Inimigos Íntimos
38 Acordo
POV NARRADOR
Inoue não tinha a mínima capacidade de raciocinar enquanto rendida nos braços de seu inimigo, toda fúria, revolta, frustração, senso ou seja lá mais os muitos motivos que ela tinha para estar relutante contra momentos como aquele, desapareciam de sua mente, tudo se embaralhava, enevoava e seus barreiras sempre caiam por terra.
Ao findar daquele beijo ela poderia tentar pensar, tentar respirar, tentar reagir ou agir de alguma forma, mas qual? E justo a garota impulsiva que sempre tinha uma reação pronta e ligeira para cada ação… justo ela… O beijo foi quebrado e a violacea não sabia como reagir, mal conseguia se firmar sobre suas próprias pernas.
Lágrimas de humilhação escorreram por sua face deixando o gênio confuso, odiá-lo, ter medo e nojo dele era a única coisa que Inoue julgava ser racional em si, diante de toda aquela situação, mas agora esses sentimentos estavam tão turvos e… Por Kami! Era tudo que ela tinha de concreto, já o admirara como falso ídolo, o idealizou por sua aparência e aprendeu sua lição, sim, porque agora ela já não era nem a sombra da tola que um dia fazia montagens de suas fotos com as dele envoltas em corações.
— Como pode ser tão cruel? — ela sussurrou em meio às lágrimas, os soluços, a voz alterada pelo ato.
— Hey, para com isso, eu não fiz nada ainda. — Kaiser já sentia o peso que seria contar para ela suas últimas ações relacionadas ao parceiro Digimon.
— Você não entende nada mesmo, se diz um gênio, mas…
— Miyako, pare com isso, pare de dramatizar como se estivesse em uma opera. Eu te dei um tempo, deixei que você respirasse, ficasse livre, descansasse. Considere isso como um ato de gratidão por ter cuidado de mim. Pensei que ficaria feliz, não? — lhe acariciou as bochechas com os polegares, secando-lhe as lágrimas.
— Dramatizar? Ficar feliz? Você não ouviu uma palavra do que eu disse, Ken o mundo está desmoronando sobre a minha cabeça, a nossa volta, eu… eu… Não acompanho a sua linha de raciocínio. Já não sei dizer…
— Dane-se esse mundo, Miyako, eu não me importo e, com o tempo você também não vai precisar se preocupar com mais nada disso, eu sei que se sente mal por aqueles que se dizem meus familiares, sei que fica sentindo a dor que eles tentam aparentar, mas você não sabe a verdade, não sabe nada sobre aquela gente.
— Ken, são seus pais, estão muito preocupados com você.
— Oh, mas é óbvio que estão, e sabe porque? — havia uma seriedade sólida em seu olhar, uma pitada severa de amargura. — Não é a mim que eles querem e sim o que minha posição na sociedade japonesa representa.
— Um prodígio…
— Prodígio, idolo, gênio... O troféu para estante da família Ichijouji. Uma maldita família cujo nome nunca significou nada na sociedade japonesa, nunca foi sinônimo de posses ou tradição, nossa ascendência é miserável e desconhecida, foi através de mim que o nome “Ichijouji” ganhou algum destaque, um certo prestígio
— Ken? — o chamado saiu hesitante, como quem analisa bem as palavras e as reações do garoto, havia tanta mágoa, tanto pesar naquelas palavras, mas era um desabafo? Por um breve piscar de olhos ele teria se aberto? — Você se ressente de quem você é? Dúvida do afeto de seus pais, atribui a preocupação dele a títulos e posição perante a sociedade? Isso é loucura.
— NÃO OS DEFENDA! — de repente aquela tempestade de ira tomara seu lugar novamente e o imperador insano estava de volta ao comando das emoções desequilibradas, mas ela não recuou e não transpareceu seu temor, manteve-~e a encarar os orbes índigos embaçados. — PORQUE SÃO POBRES PAIS INOCENTES, NÃO É?PORQUE EU SOU O LOUCO QUE TE OBRIGA A ESTAR AQUI, QUE MALTRATA AS CRIATURAS INDEFESAS DESTE MUNDO, NÃO É? — a empurrou de forma brusca fazendo com que suas costas se chocasse contra parede. — VOCÊ NÃO CONVIVEU COM ELES, COM A INDIFERENÇA, A HOSTILIDADE, COM O PESO DE SER O FILHO QUE SOBROU, O FILHO ERRADO… O FILHO ERRADO!
