Iniciativa Vingadores
6 Primeiras Impressões são Importantes
Notas iniciais
Mas é o seguinte: eu tô fazendo intercâmbio em Israel, e eu tava em uma fase de acomodação e mudanças; aí, estava meio difícil minha amiga inspiração aparecer para me ajudar, ou arranjar tempo para escrever. Então, mais uma vez, sinto muito.
Tentarei não demorar outra vez, mas não prometo nada!
E agradeço as pessoas que vieram me perguntar se eu havia desistido da fic hehe sei que elas se importaram, e isso já me deixou muito feliz.
Mas para elas, eu respondo: eu NUNCA desistiria dessa fic!
Haha
Enfim, quanto ao capítulo: tentei dar destaque para todos, porém, sei que falhei miseravelmente nessa tarefa. Desculpem-me T-T
Tentarei mais na próxima hehe
Mas espero que, mesmo assim, gostem do capítulo! lol
E agora, finalmente... Boa leitura!
O dia amanhecia belamente entre os galhos da floresta, as flores multicoloridas ressaltadas belo brilho ofuscante do sol e contempladas no decorrer de quilômetros de distância, mais ainda pelos moradores da Mansão X. Aonde quer que olhassem, não haveria uma única alma viva ao seu redor além deles mesmos; os mutantes sempre fizeram questão da privacidade, e, aparentemente, eles haviam feito um impecável trabalho.
Kalista bufou, percebendo tal fato; sentindo-se presa pela prisão natural na qual a haviam colocado, sem nem ao menos ter consciência de tal fato. Ela havia caído em uma armadilha mortal; e ela sabia que tentar fugir, sem saber por qual caminho seguir, seria a última coisa insensata que faria em vida.
Mas não precisava ser, necessariamente, assim. Olhando para trás, seu olhar trancou-se no de Alice; afastada de todos, era perceptível suas emoções à flor da pele, o nervosismo escorrendo pelo corpo em forma de suor, seus dentes rangendo imperceptivelmente pela ansiedade. Ela não sabia por que, mas Kali sentiu que aquilo devia-se a memórias recentes, dolorosas; e sorriu, quase compadecendo-se da cena.
Aquela mutante poderia ser a sua saída.
– Formem uma fileira horizontal, em ordem alfabética, por favor. — Steve Rogers marchava ao sair pela porta da mansão, encontrando os recrutas espalhados pelo gramado dos jardins. Ele sabia que ser educado era a última coisa que deveria fazer; os soldados, geralmente, eram motivados por palavras bruscas e, normalmente, por ordens impossíveis de serem questionadas. Mas o garoto do Brooklin nunca poderia deixar sua velha cordialidade para trás.
Lylian observava enquanto o soldado reunia-se aos seus colegas de trabalho, abrindo uma apostila enquanto trocava algumas palavras com o Arqueiro, e mordeu o lábio inferior sem realmente perceber tal ato. Ela havia dado uma rápida olhada, anteriormente; mas agora conseguia notar sua beleza. Os loiros cabelos lisos, os olhos azuis cristalinos, os músculos demarcados pela camiseta mesclada...
O Capitão América, sentindo-se observado, rapidamente cravou seu olhar no rosto da menina, fazendo-a desviar o corpo e fingir seguir por outra direção. Estranhamente, ela sentiu seu coração acelerar; como se chamar sua atenção já fosse uma pequena vitória; como se ser notada por um herói de tal porte fosse algo impossível de se acontecer em um futuro próximo.
Mas que já havia acontecido.
– Estão todos aqui? — Steve voltou sua atenção para Clint outra vez, balançando minimamente a cabeça como se para esquecer do ocorrido.
– Tony já está chegando, como sempre. — ele revirou os olhos enquanto falava — E os recrutas já estão entrando em posição.
– As salas estão prontas? — ele virou-se para Thor, o qual havia sido responsável pela área de treinamentos corporais.
– Alguns materiais ainda são necessários, mas creio que vocês, midgarnianos, não precisam de tantos equipamentos quanto nós em Asgard. — o deus riu minimamente, mas, como ser divino, aquele ato já soava como mil trovões ressoando pelos céus. Ele esperou uma aprovação, mesmo que quase inexistente, de seu irmão; mas este já tinha outros interesses. O olhar do trapaceiro direcionava-se até a garota de pálida pele, com os panos coloridos de seus cabelos esvoaçando pela ação do vento. Ela conversava, sorridente, com outras duas midgarnianas; os brincos de seus lábios remexendo-se cada vez que ela fazia menção de abrir a boca. Quando esta mordeu o lábio inferior, Loki desejou, mesmo que apenas por alguns instantes, ter seus poderes de volta; ele daria tudo para saber o que ela pensava naquele momento, qual fora o motivo para aquele ato tão... Convidativo.
