Infinito em Estilhaços

13 A batalha de nossas vidas


Eu sei que já cruzamos a linha do absurdo há muito tempo. Como a Nat mencionou um dia desses, ela até recebe e-mail de um guaxinim.

Outro absurdo foi que eu mesmo, um pouco mais cedo, viajei pela primeira vez na linha do tempo, voltando cinco anos atrás e quase, por muito pouco, fiquei frente a frente com Amelia em um lugar íntimo do nosso passado.

A essa altura, nada mais poderia me surpreender, nada mais poderia ser visto como impossível ou inimaginável. Eu deveria estar pronto para crer em qualquer coisa. Ainda assim, é com uma boa dose de choque e descrença que observo o cenário ao meu redor.

Não parece real. É como um pesadelo. E absurdo.

É difícil acreditar em meus próprios olhos e profundamente estranho estar de volta a 2012. E não em qualquer dia, mas nesse, no caótico dia em que Loki e seu exército de Chitauris semeou pânico e destruição por Nova York, levando Os Vingadores a se unirem pela primeira vez numa batalha para proteger a Terra.

E aqui estamos nós de novo. Pelo menos, uma boa parte da formação original, além de um acréscimo importante: Scott Lang. O Homem-Formiga afastou-se há poucos segundos com Tony. A tarefa dos dois é alcançar o Tesseract e pegá-lo, pois o artefato contém a Joia do Espaço em seu interior. Enquanto isso, Steve irá em busca do Cetro, onde a Joia da Mente se encontra escondida.

A minha missão? Encontrar a Joia do Tempo e pegá-la emprestada também. É para o Sanctum que enfim começo a caminhar depois de engolir o choque e obrigar minhas pernas a funcionarem.

Enquanto sigo em frente, convenço-me de que isso está mesmo acontecendo, o primeiro passo do nosso plano audacioso para reverter o que Thanos tirou de todos nós. Essa é a batalha de nossas vidas, como Steve bem definiu minutos atrás, quando nós e os outros membros dessa esperançosa equipe ainda estávamos no Centro de Treinamento, todos se preparando para suas respectivas viagens pelo espaço e tempo, cada um focado em sua missão.

E é justamente quando me lembro disso, de manter o foco no que preciso fazer, que algo me tira totalmente dos eixos.

Algo não, alguém.

Alguém que grita em um beco à minha direita, fazendo minhas pernas estancarem no lugar e minha pele se arrepiar com o terror em sua voz.

Em sua voz familiar.

Como fui tolo... Como pude me esquecer se Amelia me contou tantas vezes a história desse dia? Que tipo de homem desesperado me tornei desde que a perdi para esquecer, mesmo que por um momento, o quanto esse dia foi marcante para ela? Pois foi justo nesse dia, nesse momento, agora, que o caminho de Amelia e do Hulk se cruzaram pela primeira vez.

Por falar nele, o Outro Cara surge entre nós com um rugido animalesco. O chão treme sob seus monstruosos pés enquanto ele se move implacável rumo aos Chitauris que cercam uma assustada Amelia.

De costas, o Hulk não percebe minha presença. E antes que eu consiga esboçar qualquer reação, ele arranca as criaturas de perto da minha futura esposa com movimentos brutos e carregados de fúria.

Não demora mais que trinta segundos, e cada soldado bestial é lançado contra as paredes, sendo reduzidos a amontoados patéticos e imóveis pelo chão.

Mesmo a certa distância e com a visão comprometida pela enorme massa corpulenta que é o Incrível Hulk, consigo ver Amelia encolhida num canto, hesitante sobre descobrir ou não o rosto.

Eventualmente, ela se decide.

A princípio, fica mais atônita ao se deparar com o Outro Cara. No entanto, um olhar ao seu redor, e ela parece juntar as peças, entendendo o que aconteceu. Hulk não é seu inimigo; na verdade, ele acabou de salvar a sua vida.

O jeito como Amelia olha para ele então me deixa profundamente mexido. É um olhar desarmado, franco e que exala admiração e gratidão.

— O-brigada... — ela balbucia, a voz ainda abalada pelo momento de terror que passou. — De verdade... Obrigada m-mesmo. O que você fez.. Eu não sei nem como a... O-brigada.