Miyako arregalou os olhos, seu coração acelerava em seu peito, não sabia o que responder e nem mesmo o que pensar.
— Você é uma tola, sempre se engana pela aparência. Chegou aqui e fez um intenso desabafo sobre as, merdas imaturas, que eu faço e caem sobre suas costas, então ouça bem… Você tem noção do que é para alguém como eu sentir o que sinto por alguém como você? Uma criatura de raciocínio e intelecto inferior, que deixa com que as aparências e as emoções sejam guias dos seus julgamentos?
— E o que você sente por alguém como eu? Luxúria? — sorriu com escárnio.
— Antes fosse, eu saciaria meus desejos e te mandaria de volta para o mundo real e seguiria meus planos, mas não… Eu sinto sua falta, quero você a minha volta, preciso que pense em mim, mesmo que seja sentindo raiva, me amaldiçoando. Não era previsto, Miyako, não era previsto essa dependência, mas eu não posso mais pensar em uma vida sem você.
— Você é louco.Como pode pensar tantas coisas horríveis sobre mim e…
— Como eu posso? Você está do outro lado, Miyako, prefere seus amigos, os Digimons, sua ideologia idiota, minha família a qual você nem conhece… Sim, você defende o lado de uma história a qual você não sabe nada. Raciocina por um momento, sou uma mancha no seu orgulho tanto quanto você é para o meu, sou um veneno nas suas veias, tanto quanto você é para as minhas e nós somos iguais.
— Eu não sei se somos porque você já brincou tanto com a minha vida, com a minha mente e os meus sentimentos, que eu já não sei quase nada, tem partes da minha vida faltando nas minhas memórias, tem dores e humilhações pelas quais eu jamais merecia ter passado, eu estou aqui, mas tão quebrada. Eu não estou onde deveria estar e isso está me matando aos poucos. Você pode até me manter do seu lado, mas a que preço? A cada dia morre um pouco de mim.
— É por isso que vou te deixar ir e lutar pela sua causa.
—O que?
— O que você ouviu. Vá com seus amigos e lute pelo que você acredita, pois quando eu vencer não quero que jogue na minha cara que se você estivesse ao lado deles a luta teria sido mais justa. Depois de uma conversa que tivemos eu pensei muito e… Vou deixar que volte para o campo de batalha e de o seu melhor.
Não havia sarcasmo, deboche algum na voz do gênio, era absolutamente sério, a garota não sabia como deveria se sentir, o que pensar, ele estava lhe dando a liberdade, mandando para que lutasse contra ele.
— Quer dizer que vai devolver Hawkmon? — pergunta atordoada.
— É sua arma, afinal, mas não posso simplesmente deixar que você o leve assim do nada. Darei um jeito de atrair seus amigos para uma de minhas bases, de forma que eles pensem que me descobriram por si, farei uma falsa fuga e lá eles encontrarão seu parceiro. As apostas estão abertas para saber qual dos heróis irá lhe devolver seu amado parceiro.— em sua fala havia deboche e ciúmes.
— Então isso é uma despedida? — Inoue foi direta.
— Não, querida, isso é apenas um acordo. Como eu acabei de lhe confessar, preciso de você a minha volta, não depois que essa guerra acabar, preciso agora, óbvio que se eu apenas lhe devolvesse seu parceiro não haveria motivos para que você atendesse meus chamados, sendo assim...— ele começou a remexer em seu bracelete e o coração da garota já congelou. — Quero que você presencie isso.
Uma enorme tela foi ligada, apresentando a imagem de Hawkmon em uma espécie de laboratório, sendo segurado por Digimons estranhos e pavorosos, um deles tinha uma enorme seringa em mãos, contendo um líquido verde o qual se aproximava para injetar no parceiro de Inoue.
