Iniciativa Vingadores
12 Família quer dizer nunca abandonar... Ou esquecer.
Notas iniciais
Não me matem, por favor T-T Eu tinha tudo planejado para esse capitulo, mas não conseguia passar para o papel... Me perdoem, please?
#fazcaradoGatodeBotas
Bem, depois desse momento dramático...
TEMOS OITO RECOMENDAÇÕES, PESSOAL!
#abrechampagne
#começaadançar
Queria agradecer ao papai, a mamãe, a titia, ao papagaio...
Caham
#momentoloucuramodeoff
Sério gente, eu estou muito feliz pelo sucesso da fic! Sei que já disse isso antes (se não me engano), mas se não fosse por vocês, eu nem teria continuado esse projeto; já comecei tantos antes, e nunca terminei...
Agora esse vai ser questão de honra! Hunf u.u
Buuut, sem mais delongas... :X
BOA LEITURA!
– Sabia que você estaria aqui.
Hank sorriu de lado, não precisando virar-se para saber que era Alice quem se encontrava ali, às suas costas. Ele passou suas grandes mãos pelo estofado de couro, fechando os olhos e inspirando profundamente os últimos resquícios de odor dos antigos mutantes, que ainda estavam impregnados naquele velho avião de metal; o primeiro jato dos X-Men.
– Você me conhece bem demais. – ele alargou a expressão, virando-se, enfim, quando sua pupila deu mais alguns passos em sua direção. O rosto da jovem esmoreceu brevemente, enquanto suspirava com pesar e olhava ao seu redor.
– Às vezes… — ela começou, hesitante, enquanto coçava o ante-braço esquerdo e encarava os olhos de McCoy – Eu sonho que estamos todos juntos, novamente. Eu, você, a Jean… — sua risada, então, ressonou pela máquina, vazia – Até mesmo o Logan.
Hank aproximou-se da garota, ajoelhando-se à sua frente. Ele esticou o braço, secando, com o dedão, uma lágrima teimosa que escorregava, preguiçosamente, pela maçã de seu rosto, dizendo:
– É bom sonhar, Alice… — ele pôde ver o lábio inferior de sua antiga aluna extremecendo, levemente; mas fingiu não o perceber – Contanto que não atrapalhe o seu futuro.
Não eram muitas as vezes que Waterloo deixava suas muralhas internas caírem, demonstrando, assim, os seus sentimentos; os pensamentos mais profundos e obscuros de sua alma. Quando o fazia, o choro era praticamente impossível de se controlar; e os únicos com quem ela se sentia livre para conversar, desta maneira tão íntima e perturbadora, eram poucos.
Não havia dúvidas de que Hank era um deles.
A garota dos cabelos cor de fogo enlaçou seu mestre com os braços, aconchegando o rosto na curva de seu pescoço e deixando as lágrimas fluirem com naturalidade, enxarcando a camisa social masculina. Hank, em retorno, a abraçou pela cintura; sentindo o odor floral de suas madeixas claras, dando-lhe a familiar sensação de proteção e segurança, que sempre se esforçava para transmitir. Poucos instantes se passaram, até que McCoy afastou os corpos; voltando a encará-la, abrasadoramente, nos olhos.
– Eles são seus irmãos e irmãs agora, pequena. – ele riu baixinho, continuando a dizer – Pode não ser muita coisa, e duvido que você queira alguém como Tony Stark na família… Mas nem tudo é perfeito. – os dois alargaram o sorriso, rindo outra vez – Eles são tudo o que você tem, agora.
– Ainda tem a base francesa… — Waterloo sussurrou, teimosa; como lhe era de costume – E você.
Fera sorriu torto, depositando um singelo beijo em sua testa, fazendo-a se sentir, enfim, em casa.
– Cuide deles como cuidou de nós… — ele deixou as presas a mostra enquanto sorria largamente, talvez, lembrando-se de dias mais felizes, e quentes, ao lado dos X-Men – E nunca estará sozinha.
Hank ergueu-se do chão, dando-lhe um último abraço antes de passar por sua pessoa, dirigindo-se até a saída do avião. Alice, sentindo um enorme peso no peito, ainda com aquela questão em sua mente, não pôde deixar de indagar, enquanto suspirava, outra vez:
– Algo perigoso está para acontecer, não é? – quando McCoy voltou-se para ela, o corpo da jovem retesou, tentando lhe mostrar toda a seriedade e postura profissional que conseguia transmitir – E o sumiço de Annabelle tem tudo a ver com isso.
O rosto de Fera petrificou-se, mostrando uma sombriedade que não era característica de sua pessoa amável e gentil.
– Não sabemos onde ela está ainda, e o que realmente aconteceu. – o seu tom de voz era monocórdio, e Waterloo se assustou levemente com tal percepção – Quando soubermos, você será a primeira a saber.
Ele estava fugindo da questão, para não lhe revelar nada que fosse realmente comprometedor; e ela sabia disso. Antes que Fera partisse, novamente, a garota não conseguiu se conter; exclamando em um tom urgente e, quase, assustado:
– Eu posso ajudar, Hank! – ele parou onde estava, de costas para a antiga aluna; não ousando mover nem um único músculo sequer, enquanto ela não terminasse de dizer – Eu posso usar o Cérebro, e…
– Alice. – ele respondeu, fazendo-a se calar de imediato. O rosto de seu superior se encontrava tão obscurecido e, ao mesmo tempo, temeroso quando voltou a fitá-la, que a jovem não se atreveu a dizer mais nenhuma palavra.
