Inimigo Meu

3 capitulo 3 - E Era Uma Vez...


Notas iniciais
Olá!!!! Bem, sei que demorei eternidades para postar um novo capitulo, mas eu não esqueci da historia não e como prova aki vai o terceiro capitulo. Espero que gostem... Kissus...

Era verão.

E em como todas as noites de calor insuportável, me atrevia a subir no telhado para tomar um pouco de ar fresco e admirar as estrelas. Eu gostava de vê-las brilhando no céu, rodeando como pisca-piscas de natal, a enorme e emoldurada lua...

Mentira.

Era obvio que eu não subira até ali apenas para ver as estrelas. Que espécie de idiota eu seria se fizesse isso em plenos vinte e nove anos de idade?

A verdade era que dali de cima eu tinha uma visão privilegiada de toda a rua, que devido a ser de madrugada, estava calma, silenciosa. Nem parecia que ali era um dos bairros mais famosos de toda a Grécia e claro, aonde se localizavam os dois melhores restaurantes do país. Mas falar sobre isso não vinha ao caso agora. Exatamente da onde eu me encontrava, podia se ver com extrema clareza tudo que se passava na casa em frente da minha. Mas meu único objetivo era certo quarto...

E como em todas as noites, lá estava ele, sentando no parapeito da janela a ler algum livro qualquer. A tez levemente franzida a constatar com os óculos de leitura de armação fina que usava. Uma visão surreal e quase perfeita. Os longos e lisos cabelos vermelhos estavam completamente soltos, o que não era costume seu, caindo feito cascatas por seus ombros. Trajava uma camiseta leve e uma calça velha de moletom. Tão lindo que poderia me fazer ficar horas ali, apenas o observando.

Isso já tinha se tornado um ritual e apesar de nossas famílias viverem em constante pé de guerra (ah sim, acho que agora nem preciso explicar a quem pertencem os dois maiores restaurantes do país, não é?) não conseguia evitar admira-lo. Era quase que um amor platônico, que apenas eu tinha conhecimento e que de certa forma me sufocava tanto, que chegava a tirar minha razão.

Desde a primeira vez que o meu olhar cruzou com o seu verde quase que hipnotizador eu tive uma única e absoluta certeza. Meu coração pertenceria eternamente a ele. Sorri de forma melancólica ao admitir em meus próprios pensamentos que o amava. Minha real vontade era poder dizer a “ele” que eu o amava.

Voltei a encará-lo novamente. Estava tão concentrado com sua leitura, na realidade sempre estava, que nem se quer era capaz de perceber que era observado. Infelizmente ele jamais saberia de meus sentimentos e o meu destino seria ter de aceitar conviver com essa realidade.

Sendo assim, acho que finalmente era hora de dormir...

Ergui-me de onde estava sentado e como eu sempre fazia, sorri para ele mandando-lhe no ar um beijo de boa noite, que somente eu, a lua e as estrelas saberiam que era para o ruivo.

Contanto o que eu não imaginava aconteceu...

Dessa vez ele havia percebido.

Tinha visto o beijo soprado, tinha descoberto o meu esconderijo... E agora me observava com os seus olhos terrivelmente verdes, como se pudessem ser capazes de ler a minha alma.

Droga!

O que faria agora? Saia correndo? Mas como eu poderia sair correndo se estava totalmente travado, paralisado? Ele me encarava detalhadamente, apenas fitando-me sem nada a dizer e eu até preferiria que ele me xingasse e me mandasse descer para uma briga. Mas nada. Ele não fazia absolutamente nada...

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Parou de digitar de repente.

Seria loucura de sua parte dizer que gostava de Camus desde a primeira vez em que o vira?

Milo se perguntou enquanto encarava a tela do computador a sua frente e nelas as inúmeras linhas que formavam um trecho do primeiro capítulo do romance que escrevia. Sim. Seria uma enorme loucura dizer que você é perdidamente apaixonado por alguém há mais de onze anos. No entanto, essa era a sua realidade. Amava aquele ruivo desde a primeira vez em que seus olhares se cruzaram, quando tinham apenas quinze anos de idade.

