Infinite

15 Permaneça firme.


Notas iniciais
EU SEI EU SEI EU SEI SOU UMA VADIA EU SEIIIIII desculpem por esse mês inteiro sem dar minhas caras por aqui, mas gente, eu tive artigos e provas e mais artigos e provas e eu não tava com tempo pra nada. Mano, eu tenho que dividir minha vida assim: Faculdade, familia, amigos, namorado, fanfic,livros, séries e G (sim, a G está inclusa nos amigos, mas com a G o bagulho é mais intenso então eu tneho que ter um tempo SÓ PRA ELA) E É MUITO DIFICIL MANTER ESSA DIVISÃO ESTÁVEL, então algumas vezes algumas são colocadas de lado, APESAR DE EU EVITAR BASTANTE ISSO, e confesso que Infinite foi a que mais foi jogada pra escanteio, MAS EU JURO JURADINHO QUE ISSO NÃO VAI MAIS OCORRER. Gente, esse capitulo é dedicado pra minha Florzinha G, que, apesar de a fic toda ser dedicada á ela, esse cap é pq ela recomendou. Se você quer um cap só pra você, RECOMENDEEEEE e ganhe esse presentinho. espero que gostem E MAIS UMA VEZ DESCULPA.

Sexta à tarde. Estádio Walter Central de Indiana. Duzentas pessoas ou mais em um espaço amplo. Jogo de futebol feminino. Treinador Smith grita algumas coisas incompreensivas para as meninas em campo. Estou esquentando o banco, porque isso é uma ótima função, aliás.

Meus pais não vieram assistir o jogo, pois não disse á eles. Mas Natalie está aqui, e ela grita meu nome todas as vezes que o treinador decide substituir alguém, porém eu nunca sou escolhida, o que realmente é um grande alivio, já que eu não saberia fazer nada além de ficar parada encarando as garotas fazendo todo o trabalho que eu deveria estar me empenhando em realizar. Foi assim durante todos os treinos, então acredito que o Sr. Smith já tem uma plena ideia de que irei fazer isso, por esse motivo nem cogita na possibilidade de me fazer participar.

Durante cinco anos consecutivos o time feminino perdeu todos os jogos, por esse motivo ficamos quase três anos sem nenhum time, até que o diretor da escola dizer que deveríamos nos empenhar mais em participar dos jogos e representar a escola. O número de garotas que apareceram no treino foi tão grande que surpreendeu a todos, mas em sua maioria eram apenas pernas-de-pau (como eu) querendo melhorar alguma nota. Então, o esperado seria que o time fosse um fracasso.

Mas não é bem isso o que está acontecendo hoje. Estamos ganhando, com dois pontos à frente. Tudo isso graças a Mayune e Ramona. Elas duas formam o tipo de dupla casal vinte perfeitas para o ataque. Mas todos gritam apenas o nome de Mayune, a multidão nenhuma vez sequer gritou o nome de Ramona, mesmo que ela tenha feito dois gols enquanto Mayune fez três. Isso me intriga. E me irrita ao mesmo tempo.

Colin está aqui e ele não está gritando o nome de Mayune. Ele está gritando loucamente o nome de Ramona e já veio três vezes para a grade perguntar se irei ou não jogar. Sempre respondo “NãoSei” e ele faz uma cara de decepcionado que faz com que eu me sinta decepcionada comigo mesma. Então ele volta para a arquibancada e volta a gritar e balançar os braços. Ramona nem sequer olha para algo além do campo, o seu rosto inteiro está soado e uma tinta preta escorre pelo seu rosto. Mesmo que o treinador tenha dito para que ela não usasse maquiagem, ela foi contra tudo o que ele ordenou e chegou aqui com mais porra preta na cara do que eu jamais vi. E agora, ela está parecendo um panda.

Estamos no fim do primeiro tempo e eu estou tão ocupada olhando para Maxwel e Anne discutindo sobre alguma coisa na arquibancada que não vejo quando o time adversário faz um gol e Cassandra, a nossa goleira, se encolhe no meio do campo tentando não chorar. O juiz para o jogo e todos ficamos surpreendentemente em silencio para entender o que está acontecendo. Ela aponta para o joelho e eu sinto uma imensa vontade de vomitar quando vejo que ele está deslocado e uma espécie de bola bizarra está quase no meio da sua perna.