– Prometa-me que não usará o Cérebro. – ele pediu após alguns instantes em silêncio, tentando controlar o extremecimento de sua voz – Charles Xavier era o único capaz de usá-lo, e sempre será. Nem mesmo Jean, antes de virar Fênix, era forte o suficiente…
– Hank… — seu olhar, cortante como gelo, a aquietou, outra vez.
– Eu sei que quer ajudar, Alice… — ele pousou sua grande mão direita no ombro da mais nova, fechando momentaneamente os olhos – Mas o único jeito de me ser realmente útil, será ficando aqui, sã e salva. Entende?
Ela acentiu levemente a cabeça, transformando ambas as mãos em punhos, tentando controlar a mistura de sentimentos que embrenhavam-se em seu coração, naquele momento. Quando McCoy abriu as pálpebras, eles se separaram.
– Você sabe que… — ele riu consigo mesmo, coçando a nuca com suas grandes e afiadas garras – Eu sempre a considerei… Sempre a vi… Como…
– Eu sei, Hank. – ela sorriu, gentil, enquanto voltava a abraçá-lo – Eu também.
Os dois passaram mais alguns instantes assim, naquele enlace, naquele momento que, provavelmente, nunca seria esquecido, por nenhuma das partes. Quando voltaram ao presente do momento, McCoy voltou a se afastar, acenando para a pupila enquanto dizia, risonho:
– Vou visitar nossos amigos. – quando ele saiu completamente da máquina, completou – Te mando um cartão postal quando chegar lá.
– Engraçadinho. – ela riu também, logo voltando aos seus pensamentos preocupantes quando Fera já não se encontrava mais ali, fechando sua expressão. Ela pensara, e muito, na questão do Cérebro; e realmente queria ajudar na causa de McCoy, seja lá qual fosse. Contudo, Alice era esperta o suficiente para saber que não teria chances de se suceder, se fosse agora; seus poderes eram um amontoado descontrolado dentro de seu corpo, um embaralhado de fios, que precisavam ser colocados em ordem. Mas como?
Os seus pensamentos, então, voltaram-se para Clint; alargando um sorriso em seu rosto, enquanto pensava na velha proposta.
De uma forma ou de outra… Ela não teria escolha. Não é mesmo?
(…)
Wilhemina aproximou-se vagarosamente da Sala 4, mordendo o lábio inferior e olhando para cima, como se pedisse ajuda a um ser inexistente, para o que faria logo em seguida.
– Por favor… — ela dizia baixinho, cruzando os dedos das mãos, em sinal de boa sorte – Só dessa vez… Não aja que nem uma idiota…
Willy pousou a parte esquerda do corpo no batente da porta, não podendo deixar de sorrir ao vê-lo ali, ajeitando os óculos no rosto enquanto arrumava os papéis em cima da mesa. O homem parecia profundamente concentrado no que fazia; mal reparando quando a garota suspirou fundo, dando mais um passo em sua direção.
“Ok… É agora…” ela pensava enquanto se obrigava a continuar andando, talvez, silenciosa demais sob aquelas circunstâncias “Ou vai, ou raxa.”
Ela estremeceu ao pensar na última parte.
– Doutor Banner?
O susto que Bruce tomou naquele momento foi quase o estopim para a vinda de Hulk em sua forma humana. O cientista se obrigou, naqueles poucos instantes de pânico, a pensar nas várias técnicas de relaxamento que aprendeu durante todos aqueles anos; não se permitindo ceder aos seus próprios instintos animais. Ele já estava há um bom tempo sem virar o “outro cara”… E se encontrava muito feliz assim.
– Wilhemina… — o tom rouco do mais velho assustou a jovem, que arregalou os olhos ao observar o corpo masculino tremendo compulsivamente, e não hesitou em ir ao seu encontro.
– Você está bem, Bru… Professor? – a garota balançou a cabeça, sentindo-se estúpida por pensar que já era íntima o suficiente para chamar o doutor pelo próprio nome – Precisa de ajuda? Água? Mamão com açúcar? Qualquer coisa…?
– Eu estou bem. – ele inspirava e expirava, de maneira cronológica e controlada, enquanto continuava a dizer, sentindo as tremedeiras diminuindo gradativamente – Só preciso… De um tempo.
– Ok… Um tempo… Certo… — aquela resposta parecia não ter surtido efeito algum na garota, que ficou a olhar ao seu redor, talvez, esperando algum tipo de milagre aparecer – Para quê servem os irmãos, se nunca estão na hora que precisamos? – ela disse para si mesma, revirando os olhos enquanto pensava no lindo diploma de medicina que Orlando possuia, mas que, agora, não estava servindo para mais nada – Não quer se sentar, pelo menos?
Banner acentiu com a cabeça, sentindo-se fraco demais para falar. Willa, então, esticou o braço do doutor pela extensão de seus ombros, fazendo-o se apoiar nela enquanto, ao poucos, os dois se locomoviam até a cadeira mais próxima; depositando, assim, o corpo masculino ali, preguiçosamente.