O problema era que nunca, jamais, fora capaz de confessar-lhe seus sentimentos. Durante onze anos guardara apenas para si esse amor insano, errado, platônico. Desde aquele dia em que Camus prometera para sua mãe que não voltaria a vê-lo, nunca mais haviam se falado e naquela manha, fora a primeira vez depois de todos esses anos... Como poderia então confessar algo dessa forma? Como, se o ruivo fizera questão de seguir as regras nas quais eles eram e seriam inimigos para sempre? Após algumas tentativas em vão, desistira de dizer-lhe que o amava e também de tentar o convencer que poderiam mudar aquela situação. E por todo esse tempo conseguira superar e manter guardado no mais profundo de seu peito o amor que sentia.

Até aquela manhã...

O barulho de um trovão se fez presente do lado de fora e logo em seguida a chuva começou a cair. A noite se mostrava pela janela, totalmente escura, sem estrelas, sem lua. Uma tempestade desabava da mesma forma em que uma se apossava de seu coração.

– Camus... – sussurrou o nome do amado sem perceber que naquele exato momento alguém adentrava seu quarto.

– Você já o conhece não é?

Um Ikki serio se aproximou de si encarando-o. Nos olhos negros uma mistura de irritação e ao mesmo tempo preocupação. Odiava o fato de saber que Milo já conhecia aquele maldito, mas a verdade era que odiava ainda mais ver seu adorável irmão sofrendo. E definitivamente não queria que ele sofresse por causa do ruivo, isso ele jamais permitiria.

– Desculpe ter entrando em seu quarto sem bater. – finalizou encarando os olhos terrivelmente azuis do irmão que apenas o observavam sem conseguir dizer absolutamente nada. Ainda se encontrava perdido em seus pensamentos e até voltar à realidade, demorou um pouco.

– Sabe que você pode fazer isso sem problema nenhum, afinal somos irmãos. – o loiro sibilou após tomar ar e finalmente resolver se manifestar. — Quanto ao Camus... Sim eu já o conheço.

– Desde quando?

Milo riu com a pergunta. Desde quando? Como gostaria de responder que já conhecia Camus Morrice há muito tempo, mas não se pode dizer que se conhece uma pessoa que vira somente uma única vez há exatamente onze anos atrás... Era até engraçado dizer que o amava levando em conta essa questão, no entanto o amor que nutria era algo que nos seus romances ele colocava como amor a primeira vista. Aquele sentimento que nasce no peito de repente apenas em uma simples troca de olhares, o saber que a partir daquele momento mesmo que o outro ainda não saiba, seu coração pertencerá eternamente a ele. Então era isso, amava-o porquê sabia que esse era o seu destino traçado pelos deuses muito antes de seu nascimento.

– Não há desde quanto Ikki, eu o vi uma única vez e isso já faz muito tempo. Onze anos para ser mais exato. – contou para o moreno se levantando da mesa do computador e se colocando a sua frente. – Bem naquele dia eu pensei que ele era diferente dos demais membros de sua família, já que foi gentil e até me ajudou em um problema. Mas... Acho que eu estava absolutamente enganado.

– Eles são todos iguais. – o moreno cuspiu as palavras sem conseguir esconder o ódio que nutria inconscientemente. As lembranças do dia anterior quando recebera em mãos as fotos da “noite” em que sua namorada passara com o rival. O maldito tramara tudo e ainda lhe enviara as provas para finalizar com chave de ouro. Aquilo definitivamente teria retorno, acabaria com ele nem que fosse preciso descer ao seu nível. – Mas isso não ficará assim Milo, não vai mesmo.

– Sei, e vai devolver-lhe tudo com a mesma moeda não é? – o loiro questionou já imaginado o porquê das duas famílias serem inimigas, uma confrontava a outra sempre querendo ser a melhor, sempre dando o troco, sempre se vingando... Para si isso era ridículo e por que não dizer medieval? Droga estavam em pleno século XXI! – É por isso que os Kazame e os Nagumi vivem em constante pé de guerra. Por deus Ikki, você é muito melhor do que ele para se permitir entrar nesse joguinho.