Contudo, logo amaldiçoou seus pensamentos, desviando o olhar de maneira brusca. O irmão, ainda ao seu lado, percebeu tal cena; e, sorrindo de lado, fez de tudo para segurar o riso. Aquilo seria, talvez, algum progresso?
– Eles bem que poderiam começar logo. Afinal, acordamos às 06h da manhã para algum propósito, não — Christopher dizia enquanto estralava os dedos e o pescoço, tentando se aquecer para o que quer que estivesse a acontecer. Charlie, que estava ao seu lado, não conseguiu lhe responder; o seu olhar estava cravado no estranho homem da noite anterior, que fazia de tudo para manter-se relaxado enquanto apoiado na parede, com o seu charuto nos lábios, quase acabado.
– Charlie? Tá tudo bem? — Josi perguntou, franzindo o cenho. Eram raras as ocasiões em que a nova amiga ficava assim, quieta; estranhamente aérea. Vê-la daquela forma era preocupante e fora do normal.
– Claro que sim. — ela sorriu, soando sacana outra vez — Só me distraí com a... Paisagem. — ela completou, direcionando o olhar para Andros, que se aproximava rapidamente. Josi transformou as mãos em punhos, e Charlotte imediatamente percebeu tal ato — Relaxa, eu sei que ele já tem dona. Mas olhar não cai pedaço, não? — ela piscou enquanto Chris dispunha-se a rir, admirando a coragem da garota.
– Josi. — Andros pegou a namorada pelo braço, quase a arrastando dali — O que está fazendo aqui? — o garoto quase disse "com ele", mas o loiro não queria soar possessivo ou ciumento. A namorada arrancou o braço de suas mãos, o fuzilando com os olhos; resultado do ciúme que havia sentido momentos antes, sem querer direcionando-o para a sua pessoa.
– Desculpe-me, não sabia que tinha que pedir sua permissão agora. — ela disse rispidamente, praticamente cuspindo as palavras enquanto virava-se para ir embora, outra vez.
– Mulheres. — Jon disse, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa, enquanto imperceptivelmente direcionava o seu olhar para Naja, que mantinha-se isolada de todos, mas, ao mesmo tempo, alerta à quaisquer acontecimentos.
– Mulheres. — Andros concordou, balançando a cabeça e mencionando seguir a namorada; mas a chegada de Tony Stark, novamente com os seus óculos escuros, trouxe, outra vez, a atenção de todos para o momento presente.
– Perdeu-se pelo caminho, Stark? — Bruce riu levemente, retirando o olhar sobre os gêmeos e voltando a ler seu jornal. Ele, definitivamente, havia acordado de bom humor.
– Enxaqueca, verdão. Já deve ter ouvido falar. — o Homem de Ferro sorriu torto, desviando-se do cientista, que revirava os olhos de maneira cansada e desistente. Ele sentou-se em uma das cadeiras, posicionadas também em uma fileira vertical para melhor ver a apresentação dos poderes, tentando não fixar o olhar em Bianca; mas já era tarde demais. A garota também o olhava, sua expressão facial dolorida, machucada; seu lábio inferior tremeluzindo brevemente enquanto seus olhos brilhavam, relativamente arregalados. Ele, enfim, quebrou o contato visual.
– Todos em posição? — Rogers questionou, fazendo os novatos se apressarem para tomar os seus lugares. Quando os mesmos pararam de se mover, estando estáticos enquanto fixavam seus olhares no horizonte, o herói tomou a fala — Muito bom. Contudo, espero ordens executadas instantaneamente na próxima vez. — com a falta de resposta, ele continuou — Meu nome é Steve Rogers, mais conhecido como Capitão América. — ele fitou a todos, esperando algum tipo de reação da parte dos futuros alunos. Mas, se teve alguma, nenhum deles se deixou mostrar — Vimos que a maioria já escolheu seus próprios codinomes, o que já é muito bom. Para aqueles que não escolheram, ainda falaremos sobre o assunto. — ele completou enquanto olhava para Judd, seguindo o seu caminho logo em seguida — Vocês estão aqui, neste momento, para nos mostrar seus poderes e do que são capazes de fazer. Com isso, saberemos onde podemos ajuda-los a se desenvolver; todos terão as mesmas aulas, mas, como cada um tem seus próprios defeitos, horas extras serão dadas para aqueles que mais carecem de ajuda em certas matérias. Os horários, nomes das aulas e professores serão dadas mais a frente. — ele parou de andar em frente aos recrutas, concluindo — Alguma dúvida?
