Infinito
19 Capítulo 19
Notas iniciais
— Eu nunca tinha visto estas constelações! – exclamou Edmundo.
Depois do acontecido entre Skye e Ethan, a noite caiu sobre a ilha rapidamente. Todos procuravam se abrigar o mais próximo da fogueira, menos Skye que estava no local mais afastado, encostada em uma pedra.
— Nem eu. – disse Caspian – Estamos muito longe de casa. Quando eu era garoto eu me imaginava navegando até o fim do mundo, e encontrando meu pai lá. – ele olhou para Skye, e os dois sorriram, lembrando-se da infância e do tempo em que se imaginavam indo até o fim do mundo.
— Talvez encontre. – disse Edmundo, evitando olhar para Skye.
— Ou talvez não. – sussurrou Skye, para ela mesma.
[...]
O dia mal havia amanhecido e Skye já estava acordada. O vento frio do começo da manhã castigava seu corpo, e por um momento ela lamentou ter ficado tão longe da fogueira durante a noite.
Ela continuou deitada do chão, olhando para o céu. Não demorou muito para que sua cabeça fosse invadida por pensamentos que ela só queria evitar.
O que eu vou fazer?, pensou Skye. Ela sentia raiva de Edmundo, raiva de Ethan, mas a coisa que mais desejava naquele momento era fazer as pazes com os dois.
Enquanto tentava achar uma saída para seus problemas, Skye mal se deu conta do que estava acontecendo. Uma estrela azul, muito brilhante, surgiu de repente no céu. Mas Skye não se notou a estrela até que Lúcia gritasse:
— Pessoal! Acorda! É a estrela azul!
Skye se levantou rapidamente, enquanto os outros permaneciam sentados, ainda sonolentos. Todos olhavam para a estrela, levemente boquiabertos.
— Levantem! – ordenou Skye, já andando até o bote na beira da praia – Nós temos que ir.
Os outros continuavam sentados, olhando agora para Skye.
— Vamos! – gritou.
— Nós ainda não decidimos o que fazer com Eustáquio. – disse Caspian, levantando-se.
— Eu tenho uma solução bem óbvia. – suspirou Skye, já dentro do bote – Eu não sei se perceberam, mas Eustáquio virou um dragão. Ele te asas, e pode voar. Ou seja, por que ele não voa ao lado do navio?
O grupo ficou calado, ainda olhando para Skye. A garota revirou os olhos, dizendo:
— Entrem na porcaria do bote. E Eustáquio, fique aqui com Rip. Assim que vocês virem o navio partindo, voem até ele. Vamos dar o fora daqui.
[...]
Enfim, o Peregrino partiu na direção da estrela azul e Eustáquio voava bem ao lado do navio.
Assim que Skye pisou no Peregrino, a garota se trancou na sua cabine, evitando todo e qualquer contado que podia ter com Ethan ou com Edmundo. Ela nunca soube quanto tempo havia se passado até que Lúcia batesse na porta.
— Está tudo bem? – perguntou Lúcia, entrando na cabine.
— Sim – disse Skye – Por que não estaria?
— Estou falando sério, Skye.
— Eu também.
— Verdade? – perguntou Lúcia sarcástica – Então você está ótima, mesmo o Edmundo tendo dito aquelas coisas? Mesmo você e o Ethan terem brigado?
Skye ficou calada, evitando olhar para Lúcia. Às vezes ela tinha a sensação de que a garota podia ler mentes.
— Olha – começou Lúcia –, o Eddie agiu como um completo idiota. Mas ele só disse aquelas coisas por causa da caverna.
— Ele só disse aquelas coisas porque era isso que ele pensava sobre mim e Ethan. – rebateu Skye.
— Ele foi tentado, Skye. – continuou Lúcia – Todos nós estamos sendo tentados. Você se lembra do que Coriakin disse?
Skye acenou com a cabeça. Ela se lembrava de cada palavra que havia saído da boca do mago.
— Eu sinto que essas brigas estão sendo causadas pelo Mal. – sussurrou Lúcia – Ele quer separar vocês dois, quer tentar vocês. E também está usando Ethan para isso. Por favor, Skye... Não deixe que ele consiga o que quer.
Skye respirou fundo. Lúcia estava certa, sobre tudo. Uma ideia surgiu na cabeça de Skye e ela sentia que era o certo a fazer.
— Eu já disse que você é espetacular? – perguntou Skye fazendo Lúcia rir – Eu prometo que assim que puder, eu vou conversar não só com o Edmundo, mas com o Ethan também. Estou exausta de brigas.
[...]
Após a conversa que tiveram, Lúcia levou Skye até a sua cabine, onde estava Gael. As três conversaram por bastante tempo, pelo menos até que algo as interrompesse.
Um forte solavanco fez Skye, que estava de pé, cair no chão, enquanto Lúcia e Gael foram jogadas para fora da cama.
— Vocês estão bem? – perguntou Skye levantando-se devagar, e ajudando Gael.
— Mas o que foi isso? – perguntou Lúcia, já saindo pela porta da cabine.
Ao chegarem no convés, se depararam com uma cena um tanto quanto inusitada. A proa estava levemente inclinada para cima, enquanto Eustáquio mantinha seu rabo ao redor da boca do castelo da proa em forma de dragão, puxando o navio.
Na popa, estavam Drinian, Caspian e Edmundo. Skye subiu as escadas, ainda olhando para Eustáquio.
— Qual a necessidade disso? – perguntou Skye, apontando para o dragão.
— Não havia nenhum sinal de vento. – explicou Drinian – Ele simplesmente sumiu.
— E os marinheiros começaram ameaçar comer Eustáquio. – disse Caspian – Então ele resolveu tomar uma atitude.
— Brilhante! – exclamou Skye.
Drinian e Caspian então começaram a planejar o que fariam de agora em diante, e acabaram descendo até o camarote da popa, deixando Skye e Edmundo sozinhos. Skye hesitou um pouco, fingindo que ainda olhava para Eustáquio, mas percebeu que isso tinha que partir dela. A garota respirou fundo antes de começar a falar.
— Eu... hum... acho que precisamos conversar.
— Sim, nós precisamos. Eu queria...
— Não! – cortou Skye – Aqui não. Vamos para a minha cabine.
Edmundo concordou com a cabeça, e assim os dois desceram as escadas da popa, mas quando já estavam no fim do convés, Skye parou abruptamente.
— Eu... Eu preciso falar com a Lúcia. – disse ela, já indo para o meio do convés – Não vai demorar nem um minuto.
Edmundo observou toda a cena de onde estava. Lúcia estava na proa, junto de Gael. Skye se aproximou correndo, e cochichou algo no ouvido de Lúcia. A menor acenou com a cabeça em concordância, e Skye voltou até Edmundo.
— Vamos. Nós temos muito que resolver.
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