— HAWKMON! — Gritou a violacea, correndo para perto da tela, vendo a expressão de pânico no rosto do parceiro. — O que está fazendo com meu parceiro, seu lunático? — correu de volta para Kaiser estapeando seu peito, entre lágrimas.
— Ele só vai sentir uma picadinha. — segurou os pulsos da garota. — É um vírus, vai crescer e se modificar dentro dele de acordo com as minhas configurações e isso ainda te faz minha prisioneira.
— Você está colocando uma bomba dentro do meu parceiro? Sua loucura não tem limites? É assim que pretende me libertar? — se debatia tentando acertá-lo de alguma forma.
— É assim, não importo que me chame de louco, estou sendo benevolente em te devolver para a frente de batalha, para junto daquele vermes, não pense que eu ficaria sem você. Vai lutar ao lado dele… Sim, vai, mas quando eu te chamar você virá, boazinha, obediente.
— Não pense que vai me fazer de sua espiã. — esbravejou se debatendo.
— Não preciso que seja minha espiã, lhe dou a minha palavra que não tocaremos em assuntos relacionados aos seus planos de batalha, até porque isso não importa, pois sairei vitorioso dessa. E sobre isso eu quero negociar com você.
— Quer negociar comigo? — parou de se debater e o encarou.
— Sim, vou lhe mostrar algo que me garante a vitória e depois te farei uma proposta.
Saiu puxando a garota pelo pulso, passando por corredores os quais ela nunca tinha estado antes, chegando a um laboratório, o mesmo onde Hawkmon estava desacordado, antes de qualquer coisa a violacea correu para perto do Digimon.
— Hawkmon! — chamou lhe acariciando a fronte.
— Ele só está adormecido, não se preocupe.
— Ele tem uma bomba dentro do corpo. — retrucou entre os dentes.
— Que eu vou remover quando tudo isso chegar ao fim. — respondeu com um sorriso largo, como se fosse algo completamente normal. — Vamos continuar o passeio.— tornou a puxar a garota pelo pulso.
Só então Miyako, se deu conta da bizarrice do local onde estava, havia vários tanques contendo água e Digimons dentro, muitos faltavam partes em seus corpos, uma área cheia de Digitamas com cores e formatos estranhos, muitos pareciam deformados,
O local possuía uma atmosfera pavorosa, máquinas que ela desconhecia, sonoridades estranhas, rugidos, grupinhos de dor, e o som de criaturas relutando em jaulas, o mais bizarro eram os Digimons que circulavam pelo local, eram seres altos e esguios cobertos por um enorme manto roxo amarronzado, como se fosse envelhecido ou sujo, não era possível ver suas faces, apenas os luminosos olhos púrpura, acesos com faróis, e suas mãos desproporcionais e peludas com garras enorme, embora o formato fosse humanoide.
— Que lugar é esse? Que Digimons são estes? — gaguejou incerta sobre querer mesmo ouvir a resposta.
— Que bom que perguntou.— sorriu pavorosamente. — A Espiral Negra não me fez vencer a batalha, mas graças a ela poderei vencer a guerra. Esses Digimons pertencem a outra dimensão, a Dimensão Sombria, contemple meus novos escravos, Alchemistmon.
— Só pode ser brincadeira. — fez troça, mas em seu íntimo estava amedrontada.
— Não é brincadeira. Sabe qual um dos poderes de Alchemistmon? É transformar dados em matéria, carne e ossos, mesmo aqui no Mundo Digital. Sabe o que acontece se um Digimon se torna matéria?
— Não pode mais voltar a ser Digitama e regressar para Cidade do Principio. Isso é monstruoso...— sussurrou petrificada.
— Não, querida, isso é monstruoso...— Apontou para um enorme tanque onde uma criatura gigantesca e horrenda, se encontrava, os olhos de Inoue se arregalaram.
— O que, em nome de Kami, você está fazendo?
— Garantindo a minha vitória sobre seus amigos e a conquista definitiva desse mundo.
— Essa coisa é composta de partes de vários Digimons?
— Essa coisa será minha obra prima, ainda não está completo, mas falta pouco. Não são partes de qualquer Digimon, são partes muito bem selecionadas para criar um ser perfeito, um parceiro perfeito. Admita, Inoue, quando essa maravilha estiver finalizada vocês não terão a menor chance contra mim.