Se fosse noite, apenas grilos ressoariam naquele momento.
– Muito bom. — ele fitou a apostila em mãos — Quando chamar o seu nome, dê um passo a frente. — ele ergueu o olhar outra vez — Andros Cortes.
O loiro obedeceu, sem desviar o olhar do nada à sua frente. Os olhos verdes cristalinos do garoto reluziam sob a luz do sol; mas algo a mais parecia haver em seu modo de portar, ou no modo como sua mandíbula permanecia alinhada impecavelmente, sem estremecimentos, diante do desafio eminente. O Capitão parou ao seu lado por alguns instantes, esperando algum movimento, ou desvio de corpo.
Mas nada aconteceu.
– Nos mostre o que sabe. — ele disse, se afastando, cruzando os braços de encontro ao peito. E esperou.
Mas não por muito tempo. No começo, a mudança era quase imperceptível; seu corpo estremecia levemente, como se sentisse frio ou uma ventania tivesse arrepiado sua pele. Contudo, a transformação foi ficando cada vez mais rápida; primeiro, um bico surgiu em sua face, transcorrida da junção assustadora de seu nariz com sua boca; depois, penas começaram a brotar em sua pele, e assim, seu corpo diminuía consequentemente, mas nem tanto. Suas roupas foram caído no decorrer dos acontecimentos; e, quando menos esperavam, a mutação parou.
E uma grande águia americana ocupava o seu lugar.
Ele alçou voo, deixando suas roupas para trás, impressionando a todos com sua extrema velocidade e perspicácia. Andros deu mais algumas voltas pelo perímetro em questão de instantes; suas grandes asas sendo praticamente comandadas pelo vento, ao mesmo tempo em que ele mesmo parecia controla-las. Com um último olhar em direção a Josi, o loiro se afastou nos confins da mansão; deixando os restantes, de certa maneira, confusos.
– Ele estaria nu na nossa frente se voltasse ao normal aqui. — Josi explicou, prevendo as perguntas eminentes, como se já tivesse respondido aquilo inúmeras vezes — Também terei que fazer o mesmo.
– Impressionante. — Banner ajustou os óculos no rosto, estando boquiaberto com a demonstração. Ele já havia visto muita coisa; mas nada como aquilo.
– Bem, ele é só uma galinha crescida. Nada demais. — Tony comentou sem retirar os olhos do jornal, fazendo os colegas de trabalho o encararem com evidente desprezo.
– Alice Waterloo. — Rogers continuou, e Clint petrificou em seu lugar. Ele observou cautelosamente enquanto a garota dos cabelos cor de fogo dava um passo a frente, parecendo suar frio.
– Quando estiver pronta. — o Capitão sorriu torto, tentando confortá-la ao vê-la naquele estado de nervosismo. Ela assentiu minimamente com a cabeça, tentando aspirar o máximo de ar que ela conseguia. Estar ali era difícil, e fazer o que sabe, naquele lugar que já fora seu lar, era uma tarefa quase impossível de ser realizada.
Mas que precisava ser feito.
Primeiro, o indispensável: o campo de força. Ela esvaziou sua mente, tendo consciência de que, sem aquele passo, ela poderia matar qualquer um que estivesse em seu caminho. Esticando as mãos para os lados, ela expandiu aquilo que já havia se tornado, há muito tempo, o único lugar onde se sentia realmente protegida. Os observadores somente conseguiam ver o seu feitio pelas cores que a grande bolha reluzia em contraste com o sol; porque senão, o poder seria completamente invisível. Ansiosos por mais, eles esperaram; certamente, um grande poder viria daquela que já conseguia criar, com a força somente da mente, aquela capa protetora praticamente impenetrável. Agora, era somente esperar.
E, outra vez, não esperaram por muito tempo. Seus olhos se abriram de rompante, levemente escurecidos pela ação dos poderes, e o Arqueiro já começou a se preocupar. Fitando os professores, ela sorriu de canto, enquanto observava o que acontecia diante do olhar de todos.
De repente, sem que Tony percebesse, sua cadeira começara a subir, deixando-o suspenso no ar. Quando este percebeu o que acontecia, era tarde demais: ele já estava há alguns metros do chão, e pular daquela altura seria extremamente perigoso para sua mortalidade.
– Ok, acho que já vi o suficiente. — Stark tentou suavizar a voz, esperando não demonstrar o seu evidente medo; procurando com sua visão um modo rápido de sair daquela situação extremamente constrangedora — Afinal, não é sábio abusar da sorte...