– Minha intenção não foi assustá-lo… — o rosto da jovem corou fortemente ao pensar na cena anterior, sentando-se na cadeira ao lado – Sinto muito.
– Não precisa se desculpar. — Bruce sorriu torto, sentindo-se melhorar, aos poucos – Esses acidentes acontecem com mais frequência do que gostaria… Até servem como treino, para momentos futuros.
Os dois riram momentaneamente, e Willy sorriu, sonhadora, ao observar como o rosto de seu professor ficava lindo, quando estava feliz. Ele, então, voltou a atenção para a sua pessoa; mergulhando, sem nem ao menos perceber, naquelas orbes tão profundas, e tão sinceras. O seu azul cobalto poderia, naquele instante, ser chamado de oceano; pois, certamente, não seria nenhuma mentira. Bruce franziu o cenho, como se estivesse em frente a uma equação matemática, difícil de se resolver; tentando desvendar a garota à sua frente, vê-la como realmente era.
Mas o homem logo percebeu que não era necessário fazê-lo; simplesmente não havia motivo. A jovem, em si, já era a própria resposta. Seu ser era puro demais; honesto demais, para que precisasse de fachadas, ou segredos.
Ela era assim. Sem mais.
E isso, de alguma forma, somente instigou ainda mais a curiosidade do doutor.
– Você… Queria falar comigo? – Banner acordou de seus devaneios, percebendo, de relance, que fizera o mesmo com a jovem; quando esta balançou, imperceptivelmente, a cabeça… Como se estivesse a acordar de um sonho.
– Sim, eu… Eu queria. – ela engoliu em seco, rezando internamente para não se atrapalhar nas palavras, enquanto continuava a dizer – Eu… Eu acho que… Que não vou conseguir frequentar suas aulas. Pronto. Falei. – seu rosto feminino foi tomado pelo mesmo tom avermelhado de outrora, desviando o olhar para os próprios pés.
– Por que? – ele franziu o cenho mais uma vez, sentindo um arrepio na espinha ao temer a resposta – Foi… Algo que eu fiz?
– Não! – ela arregalou os olhos, balançando a cabeça, disposta a fazê-lo esquecer daquela possibilidade – Magina! Nós mal nos falamos desde… Desde… O recrutamento. – seu corpo retesou ao lembrar-se daquele dia, sentindo borboletas dançarem em seu estômago – Não poderia ser por sua causa.
– Mas então… — o homem coçou a nuca, aparentando confusão em sua expressão facial – Qual é o problema?
Willy suspirou, com pesar, enquanto fechava os olhos, pousando as mãos nos joelhos e encurvando sua coluna.
– O problema sou eu… Sem querer remeter ao cliché hollywoodiano. – ela riu, sem humor – Eu sou o oposto do auto controle, se é que isso já não é elogio demais para mim… Um poço de cadarços embaralhados; que, por mais que eu tente separá-los, para voltarem aos seus devidos sapatos de origem, minhas tentativas parecem somente formar mais nós! – ela se ergueu de rompante, dirigindo-se a janela e jogando os braços para cima, em sinal de rendição – Eu mal consigo fazer um exército de formigas me obedecer! – Willy, então, abraçou o próprio corpo, observando o farfalhar das folhas das árvores, inclinadas pela ação forte do vento – O que eu posso fazer?
O mais velho, então, levantou-se, andando até o seu lado. Somente virando o rosto em sua direção, o homem sorriu, formando pequenas, e praticamente invisíveis, rugas nos cantos dos lábios.
– Pode vir para as minhas aulas. – ela o encarou, parecendo não acreditar em suas palavras, depois de todo o discurso que dera, agora a pouco – Já é um bom começo.
– Os gritos do Verdão te deixaram surdo? – a mais nova ergueu a sobrancelha, observando o olhar chocado de seu professor com a frase que lhe lançara. Ser discreta nunca fora o seu forte – Te dei mais de um milhão de motivos para não ir a sua aula…
– Os quais eu compreendo completamente. – ele a interrompeu, voltando seu olhar para a paisagem afora, encoberta pelas cores do pôr do sol, que se estendia pelo horizonte – Eu já estive no lugar de todos vocês… Senão, em um estado muito pior. – ele riu, sem humor algum – Quer alguém pior do que o “Verdão” para controlar? – o som desse nome nos lábios lhe trouxe uma sensação de enjôo na boca do estômago, mas ele se obrigou a continuar – Até alguns anos atrás, eu mal poderia me frustrar com um pote de maionese sem sentir minhas roupas rasgando pelo esforço. Mas com o tempo, a prática e o treino, tudo se tornou mais fácil; e agora, requer bastante distração da minha parte para ceder aos “charmes” do “outro cara”… Como quase ocorreu hoje. – ele voltou a atenção para a pupila, que se encontrava encabulada, outra vez – Não digo que estou completamente controlado… Talvez eu nunca estarei. Hulk tem um forte senso de independência e liberdade; sentimentos quase impossíveis de serem freados. Mas eu nunca vou deixar de tentar; por mais frustrante que seja, às vezes, render-se às derrotas de seu próprio corpo… — ambos se viraram , encarando-se, enfim, frente a frente. Permaneceram assim por alguns instantes, até que Bruce quebrou o silêncio – O importante é nunca parar de tentar e ter a certeza de que, um dia, tudo valerá a pena. – ele esticou a mão em sua direção, rindo antes de finalizar – Afinal, o que você tem a perder?