Miyako estava trêmula, era como se houvesse pedras de gelo em seu estômago, uma má impressão, um pressentimento ruim a abateu, aquele enorme monte de matéria, com partes ainda sem definição, parecia sentir seu medo e saboreá-lo.
— Porque está me mostrando sua arma secreta, se vai me mandar de volta ao campo de batalha? Isso é uma tentativa de me intimidar? — “se fosse, ele tinha tido um grande êxito” Ela completou em pensamentos, ainda atordoada com a visão.
— Não exatamente. Diante disto eu quero te fazer uma proposta. Se eu ganhar a batalha final, pouparei as vidas de seus amigos e os enviarei em segurança para casa, usarei os poderes de BlackTailmon, para apagar tudo sobre esse mundo da memória deles e destruirei seus dispositivos digitais, se…
— Se? — a garota voltou seus âmbares curiosos para o gênio.
— Se você ficar comigo neste mundo.
— Como pode me propor algo assim? E minha família? Meus estudo? Minha vida?
— Teriam noticias suas, mesmo que falsas. Eles pensam que somos namorados, bem… Namorados fazem essas loucuras como fugir. Encaixaria perfeitamente, primeiro eu sumi, depois voltei para te buscar. Não acha romântico? Seríamos um “Romeu e Julieta” que deu certo.
— Meu Kami! E eu viveria feliz para sempre te vendo escravizar e massacrar esse mundo. Claro, realmente é muito romântico.— foi sarcástica.
— Você está sendo limitada em relação a isso, pois se as coisas feitas a minha maneira te parecem muito radical, estou inclinado a te dar uma chance de amenizar isso. Não que eu sinta qualquer compaixão ou apreço por essas criaturas, mas não gostaria de te ver infeliz ao meu lado me enchendo com suas lamúrias — declarou convictamente.
Inoue respirou fundo e engoliu certa quantidade de saliva. Ele disse que estava disposto a ser menos cruel com os Digimons, estava disposto a ouvi-la, era isso mesmo? Era indecente e absurda aquela proposta, mas garantia o bem estar de seus amigos e, em partes, das criaturas daquele mundo. Ele poderia estar mentindo, afinal ela não se via tendo tanto poder sobre suas decisões, mas…
— E se você perder? — Rebateu interessada.
— Eu lhe darei tudo o que é preciso para destruir as muitas Torres e livrar os Digimons da influência delas, de uma só vez, de forma fácil e sem lutas.
— Volta comigo para o mundo real, vai resolver os problemas com sua família e contará a direção da escola que foi você quem divulgou as informações pessoais dos alunos e limpará a imagem do Koushiro-kun, e mais, entregará seu digivice?
— Tem a minha palavra, mas nós sabemos que isso não vai acontecer. Você e seus amigos não tem poder o suficiente para lidar com meu futuro parceiro.— sorriu garboso, colocando as mãos nos bolsos do sobretudo e rondando a garota a espera de sua resposta. — Você quem decide, mas só pra constar, se não aceitar minha proposta e não me preocuparei com a segurança dos seus amigos, mas com a sua sim, farei questão de te mandar de volta para o mundo real, onde você viverá dia após dia com o peso da culpa de uma escolha errada.
Inoue ponderou bem as palavras do, gênio insano. No momento sentiu-se jovem demais para tomar uma decisão tão importante, se os escolhidos perdessem a guerra, ela sabia que poderia ver seus amigos mutilados ou perdendo suas vidas. Como ela conseguiria conviver com a culpa?
Por outro lado, se aceitasse a proposta, sabia que poderia ficar sossegada em relação a segurança de seus amigos, pois se perdessem eles teriam direito a uma vida normal no mundo real, sem as memórias da derrota e dos parceiros que perderam. O que mais lhe doía era abrir mão de sua família, imaginar o sofrimento deles, com certeza era bem pior do que chorar por seu futuro jogado fora para viver a mercê da loucura de Kaiser.