– Alice, já chega! — fora Clint que acordara a mutante, fazendo-a perceber o que fazia e, assim, trazendo o Homem de Ferro de volta para o chão. Sua face avermelhou-se, claramente envergonhada pelo seu descontrole; e o Arqueiro resolveu, depois, ter uma conversa a sós com a garota.
– Sem demonstrações com os professores. — o Capitão se fez ouvir, espremendo os olhos — Entendido?
– Ih, tarde demais. — Ariella sorriu tranquilamente, enquanto observava os galhos da floresta. Quando o soldado franziu o cenho, uma pedra atingiu em cheio a sua nuca.
– O que significa isso? — ele perguntou, claramente irritado enquanto massageava a parte de trás do pescoço recém machucado.
– Desculpe-me, professor. As chances desse comando ser dado eram de 30 para 70; então quis demonstrar meus poderes de maneira mais... Sensitiva. — ela expandiu o seu sorriso.
– E você é... — ele ergueu a sobrancelha, curioso.
– Ariella Ellard. — ela deu um passo a frente, colocando ambas as mãos para trás — A próxima da lista. A ficha que vocês não leram, ontem a noite. — ela riu levemente, observando os olhares assustados ao seu redor.
– Como... — Bruce começou a perguntar, erguendo-se levemente da cadeira.
– Infelizmente, meus poderes são ainda mais difíceis de se demonstrar na prática, então farei o possível para fazê-lo verbalmente. — ela pausou por alguns instantes antes de continuar — Fui eu que joguei a pedra, Sr. Rogers. Mais precisamente, meu eu de cinco segundos atrás. Ou quase isso.
– Você pode voltar no passado? — Dr. Banner arregalou os olhos, escancarando a boca levemente. Para um cientista de seu porte, aquela era a descoberta mais importante de todos os tempos.
– Precisamente, Dr. Banner. Não entrarei muito em detalhes de física quântica ou qualquer outra, pois sei que não entenderão tanto quanto eu. Mas, resumindo da melhor maneira que eu posso, é como se meu corpo se acelerasse o suficiente para que eu retornasse na época em que eu quisesse; precisaria somente saber o local, dia e horário. Entre outros detalhes. — ela voltou a fitar o Capitão — E quanto às probabilidades que acabei de mencionar, Sr. Rogers, deve-se ao fato de eu prever, de certa forma, o futuro; mas este não é definido, portanto, como já expliquei para Nick Fury em nosso pequeno encontro, para cada passo que damos, há mil e uma possibilidades. E eu só consigo vê-las, mas não as escolhas que você, eventualmente, fará. O que explica o fato do senhor ter optado por dar aquela ordem, e não o contrário, como eu havia acreditado que seria. — o sorriso, outra vez, tomou sua face.
– Mas, agindo no passado, você seria capaz de mudar o futuro. — Thor questionou de sombrancelha erguida, surpreso com as habilidades da midgarniana.
– Sim, mas não é um ato que pratico com muita frequência. Já tive minha cota de acidentes por uma vida inteira. — seu sorriso enfraqueceu, talvez por uma lembrança estar ocupando o lugar de seus pensamentos naquele momento. O Deus da Trapaça observou a cena, e sorriu de lado, claramente perverso. Ela poderia ser a chave para sua eminente recuperação.
– Bem — Steve tossiu, atraindo, novamente, os olhares para si — Vamos tentar não fazer mais demonstrações com os seus superiores, sim? — sem nenhuma resposta, ele continou, chamando o próximo nome — Bianca Samon.
A garota ergueu a mão, fazendo-se presente. Ela fechou os olhos enquanto se afastava lentamente da fileira, tentando controlar a ansiedade.
Tony observava sem perceber que o fazia, ao mesmo tempo em que Clint fazia o mesmo, mas com outros propósitos. Ele temia por sua aluna, mas fazia um esforço sobrenatural para que ninguém o percebesse.
O professor nem precisou dizer nada; o chão, instantaneamente, já comecou a congelar, transformando a grama em gotículas reluzentes de água petrificada, causando murmúrios surpresos por parte dos outros recrutas.
– Você chama isso de congelar? — Kalista questionou, mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa. Ela sorriu torto, mordendo o lábio inferior, impedindo-se de rir daquela cena quase cômica.
– Obrigado Bianca. — Steve sorriu, fazendo com que a novata expirasse, claramente aliviada, e voltasse ao seu lugar — Charlotte Grimald.