– Ele transou com a minha namorada Milo, não tem como deixar isso barato.

– Então o problema aqui é o seu orgulho.

O loiro sabia perfeitamente bem que seu irmão do meio possuía um gênio terrível, bem como o de seu pai. Era orgulhoso demais para permitir ter seu ego ferido daquela forma e não fazer nada para amenizar sua frustração. Sempre fora assim, desde criança. Não era como Shun seu irmão mais novo que definitivamente puxara a mãe calma e ponderada. Ou até mesmo ele que era filho de uma mãe diferente e de origem grega. Milo era alegre, sempre pensava muito bem antes de agir e era centralizado demais para se permitir perder o controle.

– Ikki, essa historia já chegou longe demais, vamos enterrar isso agora que temos a oportunidade. – disse tocando de leve o ombro do irmão. – Não se iguale a ele, pelo contrario, mostre que pode ser muito melhor até. Eu sei que você não gosta tanto assim dessa tal de Esmeralda, ela merece que você se rebaixe assim?

– Não. – Ikki concordou vencido pelos argumentos do irmão, tudo que ponderou dizer para mostrar que estava com a razão de se vingar indo por água a abaixo. Realmente não amava tanto assim Esmeralda e começar uma briga infantil e sem fundamentos entre suas famílias poderia causar mais uma desgraça e não queria que isso ocorresse de novo, já bastava o que acontecera com seu tio. – Ela não merece... E eu posso até passar uma borracha nisso tudo, mas pode ter certeza que se aquele ruivo desgraçado aprontar de novo eu acabo com ele.

– Se ele aprontar o venceremos aumentando o nível e as vendas da construtora. Não precisamos partir para a violência para provarmos que somos melhores. – a mente de um brilhante e renomado escritor falando por si. Estava com a razão, isso era o melhor a se fazer, afinal quando um não quer dois não brigam. Faria a sua parte para acabar com toda aquela “rixa” que suas famílias possuíam.

– Quer saber? – o moreno riu diante dos argumentos do irmão, sempre soube que ele era brilhante, mas dessa vez ele se superara. – Você realmente merece o titulo de um dos grandes escritores da atualidade mano.

– Disponha. – devolveu o sorriso seguindo até a porta do quarto. – Agora que tal descermos para jantar? Estou morrendo de fome...

– Claro, mas antes quero dizer-lhe algo. – Ikki ditou seguindo até onde o irmão estava e parando a sua frente.

– Diga então.

– Terá que me ajudar na construtora para sermos melhores do que Camus Morrice. – respondeu dessa vez demonstrando uma expressão seria. Milo poderia ser de grande ajuda, não só por que era capaz de acalma-lo quando ninguém mais podia, mas também pelo fato de que com a mente brilhante e ponderada do irmão, poderiam crescer e muito. – Você também é um herdeiro loiro, não pode jogar tudo para mim.

Um longo suspiro escapou dos lábios do grego, definitivamente Milo odiava passar horas preso em um prédio a examinar relatórios e tratar de negócios. Gostava de ar puro, de liberdade, de sentar na areia e admirar o mar enquanto escrevia seus romances. Ele gostava de ser livre e ficar na construtora era algo que o desagradava amargamente. Mas faria um esforço por Ikki...

– Está bem Ikki, pode contar comigo quando precisar... – respondeu sorrindo. – Mas agora podemos finalmente jantar? Eu não estou brincando não, meu estomago está roncando.

– Podemos sim seu esfomeado. – um Ikki visivelmente mais relaxado e descontraído concordou seguindo o irmão rumo à sala de jantar.

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A chuva caia insistente do lado de fora, fazendo um irritante barulho ao se chocar nos vidros das janelas que ao julgar de Camus era algo quase que aborrecedor. Suspirou fundo levando as mãos até um dos muitos recortes de jornais espalhados por sua mesa de escritório. Ali estava o verdadeiro motivo de toda a sua raiva, o que o motivava a seguir em frente, a querer destruir por completo a família Kazame. Leu um dos títulos em negrito, analisando os malditos fatos que trouxeram toda aquela desgraça para sua família.

Até onde o ódio pode levar alguém?