Enquanto a garota se perdia em dúvidas, encarou o enorme tanque onde estava a criatura bizarra e os olhos do ser se abriram para ela, vermelhos, com um brilho demoníaco e tão intenso que a fez ficar tonta. Ao perceber o olhar da violácea, o gênio se atentou a criatura e espantou-se com o que viu.
— Como assim? Está reagindo agora? Tem algo errado, não está completo...— mas sua fala foi interrompida com o barulho do vidro se quebrando e uma farta quantidade de água caindo no chão. — Droga! — Kaiser agarrou a garota pela mão e tentou puxá-la, mas ela não se movia.
Miyako pode ver a criatura cinza e deformada que saira daquele tanque, parecia uma esfera de negatividade, uma bomba de ódio ambulante prestes a explodir, seu tamanho era abismal, o corpo lembrava um Greymon, mas as patas eram de Garurumon, embora a cor estranha era possivel ver algumas listras azuis.
Kaiser chamou por seus escravos, tentou puxar Inoue mais uma vez, mas desistiu e a pegou em seus braços, ainda quando rumavam para outro local, a criatura deu um enorme rugido que chegou a criar uma onda de ar, chegando a derrubar algumas coisas.
A garota só conseguia pensar que sua vida tinha chegado ao fim, pode ver a movimentação dos escravos de Kaiser tentando deter a fera, sendo arremessados para longe causando destruição pelo local. Ken não estava, exatamente, um poço de coragem, na verdade não previa que algo assim pudesse acontecer, aquilo era um protótipo para seu parceiro perfeito, bem se ele sobrevivesse.
Em dado momento o monstro saltou e se colocou bem a frente de seu futuro mestre, pronto para atacar, mas foi pego por um ataque combinado de cinco Alchemistmon, que o cercaram e ergueram o indicador.
— Material Corrupitelun! — raios roxos foram atirados contra a fera e ela foi se derretendo, uivando, urrando, se contorcendo e saindo fumaça, exalando um odor horrendo.
A garota se agarrou ao inimigo, escondendo a cabeça contra seu pescoço e querendo não estar presenciando aquilo. Até mesmo Kaiser estava petrificado com o peso da cena, mas se fez de forte.
— Limpem essa bagunça e reiniciem o projeto, Chimairamon. — ordenou olhando a massa cinza que sobrou, ainda borbulhando, no chão. — Vamos querida, deixe os senhore trabalhando.
Andou com a garota, se encaminhando para outra repartição do laboratório. Não tinha mais o que pensar, eles lutariam com tudo, mas um monstro como aquele seria difícil derrotar, ela não queria ver seus amigos massacrados por aquela besta macabra, e aquilo era só um protótipo, ela nem queria imaginar quando estivesse completo.
— Eu aceito o acordo. — sussurrou ainda sem coragem de abrir os olhos. — Se… se você ganhar, eu fico aqui, mas quero aquela coisa longe dos meus amigos.
— É uma escolha muito sábia da sua parte.— sorriu triunfante. — Sendo assim, vamos selar nosso acordo.
A depositou em uma cama cirúrgica e antes que ela pudesse protestar, sentiu seus pulsos sendo presos por amarras automáticas, a iluminação do foco cirúrgico foi acesa, fazendo com que ela fechasse os olhos incomodada.
— O que é isso? O que você vai fazer comigo? — perguntou horrorizada.
— O que vai fazer comigo? — a imitou e riu insanamente. — O que vai fazer comigo…— imitou mais uma vez —Na era medieval as pessoas selavam os acordos com as marcas dos brasões de suas famílias… — virou-se de costas e começou a mexer no balcão, os sons dos objetos cirúrgicos, fazia Inoue se contorcer de pavor.
— Ken, para de bizarrice, o que você vai fazer? Não me faça mudar de idéia. — falou trêmula.
— Calma Inoue, eu só vou te dar a minha marca...— sorriu se aproximando e abriu os primeiros botões do vestido vinho, expondo o lingerie, acariciando o vale entre os seios. — Aqui é perfeito, você vai ser minha para sempre...— sorriu insano e acendeu um objeto preto cilíndrico cuja a ponta emitia uma luz azul.
— Espera, Ken… Não...
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