Logan retraiu-se em seu lugar, não percebendo que o fazia, enquanto Charlie tomava a dianteira, sorrindo levemente.
– Posso fazer as honras, Capitão? — ela sorriu, travessa, e um súbito peso ocupou o coração de Lylian neste momento, ao observar como Steve engolia seco, em resposta a provocação.
O gelo aos seus pés quebrou-se, fazendo com que o mesmo derretesse e circulasse ao redor de seu corpo. Os ventos se fizeram presente no processo, enquanto mais água transcorria por seus dedos; porém, de maneira repentina, o líquido transformou-se em fogo, mas nenhuma queimadura era deixada em sua pele cristalina. Ao mesmo tempo, a terra estremecia, causando pequenos terremotos; o suficiente para que não causasse estragos. Então, tão rápido quanto começou, as transformações dos elementos se aquietaram: o fogo sumiu, a água foi absorvida pela terra e os ventos se foram, como se nunca houvessem aparecido.
– Er... Obrigado. — o Capitão disse, arrumando a gola da camiseta enquanto a recruta voltava para sua posição original, um sorriso cheio de malícia ocupando sua face angelical — Christopher Judd.
O moreno sorriu largamente, dando um passo a frente e estralando, mais uma vez, as mãos.
– Quando quiser. — Steve disse, fitando a apostila antes de voltar o seu olhar para o garoto outra vez.
Contudo, aquela ordem não foi precisa. Judd imediatamente agaixou-se no chão, tocando a grama aos pés pés; e, instantaneamente, seu corpo transformou-se, seu corpo mesclando-se às plantas do jardim. Confusos, os observadores olharam ao redor, tentando achar aonde o novato havia ido; achando-o rapidamente ao verem, com os olhos arregalados, quando uma árvore apareceu, do nada, ao lado de outra, igualzinha a cópia. Divertido com a brincadeira, Chris voltou ao normal ainda com um sorriso em lábios, enquanto voltava ao seu lugar com todos os olhares voltados à sua pessoa.
– E consegue controlar? — Logan perguntou de maneira felina, quase perigosa. Doia-lhe lembrar de Vampira, a qual seus poderes muito se assemelhavam.
– Descobri minhas habilidades quando ainda era recém nascido. Digamos que tive muito tempo e vários tipos de treino quanto ao auto controle. — ele riu mais ainda, lembrando-se, talvez, de algumas situações engraçadas e constrangedoras em que já havia se metido. Decidido a seguir em frente, Rogers olhou, mais uma vez, para o papel em mãos.
– Isabella Castoldi. — a garota arregalou os olhos, claramente assustada. Ela não esperava ser chamada tão cedo.
– Eu... Eu nunca... — ela inspirou profundamente, tentando permanecer calma; tentando parecer tão corajosa quanto o resto dos recrutas ali presentes — Nunca mostrei meus poderes para ninguém antes.
– Não é a única, docinho. — Naja soou venenosa em suas palavras, fazendo com que Isa retesasse ainda mais o seu corpo.
– Ninguém lhe fará mal aqui. — Steve sorriu calorosamente, tentando acalmar aquela que ele havia buscado anteriormente, em sua própria casa. Ela sorriu levemente, inspirando outra vez.
Ela sabia que, ali, ela estaria segura.
Suas asas alastraram-se por suas costas sem que ela percebesse, e aquela realização a fizera sorrir largamente. As cores multicoloridas e semi transparentes reluziam com a ação do sol; e, quase inconscientemente, ajudaram-na a subir.
Quando menos esperava, ela já estava voando. Foram poucas as vezes em que seu pai a deixara fazer isso; e finalmente realizar aquela ação trouxe uma paz em seu coração que ela nunca sentira antes. Ela se sentia completa; de certa forma, perfeita.
Livre.
Percebendo que já era o suficiente, ela pousou no mesmo lugar onde havia decolado, o maior sorriso que já dera ainda alastrando-se pela sua face. Ela voltou ao seu lugar, quase sem tocar os pés no chão; suas asas ainda esticadas belamente ao seu redor. Quando ela as guardou, Rogers sorriu torto.
– Jon Targaryen. — ele continuou a dizer, sabendo que outras palavras seriam desnecessárias para aquele momento. Então, ele observou o herdeiro monarca afastar-se da fileira, parecendo culpado ou com peso na consciência.
– Creio que não conseguirei demonstrar. — diante dos olhares questionadores, ele explicou — Esta espada, fui eu que fiz. Se qualquer um de vocês tocá-la, certamente irá queimá-los. — com os murmúrios ao seu redor, o garoto continuou — E também não poderia demonstrar que eu mesmo não me queimo com fogo, a não ser que tivesse uma grande lareira aqui para demonstrá-lo. Sendo assim... — ele sorriu levemente no final — Terão que esperar para ver.
