Iniciativa Vingadores

10 Os Olhos são as Janelas da Alma


Notas iniciais
Hey recrutas!!!

Como vão nessa linda noite de esplendor? ♥

Sorry, tô meio romântica hoje hehehe

OLHA, SAIU COM SANGUE E SUOR (já disse isso em outra nota, mas beleza haha), MAS SAIU!!!

Espero que gostem *-*

Dei mais destaque à Ary nesse capítulo, achei que ela tava deixada muito de lado, tadinha... Haha

Mas os personagens voltam com força total no próximo, podem deixar ;)

Afinal, é a aula do THOR!!!

#palmas

Hehe

Bem, chega de besteira e...

BOA LEITURA!!!

lol

“- Você é uma assassina.

A garotinha encolheu-se no canto da cama, suas mãos abraçando os joelhos de encontro ao corpo, o tecido do pijama grudando em sua pele devido ao suor de nervoso. Seus olhos cinzas o encaravam, assustados, enquanto o cheiro do álcool perturbava os seus sentidos; praticamente sentindo o gosto do mesmo em sua boca. O homem à sua frente riu languidamente, jogando a garrafa no chão e, então, molhando todo o carpete ao seu redor.

– Como se sente… — ele se aproximava aos poucos, abrindo o ziper de sua calça sem desviar o olhar de sua figura infantil, sem realmente saber o que fazia naquele momento – Sabendo que o que você é… — ele sentou-se à sua frente, esticando a mão até o seu rosto, colocando um dos cachos de seus cabelos castanho-claros atrás da orelha esquerda – Matou a sua própria mãe?

– Eu… Eu não… — lágrimas desciam por suas bochechas enquanto a mão do mais velho, vagarosamente, descia pelo seu corpo… Causando-lhe arrepios doentios; tremulações febris, ansiosas, que infectavam cada nervo, cada célula de seu ser… E algo que ela nunca pensara poder sentir por aquele que, um dia, já amara com todas as forças de seu coração…

Desprezo.

– Se ficar quietinha… — um meio sorriso formou-se em sua face, uma vez, tão bela e forte. Diante a mira do homem de barba rala, olhar vazio e expressão derrotada, a pequena fechou os olhos, tentando se lembrar de como ele realmente era: imaginando o seu sorriso largo, caloroso; os olhos cristalinos e puros, seu coração, quente e protetor. Ela tentou fixar àquela imagem na mente, enquanto o mais velho se aproximava, a agarrando pelo braço e a colocando debaixo de si – Vai acabar bem mais rápido.

Seu choro tornou-se mais urgente ao apertar as pálpebras, sentindo-as inundar o seu rosto, agora, mais vívido e avermelhado. Não haviam desculpas, razões ou respostas para o que fizera… A menina sabia que, tudo o que acontecera até agora, fora culpa sua. Todas as interferências; as viagens, as mudanças… Tudo o que fizera transformara aquele momento… Se não fosse por ser quem era, quem sabe, a sua mãe ainda estaria viva? Rindo entre aquelas quatro paredes; seus braços envolvendo seu pequeno corpo, sua voz ressonando em seus ouvidos, quente, enquanto cantasse mais uma de suas canções de ninar?

A garota inspirou profundamente, abrindo os olhos outra vez. O homem a fuzilava com o olhar; o ódio ardente de seu coração sendo transmitido apenas com aquele pequeno gesto, mas que significava tanto ao mesmo tempo. Ela entre abriu a boca, sem saber, ao certo o que dizer... Mas apenas com um único pensamento em mente.

Ela era uma assassina.

E tudo o que podia fazer era aceitar o seu destino.

Ela sorriu de maneira fraca, rindo com o som daquela palavra, praticamente, em seus ouvidos.

Destino.

– Olha a que ponto eu cheguei… — a menina acordou de seu estupor com as voz grogue e solitária a dominar sua atenção. O homem a encarava, com os olhos aguados, prestes a renderem-se à própria dor… O coração da garotinha contorceu-se, enquanto o mais velho fungou levemente, apoiando ambas as mãos em cada lado de sua cabeça, ajeitando o travesseiro que a confortava – Olha o que você me fez fazer…

Ela fechou os olhos, talvez, pela última vez. E, tentando não sentir mais nada além do próprio peito a retumbar, em um ritmo sempre monótono, sem alterações ou turbulências, a pequena sussurrou de encontro ao seu ouvido; sua voz soando doce, sincera… Sofrida.

