Ingênua

1 Eu Não Te Entendo, Kikuri.


– Pobre sombra perdida na escuridão, por ferir e desprezar os outros. Sua alma maculada afoga-se na culpa... Quer saber, como é a morte ?

As flores de seu kimono flutuam pelo ar, dançando ao compasso da morte. Um nevoeiro colorido derivado das flores de seu kimono surge, levando Ai Enma e Kaya para o rio da morte.

As ondas eram calmas, enquanto Ai conduzia a pequena canoa. Kaya aos poucos vai despertando, revelando-se confusa e furiosa.

– Para onde estou indo ? Me leve para minha casa. Esta me ouvindo ? Quero ir para casa.

– Não, agora é tarde. Sua casa deixou de ser sua moradia.

– E onde pensa que vou viver ? Me responda.

Ai olha-a, não demonstrava nenhum sentimento. Aquela menina de pouca idade havia destruído a vida de um homem por puro ciúme e obsessão, levando a mulher do mesmo contatar a Hell Girl.

Sempre as mesmas coisas... Os mesmos sentimentos obsessivos. Quando os humanos vão aprender ? Se pergunta, a Donzela do Inferno.

A menina irrita-se com Ai, logo começa a gritar pedindo uma resposta. Quando a obtém, a mesma não gosta nem um pouco.

– No inferno.

Mãos esqueléticas surgem de dentro da água, agarrando as pernas e braços dela. Para logo uma mão surgir e estrangulá-la.

– Eu não fiz nada. Me ajude. Por favor...

Seu olhar era aterrorizado. Ela deixa escapa diversos gritos escandalosos.

– Eu levarei essa dor para o inferno.

– NÃO... Não... Não... Não... Por favor... ME SALVEM !

As duas são encobertas por um nevoeiro fantasmagórico.

[...]

– Ai, como foi com a enviada para o inferno ?

– Bem, vovó.

– Fico feliz com isso.

Uma porta é aberta, nela Ai entra, para logo começar a tirar seu kimono. O que usava para atravessa o rio até o inferno.

Ela coloca seu simples uniforme escolar, já que era inverno. Coloca em seguida seu belo kimono em um pequeno suporte, especifico para ele.

Kikuri entra no pequeno quarto, saltitante.

– Ai, eu quero brincar.

– Depois.

– Depois quando ?

– Logo.

A garotinha de cinco anos corre para fora do quarto, cantarolando uma música fúnebre. Ai a segui para fora do quarto, mas parando na varanda, enquanto Kikuri pulava em cima de suas flores, as destruindo sem dó nem piedade.

Sentando-se na varanda Ai observa Kikuri.

Não se deve julgar pela aparência, apenas pelos altos cometidos.

– Ela me da medo, as vezes – Diz Hone-Onna.

– Ela é...

– Um demônio mirim ?

– Esperta.

– Ela só obedece a senhora. Isso é o que me da mais medo.

– Ela não faria nada contra você, não se preocupe.

– Se a senhorita esta dizendo...

Kikuri se aproxima, segurando nas mãos algumas flores pisoteadas pela mesma. Ela para ao lado de Hone-Onna.

– Ai, vamos brinca, agora ?

– Não está vendo que ela está conversando comigo, Kikuri ?

– Me deixa em paz, bruxa velha.

– Ora, você é incrivelmente mal educada.

– E você é velha e mal-amada — A pequena joga as flores que estavam em suas mãos em cima dela.

Hone-Onna se levanta, pronta para enforcar Kikuri, que corre para perto de Ai.

– O que está havendo ? – Pergunta Ren.

– Vocês duas estão brigando de novo ? – Wanyuudo vinha ao lado de Ren, com uma expressão entediada.

– Ela quem começou – Kikure aponta para Hone-Onna.

– Mentira, foi essa pirralha que começou.

Os dois homens reviram os olhos, entediados. Era já de costume Kikure os provocar, mas só que ela provocava mais Hone-Onna.

A menina de cinco anos mostra a língua para Hone-Onna, que fica vermelha de raiva.

– Pare, Kikuri – Manda com sua costumeira calma, Ai Enma.

A menina para e olha para a Hell Girl, para logo fazer um biquinho e aumentar seus olhos de tamanho.

– Ai... Eu quero brinca com você.

– Senhorita, posso arranca a língua dela ? Por favor – Pede a mulher, irritada com todas as provocações sofridas.

– Não, Hone-Onna.

– Mas, senhorita...

Kikuri abraça Enma, olhando docemente para Hone.

– Ta vendo, bruxa velha. Ai gosta de mim.

– Pare de chamá-la assim, Kikuri.

– Não pode ?

– Não.

A menininha não desgruda de Ai.

Ai levanta-se e segura na mão de Kikuri, decidida a levar a menina para longe de Hone-Onna.