Alguns riram com o comentário final, mas Naja só pôde ficar ali, observando curiosamente enquanto o estranho lorde voltava ao seu lugar.
– Muito bem... — Steve respondeu, disposto a deixar aquela cena passar e ir em frente — Josi Black.
A morena aproximou-se, seus olhos vagando pelo rosto do herói enquanto o fazia.
– Sugiro afastar-se, Capitão. — ela disse, sorrindo de lado — A coisa pode ficar feia por aqui.
Ela começara a se transformar no mesmo momento em que Andros voltava a se aproximar do grupo. Sua face foi afunilando; seu corpo tornou-se completamente coberto por uma pelugem branca e aparentemente macia, calorosa. Um rugido baixo tomou conta de sua garganta e o namorado retesou pelo ato da amada.
E, assim como o loiro, seu corpo abandonou as roupas, deixando em seu lugar uma grande loba branca. Seus olhos, os mesmos de quando humana, analisavam o local com perspicácia e inteligência, antes de sair dali; suas patas mal tocando o chão enquanto se locomovia, tanto elegantemente quanto com brutalidade. Em questão de instantes, ela estava de volta; deixando algumas árvores caídas atrás de si, resultado de sua grande força. Mas, tão logo quanto chegou, ela se foi; adentrando a mansão assim como Andros havia feito anteriormente, e também com os mesmos propósitos. Assim como ela havia avisado.
– Impressionante. — o Arqueiro comentou, soando relativamente alarmado pelos talentos ali demonstrados.
– Um cachorro crescido. Nada mais. — Stark balançou os ombros em descaso — Vocês se impressionam muito fácil.
Os outros voltaram a ignorá-lo.
– Kalista Winter. — Rogers revirou os olhos com a atitude do bilionário, voltando sua atenção para a missão que precisava ser cumprida. A loira sorriu torto, tomando a dianteira.
– Com todo o prazer. — ela riu levemente antes de completar — Mas só na cama.
Ela virou-se para Christopher, e ele franziu o cenho com o estranho movimento. Antes que lhe perguntasse o motivo da ação, no entanto, o garoto sentiu sua mente esvaziar; sua expressão tornou-se vazia, como se seu cérebro tivesse morrido e deixado ali somente a casca. A mulher alargou o sorriso, aproximando-se de Chris e, apoiando ambas as mãos em seu rosto gélido, beijou sua face delicadamente.
– Pode pegar um suco para mim, querido? — ela sussurrou de encontro a sua orelha esquerda, mas de maneira que todos pudessem escutá-la — Estou morrendo de sede.
Sem pronunciar quaisquer sons, o moreno afastou-se do grupo, entrando na mansão sem nem ao menos olhar para trás. Kali novamente virou-se para os professores, colocando as mãos na cintura.
– E enquanto ele não volta... — seus olhos embranqueceram, fazendo-a completar sombriamente — Que tal pegarmos um casaco?
Ela não deu tempo para que lhe respondessem. O céu, imediatamente, começou a escurecer; um frio gélido tomou conta do local, enquanto estalactites e estalagmites de gelo formavam-se ao redor da mansão. Todos ali presentes começaram a estremecer; e ela riu perversamente ao se dar conta do fato.
– Chega, Kalista. — Logan disse, soando mais calmo do que ele realmente se sentia. Tempestade nunca realizaria este show com tais objetivos; e dar-se conta da maldade intencional da garota conseguia deixar seus nervos a flor da pele.
Ela diminuiu o sorriso, e fez uma reverência em resposta. O gelo já derretia e as nuvens carregadas já iam embora quando Judd, ainda alheio ao resto do mundo, trouxe o suco de uva que se encontrava, anteriormente, na geladeira.
– Obrigada, docinho, — ela deu um gole antes de estralar os dedos — Já pode voltar agora.
Enquanto ela tomava o resto do suco, Christopher balançou a cabeça; acordando de sua aparente hipnose.
– Mas o que...
– Nem pergunte. — a loira respondeu, colocando o copo nas suas mãos e voltando elegantemente para o seu lugar. Continuando sem entender e com o cenho franzido, Chris fez o mesmo, apesar de com certa relutância.
– Lylian Shaw. — o soldado não retirou os olhos da morena, enquanto ela dava um passo para frente e transformava suas belas mãos em apertados punhos.