Ela sai de campo sendo arrastada por uma maca. O treinador está falando comigo. Ele diz algo sobre eu ser larga e alta. Sobre eu ser um pouco robusta e ter força, e mais uma vez quero entender o significado de robusta. E ele diz que eu devo substituir Cassandra, pois sou a única escolha. E eu balanço a cabeça, mas tudo é uma grande confusão, pois enquanto ele falava meus olhos estavam focados em Aaron, parado sem nenhuma expressão na última fileira da arquibancada. E seus olhos se moviam entre mim, Colin e Ramona. E tudo o que eu quero entender é de onde eles se conhecem, e porque eles têm uma foto juntos com Juliet.

O primeiro tempo acabou. Colin vem falar com Ramona pela grade e quando termina olha para mim e sorri.

— Você é uma gatinha selvagem, Vivi. – Seus olhos avaliam minha expressão por um tempo e então, pronto, ele está sorrindo para mim, como se realmente acreditasse que eu seja capaz de substituir Cassandra. – Vai agarrar todas, certo?

Eu não assinto. Eu não sorrio. Eu apenas encaro Colin. E encaro Ramona. O apito para o segundo tempo começa. Vou para o gol. O jogo começa.

Minha cabeça está latejando e o sol sobre o meu rosto faz com que minha visão fique a pior possível. Por enquanto, o jogo se concentra no outro lado do campo e eu até que estou Ok. Queria que Juliet estivesse aqui, pois ela saberia o que dizer. Mas também não queria que ela estivesse aqui, pois então não veria o meu fracasso. E hoje faz três meses que ela morreu. E eu não estou nada Ok, pois estou confusa com tantas coisas que ela escondeu de mim. E agora o time adversário está vindo em direção a defesa. Eu abro as pernas, pois é a única cosia que me vem em mente. E me movo para frente, abrindo os braços também. Uma garota baixinha e gordinha chuta a bola com força e eu me inclino para pegá-la.

A bola passa por debaixo das minhas pernas.

Eu fecho os olhos. Gritos e vaias se espalham por todos os lados. Eu me sinto pequena e estranha e parece que estou sendo esmagada por tanto barulho. Mayune está na minha frente e diz que eu devo ficar mais atenta e que puta merda o time adversário conseguiu o empate. Ramona passa a mão pelo rosto, espalhando sombra preta por toda a região dos seus olhos. O rímel aprece ter virado um tipo de liquido preto que escorre pelas suas bochechas. Ela vem até mim, mas não diz nada, apenas olha por um bom tempo antes de balançar a cabeça em negativa. Eu entendo o que ela quer dizer com esses gestos. Ela está deixando claro que é o fim do jogo, que acabou as chances de ganhar.

Dez minutos se passaram. O treinador está sentado, a mão sobre o queixo encarando o enorme placar. Sofremos mais dois gols, um porque foi alto demais para que eu pudesse cogitar na ideia de pular e outro porque eu estava distraída contando e recontando números aleatórios. Ramona xinga e sibila qual é o meu problema. Sua voz é tão suave que não parece vir de uma pessoa como ela e eu sinto que já a ouvi antes, mas o barulho de vaias está tão alto que eu não consigo me concentrar.

O treinador pede tempo e convoca o time para um canto do campo, ele fala táticas de jogos e aperta a prancheta com tanta força que seus dedos tremem. Repete dezenas de vezes que não imaginava que iria perder Cassandra e que ela provavelmente vai precisar de seis meses para se recuperar. Todo mundo geme e resmunga e dirige olhares de desprezo para mim. Quero ir embora. Quero xingar a Sra. Minerva de todos os nomes possíveis. Quero mudar-me de escola. Quero visitar o túmulo de Juliet. Quero que todos aqui se explodam e virem apenas merda de cachorro ou coisa pior que isso. Não estou nada Ok, não estou nada confortável. O Sr. Smith aperta meu ombro com força e obriga-me a olhá-lo diretamente nos olhos.

