáveis, mas tanto quanto ela, também sentia falta dos momentos ardentes que compartilhavam.

O rendimento em estudos, pesquisas e fechamento de projetos foi nenhum, inclusive depois que ele ouviu a conversa da garota com a escolhida da Luz, através das câmeras instaladas no quarto de Miyako. Ouviu ela dizendo com todas as letras que se tudo fosse diferente eles poderiam ser um casal de verdade, a viu chorando por causa disso e isso o afetou e deixou pensativo.

Miyako não disse que o ama, mas aquela atitude valeu por mil palavras e Ken começava a ponderar se valeria mesmo a pena uma vida inteira sem ela, levando em consideração que ele quase morreu no tempo em que ficaram separados.

O Sábado finalmente havia chegado, ambos sabiam que se encontrariam a noite, se não houvesse imprevistos. O dia foi de pura ansiedade. Miyako tinha propositalmente feito algumas pesquisas sobre o assunto que vinha lhe tirando o sono, pois ela bem sabia que Ken vigiava suas atividades, se valeu disso para provocá-lo discretamente.

(...)

Finalmente estavam frente a frente novamente, ambos capricharam em se banhar e perfumar um para o outro, Miyako escolheu uma camisola bonita, não um lingerie para noites quentes, afinal ela mora com os pais, seria estranho se sua mãe encontrasse algo do tipo no seu quarto. Contudo estava linda…

Sorriram um para o outro. Kaiser ainda estava em sua cadeira se controlando para não agir como um lobo faminto e aparentar ser o mais austero o possível. Queria elogiá-la, mas temia parecer ridículo.

— Hoje você pode ver em que eu estava trabalhando semana passada, que julgou ser planos malignos. — encontrou uma evasiva para se controlar e manter a pose de centrado.

Inoue caminhou silenciosamente até ele, maliciosa tocou-lhe o ombro o fazendo olhar em sua direção. Ken assustou-se com a expressão que encontrou no rosto dela, era como se estivesse acabado de ser apresentado a uma nova face.

— O-O que foi? — questionou incerto, ainda analisando a garota.

Inoue não respondeu, escorregou a mão livre para o teclado e desligou o monitor. Um frio repentino percorreu a coluna vertebral do rapaz. Será que ela sabia que ele ouviu sua conversa com Yagami e estava zangada ou algo assim?

— Eu não quero ver isso.— anunciou decidida.

— Então o que você quer? — perguntou confuso, sem conseguir decifrá-la.

— Eu quero você. — o puxou para fora da cadeira e o beijou sendo correspondida com certo choque a princípio, mas em seguida com mesma intensidade.

Havia algo de diferente naquele beijo, naquele abraço, um desespero, uma lascívia exacerbada. Miyako se mostrava tão decidida e dominadora a ponto de deixar Kaiser meio desorientado, por sua personalidade controladora, era como receber um golpe.

As mãos de Inoue correram pelos fios índigos de Kaiser, os desgrenhando, os puxando, enquanto a boca faminta, beijava, mordia-lhe, sôfrego, impaciente.

O gênio se viu girado e suas costas pressionadas contra a parede fria, enquanto os lábios da garota foram para sua orelha, pescoço, mordiscando, as mãos afoitas, arrancaram-lhe o sobretudo e puxou sua camisa, de forma que pudesse adentra-la e tocar sua pele, por onde as unhas percorreram possessivas.

— Eu quero você...— ela ofegava entre beijos, mordidas e palavras. — Quero tanto você. — tornava a reivindicar-lhe os lábios, libidinosa.

O beijo estava delicioso, mesmo guiado totalmente pela garota, o gênio se esforçava para acompanhar seu ritmo, mas seu horror pela repentina atitude predatória de Miyako, era tanto que sentia-se perdido.

Miyako por sua vez, parecia possuída, despudorada o beijava como se quisesse sugar-lhe a alma, enquanto suas mãos tanto o arranhavam, quando brincava pelo corpo masculino, apertando-lhe o traseiro, estimulando sua masculinidade por cima da calça, sentindo seu pulsar. Seu corpo se esfregava ao dele como uma fêmea no cio em um ritual de acasalamento.

— Senti tanto sua falta. — ela declarava entre beijos famintos, as mãos subindo e descendo pelas costas do rapaz, as unhas o arranhando suavemente, provocando arrepios.

— Eu senti a sua. — ele tentava retribuir a declaração nas pausas dos tórridos amassos.

— Eu quero te morder tanto...— Miyako revela em tom manhoso roçando os lábios aos do gênio, como uma massagem provocadora. — Te sentir tanto… — o tom dessa vez sai mais erótico, enquanto ela pressiona suas pélvis arrancando um gemido arrastado do outro.