– Não posso demonstrar os meus poderes. — em resposta ao cenho franzido do loiro, a garota continuou, sentindo o sangue congelar em suas veias — Eu posso alterar e implantar memórias, assim como modificar e criar sonhos. Não vejo como posso realizar minhas habilidades sem acabar prejudicando a mente de qualquer um aqui presente. — ela olhou ao redor antes de completar, com um suspiro — Eu sinto muito.
Enquanto ela dava outro passo para trás, de volta para o seu lugar, Ary sorriu em sua direção, à distância.
– Você fez bem. — Steve disse ao mesmo tempo em que Ariella sussurrava o mesmo, fazendo a outra perceber que ela sabia que o soldado lhe diria aquelas palavras. Lily sorriu levemente com tal ato.
– Naja Rowan. — o Capitão continuou, ainda abismado com a sinceridade e bondade da garota anterior. A morena também afastou-se do grupo, fuzilando a todos com os olhos.
– Minha resistência física é altamente superior a qualquer outro ser humano, e sou perita em armas de fogo. — ela sorriu de maneira sádica e maldosa — Creio que não posso demonstrar nenhum desses... Poderes neste momento. Terão que esperar para ver. — ela fitou brevemente Jon enquanto repetia suas palavras, voltando rapidamente para o próprio lugar. Ela mordeu brevemente o lábio inferior, sem saber o porquê de ter realizado tal ação.
– Pois bem... — o Capitão franziu o cenho mais uma vez, surpreso e confuso com as palavras bruscas da garota. Mas ele não se deixou pensar muito sobre o assunto — Orlando Hansen.
O gêmeo aproximou-se, seus olhos analisando ao seu redor, seus cabelos esvoaçando levemente com a ação do vento. Ele inspirou profundamente, fechando os olhos por alguns instantes.
– Estou ficando entediado. — Tony Stark bocejou, esticando-se como se estivesse a estralar as juntas de seu corpo — Que tal uma pausa para o café? — ele finalizou com um sorriso sardônico para Loki, que somente espremeu as pálpebras em resposta.
E enquanto os futuros professores reviravam os olhos, Orlie andou até a árvore mais próxima, arrancando-a sem esforço algum do chão e jogando-a o mais longe que pôde, entre o emaranhado da floresta. Recebendo olhares surpresos, resposta de sua ação inesperada, ele sorriu torto.
– Aí está sua pausa. — ele disse, voltando para o seu lugar, deixando um Stark levemente avermelhado nas regiões do rosto e do pescoço.
– Sabine Azevedo. — Steve ainda ria da expressão inesquecível de Tony enquanto a morena dava um passo para frente, parecendo adquirir coragem para o que estava por vir.
Ela inspirou profundamente, fechando os olhos para melhor se concentrar. Ela sabia que aquele não era o momento para falhas, ou falta de bravura. Ali, na sua frente, estavam lendas vivas; histórias que seu avô lhe contava quando criança, sobre épocas escuras e sombrias; momentos em que se pensava tudo estar perdido. Estavam todos ali, respirando; lhe sorrindo com confiança e coragem. O Capitão América, o Homem de Ferro... Heróis que ela esperava nunca encontrar, em toda a sua existência.
Mas que agora a esperavam se apresentar.
Percebendo sua demora, ela saltou. As botas funcionaram com perfeição, como sempre; porém, ainda não era hora de cantar vitória. Ela, então, expirou; voando com extrema velocidade, aproximando-se de uma fileira de árvores no começo da floresta. Ela sentiu certa pena; afinal, os outros recrutas já haviam danificado plantas demais naquele dia. E ela estava prestes a fazer o mesmo.
Seu chute as trouxe, imediatamente, para o chão. Ela não se deu ao trabalho de conta-las; Sabi tinha certeza de que, com aquela ação, já havia conseguido atrair a atenção de todos.
Bom. Agora era o momento do grand finale.
Voando novamente em uma distância segura, ela pegou impulso e, assim, chutou o ar; não forte o suficiente para causar grandes estragos, porém, ainda assim, era melhor tomar cuidado com os resultados.
Foi dessa maneira que sua obra prima, rapidamente, criou-se diante dos seus olhos; uma pequena corrente de ar, no início, mas que pegava velocidade a cada momento que passava. Quando menos esperou, um tornado de média proporção esvoaçou à sua frente, parado fixamente no lugar, assim como ela havia desejado. Percebendo que sua demonstração havia, enfim, acabado, ela destruiu com as mãos o que havia construído; e, com um sorriso no rosto, pousou, levemente, no seu lugar.