Papai…”

Ariella acordou em um sobre salto, seus olhos arregalados, sua respiração desregular, entre-cortada. Seu corpo estremecia, e suas mãos agarravam, desesperadas, o cobertor que a envolvia; suas unhas rasgando o tecido como se fosse um mero pedaço de papel. Ela o soltou, fechando os olhos outra vez e tentando acalmar as batidas de seu coração. Há anos ela não sonhava com essa cena… Sempre se esforçando para esquecer; sempre enterrando as lembranças, as deixando, como pôde, no fundo de suas memórias…

Mas parece que aquela Mansão não concordava muito com os seus métodos.

Ela se ergueu da cama, sabendo que, àquela altura, não conseguiria mais voltar a dormir. Colocando as pantufas em seus pés, Ary se esgueirou silenciosamente para fora do quarto; observando, com certa inveja, o sono delicado e, ao mesmo tempo, profundo em que as colegas se encontravam, algumas roncando sonoramente, outras apenas com singelos sorrisos em seus rostos.

Como uma gata sorrateira, ela finalmente se viu fora do quarto, e não hesitou muito em continuar andando, de preferência, para longe dali. Sua cabeça girava, e seus pensamentos não se encontravam nem perto de estarem em ordem, como ela se obrigava a permanecer, dia após dia. As imagens sobre o futuro, naquele momento, davam-lhe certa dor nas têmporas; algo que, há muitos anos, ela também cessara de sentir… Um desespero tomou conta de seu peito enquanto ela andava com mais urgência pelos corredores da Mansão; procurando por qualquer saída, qualquer lugar em que ela pudesse se esconder para nunca mais voltar.

Nem sempre ela poderia se fazer de valente.

A escuridão tacirturna daquelas paredes só a fez se sentir cada vez mais perdida enquanto se obrigava a continuar. Olhando ao seu redor, ela conseguia ver apenas alguns traços em específico; como se fossem olhos enegrecidos a observarem-na, esperando por um erro, por qualquer derrapada que a fizesse se arrepender, de novo e de novo… Assim como havia ocorrido com sua mãe.

Diante de tal pensamento, ela não se deixou controlar ao forçar seu corpo de encontro a uma das portas daquele corredor, finalmente, se vendo livre daqueles olhares que tanto lhe aflingiam. O espaço em que se encontrara depois, contudo, não era mais claro do que o lugar onde estava anteriormente; a obrigando, assim, a procurar o interruptor apenas pelo tato, e, o achando, a acender a luz.

Sua boca se escancarou no mesmo instante em que seus olhos se adaptaram à claridade do ambiente. Ali, ao seu redor, tudo o que ela podia ver eram espelhos… Espalhados pelas paredes, teto e chão; refletindo sua imagem, a copiando em gestos, feições e maneiras… Envolvendo, ao mesmo tempo, aquele simples piano negro, que ocupava, imponente, o seu centro.

Ela se aproximou lentamente, como se, a qualquer momento, o instrumento pudesse criar vida e sair correndo dali. A garota esticou a mão direita, estremecendo quando sentiu o toque suave da madeira a dominar seus sentidos; a delicadeza do marfim e a gentileza das cordas internas a capturando, obrigando-a se deixar levar por seu tato, sua audição, ao começar a tocar em cada tecla, em cada nota. Ela fechou os olhos, permitindo que seus dedos ditassem o caminho; e que sua mente fosse, enfim, deixada em paz.

“Come on skinny love, just last the year…”

Havia uma delicadeza em sua voz, e um jeito de conduzir as notas musicais, que conseguiam, de alguma forma, transbordar toda a dor e sofrimento que ela sentia — esmagando sua alma e ser — para fora de seu pequeno corpo. A canção espalhou-se pelo espaço, infiltrando-se em cada fresta; penetrando em cada abertura, em cada minúsculo lugar que nada preenchia. Por elas, o som e timbre dançaram afora pelos corredores da Mansão, encontrando o seu caminho; em direção ao único que conseguiria, de alguma forma, realmente escutá-la.