Engulo em seco, sentindo dentro de mim a emoção que emana dela. E dele também. Meu alter ego a encara de volta com certo interesse e confusão. Por tempo demais, ouso opinar. Acho que antes desse dia, ninguém tinha parado e agradecido o Hulk por fazer qualquer coisa. Ou, pelo menos, ele nunca tinha ficado por perto tempo o suficiente para escutar.

Enfim, ao ouvir o ruído estrondoso de uma nave Chitauri, possivelmente destruindo as janelas de um prédio alguns quarteirões adiante e colocando mais vidas em risco, o Gigante Esmeralda desperta do tipo de transe que se permitiu permanecer por algum tempo. Depressa e com um esgar de dentes, ele desaparece do nosso alcance, mas não sem antes olhar para trás, para ela de novo, de um jeito bem mais... simpático?

Franzo o cenho.

Parece que bem antes que eu conhecesse Amelia e me apaixonasse, o Outro Cara já havia sentido algum tipo de conexão por ela.

Paro de fazer suposições quando a mulher no beco solta a respiração e esboça um sorriso fraco. Um sorriso meio nervoso, meio encantador. Um sorriso que o Hulk não teve chance de vislumbrar, mas que, sem dúvida, foi para ele.

Permaneço paralisado. Envolto pela emoção de encontrar Amelia. Ou de reencontrá-la. Não sei como chamar esse momento ao certo. Seja o que for, só sei que a felicidade que sinto agora é... esmagadora.

Ao mesmo tempo, é impossível não me torturar com a lembrança de momentos mais cedo, quando eu viajei no tempo também, entrei pela porta da casa onde passamos a lua de mel há cinco anos e, infelizmente, não consegui alcançar Amelia por questão de segundos. Foi apenas um teste, uma viagem curta, e logo eu já estava de volta ao amargo tempo presente sem ela.

Devagar, Amelia se levanta, as costas apoiadas na parede do prédio atrás de si, fazendo uma careta de dor e hesitando em firmar um dos pés no chão. Acho que enquanto fugia para se esconder dos Chitauri, acabou pisando de mal jeito.

Algo se encolhe no centro do meu peito. Preciso alcançá-la dessa vez. Simplesmente preciso. É como uma segunda chance que implora por não ser desperdiçada.

— Bruce? — é a voz de Tony no comunicador. — Na escuta, amigão? Já chegou ao Sanctum? E a Joia?

Minha garganta está seca.

— É ela... Ela está aqui.

— Ela quem? A Maga Suprema?

Tony deve estranhar o meu silêncio depois disso ou talvez a respiração entrecortada me denuncie. O fato é que o Homem de Ferro é muito perspicaz e logo deduz sobre quem estou falando.

— Oh, Bruce... Sinto muito, amigo. Você a encontrou... Isso deve ser difícil demais. É cruel, posso imaginar, mas eu preciso que você retome o foco agora e se concentre apenas na missão. Nós não podemos errar, não podemos demorar aqui mais do que o necessário. Temos que pegar as Joias do Infinito logo e zarpar o mais rápido possível antes que algo dê errado. Você consegue fazer isso? Consegue se concentrar na missão, em tudo que está em jogo e em nada mais?

Se eu consigo? É uma ótima pergunta. Só que, algo me diz, ele não vai gostar da resposta porque, nesse momento, eu...

— Bruce?

Às pressas, tudo que disparo é:

— Desculpe, Tony, eu preciso de um momento.

Sem esperar ele argumentar, arranco o comunicador e enfio no fundo do bolso da calça. Ao levantar a cabeça, encontro o olhar de Amelia fixo em minha direção.

Meu coração quase para.

Isso não se parece mais com um pesadelo, é como um sonho.

Ao meu redor, todo e qualquer barulho perde a importância, fica em segundo plano, parece mesmo desaparecer, pois tudo o que ouço é a voz dela:

— Ei.. Você está bem? Que dia maluco, não é?

Engulo em seco antes de responder baixinho:

— Nem me fale.

Quando dou por mim, estou caminhando de novo, com passos largos, a respiração presa em algum lugar da garganta. Caminho não para onde eu deveria seguir, mas para onde preciso ir. Para perto dela. Para junto dela.

— Você viu o que aquele cara fez? O verde e grandão? Foi incrí...