– Muito bom, Sabine. — Steve disse a contra gosto, sabendo que, nas suas costas, Tony Stark estaria usando o seu sorriso mais presunçoso e convencido, mirando-o para todos que se dispusessem a contrariá-lo, ou a concordar com sua linha de pensamento — Wilhemina Hansen.
– Willy, por favor. — a morena sorria docemente enquanto afastava-se do grupo, praticamente saltitando; seus olhos já tomando a coloração costumeira do roxo, o que sempre acontecia quando usava os seus poderes — Willa, se preferir.
– Willy. — Steve sorriu torto para a jovem, fazendo com que o coração de Bruce retorcesse em seu peito, sem o mesmo saber realmente o porquê — Quando você quiser.
Não precisou pedir duas vezes. Ela, também, se virou para Christopher; e este arregalou os olhos, sabendo o que lhe aconteceria.
– De novo não... — ele resmungou, antes que seu cérebro clareasse novamente e, mais uma vez, a casca tomasse o seu lugar.
– Também estou com sede, Chris. Mas acho que gostaria de um suco de limão, desta vez. — ela abriu ainda mais o seu sorriso, e enquanto o garoto se afastava para atender o seu pedido, ela exclamou em sua direção — Sabia que não ia se importar!
Lylian riu da cena, achando engraçado o fato de Christopher, sempre se achando o garanhão das mulheres, sendo hipnotizado por duas a atender os seus chamados.
– Pense em um número, Lily. — ela se surpreendeu com a súbita atenção voltada para si, e sentiu suas bochechas queimarem de vergonha.
– Er... — ela mordeu o lábio inferior, e, assim que pensou em um número, Willa exclamou:
– Cinco! — a garota mudou de ideia — Quinze! — querendo testá-la, sua mente cravou em um número quase impossível de ser adivinhado — Cinco mil, setecentos e vinte e três!
Shaw arregalou os olhos, mostrando para todos que a outra tinha, impecavelmente, acertado todos os seus pensamentos. E enquanto os cochichos tomavam conta do local, Willy resolveu mostrar o seu último truque.
– Você gostaria de parar de ler o jornal e prestar atenção em mim, Sr. Stark? — os professores escancararam levemente as bocas, surpresos com a coragem da garota.
– Não, obrigado. — ele disse, sem retirar os olhos do papel. Contudo, ao mesmo tempo em que disse essas palavras, ele arregalou os olhos; sentindo sua mente ser invadida ao mesmo tempo em que, sem querer realizar a ação, ele pegou o jornal em mãos, rasgou-o em pedaços e jogou-o contra o vento, observando os frangalhos espalharem-se pela grama molhada. Ele espremeu as pálpebras em direção a nova aluna — Você está me devendo 3 dólares.
– Te pago quando puder. — ela piscou, voltando-se para trás enquanto Bruce matava-se de rir ao lado do excêntrico bilionário. Parecia que a morena nunca deixaria de impressioná-lo.
– O jornal era meu, Stark. — o amigo lhe lembrou, sem parar de rir enquanto o Homem de Ferro o fuzilava em resposta.
– E sim, Sr. Rogers, sei que não deveria ter feito uma demonstração com Sr. Stark. Sinto muito por minha insolência. — Willa disse antes que o Capitão pudesse responde-la; fazendo-o se surpreender ao perceber que ela havia lido sua mente.
– Er... Bem... — ainda chocado com o rumo dos acontecimentos, ele tossiu, tentando fazer com que sua compostura voltasse — Por enquanto, é só. Agradecemos as demonstrações e as aulas começam em uma hora. Os horários e nomes das aulas e professores, então, serão dados. — ele fez continência, completando — Estão dispensados.
Enquanto os alunos se dispersavam, Chris voltou para o local, sentindo-se furioso quando acordado pela hipnotizadora, que riu de sua expressão. E enquanto alguns conversavam animados, e outros se afastavam do grupo, Steve se aproximou dos professores, coçando a nuca de maneira confusa e impressionada.
– E agora? — ele perguntou, sentindo-se perdido. Ser professor era a última coisa que, um dia, esperava ser; e esse desafio que tinham lhe lançado não parecia ser um dos mais fáceis.
O Arqueiro, sem responder, afastou-se, procurando por Alice afim de ter aquela conversa que havia planejado momentos antes. Os amigos, também sem resposta, tentaram ao máximo ignorar sua pergunta, como se ela nunca houvesse existido; e quando parecia que a conversa havia terminado, Logan, pela primeira vez, sorriu torto, colocando a mão sobre o ombro do herói, acostumado com aquele tipo de situação.
– Agora é esperar para ver.
Fale com o autor