“Pour a little salt we were never here

My, my, my… My, my, my, my, my, my, my…

Staring at the sink of blood and crushed veneer”

Loki jazia sentado em sua cama, seus olhos com profundas veias vermelhas a rodear suas iris, e bolsas roxas, olheiras, a rodearem completamente suas órbitas oculares. Suas mãos agarravam seus cabelos, como se aquele simples gesto pudesse, de alguma maneira, acelerar o processo de colocar os pensamentos em ordem. Dias haviam se passado após o julgamento asgardiano; dias torturantes, orrendos, enquanto ele esperava que seu cérebro desse algum sinal de vida, talvez, ajudando-o a sair daquele inferno para poder, finalmente, vencer. Nada havia acontecido, até então. A loucura do Gigante de Gelo era tanta, que ele até cogitara a probabilidade de que, junto de seus poderes, Odin também tivesse lhe retirado a inteligência… A ideia de que isso pudesse realmente ter acontecido era desesperadora; e, infelizmente, já começara a consumir sua alma.

“I tell my love to wreck it all

Cut out all the ropes and let me fall

My, my, my… My, my, my, my, my, my, my…

Right in the moment this order's tall”

De repente, era como se aquele lugar fosse sufocante demais; como se houvesse algo entre aquelas paredes, ou nos objetos que o rodeavam, que estivessem lhe dando aquela sensação de imponência, inferioridade. Agarrando uma regata branca e uma calça de moletom cinza, que estavam pendurados na cadeira, e vestindo-se de maneira rápida e eficiente, o Deus da Trapaça saiu dali; sem se importar em ser visto, ou com a possibilidade de seu irmão poder, de alguma forma, piorar sua sentença com a desobediência das ordens. E, andando sem rumo, ele se foi entre os corredores; sentindo-se perdido, melancólico… Derrotado.

“And I told you to be patient

And I told you to be fine

And I told you to be balanced

And I told you to be kind”

O som delicado de um instrumento desconhecido o acordou de seus pensamentos pessimistas. Laufeyson estancou no lugar em que se encontrava, sentindo algo crescer dentro de seu peito, além daquela agonia que tanto lhe fizera companhia… Com a respiração se acelerando, e a pele aguando-se entre seus dedos, Loki virou sua cabeça para o lado direito, percebendo, pela primeira vez, que estava ao lado de uma porta, estranhamente, semi aberta. Ele conseguia perceber a fonte de luz como àquela vinda através dessa entrada, e hesitou por poucos instantes antes de, enfim, adentrar no local.

“And in the morning I'll be with you

But it will be a different ‘kind’

'Cause I'll be holding all the tickets

And you'll be owning all the fines”

Ariella parecia estar mergulhada em seu próprio mundo. Seus dedos dançavam entre as peças da máquina, e seu peito retumbava fortemente dentro do peito, fazendo com que sua voz ressoasse com mais dor e sofrimento do que realmente queria. O Deus da Trapaça olhava a cena, ao seu redor, e para frente outra vez; com o cenho levemente franzido e um certo arrepio na espinha dorsal. A garota dos panos coloridos não o havia percebido, até então; continuando a misturar-se entre os diferentes acordes e notas, como se não houvesse mais nenhuma saída. Loki petrificou no lugar, mais uma vez; indeciso se deveria ir embora, ou… Acordá-la daquele estranho sonho.

“Come on skinny love, what happened here?

Suckle on the hope in lite brassiere

My, my, my… My, my, my, my, my, my, my…

Sullen load is full so slow on the split”

Ele decidiu-se, enfim, por aproximar-se. Os seus passos, no começo, eram desregulares, sorrateiros; temendo que ela, finalmente, o percebesse em frente a si. Convencendo-se, então, de que ela não acordaria de seu estupor assim tão cedo, sua caminhada tornou-se mais decidida; estando, no final, à apenas um passo de sua pessoa. Era a primeira vez que estava diante da jovem a sós, desde o incidente do café na chamada cozinha… A sua imagem, então, não havia sido tão concreta em suas lembranças; mas agora, ele conseguia vê-la, perfeitamente. As curvas de seu corpo, remexendo-se de acordo com a música; a pele translúcida, refletindo sob a pouca luz do local; os seus lábios carnudos e vermelhos, deixando os acordes transbordarem, a partir de sua garganta, à preencherem os ouvidos alheios…