Kaiser a apertou respondendo os movimentos, esfregando sua masculinidade com mais pressão contra a pélvis feminina, enquanto se perdia em mais um beijo voraz, transbordando luxúria, as línguas se acariciando, se estimulando, a saliva transbordando devido ao apelo corporal, a quantidade de desejo. A química produzida com aquele contato eletrizante, espalhava-se pelo ar, se tornando quase palpável.

Os lábios se separaram e a boca de feminina desceu para os botões da camisa do imperador, começando a arrancá-los sem restrição alguma, enquanto uma de suas mãos baixava o zíper de sua calça.

— Creio que nós devemos ir- — tentou sugerir esbaforido, aturdido, mas foi interrompido por ela.

— Não. — o beijou em meio a sua ofegância. — Eu quero aqui, agora.— foi imperativa, informativa, não esperou consentimento ou resposta, paralelo a isso a mão atrevida adentrava sua cueca e libertava seu membro começando a estimulá-lo deliciosamente, os dedos escorregando pela glande úmida enquanto a boca encaixava-se ao seu pescoço e a língua girava contra a pele causando um misto de sensações.

Em meio a todo seu espanto o gênio já não estava muito interessado em ter o controle de tudo, naquele momento poderia ser o brinquedo dela e deixá-la fazer o que bem quiser Sem mais nenhuma resistência, ele deixou que suas costas deslizasse pela parede, breve ambos estavam no chão, a garota o beijava enquanto sua mão o torturava prazerosamente.

— Você gosta assim? Não é? — Miyako perguntou maliciosa ao ouvido do gênio,mordiscando o lóbulo de sua orelha, brincando com sua língua pelo local, a respiração quente o deixando mais excitado. — Ah gosta. Gosta muito… Eu vou te tratar muito bem essa noite. — a mão fazendo movimentos lentos de sobe e desce, enquanto a boca desliza da orelha para o pescoço.— Você quer?

— Por Kami! — ele mal tinha forças pra responder, ainda mais ao ver a garota se inclinando e descendo beijos pelo seu peito, cada parte que era exposta quando ela arrancava os botões com os dentes, fazendo aquilo parecer tão fácil e sensual.

Aquela não era a Miyako que ele conhecia, não que estivesse achando ruim, muito pelo contrário, mas vê-la dessa forma, sedenta, dominadora, o devorando como uma felina, assim sobre suas pernas, mordendo, lambendo seu corpo loucamente ébria. Ele já se via praticamente deitado no chão, mas sem voz para protestar, questionar, só conseguindo gemer enquanto a mão de Inoue estimulava seu sexo e a boca explorava seu tórax, abdômen.

Ken apertou os olhos e trincou os dentes quando sentiu o caminho que Inoue trilhava com sua boca, deixando rastros de saliva e suas marcas. Abusada, como podia fazer algo assim naquele local, com risco de qualquer um de seus escravos chegar? A ponta do nariz roçava em sua pele, a respiração quente eriçava seu pêlos e cada vez que os dentes cravaram-se em sua carne era um grunhido que ele deixava escapar… Tudo virou névoa em sua mente, quando sentiu a ponta da língua quente serpentear pela sua glande.

Os olhos índigos se arregalaram, instintivamente Kaiser apoiou os cotovelos no chão, sustentando seu tronco inclinado, sua boca se abriu enquanto observava o olhar de Miyako e sorriso somado a expressão de ‘vou te devorar”. De fato já tinham experimentado muitas coisas na cama, mas nunca chegaram a isso. A cena se passou quase em câmera lenta, quando ela segurou seu membro pela base, com firmeza e o abocanhou engolindo-o cada centímetro até onde consegui.

A cabeça tombou-se para trás automaticamente, os gemidos que o gênio tentava conter até o momento, saíram sonoros,. Aquela visão, misto a sensação de ter seu sexo engolido por aquela boca quente, o sugando de forma tão prazerosa, foi demais para ele.

Kaiser sabia que não conseguiria aguentar por muito tempo, afinal estava há tempos sem tê-la e também pela experiência nova e o clima em que se deu… Por mais que se segurasse ao máximo e quisesse que durasse para sempre, sentia que a qualquer momento se derramaria.

— Oh! Miya, eu...— não conseguia formular a frase pois as deliciosas sugadas não o deixava raciocinar, o fazendo puxar o ar e soltar com extrema dificuldade.

— O que foi? — ela parou brevemente o ato e esticou-se selando um beijo breve em seus lábios. — Não está gostando, não estou fazendo direito? — fez um tom infantil, manhosa e ofendida.