— Você pode ao menos tentar se esforçar? Por favor, Vivi. Precisamos de você. – Não quero que ninguém precise de mim. Não quero assumir nenhuma responsabilidade. Meus olhos tremulam e quero loucamente chorar, mas engulo o caroço em minha garganta e sorrio. Um sorriso estranho e macabro. Eu assinto algumas vezes e o treinador tenta sorrir de volta, mas não consegue. Seu cabelo loiro está escuro por conta do suor e seus olhos azuis parecem cansados e velhos, mas ele me olha como se acreditasse que eu realmente fosse capaz. E talvez eu até seja. – Agache mais. Presta mais atenção. E esteja sempre preparada. Não fuja da bola, por favor.

Volto para a minha posição de goleira. Olho rapidamente para Aaron e espero que ele esteja com uma carranca ou algo do tipo, mas ele na verdade está com uma expressão tranquila e fazendo sinais de positivo com o dedo. Ele diz algo e mesmo a distancia consigo decifrar o que ele diz. Ele diz “Permaneça forte”.

E eu permaneço. Mesmo sem prestar atenção, correr ou realmente participar dos treinos, tento fazer com que esse transtorno valha a pena. E acabada valendo, pois Ramona consegue fazer dois gols seguidos e até o momento eu consegui defender todos os três ataques. Estamos empatados e eu estou nervosa, pois só faltam cinco minutos para o jogo terminar. Fico andando de um lado para o outro, segurando firme na trave para que eu não caia e tenha um ataque de pânico na frente de todo mundo. Eu fico contando e recontando o número de pessoas que tem no estádio, depois multiplico e divido e começo tudo de novo. Quando consigo realizar mais uma defesa, os números sussurrados estão se tornando gritos. E isso me acalma. Gritar números faz com que alguma coisa em mim se encaixe. O infinito parece ir e vir a todo momento. Nunca olhei a definição de infinito no dicionário, mas seria algo realmente obvio, como, por exemplo, “Algo que não tem fim”.

Estou com um sorrindo estranho, pois quero loucamente chorar. Estou sorrindo porque preciso acreditar que talvez vamos conseguir. Estou sorrindo porque tá todo mundo desesperado. Estou sorrindo porque estou loucamente angustiada. Estou sorrindo mesmo que Juliet esteja morta á três meses. Estou sorrindo porque gostaria de estar chorando.

E então Mayune faz um gol e agora um som agudo escapa dos meus lábios, pois em menos de cinco segundos o apito de fim de jogo soa e todo o estádio entra em uma comemoração simultânea. E agora eu estou chorando, chorando de verdade, e não por estar Não-Ok, mas por realmente estar Ok. Eu estou chorando enquanto todo mundo está sorrindo. Estou chorando de alivio, estou chorando por estar mais ou menos Ok, estou chorando porque Colin invade o campo e faz uma dança engraçada enquanto abraça Ramona e ela está sorrindo e ela é tão bonita sorrindo que deveria sorrir mais vezes e vê-la sorrir me da vontade de sorrir também, estou chorando porque Aaron está balançando a cabeça para cima e para baixo e pisca um olho para mim enquanto caminha em minha direção. Estou chorando porque gostaria de estar sorrindo.

Aaron me abraça. E abraça-lo é tão estranho e reconfortante que eu o aperto contra mim. Ele é tão alto, magro, sombrio e inalcançável. Ele é um ser tão desconhecido. É uma mistura do meu primeiro amor com alguém que aprendi a odiar. E eu sinto tanta falta do que éramos. Ele está dizendo que vai estar presente nos próximos jogos e que agora oficialmente sou uma goleira titular. Ele me aperta com força e sorri. Eu ainda estou chorando e estou conseguindo me recuperar quando ele diz:

Chore porque está feliz e sorria porque está triste.

Juliet está morta. Há três meses. E sinto que ela está aqui. Que ela está presente nessa frase. Que ela está no abraço que Colin está me dando. Que ela está entre Aaron e Colin, pois agora eles estão se encarando. Colin sorri, mas Aaron está com uma expressão fechada.

— Parece que o McFuller mais uma vez realizou o seu papel de fazer uma garota chorar. – Colin limpa minhas lagrimas e beija minha testa. – Você está bem?