Willy mordeu o lábio inferior, fitando aquela mão como se algo muito ruim pudesse acontecer se ela a apertasse. E, de fato, poderia.
Mas então, a garota voltou a atenção para o rosto paciente que a encarava, esperando por uma resposta. Os cabelos desgrenhados, as quase invisíveis rugas de preocupação, os óculos escorregando pelo nariz… Os olhos. Aqueles olhos que insistiam em se esconder; misteriosas orbes que, assim como sua pessoa, transmitiam uma paz e um mistério, tão envoltos, tão encobertos… Que era praticamente impossível resistir aos charmes intensos de alguém como o doutor.
– Somente a sanidade. – Wilhemina abriu o sorriso para, enfim, aceitar o cumprimento. Bruce sorriu de volta, surpreendendo a ambos ao inclinar seu corpo na direção da aluna, sussurrando de encontro ao seu ouvido:
– Então, não vai demorar muito.
(…)
17h25
Clint Barton se encontrava há meia hora naquela posição: agaixado em cima da cadeira projetada pela sala, os braços cruzados de encontro ao peito e o rosto frio, insensível, enquanto esperava pela pupila. Seus olhos não desgrudavam um segundo sequer do relógio, apesar de estar, ao mesmo tempo, alerta a qualquer sinal de vida que pudesse aparecer por ali, além da sua. Ele dissera 17h30, em ponto; e não se desviaria de sua promessa.
17h26
As chances de Alice aparecer eram promissoras. A vida da jovem era obedecer; havia sido assim desde que fora encontrada pela S.H.I.E.L.D, desviando-se da mesma somente para seguir as instruções dos X-Men. Mesmo teimosa e insistente, Waterloo sabia quando realizar uma ordem; e ela não se desviaria de sua missão por algo tão simples quanto aulas particulares. Não é mesmo?
17h27
E também havia o fato de ela poder machucar alguém, se resolvesse aparecer nas aulas de Bruce; pelo menos, por enquanto. A garota tinha plena consciência de que não poderia se arriscar de tal modo; era irresponsável de sua parte, e era bem capaz de acabar pagando o preço pelo insensato erro, depois.
17h28
Contudo, ainda havia aquela voz, bem no fundo da mente do Gavião, que ainda se questionava. E se ela tivesse se cansado, depois de tantos anos de serventia e obediência? E se um lado rebelde, louco, tivesse despertado na adolescente; obrigando-a a pegar sua moto e, sem avisos ou cartas, sair pelo mundo; para nunca mais voltar?
17h29
O corpo do Arqueiro retesou, e sua visão pareceu ficar mais clara, naqueles últimos instantes de espera. Ele deu uma rápida olhada ao redor; mas continuava sendo o único ali. O homem passou a língua pelos lábios secos; um nítido ato de nervosismo e apreensão, enquanto os ponteiros do relógio tomavam os seus devidos lugares, vagarosamente… Em uma velocidade que, naquele momento, pareceu durar uma eternidade.
17h30
O Agente não pôde conter-se em pular da cadeira, passando o olhar rapidamente pelo seu redor; tentando não perder nenhum detalhe do espaço, por mais inútil que fosse. Não havia ninguém.
Ele não conseguia entender. Sua mente se encontrava em um furacão de pensamentos, e tentar mantê-los em ordem parecia uma tarefa difícil demais para ser cumprida ali. Clint coçou a nuca, abaixando a cabeça e suspirando, com pesar, enquanto fechava os olhos.
Seu peito foi tomado por uma sensação estranha; um sentimento que ele nunca sentiu antes, ou se permitiu fazê-lo. Tristeza? Raiva? Desespero?
Decepção. Essa era a palavra que melhor definia aquele peso, que, agora, esmagava o seu coração, impiedosamente. Mas por que? Ele mal conhecia a jovem; por que esperara tanto, vindo de sua pessoa? Não era mais do que uma garota…
17h31
Ele suspirou mais uma vez, inclinando-se para pegar sua mala e, colocando-a nos ombros, virou-se para ir embora. Sem nenhuma explicação e sem realmente entender os motivos, Barton havia criado grandes expectativas quanto a Waterloo; ele não sabia como, mas sentira, desde que a conhecera, que ela reservava muitas surpresas para o mundo ao seu redor; certamente, um talento que não merecia, de nenhuma forma, ser desperdiçado.
Será que aquele era o fim?
Eram muitas dúvidas, muitas questões em sua mente; e ele estava disposto a esquecê-las, pelo menos, por enquanto. No entanto, assim que passou pela saída da Sala de Perigo, sua visão captou algo, no canto de seus olhos; uma figura, de cabelos cor de fogo, vívidos, e sorriso torto ao se espalhar pela face, com o corpo apoiado de encontro a parede, relaxado, divertido.