“And I told you to be patient

And I told you to be fine

And I told you to be balanced

And I told you to be kind”

Mas apesar da criatura não estar, exatamente, a encará-lo, o que mais lhe facinou em sua figura fora os seus olhos. Uma mistura do azul celestial, em dias de chuva, e o branco da neve molhada; as orbes da garota pareciam, ao mesmo tempo, silenciosas e agitadas, como se quisessem lhe revelar algum tipo de segredo omitido, ou, apenas, desabafar algo de sua conturbada consciência. O Deus conseguia, apenas com essa visão, sentir um formigamento em seus dedos; o mesmo tipo de quando, antes do julgamento de Odin, estava prestes a utilizar seus poderes.

E aquela realização foi o suficiente para que ele arregalasse os olhos.

“Now all your love is wasted?

Then who the hell was I?

Now I'm breaking at the britches

And at the end of all your lines”

Laufeyson não conseguia mais tirar o olhar da midgardiana à sua frente, sentindo seus pensamentos tornando-se mais pesados, transformando-se em um furacão de confusão em sua mente. E se aquela garota fosse, de alguma forma, a resposta para os seus problemas? E se, por um motivo absurdo e totalmente louco, os seus poderes estivessem… Conectados?

“Who will love you?

Who will fight?

Who will fall far behind?”

Se antes ele queria se aproximar dela por uma ideia vaga de poder e retomada ao controle, agora esse desejo havia se tornado mais urgente e perigoso. Loki sabia que Thor e os outros Vingadores o estariam observando, a todo custo; a desconfiança era grande demais para que eles o deixassem em paz por livre e espontânea vontade. O Deus da Trapaça sabia que teria que ser discreto… Encurralando-a quando estivesse sozinha; ludibriando-a com suas palavras doces, e suas ações gentis. Ele teria que conquistá-la… E, para isso, os dois teriam que, mesmo sem querer, se aproximar.

“Come on skinny love”

Mas aquele, certamente, não era o momento ideal para começar a colocar seus planos em prática. Sabendo que a midgardiana somente se afastaria se o encontrasse ali, à sua frente , naquela hora da noite, o Deus virou-se de volta para a porta; torcendo para que a canção se estendesse por tempo o suficiente para que ele se fosse, sem ser notado nenhuma vez. Suas mãos transformaram-se em punhos e suas pernas rebelaram-se enquanto o fazia; como se o toque da máquina estivesse tentando mantê-lo ali, para nutri-lo, aprisioná-lo. Expirando profundamente assim que colocou os pés fora da sala, o Deus caminhou, com foco e concentração, até seus aposentos; disposto a dormir e estar devidamente pronto para o que a manhã seguinte lhe reservava.

E ele mal poderia esperar…

“My, my, my… My, my, my, my, my, my, my...

My, my, my… My, my, my, my, my, my, my…”

Poucos instantes se passaram até que Ary pressentiu, dentro de suas entranhas e ser, que alguém a observara. Assim que a música cessou, a menina virou o rosto; não encontrando ninguém a acompanhá-la em seu momento de solidão e tortura. Ela se ergueu do banco, voltando-se para a entrada; encarando o corredor soturno e vazio. O resultado não foi muito diferente do anterior.

Mas mesmo com esse pequeno empecilho a incomodando no fundo de sua consciência, a menina tinha que admitir que se sentia, e muito, melhor. Como se um grande peso tivesse sido retirado de suas costas… Como se a música houvesse, realmente, a curado.

Ela voltou para dentro da sala, apenas para depositar um beijo em sua mão e, logo depois, pousar a mesma em cima do piano. Sorrindo de lado, ela encarou o instrumento uma última vez, antes de se virar e ir embora, de volta para o seu quarto. Quando lá chegou, um sorriso ainda maior ocupava o seu rosto, enquanto retirava as pantufas e embrenhava-se novamente em suas cobertas.

O mundo dos sonhos não demorou à acolhê-la, outra vez.

(…)

– O que aconteceu aqui, Charles?