— Estou Ok. – Eu digo. Aaron está se afastando e quando grito o seu nome ele estaca no lugar. – Aaron não me fez chorar. De onde vocês se conhecem?

– Você não contou a ela? – A careta que Aaron faz é tão perceptível que Anna Smith, a esposa do treinador que estava tentando tirar uma foto nossa acaba desistindo. – A sua irmã está estudando na porra da mesma escola que a Violet e vocês não contaram nada?

— Quem é Violet?

— Eu sou a Violet.

— E não é Vivian?

— Pra você, é Vivian. – Aaron rebate. Alguém grita o nome de Colin. É Ramona. Maxwel está falando alguma coisa para ela, mas Anne está ao seu lado e puxa o seu ombro com tanta força que ele acaba desistindo e se despede dela com um aceno. Eu olho para Colin, mas ele está ocupado tentando entender a diferença entre eu ser chamada de Violet ou Vivian. – Você tem um relacionamento tão bom com a sua ex-cunhada, não é mesmo, Lancaster? E nem sabe o nome dela. Aposto que ela nem sabe da sua história suja com a Juliet. Aposto que já a contaminou de mais mentiras.

É tudo muito rápido. Colin está avançando para cima de Aaron. Aaron está parado. O treinador Smith surge no meio dos dois e diz algo tão duro para ambos que eles se afastam sem nem mesmo me dirigir um adeus. Mas, mesmo que eles fizessem tal coisa, eu não seria capaz de responder. Sinto que esqueci como respirar. O sobrenome de Colin é Lancaster. Ele é irmão de Ramona. Ele e Juliet namoraram. E ele não me contou.

Alguma coisa no meu cérebro simplesmente se desliga. Não sou mais capaz de falar ou raciocinar. Mayune está puxando-me pelo braço e diz que vamos comemorar no Quinns. O Quinns é o último lugar que eu gostaria de ir justamente hoje, mas não digo isso a ela. Preciso trocar de roupa, preciso tomar um banho, preciso ir para debaixo da cama e tentar lembrar como se faz para contar. Mas já estou no Quinns e as pessoas me parabenizam e me dão boas vindas em cada mesa que Mayune me arrasta. Por fim, sentamos em uma que Maxwel e Anne estão e mais outros três garotos. Anne pergunta onde está Taylor, e Mayune diz que ele não pôde vir.

Eu não presto atenção nas conversas. Estou no último lugar onde Juliet andou antes de sofrer o acidente. Estou em uma cena de crime. Estou onde as palavras misteriosas de Juliet vagam. Gostaria de saber quais foram as “loucuras”, segundo Amanda Monkey, que saíram dos seus lábios. Quero entender porque ela mentiu para mim ao dizer que não estava em nenhum relacionamento sério. Porque nunca me contou que Aaron e ela continuaram amigos. Porque nunca me apresentou para o pessoal que estava na foto da sua bolsa. Mas meu cérebro está lento e tudo parece uma grande confusão.

Mayune está gravando um vídeo. Ela chama de “Registro para o futuro” e seus olhos de uma típica coreana estão brilhando enquanto ela acena e fala coisas que não consigo compreender para a câmera. Sinto uma luz sobre o meu rosto e percebo que é o flash. Mayune pergunta algo. Paro de mastigar o meu muffin e olho para ela. Mayune repete a pergunta mais uma vez, porém as palavras parecem estarem submersas, como se eu estivesse afogando-me e ela suplicasse para eu entender o que quer dizer. Eu balanço a cabeça e todos na mesa riem. Um dos garotos está olhando para mim, não apenas olhando, ele está sorrindo também. Ele é bonito e dá um chutizinho em mim por debaixo da mesa. Levanto uma sobrancelha e ele morde o lábio inferior. Volto a comer o muffin. Não sei lidar com garotos. Não sei lidar com garotas. Não sei lidar com pessoas. Não sei lidar comigo mesma.