Briga entre famílias causa morte de um dos empresários mais aclamados do país.

Como gostaria que as coisas pudessem voltar atrás, que tudo o que acontecera não passara apenas de um pesadelo, no entanto a verdade era dura e infelizmente tudo o que acontecera era a mais pura realidade. Seu amado tio que um dia o acolhera como próprio filho, que sempre o amou e o ensinou tudo o que era hoje, estava morto. Morto! E tudo por quê? Por que um maldito Kazame se achava no direito de se intrometer em suas vidas e ainda por cima tirar-lhe o seu bem mais precioso. Isso não merecia perdão, ele jamais perdoaria aquele maldito...

Desceu os dedos pelo restante da reportagem não conseguindo evitar ler o que nela estava escrito, era algo quase que automático, como se aquelas palavras tivessem o poder de incentiva-lo ainda mais, de motiva-lo a seguir em frente e destruir com todas as suas forças aquela família.

“Hoje pela manha fora divulgada a noticia que simplesmente chocou o país. A morte de Daisuke e Bella Nagumi, representantes de uma das famílias mais importantes do Japão. As causas das mortes ainda não foram fornecidas, apenas sabe-se que Kohjiro Kazame tem ligação direta com o ocorrido. Segundo fontes, o irmão mais novo do presidente das construtoras Kazame´s, tinha uma relação extraconjugal com Bella Nagumi, o que nos leva a deduzir que as mortes foram causados em um momento de desavença que infelizmente tirou as vidas da jovem senhora e de seu marido. Kohjiro se encontra no momento em prisão domiciliar e mais nenhuma informação fora passada.”

Um sorriso amargo brotou nos lábios do ruivo ao terminar de ler o recorte. Há exatamente um ano atrás, seu tio fora assassinado cruelmente junto com sua tia, pelo maldito Kazame que tanto odiava. Na reportagem fora dito que Bella era sua amante, mas a verdade era que ela era perseguida pelo desgraçado, que sabendo que a mesma era casada e o próprio também, mesmo assim não desistia. A queria de qualquer forma e quando a jovem mulher de seu tio o recusara, ele simplesmente perdera o juízo. E embora estivesse preso a pagar pelo crime, isso não era suficiente para Camus, queria ver tudo ao seu redor destruído, sua empresa, seus parentes, tudo! Iria tirar dele o mesmo que lhe fora tirado. As pessoas que mais amava na vida...

Parecia até um castigo do deuses, embora não soubesse o porquê de isso ocorrer consigo. Mas primeiro lhe fora tirado seu amado pai, quando tinha apenas quinze anos de idade e a dor que sentira fora por demasiado terrível, cruel. Estava sozinho, sem o homem que lhe era o exemplo de vida, que o ensinara a andar, a falar suas primeiras palavras... E em meio a tudo isso a luz que o salvou fora seu tio. Um homem virtuoso que apesar de ainda ser jovem e inexperiente o acolheu como um verdadeiro filho. O ensinou a se tornar um homem forte e ponderado, aquele que era chamado por todos de grande empresário. O homem que aprendeu a considerar e a chamar com o tempo de pai.

E novamente ele lhe era tirado como seu verdadeiro pai.

Mas não iria deixar isso barato, mesmo que não pudesse mais vingar a morte de seu pai, vingaria pelo menos a de seu tio. Destruiria tudo que era de mais importante e precioso para Kohjiro. Afinal esse destino já estava traçado muito antes dele nascer, Kazames e Nagumis devem se odiar eternamente como ditam as regras e quando ambos se uniam era isso que acontecia, mortes, dores, desgraças...

– Camus eu já estou indo, você ainda ficara aqui a ver esses malditos recortes? – uma voz tranquila ecoou pelo escritório, fazendo o ruivo despertar de seus devaneios e voltar para a realidade. Ergueu a cabeça para fitar o amigo e braço direto que o chamara.

– Shaka... – o ruivo sussurrou enquanto pegava o amontoado de jornais e os colocava dentro de uma pasta. – São esses recortes que me motivam a não voltar atrás em meus objetivos.