– Aonde vai, professor? – os olhos do Agente se arregalaram e, sem realmente perceber, um sorriso pequeno havia tingido seu rosto – Nós temos uma aula a fazer.
(…)
– Espero que não tenham trazido velas aromáticas, ou incensos. – Bruce Banner riu levemente enquanto continuava a arrumar o amontoado de papéis – Porque eles não serão de nenhuma serventia, por aqui.
O grupo de alunos riu com gosto da piada daquele professor, outrora, tão tímido e acanhado. Willy alargou o sorriso, apoiando o queixo na mão direita, a qual mantinha o cotovelo, como base, em cima da mesa. Orlando fitou a irmã e ao doutor, com os olhos espremidos em desconfiança.
– Sei que muitos estavam se indagando sobre o objetivo dessa aula; por mais que não seja nenhum segredo. Pelo menos, para mim. – diante do silêncio da turma, o homem continuou, andando pela sala; sentindo-se em sua zona de conforto, por mais que não estivesse em um laboratório de experimentos científicos – Quantos de vocês já se encontraram querendo experimentar outros aspectos de seus poderes; porém, não conseguiram realizá-lo? – alguns ergueram as mãos – A pergunta era retórica. – o mais velho sorriu amarelo enquanto continuava a dizer – E quantos de vocês já fizeram algo, e suas habilidades acabaram saindo do controle, assim como a situação disposta no momento? – o professor parou de andar, parecendo encarar cada um daqueles curiosos olhos ao seu redor – O que vocês acham que aconteceu? – a quietude preencheu o ambiente outra vez, e ele tossiu, completando – Podem responder.
– Medo? – Isabella questionou, encolhendo-se em seu lugar.
– Insegurança? – Jon olhou para os lados antes de responder, cruzando os dedos entre si.
– Incapacidade? – Kali entortou os lábios, em uma expressão aparentemente sapeca; e Charlie esticou a boca levemente, em resposta.
– Tudo isso… — Banner sorriu, gentil, quando percebeu que não receberia mais respostas – Menos a última parte. – a turma riu enquanto Kalista revirava os olhos, parecendo entediada – Os sentimentos e lembranças se tornam um grande obstáculo em nosso aperfeiçoamento, se não soubermos como utilizá-los. Todos sabem que podemos tentar enganar a nós mesmos; dizendo termos nos esquecido de nossos sofrimentos, dores e perdas… Quando, na verdade, somente os tornamos mais fortes: para, um dia, quando finalmente vierem a tona – e eles virão, podem ter certeza -, essas incertezas e inseguranças poderem nos derrubar, em vez de fortalecer. Não somos capazes de esquecer nossos medos mais profundos; não podemos fugir, para sempre, dos momentos mais difíceis, enraizados profundamente em nosso subconsciente… — ele bateu, uma vez, as palmas entre si; como se quisesse marcar suas palavras na mente de todos – Mas podemos transformá-los ao nosso favor.
Cochichos conspiratórios se espalharam pelos recrutas, porém, estes aquietaram-se, ao perceberem o olhar paciente de seu mestre.
– Quando suas emoções forem focadas em um único objetivo, então, vocês poderão se utilizar de seus poderes ao máximo. E é isso o que vou ensinar, nessas poucas e importantes horas. Como transformarem o turbilhão confuso, de seu coração, em uma arma… Uma peça chave para o desenvolvimento, completo, de suas habilidades. – ele abriu os braços, como se estivesse a enlaçar a turma por completo, e disse, enfim, com um grande sorriso – E então? Podemos começar?
(…)
– Você conhece a si mesma, Alice?
A pergunta pegara a garota de surpresa, obrigando-a a arregalar minimamente os olhos, em direção ao seu mais novo tutor particular. A Sala de Perigo havia se tornado um grande campo verde, assim como havia sido na primeira aula do Arqueiro; porém, ao redor deles, não havia mais nada, desta vez; além da pura grama esverdeada, o céu azul, limpido. E o silêncio.
– É claro que sim. – ela respondeu, enfim. Clint andava ao redor de seu corpo; ela conseguia sentir o seu cheiro, quase podia sentir a textura de sua pele, áspera, seca. O homem parou à sua frente, obrigando-a a encará-lo em suas orbes sérias, compenetradas.
– Não. – ele pareceu responder por ela, continuando a andar – Sua hesitação foi o suficiente para sabê-lo.
– Você… Me pegou desprevenida. – Waterloo disse, sincera, enquanto tomava fôlego diante o olhar cortante do Gavião.
Ele gargalhou diante de tal gesto, fazendo com que a jovem transformasse suas mãos em dois punhos. O moreno parou, às suas costas; colocando a cabeça na curva de seu pescoço, sussurrando entre dentes e causando arrepios em sua pele:
– Se conhecesse a si própria, como alega em palavras, isso não teria acontecido. – uma fina linha de suor delineou-se pelo rosto feminino, contudo, ela se obrigou a permanecer ereta, obediente – Qual é a sua história? Você é Alice Waterloo… Ou Jane Doe?
Um asco formou-se na base de sua garganta; o qual se esforçou, com muita dificuldade, para ignorar. O Agente estava pressionando-a; empurrando-a contra a beira do abismo, somente para ver como reagiria, o que faria, diante de tal tentativa.