Hank McCoy permanecia com as pernas cruzadas, ajeitando os óculos em seu rosto enquanto permanecia com os braços cruzados de encontro ao peito. A policia forense trabalhava ao seu redor, recolhendo as amostras de sangue no chão, tirando fotos e analisando cada pedaço daquele espaço, além de estarem a entrevistar as possíveis testemunhas do caso. Charles Xavier somente não havia sido removido do local porque, querendo ou não, ele fazia parte da cena do crime.

– Erik. – o Professor respondeu, apenas; fazendo com que Fera arregalasse os olhos, em surpresa. Há pouco tempo ele soubera da volta de Magneto; com o fracasso do Projeto Vermelho, o qual o mutante havia lutado contra desde o começo, a notícia da missão mal sucedida do último grupo não tardou a chegar até seus ouvidos, fazendo-o tratar de tomar as devidas providências e preparar os mutantes restantes para uma futura e possível guerra de poderes.

– Esse era um de seus mutantes. – o ancião voltou a dizer, soando sério e compenetrado, dando àquela situação toda a atenção necessária para a sua possível solução – E não será o último. Erik não está mais sozinho, Hank… Ele irá atrás de Alice.

– E certamente irá querer capturar o resto dos X-Men. – a criatura completou o pensamento de seu mestre, sentindo seu coração sobre saltar com a possibilidade de Waterloo se machucar com toda aquela bagunça – Vou garantir que todos estejam seguros. Vou avisar os Vingadores.

– Sabe que Fury não gostará nada disso. – o mais velho avisou, seu tom de voz tornando-se cada vez mais perigoso – Isso é questão de segurança nacional e ele nunca teve muita fé em nossa organização.

– Pois ele terá que começar a ter. O Presidente não quer que a S.H.I.E.L.D. se envolva na situação até que tudo esteja resolvido. – McCoy se ergueu, ajeitando o terno em seu corpo – Os novos recrutas ainda não estão preparados para lidarem com alguém como Magneto. E se ele realmente está recebendo ajuda, como você mesmo diz, os únicos que podem pará-lo somos nós… Por mais que estejamos em um número menor. – ele se virou de costas para o Professor, terminando de dizer – Você será levado para outro hospital, e sua segurança será triplicada. Por enquanto, sua localização permanecerá confidencial, e quando a situação tiver se acalmado, você voltará a receber visitas.

Hank estava prestes a se afastar, quando a voz de Charles invadiu seus pensamentos, outra vez.

– Os recrutas dos Vingadores podem ser novos, mas poderão ser úteis para a derrota de Erik. – o mutante expirou profundamente, colocando a mão em suas têmporas – Peça ajuda, Hank. Vocês não podem lutar sozinhos.

Fera se virou, talvez pela última vez, para o ancião, que jazia deitado, e imóvel, na simples cama de hospital. Como ex-servidor dos X-Men e antigo aluno de Charles Xavier, ele sabia que seu mentor estava, sem dúvida, com toda a razão. Porém, ele não poderia se dar ao luxo de, novamente, dar ouvidos ao mais velho. Ele, agora, era o embaixador das Nações Unidas: a voz dos mutantes em meio ao governo americano. Desobedecer as ordens do Presidente seria o mesmo que cuspir no prato que comia; e sua provável saída diante de tal ação poderia significar a extinção definitiva da raça mutante.

E este era um risco que ele não poderia correr.

– Bem, Professor… — ele voltou-se, outra vez, para a saída – Parece que não temos muita escolha.

(…)

A Sala do Cérebro era ainda maior do que havia sido na imaginação dos novatos. O espaço era ornado com placas de metal ao seu redor, em forma de uma grande redoma prateada; e a cadeira metálica se encontrava mais a frente, parecendo estar sendo suspensa apenas pela força contrária à gravidade. Os alunos entraram um por um na nova sala de aula; apertando-se para não acabarem caíndo em um trágico incidente mortal. Enquanto se encaixavam, sentando-se no chão por falta de lugar, Loki entrou na sala; passando por todos sem ao menos se importar se acabaria, acidentalmente, pisando em alguém. Ele se prostou de frente a turma, com as mãos nas costas em sinal de soberania, mas, ao mesmo tempo, parecendo estar longe dali. O Deus da Trapaça encarou a todos, um por um, antes de alastrar um sorriso maligno em sua face.