– Você sabe o que eu penso a respeito dessa sua vingança. – o homem de longos e lisos cabelos loiros o encarou, os brilhantes e intensos olhos azuis que constatavam com a pele pálida que possuía observavam cada mínima expressão que o amigo ruivo fazia. – Por que não esquece isso Camus... Será que não percebe que no final o maior prejudicado será você?

– Não mais do que ele Shaka, isso eu posso te assegurar.

Camus era teimoso quando queria ser, quando decidia algo não voltava atrás em sua decisão e Shaka o conhecendo perfeitamente bem, sabia que nada do que dissesse faria o ruivo mudar de ideia. Já tentara inúmeras vezes e tudo o que conseguira foi apenas incentiva-lo a continuar sem o mínimo de hesitação, quase que como se estivesse o provocando por não ajuda-lo.

Sendo assim só lhe restava mais uma alternativa...

– Mas e o Hyoga, você está pensando nele por acaso?

– Ele não tem nada haver com isso Shaka. – o ruivo respondeu convicto de suas decisões, Shaka definitivamente não o faria mudar de ideia. Sua vingança já estava traçada e ele só se acalmaria quando não restasse um único Kazame inteiro. Os destruiria por completo. – Não vou envolvê-lo se é isso o que você esta pensando.

– Mesmo que não o envolva, ele vai acabar recebendo as consequências Camus...

– Chega Shaka! – bradou antes que o amigo pudesse finalizar seus pensamentos. O loiro era seu melhor amigos de anos, confiava nele mais do que qualquer coisa no mundo e até entendia que o mesmo se preocupava consigo, por isso estava a o repreender, no entanto, ele já havia tomado sua decisão e por nada voltaria atrás. – Esse assunto morre aqui, pare de tentar me fazer mudar de ideia, por que eu não vou.

O Mais velho apenas suspirou pesadamente se vendo vencido peça insistência insana do ruivo. Camus estava tomado pelo ódio e pela ira e enquanto estivesse com a cabeça dominados por eles, jamais conseguiria enxergar a realidade de que aqueles que ele queria se vingar não tinham culpa dos erros de seu tio. Camus estava cometendo os mesmos erros de seus antepassados e enquanto continuasse a ser assim, Nagumis e Kazames jamais chegariam a um impasse. Seriam inimigos eternamente.

– Se é assim que preferes Camus. – disse por fim, enquanto passava os dedos por entre os longos fios loiros de seu cabelo. – Estou indo... Só espero não ter que ver lágrimas em seus olhos quando tudo terminar.

– Você não verá. – rebateu se levantando e seguindo em direção a janela. Lá fora a tempestade cais torrencial, acompanhada de trovões e relâmpagos que cruzavam os céus noturnos. A fúria da natureza castigando a terra habitada pelo homens que faziam pouco de si, exatamente como ele faria. As únicas lagrimas que se derramaram serão as deles...

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Hyoga observa através da janela, a chuva cair forte e intensa do lado de fora, um vento gélido adentrava seu quarto de certa forma o confortando. Ele gostava do frio, amava quando chovia. No entanto desde aquela manha ele parecia ter se afeiçoado também com a ternura da primavera.

– Aquela garota me lembra uma doce manha de primavera... – sussurrou enquanto passava o dedo indicador pela janela suada e esboçava um desenho qualquer. – Eu preciso descobrir como se chama.

Ergueu-se de repente lembrado-se de algo que até aquele momento tinha se esquecido completamente. Quando esbarrara no anjo de belos olhos verdes acabara por ficara em querer com um de seus livros. Talvez pudesse encontrar i seu nome nele, ou até quem sabe alguma pista que pudesse leva-lo até ela novamente.

De forma apressada abriu a mochila retirando de dentro dela o livro de capa rosada e textura aveludada, tão meigo que até conseguia imaginar perfeitamente a personalidade de sua dona. Um anjo dócil e amável. Sorriu ao conseguir formular de forma exata a imagem dela em sua cabeça. Estava completamente encantado por ela. Abriu o livro percebendo que se tratava de um romance.

– Romeu e Julieta. – sussurrou analisando o quanto bem cuidado estava a obra e acabando por achar algo que poderia ser muito útil para si.