Ele queria vê-la se quebrar.
– O que era, antes de ser encontrada pelas freiras? Apenas um bebê abandonado, debaixo de uma ponte; a mesma que deu origem ao seu nome. – o ar faltou nos pulmões da mais nova, e isso não passou despercebido por seu expectador – O que há, Ms. Waterloo? Sei demais sobre sua pessoa? Se incomoda em saber que, provavelmente, sei mais sobre você, do que jamais saberá?
A garota dos cabelos vermelhos sentiu o sangue ferver em suas veias, enquanto sua respiração desregulava, e seu coração permanecia agitado, dentro de seu peito. Se havia algo, nesse mundo, que ela simplesmente odiava… Era ser chamada de Ms. Waterloo.
– Enquanto não souber quem você é; enquanto não conhecer o seu próprio corpo, mente e propósito… — a cabeça do Gavião locomoveu-se até a outra orelha, completando em um sussurro, quase impossível de ser ouvido de tão gentil, apesar das palavras agressivas que proferia – Nunca saberá se controlar.
Ele voltou a andar, parando, outra vez, à milimetros de seu corpo. Com a mão esquerda, ele fechou as pálpebras da garota; afastando-se, assim, de sua pessoa.
– Por mais difícil que seja… — ele dizia, enquanto continuava a se afastar – Não abra os olhos.
Ela franziu o cenho, não ousando questionar o seu mestre. Inspirando profundamente, Alice permaneceu assim; parada, esperando pela próxima ordem, palavra ou ação. Mas nada veio.
Pelo menos, por alguns instantes.
– Argh! – ela exclamou, ao sentir um forte chute em suas costas, obrigando-a a abrir as pálpebras e encarar o seu tutor – O que foi isso? Enlouqueceu?
– Se está aqui, é para não questionar os meus métodos. – ele esbravejou enquanto a outra se levantava, continuando a se locomover sem quebrar o contato visual – Feche os olhos, Waterloo. Isso é uma ordem.
“Você aceitou por Hank, Alice.” ela pensava, enquanto tentava manter a respiração sob controle “Agora aguenta o tranco.”
E foi com esse pensamento em mente que a jovem, enfim, obedeceu ao comando.
Porém, desta vez, ela não seria pega de surpresa.
“Bursting through a blood red sky
A slow landslide
And the world we leave behind”
Waterloo pôde sentir uma lufada de ar perto de seu rosto, provavelmente, Clint tentando lhe dar um gancho de esquerda; facilmente desviado, após percebê-lo. Em retorno, a jovem tentou um chute certeiro em seu estômago; mas a falta de visão dificultou seus planos, obviamente, ao senti-lo se afastar com calma de seu gesto brutal.
“It's enough to lose your head
Disappear and not return again”
– Os olhos não são os únicos que podem ver. – Barton sussurrou às suas costas, fazendo-a virar-se bruscamente para trás, e lançar-lhe, outra vez, um chute; porém, tudo o que encontrou ali foi ar, e mais nada.
“When I fall to my feet
Wearin' my heart on my sleeve
All I see just don't make sense”
A garota, então, foi empurrada para frente; caindo, sem nenhuma misericórdia, na macia e áspera grama perfumada, enquanto ferimentos eram abertos em suas mãos e joelhos expostos. Ela mordeu o lábio inferior, levantando-se com certa dificuldade; somente para ser jogada no chão, outra vez.
“You are the port of my call
You shot and leavin' me raw
Now I know you're amazing”
– Veja, Alice. – a voz de Barton nunca pareceu tão próxima quanto nesse momento, e a mais nova esticou as mãos para frente, esperando encontrar o seu corpo, em retorno; sem sucesso – Veja.
“'Cause all I need
Is the love you breathe
Put your lips on me and
I can live underwater
Underwater
Underwater”
Waterloo ergueu-se, já esperando pelo próximo golpe. E quando o sentiu, em sua orelha direita, não hesitou em pegar a mão de seu tutor; erguendo-o no ar por milésimos, até jogá-lo de encontro ao chão, reverberando, assim, o atrito pela extensão da folhagem, agora, molhada pelo suor.
“Underwater
Underwater”
O Agente sorriu torto, aproveitando da distração da aluna, extasiada pela aparente vitória; segurando-a, também, pela mesma mão, e a puxando para si; socando-a, em seguida, diretamente na área do pâncreas.
“Flying through a bright blue sky
With a space boy high
From the world I leave behind
It's enough to lose my head
Disappear and not be seen again”
O gosto do sangue espalhou-se pela boca feminina, mas ela não se deixou abater pelo feitio do professor. Sabendo que se encontrava em cima deste, a garota dos cabelos vermelhos imediatamente se dispôs a socá-lo, aonde pudesse atingir; sendo barrada, no entanto, pelos braços masculinos, que haviam feito um escudo em frente ao rosto.
“When I fall to my feet
Wearin' my heart on my sleeve
All I see just don't make sense
You are the port of my call
You shot and leavin' me raw
Now I know you're amazing”
Cansado da posição em que se encontrava, Clint empurrou facilmente o corpo da jovem para o lado; se permitindo levantar e observar as atitudes seguintes da pupila. Esta se ergueu, logo em seguida; limpando a fina linha de sangue que escorregava, lentamente, pelo canto de sua boca.
