Infinity Limited
7 " Eu sou o cara "
Notas iniciais

Pov. Caleb Latrobe
Ninguém merece ficar dois meses à procura de um lugar assim.
Se eu soubesse, não tinha aceitado missão alguma, ok, tá certo que eu não poderia negar minha participação na missão, mas convenhamos que estar aqui não é nem um pouco legal.
Então, você deve estar se perguntando "como assim dois meses " ou até mesmo "procurando o quê?", te respondo da seguinte maneira: Passamos dois malditos meses enfrentando contratempos e procurando por um lugar que além de fedido e medonho, é protegido por um tremendo mal encarado — que possui um péssimo gosto musical, aliás.
Perdemos umas duas horas negociando com o bonitão com pose de segurança nacional enquanto tudo que tocava naquela bendita sala era musica clássica. Nada contra, mas esperava mais de um lugar intitulado como Gravadora M.I., claro todos sabíamos que de gravadora aquilo não tinha nada e que na verdade era tudo uma fachada para esconder a verdade dos olhos mortais: aquela "gravadora" era nada mais nada menos do que uma das entradas pra o Mundo Inferior. Por isso o M.I. sacou? Enfim, depois de algumas horas de puxação de saco e alguns dracmas conseguimos convencer o grandalhão a nos levar até Hades.
Caronte, como é chamado, nos levou até um elevador que quando as portas se fecharam começou a tocar... não! Música clássica de novo não!!!
– Da próxima vez que tivermos que vir até aqui, me lembre de trazer meu Ipod — digo a Damon, o único que participava da missão comigo. De acordo com Quiron a explicação para isso era: "Quanto mais gente, mais atenção e isso é tudo que não precisamos", tinha que admitir que o centauro tem razão, não é à toa que a missão foi intitulada como "secreta".
–Olha, desta vez eu tenho que concordar com você Caleb. — Damon parecia ter gostado da playlist de Caronte tanto quanto eu.
– Além de mal encarado é péssimo em gosto musical, fora que ficamos sem Dracma algum, ou seja sem mensagem de Iris para as garotas, ou pro camp.
– Nem me lembre, Katherine vai me matar, sem contar na bronca que levaremos de Quiron.
– Não quero nem pensar na reação de Serena, do jeito que é, ela irá me torturar por.... — Paro de falar assim que noto um cão que além de gigante possuía TRÊS cabeças. — Tá de brincadeira! — é tudo que consigo dizer. Damon força uma risada irônica, que sai repleta de nervosismo.
–Duvido que seja, e se for, prefiro não brincar -ele me puxa — venha, vamos conhecer o totó...
Entre três filas, resolvemos entrar na do meio, que pela minha fraca percepção parece ser para uma espécie de julgamento mais rápido, o que nos ajudaria e muito, fora que o nosso pequeno "amiguinho", parecia estar muito concentrado na fila da direita para notar nossa presença na fila central.
Quando enfim passamos para o outro lado, (Depois de despistarmos os guardinhas-fantasmas), encontramos um problema maior ainda, digamos que não imaginávamos de forma alguma que precisaríamos de um mapa para nos localizarmos naquele lugar, ou seja, não sabíamos nada sobre o verdadeiro I.M.
– Wou isso aqui é gigante.
– Poderia dizer uma coisa menos óbvia? Tipo como faremos para chegar até Hades?
–Não — respondo — mas sabe uma vez, em um encontro com uma filha de Atena...
– Ótimo, vamos falar dos seus encontros agora? Se formos me avisa que eu me sento aqui ou chamo os guardinhas-fantasmas, ser pego será muito menos tedioso para mim.
– Ei, calma eu só ia dizer que apesar de ser muito irritante, a louca não parava de falar sobre a tal Annabeth sabe, e de como ela foi heroína e bla bla bla, e eu me lembro vagamente de ela ter mencionado a maneira em que Annabeth encontrou Hades junto com o Perseu e....
– As fúrias!
– Oi? Não, tenho certeza que as fúrias não estavam envolvidas nisso.
– Não seu babaca, estou dizendo que poderíamos seguir as fúrias até Hades, olhe elas lá.
Segui a direção em que ele apontava com o olhar, e realmente elas estavam paradas, no meio de alguns fantasmas que nem pareciam notar sua presença.
– Mas você não acha que está fácil demais Damon? Tipo elas ali paradas, isto está me soando errado.
– Bom essa é nossa única chance, e não vai me dizer que está com medo de algumas fúrias?
– O que? Mas é claro que não — o encaro — só acho que ...
– Não, você não acha nada, vamos. — E com isso sou puxado e no mesmo momento as fúrias levantam voo.
Realmente tem algo muito errado nisso tudo.
"""""""""
Apesar de contra minha vontade, tenho que admitir que Damon tinha razão. Depois de algum tempo seguindo as Fúrias, tínhamos encontrado o que seria uma espécie de sala principal, mas que infelizmente estava muito bem protegida.
–Bem, eu tinha razão não tinha?