Amelia não termina o raciocínio e exala surpresa quando se vê presa em um abraço apertado. De um completo estranho para ela. Chega a cambalear um pouco e gemer meio sufocada. Diminuo a pressão dos meus braços ao seu redor, apenas um pouco para ela retomar o fôlego. Não sou capaz de soltá-la agora.

Depois de algum tempo, sinto um tapinha suave em meu ombro. E outro. Mais um.

— Oh... acho que entendi o que está rolando.

— Você não faz ideia— murmuro, sentindo o cheiro do seu cabelo e a textura macia dos fios entre os dedos.

Amelia ignora meu comentário e prossegue num ritmo meio acelerado:

— Você deve estar no meio de um ataque de pânico, é isso? Totalmente compreensível dadas às circunstâncias. Eu mesma ainda não acredito no que está acontecendo nessa cidade hoje, pensei que fosse morrer há um minuto e ainda sinto que vou desabar a qualquer momento...

Ela para de falar e ri. Meus Deus, Amelia ri. Como alguém é capaz de exalar leveza num dia desses?

Como se lesse meu pensamento, ela acrescenta:

— Pode parecer estranho, mas eu estou com um bom pressentimento. Acho que, de algum jeito, vai ficar tudo bem, sabe? Quero dizer... Nós temos todos esses super-heróis agora. Os aliens que se cuidem, certo?

Dessa vez, quem ri sou eu. Inebriado pelo tom jocoso de sua voz, pelo otimismo implícito que me traz esperança, pelo seu perfume e calor do seu corpo que me remetem a tantas lembranças, a tanta saudade...

No centro do peito, meu coração bate tão rápido e pesado que chego a vislumbrar o Hulk em minhas veias e na superfície de minha mente, ameaçando emergir a qualquer momento, não por fúria, longe disso. Obrigo-me a respirar fundo, a me acalmar na medida do possível, para que ele se acalme também.

Sei que o Outro Cara experimenta a emoção desse reencontro com a mesma intensidade que eu, mas com muito autocontrole consigo silenciá-lo dentro de mim, pois seria um novo choque para Amelia se ver diante do Hulk nessas circunstâncias.

Não sei quanto tempo se passa, só sei que em dado momento ouço a voz dela:

— Mais calmo?

Dou um meio sorriso junto ao seu cabelo.

— Acho que sim.

— O suficiente para me soltar, campeão? Porque a cidade ainda está sob ataque de criaturas bizarras e seria muito aconselhável procurar um lugar mais seguro para nos escondermos. Sabe, nada de mais, apenas longe o bastante do fogo cruzado.

Há humor em sua voz, embora seu corpo pareça tenso. Pudera...

Para mim, estou abraçando minha futura esposa, entretanto, para todos os efeitos, não passo de um estranho para ela. Um estranho que Amelia acredita estar vivendo um ataque de pânico e com quem consegue ser bem gentil, ainda assim sou um rosto desconhecido.

Ponderando isso, obrigo-me a afrouxar os braços ao seu redor e começo a dar um passo para trás. Juro que pretendia soltá-la, porém... esse pequeno movimento me permite vislumbrar seus olhos. Estão muito próximos dos meus e me abalam até o último nervo.

Preso em seu encanto, começo a refletir sobre algo que ela sugeriu com inocência há poucos segundos, algo sobre procurar um lugar seguro. Cada parte de mim deseja muito se esconder com Amelia agora. Mais do que isso, desejo ficar aqui, em 2012, nessa ramificação da linha temporal, com ela.

Se eu ir embora agora e voltar depois para devolver a Joia do Tempo ao seu devido lugar, será como se esse encontro nunca tivesse acontecido. Se, em vez disso, eu ficar aqui...

O rosto dela tão perto e a péssima ideia de olhar para sua boca enterram de vez qualquer pensamento e qualquer intensão que eu tinha de me afastar. Quando dou por mim, estou fazendo o oposto, aproximando-me ainda mais, os olhos fechando enquanto inclino meu rosto à procura do encaixe perfeito para...

— Al! — grito.

Grito porque algo acerta minha bochecha com violência e, respondendo ao reflexo, titubeio para trás, levando a mão ao lado do rosto que foi atingido pelo forte tapa de Amelia Banner. Digo, Prescott ainda.