“'Cause all I need
Is the love you breathe
Put your lips on me and
I can live underwater
Underwater
Underwater”
Sem tempo a perder, o Arqueiro se lançou de encontro a sua pessoa; e, desta vez, ela não pôde fazer nada para impedi-lo. Sendo jogada contra o chão, ela se rebelou entre os seus braços; enquanto o mestre a enlaçava com os mesmos, sorrindo torto, em resposta a rebeldia.
“Underwater
Underwater”
Alice tentou um último golpe com a perna, lançando o joelho de encontro a área que pensou ser a virilha; mas a mão esquerda do Gavião foi mais rápida, impedindo-a antes que atingisse o seu objetivo. Ela somente pôde bufar, de frustração.
“Underwater
Underwater
I can live underwater
With your love I can breathe
I can breathe underwater
Underwater
Underwater”
– O que fará agora? – o professor indagou, mantendo o aperto de seus membros na aluna, esperando por qualquer ação de sua parte. Esta permanecia, estranhamente, imóvel em sua, aparente, pose inferior; não dando indícios de que faria algo por um bom tempo.
“I can live underwater
With your love I can breathe
I can breathe underwater
Underwater
Underwater”
– É assim que morrerá, Ms. Waterloo? – ele riu sem humor, esperando que aquela frase pudesse despertá-la para o momento presente – Se rendendo… Sem lutar?
Foi quando ela abriu os olhos.
“We could live underwater
With your love I can breathe
I can breathe underwater”
Os instantes que se passaram, então, foram o suficiente para fazê-los entender a situação, no mínimo, constrangedora em que se encontravam. Seus rostos estavam a um passo de se encontrarem; a mão de Clint, inevitavelmente, havia mudado de posição, agora, encontrando-se na cocha da garota. Esta, em retorno, arfava, quase imperceptivelmente; e o corpo do tutor se retesou, com tal aproximação.
“Underwater
Underwater
We could live underwater”
Os olhares de ambos se investigavam, tentando encontrar uma saída; uma desculpa qualquer, um resgate para o momento em que estavam envolvidos. Uma resposta teimava em aparecer, deixando ambos a mercê de seus pensamentos e imaginações férteis; praticamente, cedendo aos seus instintos animais, quase deixando-se levar pelo contato, pela tão próxima e, ao mesmo tempo, tão longa distância…
“With your love we could breathe
We could breathe underwater”
Em um choque momentâneo de realidade, os dois imediatamente se afastaram; desviando seus olhares para qualquer lugar que não fosse o rosto do outro, erguendo-se do chão e preocupando-se demasiadamente em limparem as folhas de seus colos, sujos e amassados. Waterloo mordeu o lábio inferior, inspirando profundamente; ao mesmo tempo em que Barton coçava a nuca, balançando a cabeça enquanto a pupila não o olhava para, enfim, se dirigir à saída.
– Está dispensada, Alice.
Assim que o Arqueiro colocou os pés para fora da sala, toda a ilusão do ambiente se desfez; voltando a ser aquela simples sala de metal, vazia.
E, então, o silêncio voltou a envolvê-la… Outra vez.
(…)
– Eu quero que vocês fechem os olhos, e me escutem com muita atenção. – Bruce dizia para a roda de alunos, que havia afastado as cadeiras para o exercício exposto – Cada passo dito tem que ser realizado com a mesma precisão, na mesma hora. Vocês podem sentir um desgaste, tanto mental, quanto emocional; mas faz parte do objetivo final. Alguma pergunta? – a quietude da turma foi o suficiente para faze-lo prosseguir com a atividade – Quero que estendam as mãos em frente ao corpo, levemente. – assim que os recrutas o obedeceram, ele continuou, com a voz cada vez mais leve, cada vez mais tranquila – Imaginem um círculo brilhante, azul, entre suas palmas. Ali, vocês podem colocar o que quiserem: sensações, lembranças, ações… E a cada sentimento, ou memória, colocada, o círculo se expande cada vez mais…
Lylian não conseguia escutar mais nada, após certo tempo. O círculo se expandia entre suas mãos vagarosamente; a cor cintilando, forte, a cada item colocado, parecendo lhe sorrir. A garota repetiu a ação, em retorno; mas não sentiu o seu rosto fazê-lo, percebendo, com uma certeza assustadora, que conseguira se desconectar completamente de seu corpo. Olhando para si mesma, Lily se viu como aquele mesmo círculo de luz; libertando-se do embrace das mãos para adentrar profundamente em seus pensamentos. Ali, ela encontrou cenas maravilhosas: um campo aberto, com flores de cores riquíssimas a esperá-la; mares envoltos pelas ondas, embriagados pelos sons das baleias, e o canto dos golfinhos. A jovem continuou a viajar, assim, por vários minutos; não cabendo em si, de tanta felicidade e contentamento, com tantos cenários, diversos e explêndidos entre si.
Mas essa sensação não durou por muito tempo.