– Volto em pouco tempo. Se houve algum chamado, me avisem.

– Sim, senhorita – Dizem os três em coral.

Kikuri segui Ai, obediente. Em um ato infantil e mal criado Kikuri se vira e da língua para os três. Hone-Onna e a que fica mais irritada.

As duas seguem para o lago onde Ai se banhava. Kikuri corre até um certo ponto e volta segurando uma bola. A bola de Ai Enma.

– Vamos jogar dentro do lago ?

– Estou de uniforme e você de vestido, isso não é prudente.

– Vamos, Ai. Vai ser divertido.

A pequena menina retira os sapatos e se joga de uma vez no lago, fazendo água espirrar em Ai Enma.

Os três que assistiam tudo de longe focam mortificados. Eles odiavam quando a pequena Kikuri fazia coisas imprudentes e que pudessem atingir Ai.

Enma tira as sapatilhas que usava, e as meias. Em seguida adentra o logo, sentindo o gelidez da água.

Kikuri joga a bola em Ai, que a agarra. A mesma joga a bola de volta e assim se inicia a brincadeira. Uma jogando a bola para a outra.

Os três que viam tudo de longe se sentam e ficam apreciando a brincadeira e o modo inocente com o qual Kikuri sorria. Ela só sorria assim para Ai Enma.

– Ren, não para de te olhar, Ai. Ele gosta de você.

Ai olha para Kikuri, não acreditando no que a mesma acabará de dizer. Sem ter como impedir esse ato involuntário, a Hell Girl olha para trás, especificamente para Ren. O mesmo lhe sorri, de modo brincalhão, mas logo fica serio e gesticula algo com a boca que Ai não prestou atenção.

Algo bate contra sua cabeça afazendo perde o equilíbrio, seu corpo despenca para dentro da água. A primeira coisa que faz e fecha os olhos, para logo prender a respiração.

E agora... Minha cabeça dói...?

Um corpo firme e colado contra o seu. Mãos grandes se prendem a sua cintura, puxando-a para fora da água.

Ren estava preocupado e ensopado, com o corpo colado ao seu. Seu peito subia e descia, de forma descontrolada. Ai sente um calor novo tomar conta de seu corpo, a deixando extremamente envergonhada.

– A senhorita está bem ? – Hona-Onna pergunta.

Os quatros estavam ao seu redor, mas a mesma estava ainda colada em Ren. Ele a mantinha bem perto de si, transmitindo calor para seu corpo.

– S-sim...

Os demais não se convencem disso.

– Desculpa, Ai – Pede, a pequena Kikuri. Com seus olhos brilhando.

– T-tudo b-bem.

Porque não paro de gaguejar ? O que a de errado comigo ? Nunca fiquei assim.

– Acho melhor entramos, a senhorita está ensopada, pode pegar um resfriado – Diz Wanyuudo.

– Acho melhor você carregar ela, Ren – Diz Kikuri, olhando tudo com um sorrisinho inocente.

– N-não é... Preciso – Intervêm Ai, completamente envergonhada.

Todos a encaram, o que a deixa ainda mais vermelha.

– A senhorita está bem ?

– S-sim... Ren.

Ele não se convence, por isso se levanta segurando-a nos braços. Ela tenta protesta, mas estava mortificada de vergonha, por isso fica quieta, encolhida em seus braços.

Kikuri caminha a frente de todos, saltitando como uma pipoca. E ela quem abre a porta para eles, que entram sem demora.

– Ai, o que houve ?

– Nada, vovó.

– Você está ensopada.

– Cai dentro do lago.

– Ela foi olhar pro Ren, daí caiu – Diz Kikuri, sorridente, começando a brincar de ser um avião.

Ai sente seu rosto esquenta automaticamente, não só o seu, o de Ren também esquenta.

O que fiz para fica desse jeito ?

– Você precisa tirar essa roupa e tomar um banho quente se não você pega um resfriado.

– Sim, vovó.

Aos poucos e a contra gosto Ren a colo no chão e se afastar, relutante. Um barulho chama a atenção de todos.

– A Hell Girl foi chamada – Diz Kikuri.

– A senhorita precisa tomar um banho quente primeiro – Diz Hone-Onna.

– Eu tomo depois.

– Mais, senhorita...

Ai Enma desaparece, deixando para trás seus seguidores completamente chocados. Menos Kikuri, que sorria maliciosamente, para logo começa a cantarola, indo para fora.

– Essa criança vai acabar trazendo problemas para a senhorita – Diz Wanyuudo.

Hone-Onna e Ren confirmam.

Naquele chamado Ai viu sua chance de ficar só e pensar sobre o que estava sentindo. Ela tinha muitas perguntas e nenhuma respostas, mas primeiro vinha seu dever.

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