– Pelas expressões, vejo que já me reconheceram. – ele riu levemente diante o arregalar de olhos de Isabella, e continuou a dizer, apontando com o queixo o seu mais novo visitante, que permanecia de pé no canto da sala, com o olhar sombrio e os braços cruzados de encontro ao peito – Meu meio irmão garantirá que todos saiam daqui, vivos e inteiros, no final da aula. Não é mesmo, Thor? – outra gargalhada sonora escapou de sua garganta enquanto o loiro espremia os olhos em sua direção – Eu poderia ter dois voluntários? – o Deus mudou o foco, voltando a encarar a turma e tentando não ver apenas vermes à sua frente – Vocês dois servem. – ele disse enfim, percebendo que não ganharia uma resposta tão cedo.

Erguendo-se do chão, Kalista e Jon rapidamente foram para frente, parando ao lado de seu novo professor. Kali portava um sorriso mais malicioso em seu rosto; ela sabia que aquela aula seria uma das únicas que realmente lhe beneficiaria, e estava pronta para aprender com ela, mesmo que o preço fosse alto para tanto. Já Jon, mantinha seu corpo pétreo e pronto para qualquer emergência; ele não confiava em Loki, e tinha total razão para fazê-lo. Apesar de todos já saberem que o Deus não possuia mais seus poderes, sua tão conhecida lábia nunca poderia ser esquecida.

– Eu quero que vocês dois se encarem, e não desviem o olhar nem por um segundo sequer. – o Deus avisou e, prontamente, ambos viraram-se para se fitarem, por um longo tempo. Enquanto os dois permaneciam nessa posição, Loki retomou a fala, com toda a imponência que ele conseguiu colocar em sua voz – Vocês, humanos, colocaram uma definição em “trapaça” que está longe de ser a verdadeira. – seus olhos cravaram-se nos do Deus do Trovão antes de se desviarem de volta aos alunos, voltando a dizer – Trapaça, em seu sentido mais real e digno, é a habilidade de transformar tudo ao seu redor de maneira que beneficie a seus próprios propósitos. – ele andava pouco devido ao espaço, mas, mesmo assim, estava conseguindo mostrar o seu ponto – A expressão não ajuda muito a mostrar seu significado, então não espero que suas mentes consigam compreender minhas palavras. – ele revirou os olhos com o bufo de Thor – Mas se conseguirem fazer da verdade de seus inimigos em mentira, e vice e versa… — outro sorriso perverso espalhou-se por seu rosto – Vocês já terão aprendido a primeira lição.

O Deus da Trapaça voltou-se para os dois alunos, que continuavam a se fitar, firmemente. Dando voltas ao seu redor, Loki voltou a falar com ambos, dizendo de maneira autoritária e tenebrosa:

– Cada um de uma vez, quero que vocês contem fatos sobre si mesmos. Podem ser tanto verdade, quanto mentira. – ele encarou nos olhos de cada um antes de continuar – E enquanto isso, o outro terá que perceber se o que é dito é real ou não. – com a quietude da turma, Loki questionou – Alguma pergunta?

Silêncio.

– Quando quiserem. – o Gigante de Gelo disse, afastando-se da dupla e prestando mais atenção o que se desenrolava à sua frente. Ariella encarava o seu professor, com um misto de curiosidade e medo; sabendo que aquela não era apenas uma mera demonstração, como ele queria fazer parecer. Havia algo naquela expressão, que lhe era familiar e, ao mesmo tempo, tão desconhecida… Como se ela já o conhecesse, e nem ao menos soubera disso, até há pouco tempo.

– Eu não gosto que me chamem de Targ. – Jon despertou-a dos pensamentos, obrigando-a a desviar o olhar do Deus do Gelo. Kalista havia espremido levemente os olhos, entortando a boca em sinal de questionamento.

– Que tipo de apelido é esse? — ela riu sonoramente enquanto mirava o garoto com o olhar – Tirou de algum livro de ficção?

– Está dizendo que estou mentindo? – ele ergueu a sobrancelha, e isso foi o suficiente para que ela parasse de falar. Loki sorriu de lado, travesso e, sem realmente querer admitir, curioso com o que se desenrolava aos seus olhos.