— Você me bateu! — acuso, zonzo pelo choque.

Seus olhos dardejam de raiva.

— Porque você tentou me beijar! Qual é a sua? Só porque estou sendo legal com você não significa que faça o meu tipo!

Suas palavras me atingem em cheio também e deixo escapar baixinho:

— Deus, isso doeu mais que o tapa...

— Ótimo! — ela comemora, deixando bem claro que captou meu comentário. — Porque eu não escapei de alienígenas monstruosos só para ser atacada num beco qualquer por um tarado, okay? Jesus... Hoje deve ser mesmo o fim do mundo.

Massageio a bochecha por mais alguns segundos antes de me dar conta de algo que Amelia mencionou.

— Espera... Fim do mundo? O que aconteceu com o vai ficar tudo bem?

Ela me fuzila com o olhar e cruza os braços.

— Talvez a sua falta de noção tenha abalado a minha esperança num futuro promissor para a humanidade. Que tal?

De todas as reações que poderia se esperar de mim agora, acho que a última seria esta. Um sorriso. Amelia me arranca um sorriso divertido e inevitável. Não só porque o que ela diz me soa engraçado, porém principalmente porque é como um choque de realidade que eu nem sabia que precisava agora.

É isso, as palavras dela me fazem cair na real, voltar a ouvir o mundo caótico ao meu redor e me lembrar do porquê embarquei nesse plano mirabolante contra Thanos. Lembro-me da missão, que preciso encontrar a Joia do Tempo e que minha falta de noção precisa parar por aqui. Por mais que seja difícil, preciso deixar Amelia para trás. Só assim, quem sabe, poderei reencontrá-la lá na frente. Em um futuro promissor.

— Obrigado. Mesmo. Por estar aqui, por esse breve momento, por ser tão... você — murmuro baixinho, olhando para um ponto vazio do chão por um instante.

Quando torno a erguer a cabeça, Amelia está me encarando de cenho franzido.

— Não por isso.

Pego-me sorrindo de novo. O mais rápido que consigo, recomponho-me e digo com franqueza:

— E me desculpe por tentar beijá-la. Eu não devia, você tem razão. Não foi apenas falta de noção da minha parte, foi impróprio e grosseiro. Sinto muito.

Amelia estreita o olhar e me analisa com muita atenção. Parece ainda mais confusa.

— Primeiro, banca o tarado. Agora, o fofo arrependido. Que dualidade conflitante essa sua, hein?

Dualidade conflitante... Essa foi boa. Impossível não pensar que eu e o Hulk poderíamos ser resumidos em algo bem assim. Claro que não é sobre isso que Amelia faz a observação, pois ela não sabe que está diante de nós dois, mesmo assim, é curioso como suas palavras se encaixam perfeitamente.

— Ei... Por acaso, eu conheço você de algum lugar?

Tal pergunta me pega totalmente de surpresa. E talvez percebendo a confusão que ela me causa, Amelia faça questão de esclarecer um segundo depois:

— Não é uma cantada!

Impossível não sorrir para ela mais uma vez.

— Eu não pensei que fosse — tranquilizo-a antes de me permitir provocá-la: — Mesmo porque eu não faço o seu tipo, certo?

— Você aprende rápido, parabéns.

Quem diria que eu fosse me divertir hoje tendo essa conversa tão aleatória com ninguém mais ninguém menos do que minha futura esposa?

Por falar nela, está escrutinando cada traço do meu rosto quando retoma o raciocínio:

— É sério, você me pareceu familiar por um momento. Eu já te vi antes?

Ela não pode se lembrar de mim, já que não me conheceu ainda. A não ser que... tenha encontrado alguma semelhança entre meu rosto e o Hulk de 2012.

Incapaz de mentir para ela, limito-me a responder:

— De certa forma.

— Como assim?

E Amelia, é claro, não se dá por satisfeita, afinal é dela que estamos falando.

A cidade parece mais ruidosa à nossa volta, lembrando-me que esse não é um dia qualquer. Em algum lugar perto daqui, os Vingadores ainda travam uma batalha histórica contra Loki e os Chitauris. Pessoas assustadas procuram abrigo e muita poeira escapa dos prédios que são atingidos pelo fogo cruzado. Em algum lugar, a Joia do Tempo ainda espera para ser levada embora por mim.