Como em um passe de mágica, no meio do nada, Lylian encontrou uma singela porta de madeira. Sons estranhos podiam ser escutados; murmúrios imcompreensíveis, que ressonavam ao seu redor, e traziam, para si, um ar de lamento e, inevitavelmente, de solidão.
Porém, Lily estava em tal estado de frênezi, que não hesitou um segundo sequer, ao abrir a porta; com um sorriso largo enquanto depositava-se, completamente, na escuridão.
E assim que a porta se fechou, não havia mais como voltar atrás.
De repente, ela era, novamente, toda sensações e sentimentos; lembranças e, infelizmente, dores. A morena arregalou os olhos, em uma tola tentativa de enxergar algo, além daquele amendrotador breu; e ainda mais ao perceber que não se encontrava mais sozinha…
Ele estava ali.
O suor, imediatamente, enxarcou o seu corpo; ao mesmo tempo em tentava, debilmente, afastar as mãos, grandes e grossas, que certamente viriam ao seu encontro. Não tardou a acontecer; e não importava o quanto esperneasse, ou o quanto chorasse, em súplica… Tudo o que ele fazia era rir.
Rir, enquanto envolvia o minúsculo corpo entre seus braços; rir, enquanto depositava beijos diversos, entre os seios de menina; rir, enquanto, com um forte turpor, ambos se uniam; em um momento único, de tantas formas e de tantas cores. Sentindo-se se esquecer de si própria, como costumava acontecer, em instantes como aquele; Lylian obrigou-se a gritar, seu corpo estremecendo compulsivamente em resposta, lágrimas cegando-lhe para o que acontecia ao seu redor, enxarcando seu adorável rosto.
– Lily! – Ariella chacoalhou o corpo da amiga pelos ombros, fazendo-a acordar de seus pensamentos. Com o rubor em suas bochechas, a adormecida percebeu o que acontecera, quando tocou a ponta de seus dedos na própria face e, ali, encontrou lágrimas ressecadas – Você está bem?
Vergonha. Derrota. Humilhação. Palavras que, em seus ouvidos, nunca tiveram tanto significado em seu coração como agora; e ela, de alguma forma, se via incapaz de lidar com aquilo, diante de tantos olhares curiosos e atentos. Vendo-se sem alternativa, Shaw disparou porta afora; embrenhando-se pelos corredores da mansão, afim de, nunca mais, ser vista.
– Professor… — Ellard virou-se para Bruce, questionando-o com os olhos, aquele par cinza tão esperto e acalentador. O professor acentiu com a cabeça, fechando as pálpebras e expirando, de maneira profunda, enquanto a garota dos dreads coloridos corria, rapidamente, atrás da companheira.
Não foi difícil encontrá-la, na verdade. Por mais extenso que o ex-lar dos X-Men fosse, não haviam muitos lugares permitidos aos alunos da nova instituição; levando poucos minutos para encontrar a morena ali, encolhida no canto extremo de uma das salas de aula, chorando copiosamente enquanto arranhava os próprios braços e pernas.
– Shhh… — Ary aproximou-se vagarosamente da garota, sentando-se ao seu lado e tentando envolvê-la em seus finos braços – Vai ficar tudo bem…
– N… Não. – Lylian soluçava, tentando controlar o estremecimento de seu corpo, sentindo um inexplicável frio apoderar-se de seus nervos – Voc… Você não entende… Ele… Ele…
– Lily. – o tom centrado e quente da jovem obrigou a morena a encará-la, mesmo que seus olhos aguados dificultassem sua visão – Eu sei.
Algo em sua voz, ou no jeito imperativo em que pronunciara aquela, ao mesmo tempo, calma e enervante frase, fez com que a garota retesasse por completo. Ela sabia. De alguma forma, após poucos instantes, um alivio se apoderou de seus sentidos; como se o segredo, agora, pudesse ser compartilhado, deixando de ser um peso nas suas costas. Lylian, então, entregou-se completamente às lágrimas; deixando-se ser envolvida pelo aparente amor de Ary, que, com certeza, ficaria ao seu lado, pelo tempo que precisasse; não importa o que acontecesse.
Steve se encontrava há certo tempo ali, atraido pelo modo preocupante com que Ariella havia entrado naquela sala de aula. Os seus olhos não conseguiam se desviar da pequena figura à distância; parecendo tão pequena, tão frágil, diante de tantas tremedeiras, de tanto choro. Sem saber como, algo estranho surgiu, dentro de seu peito; uma certa sensação de desconforto, como se não pertencesse ali… Como se precisasse trocar de lugares; estando, ele mesmo, a confortar a pobre criatura; aninha-la em seus braços, embriaga-la com suas palavras de conforto… Mante-la, de algum jeito, segura… Protegida.
Balançando a cabeça e julgando-se louco, Rogers fugiu dali; esperando que aquela sensação fosse apenas carinho, de professor para aluna. E nada mais.
Porém, o Capitão América logo descobriria que, aquele, não era o fim, para despertar de seus sentimentos… E, sim, o seu começo.
Notas finais
Mas será o próximo *-* Ansiosos?
Não mais do que eu haha
Quem ainda não me mandou o que quer, ainda dá tempo!
Porém, contudo, no entanto, enfim... Mudando de assunto... O que acharam desse capitulo? Mereço reviews?
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