– Não exatamente. – ela voltou a sorrir, porém, mais largamente, desta vez – Por que está tão ansioso para que esta seja minha resposta? – rindo levemente, ela finalizou, cruzando os braços e sendo a sua vez de erguer a sobrancelha – Só pode estar dizendo a verdade.

O garoto engoliu em seco, expirando profundamente em resposta. Ele sabia que tinha arriscado ao ser sincero; e que pagaria por tal erro, em um futuro mais próximo. Loki só fez sorrir, aproximando-se de ambos, outra vez.

– Bom trabalho… — ele apoiou a mão no ombro de Kalista e o sorriso da mesma se acendeu com tal ação, antes do professor lhe dirigir a palavra, mais uma vez – Mas… O que mais lhe apontou para a verdade? – a jovem franziu o cenho, e o Deus se viu obrigado a lhe explicar – Você confiou apenas no que a audição conseguiu lhe revelar. Mas e quanto à posição de seu corpo? O gesto de suas mãos? – a outra engoliu em seco enquanto escutava o Gigante de Gelo continuar – É necessário aprender a decifrar todos os mínimos detalhes que seu inimigo dispõe na mesa. Uma pista pode mudar o jogo; uma carta mal virada pode ser o significado da vida, ou da morte. – ele se voltou para a sala ao dizer – Vocês nunca saberão usar essa arte com maestria enquanto não souberem confiar nos outros sentidos, além do que podem ver, ouvir e sentir. – ele se afastou novamente, voltando a posição anterior, a encará-los – Próxima.

Kali inspirou profundamente, sabendo que não obtivera nenhum sucesso naquele exercício até agora, apesar de ter acertado o sentido correto da frase. Ela fechou os olhos por alguns instantes, tentando concentrar-se para, enfim, suceder-se na proposta.

– Eu nunca matei ninguém.

Quando a loira abriu os olhos, encontrou somente Jon a observa-la, com um olhar arregalado e nervoso. A turma a encarava, um certo receio em suas expressões enquanto o fazia. De certa forma, eles não estavam muito ansiosos para saber a verdade daquela frase; mas Loki estava mais do que pronto para, enfim, revelá-la.

O garoto expirou, trêmulo, enquanto tentava focar na tarefa dada. Ele olhou atentamente para a garota: a curva de seus lábios, a postura de seu corpo, o gesto de suas pernas e braços… Aparentemente, nada em seu ser estava lhe revelando o que ele queria descobrir; e, sabendo bem como a colega era, ele tinha certa noção de que não lhe daria nenhuma dica assim, tão cedo.

– Ver… Dade? – Loki franziu os lábios, enquanto o seu aluno coçava a nuca, claramente confuso com a própria sentença. Ele se aproximou, desta vez, apoiando a mão no ombro de Jon.

– Tem certeza? – ele questionou, sua voz soando com certo veneno no timbre, fazendo-o inseguro, inquieto – Não está deixando passar… — o rosto do mais velho aproximou-se de sua orelha esquerda, sussurrando gentilmente – Nada?

– Os olhos.

A classe toda se virou para encarar Ariella, mas esta parecia estar alheia ao que acontecia ao seu redor. O Deus da Trapaça fechou brevemente sua expressão, encarando-a mais atentamente; não conseguindo deixar de pensar na noite passada, enquanto o fazia. Ele balançou a cabeça para dispersar os pensamentos.

E lá estava Ary, de boca levemente escancarada, a fitar Kalista. A loira pareceu se desesperar, por alguns instantes; arregalando os olhos e fazendo gestos com a boca, para impedir qualquer coisa que saísse dos lábios da outra. Mas nada adiantou.

– Como disse? – o professor questionou, completamente interessado, agora. A garota dos dreads coloridos fechou a boca outra vez, e engoliu em seco.

– Suas iris… — ela começou a dizer, com a voz ainda incerta – Não se focaram em Jon quando revelou a frase. – Ary, explicou, voltando a olhar os colegas a fim de terminar de explicar – Ela só pode estar mentindo.