Abaixo na sobrecapa havia sua assinatura, em letras bem trabalhadas e em dourado formando o nome “S Kazame”.

Por um momento se deteve. Uma estranha sensação de já ter ouvido aquele sobrenome de algum lugar, no entanto não conseguia se lembrar de onde. Resolveu por fim dar de ombros e ignorar aquele fato, fechando o livro com cuidado e o guardando novamente dentro de sua mochila. A única coisa que lhe importava naquele momento era que finalmente tinha uma pista e na manha seguinte encontraria custe o que custasse, o anjo de olhos verdes que tanto insistia em dominar seus pensamentos.

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– Pode deixar, eu te ligo amanha bem cedo, está bem? – o garoto de brilhantes olhos verdes como esmeraldas, dizia ao telefone enquanto andava de um lado para o outro dentro do quarto, cujas paredes refletiam um terno tom de lilás. – Te amo também. – finalizou apertando o off e o jogando sobre a grande cama de casal de madeira branca e polida.

Estava a combinar com sua namorada de passar em sua casa para irem juntos para o colégio. June gostava desses pequenos detalhes e ele como era um romântico nato, não se negava a fazê-los. Para si seu romance com a loira de grande coração deveria ser como nos contos de fadas, tachados de cenas doces e com um lindo final feliz. Sorriu com a possibilidade de um dia casar-se com ela e ter no mínimo uns dez filhos.

Aproximou-se de sua mesa de estudos, se sentando para melhor alcançar sobre ela a sua mochila. A abriu procurando pelo seu bem mais precioso, o livro que seu nii-san havia lhe dado. No entanto por mais que revirasse a bolsa do avesso não estava conseguindo encontra-lo.

– Droga, onde foi parar? – questionou já ficando nervoso com a possibilidade de tê-lo o perdido. “Romeu e Julieta” era seu romance preferido desde que se entendia por gente e aquele em questão Milo havia personalizado especialmente para si numa “versão” mais moderna. Não podia tê-lo perdido, não podia. Pelo que se lembrava tinha recolhido todo o seu material ao sair da sala de aula, por isso não tinha possibilidade de o ter esquecido na escola, se bem que... – O esbarrão que dei naquele garoto. – Shun de repente lembrou-se do ocorrido de mais cedo, quando trombara sem querer no loiro bonito e de luminosos olhos azuis. Ficara tão sem graça e sem jeito com o ocorrido, que praticamente fugira o mais rápido que podia dali e provavelmente na pressa não percebera que havia deixado para trás o seu bem mais precioso. – E agora, o que vou fazer?

– Shun? – seus pensamentos foram interrompidos por um alegre Milo que adentrara de repente seu quarto. – Falando sozinho?

– Hã, não nii-san. – o mais novo respondeu envergonhado pelo fragrante, o que não era nenhuma surpresa. Embora o loiro a sua frente fosse a pessoa com quem mais se abria, ainda assim, ele era tímido de mais e simples brincadeiras assim por parte do mais velho, o deixavam constrangido. – Só pensando alto – finalizou sorrindo.

– Sei... – Milo deu uma piscadela fingindo acreditar em sua afirmação. – Mas mudando de assunto, vim te chamar para descer, o jantar já está posto.

– Claro. – disse se levantando e se colocando ao lado do irmão. Em pensamentos a única coisa que mais desejava era que o amanha logo chegasse. Precisava dar um jeito de encontrar aquele loiro novamente e conseguir recuperar o seu livro. Mas por hora... – Nii-san, quem chegar por ultimo é a mulher do padre. – deu um leve empurrão no mais velho, saindo em disparada pelo corredor que dava acesso a escada principal.

– Ei Shun, assim não vale... – Milo ainda rebateu antes de perdê-lo de vista, no entanto não tinha a mínima intenção de ganhar do mais novo. Naquele momento outras coisas dominavam a sua mente...

Uma Coisa mais precisamente “ruiva”.

Notas finais
Então, espero que tenham gostado. Criticas e elogios são sempre bem vindos e incentiva a escritora aki a continuar... É isso, até a proxima. Kissus...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.