–Certo, não fomos mortos pelas fúrias, mas quem garante que eles ali — aponto para uns guardinhas nada amigáveis que protegiam a entrada — não irão nos matar quando nos aproximarmos?
– Não sei, de qualquer forma eu tinha razão -Damon voltou a dizer e expressou seu melhor sorriso de "Eu sou o cara", esse que ele logo tratou de desmanchar quando eu disse:
– Certo senhor Dono-Da-Razão, vai lá e diga a eles o quanto você tem razão ao querer falar com Hades.
–Por que eu? — responde exasperado.
– Por que sou lindo de mais para morrer — sorrio — agora vá.
– Certou eu vou mas, se conseguirmos passar por eles você terá que dizer "Damon você é o cara "
–Nunca.
– Então você admite que eu conseguiria?
– Pare de enrolar e vá logo.
– Certo.
""""""""""""
Mais uma vez tudo foi muito fácil.
Nem nos aproximamos dos "seguranças" e eles se afastaram abrindo passagem para nós, desde então Damon não parava de me encarar com o olhar que dizia "eu sou o cara" o que estava me irritado e me fazendo duvidar da sua sexualidade e de seus sentimentos por Katherine ao mesmo tempo. Eu estava prestes a pular no pescoço dele quando Hades "apareceu" no seu trono acompanhado de sua esposa, Perséfone.
–Meu senhor e Minha senhora — digo me ajoelhando sendo acompanhado por Damon.
– Cria de Zeus e Hermes, o que fazem aqui?
– Nós precisamos de sua ajuda, senhor — disse Damon.
– Bom, já que se arriscaram a vir até aqui, não vejo problema algum em ajudar.
–Mas meu senhor precisamos muito de sua ajuda e.... Oi? Como disse?
– Eu disse que irei ajuda-los! — diz com voz levemente irritada por haver descrença no que eu havia dito — e não me faça me arrepender de minha decisão.
–C-certo — Damon parecia estar tão atônito quanto eu.
– Então digam crianças, em que posso ajuda-las?
– Nós gostaríamos de sua ajuda para que, com os poderes que o senhor possui, o senhor possa impedir uma possível fuga de Érebus, que no momento está preso sobre seus domínios e....
–Hm, apenas isso? — diz com descaso — mais alguma coisa?
Não consigo esconder minha confusão, tudo parecia estar sendo muito, muito fácil...
– Não sen....
– Na verdade — Damon me interrompe e eu o encaro ainda confuso — Gostaríamos também de sua ajuda para sairmos daqui, quero dizer, foi muito difícil para nós entrarmos e tenho certeza que será impossível sairmos vivos de seus domínios sem sua ajuda.
– Ha claro, creio que sim. Perséfone, entregue a eles algumas de suas pérolas.
– Mas Hades, você sabe tão bem quanto eu que não possuo mais nenhuma perola como aquelas...
Por um momento penso que vejo os olhos do deus brilhar em um verde intenso, para que segundos depois voltem a ser tão negros quanto a noite, acredito que seja apenas minha imaginação.
– Então dê a eles outras pérolas, querida — e com isso o deus some da mesma maneira que apareceu.
A deusa altera seu tamanho para que fique na altura de uma mulher comum.
– Crianças, essas pérolas são um pouco diferentes daquelas que vocês podem ter ouvido falar, elas são, hm, um pouco mais fracas e desta forma não levaram vocês a superfície, e sim, somente até a estrada para a saída que Orfeu utilizou uma vez, apenas sigam em frente e sairão salvos. — com isso, a deusa estende a mão e nelas surgem duas pequenas perolas, só que em vez de verde, ambas são vermelhas.
– Obrigada minha senhora — Damon e eu respondemos em uníssono.
– Não há por onde — a mesma responde antes de desaparecer, assim como seu marido, só que mais graciosamente.
Depois que esmagamos as parolas com os nossos pés (como aprendemos lendo histórias de heróis mais antigos) entramos em uma espécie de bolha e fomos levados em um "passeio" pelo M.I. até que aterrissamos em uma longa estrada que, de acordo com Perséfone, deveríamos seguir até chegarmos a saída.
– Então é isso?
– Bem, acho que sim — apesar de desconfiado por tudo ter sido fácil demais, também me sentia aliviado por ter chegado ao fim.
– Bom então nesse caso, só falta uma coisa...
– E o que seria? — Você me dizendo que "sou o cara" lembra?
– Hahaha vai sonhando — digo e dou um leve empurrão nele — nunca meu amigo, até por que EU sou o cara.
Com isso rimos e seguimos nosso caminho em silencio...
Até escutarmos uma espécie de risada maligna e monstruosa de mais pra ser de algum de nós. Me atrevi a olhar para trás, somente para encontrar com um deus primordial que graças aos livros antigos de mitologia, reconheci como Érebus.
– Sabe crianças, vocês deviam saber melhor do que ninguém, que não se acredita em uma promessa, sem exigir um juramento por algo maior, um juramento pelo Estige, talvez? — ele diz com um sorriso cínico/monstruoso brindando nos lábios.
Fale com o autor