Kali não esperou o julgamento dos outros alunos. Erguendo-se de seu lugar, e sem realmente encarar a ninguém enquanto o fazia, ela se dispôs a saír dali; andando com certa suavidade, apesar de vários corpos estarem dispostos em seu caminho. Assim que a loira desapareceu de seu campo de visão, outra vez, a quietude incômoda voltou a ocupar o lugar. Thor tossiu algumas vezes, como se para chamar a atenção para si, e disse, de maneira grave e direta:

– Estão dispensados da aula. – ele encarou o irmão profundamente nos olhos antes de terminar, sério e sombrio – Já chega, por hoje.

O Deus da Trapaça lhe sorriu como se a culpa daquela confusão fosse realmente sua. E, de certa forma, não deixava de ser.

Os alunos não se demoraram a partir após a ordem dada, assim como o Deus do Trovão. Ary parou alguns instantes na porta, olhando, sem recriminações, para a figura esguia do Gigante de Gelo, à distância.

– Não conseguirá a simpatia da turma com insultos, professor.

Loki voltou a sorrir, mais largamente desta vez, enquanto virava-se para encarar a garota dos dreads coloridos. Sem saber como, ele sabia que ela ficaria para confrontá-lo, de alguma maneira; e ficara agradecido por não ter que correr atrás de sua figura pela Mansão, afim de concretizar seus planos.

– Insultos? – ele ergueu a sobrancelha, como se não estivesse a entender suas insinuações – Senti-me até mais compreensivo, hoje. – seu tom de voz soou inocente, mas Ariella conseguia enxergar atravéz daquela imagem de gentileza. Ela voltou a entrar na sala, aproximando-se de seu mentor, e mordendo o lábio inferior, em resposta.

“Não espero que suas mentes consigam compreender minhas palavras.” – ela repetiu sua própria frase, fazendo-o rir, ligeiramente – Essa sentença não me parece um elogio.

– Nunca me foi dito que eu precisava gostar de meu castigo. – ele ridicularizou em um tom de escárnio enquanto se dirigia à saída – Para quê minhas palavras suaves se, no final, elas serão enganosas? – ele cruzou os braços novamente em suas costas, sorrindo de lado ao esperar pela resposta da midgardiana.

– Só não gosta porque não conhece. – ela lhe devolveu a mesma expressão facial – Você não tem o direito à opinião até que compreenda os dois lados da moeda. Os Vingadores não sairão do seu pé até que o faça, e sabe muito bem disso.

Um sorriso perverso espalhou-se por toda a expressão facial de Loki enquanto uma ideia surgia em sua mente.

– E suponho que você consiga me mostrar o outro lado?

Os olhos da humana se arregalaram, com a possibilidade.

– Como? – sua voz soava estremecida, insegura. O Deus riu levemente com tal ação.

– Não estava tão disposta a me fazer enxergar meu erro? – ele ergueu as mãos, como se uma brilhante solução tivesse sido colocada à sua frente – Esta é a sua chance… — ele ergueu a sobrancelha, observando-a atentamente e sabendo que ela não teria mais saída ao dizer – Ou estou enganado a seu respeito?

Ariella engoliu em seco, mais uma vez. Então era isso. A jovem sentia-se como se tivesse acabado de cair em uma armadilha perfeitamente colocada; e, de alguma forma, percebeu que ela mesma a havia armado. Ary sabia que não podia voltar com sua palavra, agora; afinal, os humanos realmente não eram seres miseráveis, dispostos no universo a bel prazer de seus inimigos e usurpadores, e ela, sem saber mesmo o porquê, se sentia na obrigação de mostrar isso àquele Deus tão metido a besta. Ela expirou profundamente, já dando-se por derrotada, enquanto apoiava a mão esquerda em suas têmporas franzidas.

Afinal, o que ela tinha a perder, além da sanidade?

– Nas aulas de reforço?

Ela conseguiu escutar a risada de Loki, com um certo toque de perversidade em seu timbre. E ela imediatamente soube que aquilo não era um bom sinal.

– Até lá, Srta. Ellard. – ele respondeu, enfim, afastando-se de sua pessoa. E quando o Deus finalmente sumiu de seu campo de visão, a jovem pôde expirar, aliviada, enquanto coçava a nuca e fazia uma careta de confusão e, de certa forma, desespero.

Aonde ela havia se metido?

Notas finais
Eae? Qual o veredicto?