Há muito em jogo e a urgência em retomar o plano contra Thanos me leva a dizer de modo mais racional:

— Eu gostaria de ter tempo para me explicar, mas cada segundo que me permito ficar aqui na sua frente é um risco que não podemos correr. Foi egoísmo vir até você com tudo que está acontecendo... Eu não quero, mas devo ir, preciso. Só assim teremos alguma chance. Só assim todos terão a chance de recuperar o que foi arrancado em um estalar de dedos tão cruel...

Percebo que divaguei demais quando torno a fitar Amelia e me deparo com um semblante divertido.

— Você teve um ataque de pânico mesmo ou é só um lunático perdido por aqui?

Esboço um sorriso discreto e dou um passo a frente.

— Um pouco de cada coisa.

Sem me importar que o gesto pareça antiquado, tomo sua mão direita com cuidado e beijo-lhe a pele por um instante que parece durar uma eternidade.

Não há malícia em meu beijo, apenas carinho, respeito e uma saudade infinita.

Amelia não faz menção de puxar a mão, talvez porque ainda esteja processando a ação que tomei. Talvez esteja descrente, perguntando-se que tipo de homem se despede assim em pleno século XIX. Ou que tipo de lunático sou para me atrever a tocá-la depois de ter levado um tapa tão certeiro há poucos segundos.

Talvez Amelia sinta algo além da surpresa porque, quando solto sua mão devagar e ergo a cabeça, o jeito como ela está me olhando não é indiferente. Acho que ela capta os meus sentimentos e talvez fique mexida. Ou, correndo o risco de ser mais pretensioso, talvez ela sinta algo genuíno por mim nesse momento. Quem sabe a conexão que teremos no futuro? Seria possível?

Ela pisca rápido umas duas vezes antes de questionar meio sem jeito:

— Quem é você?

Sim, ela sentiu alguma coisa. Definitivamente.

— Alguém que poderia muito bem fazer o seu tipo.

Amelia fica imóvel por um momento, como se avaliasse a sugestão. Estou sentindo que ela cairá na risada a qualquer momento, achando o que falei um tremendo absurdo, assim como foi minha tentativa de beijá-la. Ou, quem sabe, só me dê uma resposta atravessada?

Porém, apesar de não cair de amores por mim, sua reação não é tão desfavorável quando enfim se manifesta:

— Só pelo senso de humor, talvez eu te dê uma chance um dia...

Há uma lacuna interrogativa no seu tom de voz e eu deduzo que ela deseja saber o meu nome.

— Bruce.

Ela assimila a informação e assente de leve antes de testar na própria voz:

— Bruce.

Meu pulso acelera consideravelmente. Deixá-la para trás vai ser mais difícil do que imaginei.

— Meu nome é Amelia — ela se apresenta com um semblante mais doce e um sorriso discreto.

Sorrio de volta. Como não sorrir?

— Eu sei.

O seu franzir de testa, tão familiar, e sua boca meio entreaberta a ponto de fazer uma nova pergunta são as últimas coisas que registro antes de me virar.

Por mais que cada parte de mim ainda queira permanecer nesse ponto da linha do tempo, com ela, estou convencido que o melhor é seguir em frente.

Pouco a pouco, afasto-me sem olhar para trás, pois ainda tenho medo de vacilar se vê-la novamente.

— Até um dia, meu amor.

Deixo a esperança guiar meus passos e me dar força. Retomo o foco e pego o comunicador no bolso da calça. Tão logo ajusto o pequeno aparelho no ouvido, aviso a Tony:

— Estou aqui. Indo para o Sanctum. E hoje vamos trazer todos de volta.

Notas finais
Hi! Não sei se alguém ainda acompanha a fic rsrsr mas vou terminar ela sim! Sei que sumi, que não atualizo há zilhões de anos, devido principalmente a bloqueio, procrastinação e trabalho, mesmo assim quero muito concluir a história e, por isso, decidi dar uma encurtada no enredo ou não vai rolar terminar nesse século rsrsrs Sendo assim, provavelmente terminarei no capítulo 15 e até o fim do ano. Amo muito esse casal e não posso deixá-los perdidos no limbo, eles merecem um final digno e fofo ♥ Desculpem a demora e obrigada pela paciência eheheh
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.