— Não.— a resposta veio enfatizada. — Está maravilhoso...— e mal ele conseguiu terminar a frase e ela inclinou-se novamente, estimulando seu membro suavemente, enquanto brincava lambendo e sugando a glande. — Garota você vai me matar assim. — foi tudo que ele conseguiu dizer enquanto cerrava os punhos com força, seu deleite era tão grande que chegava a lacrimejar.

— Então aproveita. — declarou Miyako, concentrada no ato. — Eu quero te dar muito prazer. — a frase saiu com a boca cheia, quando ela já o engolia novamente, forçando-o bem fundo em sua garganta, de forma que ele sentia o aperto em torno de seu sexo e o atritar da glande no céu da boca dela.

— Você me dá, muito… muito...— sem se dar conta suas mãos foram para os fios lilases e se enlaçaram a eles começando a conduzir os movimentos.

Era maravilhoso! Como ela estava linda e sexy, daquela forma, ajoelhada entre suas pernas, cuidando tão bem se seu membro, os longos cabelos desgrenhados, o tronco abaixado e o traseiro empinado, de forma que a camisola se embolou na base dos seios, deixando a calcinha à mostra e novamente a visão se misturava ao ato, intensificando as sensações.

— Miya, eu não posso aguentar mais. — buscou forças para alertar.

— Então não aguente, deixa vir. — lambeu a glande de forma provocante. — Na minha boca, eu quero sentir seu gosto. Quero beber cada gota de você. — declarou voltando a devorá-lo com urgência, mas cautela afinal era pra ser prazeroso e não doloroso.

— V-Você quer? — a voz do rapaz saiu esganiçada de prazer, o tom estarrecido pela forma indecorosa que a garota continuava a se mostrar.

Kaiser estava escandalizado e enlouquecido com a ousadia e com o ato, aquele pedido e a forma com que foi feita fora tão excitante. Ele se deixou levar pelas sensações enquanto a garota caprichava, visivelmente apreciando o que fazia, lambendo, chupando, babando, gemendo com a boca cheia, declarando o quanto ele é gostoso, o quanto o queria.

Uma das mãos do gênio agarrou firme na cabelos lilases impulsionando o ato, enquanto a outra desferiu um estalado tapa no traseiro empinado que lhe capturava a atenção. Ela continuou concentrada no ato, dando o melhor de si, tinha ‘estudado’ sobre o ‘tema’ e queria ir bem na prática, estava gostando do resultado até agora.

Ele não queria que tivesse fim, poderia morrer naquela boca maravilhosa que o sugava tão prazerosamente e levando a beira da insanidade, mas já estava em seu limite e não conseguiu mais se conter, sentindo-se abatido por uma avassaladora onda de prazer, que vibrou e queimou sua pélvis explodindo em sensações por todo seu corpo, enquanto seu membro vibrava e engrossava se derramando em libido na boca de sua inimiga amante.

Ele permaneceu por um tempo com o olhar desfocado e a respiração pausada, apreciando cada espasmo de prazer, em seguida deixou que seus olhos e fechasse lentamente enquanto soltava o ar e inalava novamente, enchendo os pulmões.

Miyako o libertou e ergue seu tronco para admirá-lo, adorava ver aquela expressão de prazer no rosto do rapaz, era fascinante! Ainda sentia em sua boca o gosto forte dos fluidos que experimentara, não era ruim, nem bom, mas se fosse para fazer novamente ela faria só para vê-lo se derramando pra ela, desorientado de prazer.

Quando Ken abriu seus olhos, encontrou Inoue sobre suas pernas o admirando com um sorriso no rosto, imediatamente teve ganas de beijá-la, puxando-a contra si, sentindo seus braços quase sem forças. As bocas se encontraram ternamente, ele pode sentir seu gosto, mas não o incomodou em nada, acariciou a língua dela com a sua lenta e afetuosamente, como se agradecesse por todo deleite proporcionado.

— O que aconteceu com você? — ele perguntou zonzo ao separar os lábios.

— Alguma reclamação? — questionou audaz, acariciando os traços finos e delicados do rosto do inimigo.

Ele observou o estado em que ela o deixou; jogado naquele chão, quase sem forças para conversar, o sobretudo jogado para o lado de qualquer maneira, a camisa destroçada, sem botões e as calças e roupa íntima estavam uma bagunça e ele nem queria parar para imaginar sua cara e cabelos como deveriam estar.

— Nenhuma. — a apertou em seus braços, apoiando o queixo na curvatura de seu pescoço. — Nenhuma mesmo.— suspirou profundamente, aproveitando o tempo para se recompor, pois bem sabia que aquele era só o começo...