Infinito

8 8. Só hoje


Notas iniciais
eu andei relendo uns capítulos e encontrei uns erros tenebrosos por aí. Mas escrever de madrugada dá nisso mesmo, ainda vou voltar e corrigir as paradas. Fiquei emocionada com os comentários da Salieri. Obrigada Essa Isabella tá mudando de opinião a cada capítulo, que mulher indecisa, véi! Mas também, gostar de um colega de trabalho é hard, né?

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito

Nem que seja só pra te levar pra casa

Depois de um dia normal

Olhar teus olhos de promessas fáceis

E te beijar a boca de um jeito que te faça rir

Que te faça rir

De todas as coisas estranhas e absurdas que poderiam acontecer, aquele beijo provavelmente estava no topo. Em primeiro lugar, Isabella nem sequer deveria ter aceitado sair com Inácio. Ela não deveria nem mesmo ter considerado a hipótese de ter um relacionamento além de amizade com ele, pois sabia desde então que aquilo era um passo para o fracasso.

Não que saber disso tenha feito qualquer diferença. Eles saíram, se divertiram e se beijaram. Aconteceu na porta do apartamento dela, já no fim da noite. E não durou muito, embora tenha sido intenso e cheio de significado.

Metade de Isabella queria puxá-lo para dentro do apartamento e continuar com aquele beijo, transformá-lo em algo mais, saciar aquele desejo iminente que a mortificava. Mas a outra parte — aquela que ainda pensava racionalmente — tratou de colocar as coisas nos eixos e mandá-lo ir embora. Deixá-lo doía, mas se iria doer de qualquer maneira, era melhor se machucar agora que ainda não estava envolvida do que deixar que as coisas fossem longe demais.

O dia seguinte foi tão estranho quanto ela acreditou que seria. Não era tão ingênua a ponto de pensar que as coisas continuariam na mesma no trabalho. Não tinha como. Um elefante branco tinha sido instalado no meio dos dois, ali, entre uma mesa e outra. Por mais de uma vez, ao erguer os olhos um instante do trabalho, e olhar de lado, encontrou os dele, fixos nela.

— Você não acha que a gente deveria conversar? — ele perguntou, quando o silêncio constrangedor se tornou tão insuportável que a ideia de enfrentar uma recusa já não parecia tão assustadora.

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua

Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria

Em estar vivo

— Acho melhor não.

— Nós não podemos simplesmente ignorar o que aconteceu, Isabella.

— Não, eu sei, mas... Tem certeza que a gente não pode ignorar? Quer dizer, vai ser melhor pra todo mundo, não é? Não vamos criar um problema maior do que realmente é. Nós somos amigos, Inácio, e é melhor que a gente continue assim.

Inácio queria argumentar. Gostaria de ter autoconfiança suficiente para dizer que não queria apenas a amizade dela, mas considerando que sequer sentia-se merecedor de uma mulher como Isabella, não tinha muitos argumentos em que pudesse se sustentar. E talvez ela estivesse certa, a amizade era o certo entre eles. Agora só precisaria convencer a si mesmo de que isso bastaria.

Hoje preciso de você

Com qualquer humor

Com qualquer sorriso

Hoje só tua presença

Vai me deixar feliz

Só hoje