Maxwel e Anne me levam de volta para casa. Vou no banco de trás, escutando as músicas calmas que tocam na radio, apesar de não entender um terço do que elas significam. O casal está discutindo, Anne reclama sobre Maxwel passar tempo demais na aula de carpintaria e Maxwel se defende ao falar que gosta de fazer isso. A discussão vira algo mais profundo e eles parecem esquecer que estou aqui, pois estão fazendo acusações sobre o relacionamento deles estarem uma droga e tudo girar em torno de sexo. Algo em meu estomago gira. Juliet não era virgem. Anne não é virgem. Mayune não é virgem. Sky provavelmente não é virgem. E eu nunca sequer tive meu primeiro namorado. Será se há alguma coisa de errado comigo? Será se nasci do avesso, na família errada, no mundo errado? Será se sou totalmente ao contrário? Afinal de contas, o que eu sou?

Quando chego em casa, Maxwel e Anne não estão mais discutindo. Ele estacionou o carro duas casas antes da minha e agora eles estão se beijando. A mão de Anne passeia por todo o peito de Maxwel e a mão dele está na cintura dela e sobe cada vez mais para cima. Eu decido sair do carro antes de presenciar uma cena comprometedora e bato a porta sem agradecer pela carona. Já anoiteceu. Estou caminhando pela calçada, parando apenas para acenar quando o carro de Maxwel passa buzinando por mim. Esqueço-me de sorrir, como se estivesse grata, mas na verdade não estou. Não sei nem como estou. Estar Ok ou Não-Ok virou algo confuso para mim.

Ainda estou pensando na cena que vi no carro, na maneira como as bocas deles pareciam feitas uma para a outra quando deparo-me com Aaron sentado na escada da varanda para a minha casa. Quando o vejo, por um segundo, eu juro, sinto vontade de beijá-lo. Sinto vontade de que eu seja Anne e ele seja Maxwel e que nós nos agarramos a noite inteira dentro de um carro em algum lugar qualquer. Mas a vontade passa e é substituída por um enjoo, pois vê-lo sentado aqui traz a lembrança da primeira vez que o vi beijando-se com a minha irmã.

— Você demorou. – Ele se afasta um pouco quando eu me aproximo e sento ao seu lado. Encaro os meus sapatos, sujos de terra e grama. Meu cérebro ainda está inativo, mas consigo entender perfeitamente o que Aaron está dizendo. – Confesso que achei que fosse ficar fora a noite inteira, mas isso não parece algo que você faria.

— Isso parece algo que Juliet faria. – Eu sei que é isso o que ele está pensando, pois é exatamente o que eu estou pensando também. Durante muito tempo perguntei-me qual era o meu problema, porque eu gostava tanto de uma pessoa que não dava a mínima para a mim. Com o tempo, parei de fazer isso, pois não era o tipo de coisa que Juliet faria. Alguma coisa dentro de mim está se partindo, alguma coisa dentro de mim está mostrando-me que eu não passo de uma farsa, uma cópia fajuta da minha irmã. – Eu sempre quis ser ela. Eu sempre quis ser como ela.

— Eu sei.

— Fico triste que você saiba.

— Fico triste em saber.

Nós suspiramos. O silencio entre nós é tão grande e presente que me sufoca e ao mesmo tempo me acalma.

— Acho que, aos poucos, estou conseguindo. Acho que até o meu aniversário eu alcanço a perfeição. – Estou deixando as palavras escaparem, sem nenhum controle. Estou apertando as pulseiras de Juleit contra o meu pulso. Estou puxando as suas meias em meus pés para cima. Estou cutucando o seu sutiã contra o meu peito. Tenho Juliet em meu corpo. Em pequenos detalhes. Tenho Juliet no perfume dela que estou usando. Tenho Juliet no azul das pontas do meu cabelo. Tenho Juliet ao meu lado, em Aaron. E isso me deixa tranquila. E isso me deixa apavorada. – E aí eu não serei mais a segunda em tudo. Eu não serei mais a irmã mais nova, mais alta e robusta. E, merda, nunca entendo porque dizem que sou mais robusta. Não serei mais tão desinteressante. Vou ser Juliet. E aí as pessoas vão gostar de mim. E quando elas começarem a gostar de mim, talvez eu também goste. – Um sorriso está em meus lábios. Meu cérebro parece ativo, mas eu permaneço em transe, deixando as palavras fluírem. Aaron está prendendo a respiração e apertando os nós dos dedos com tanta força que tenho medo que ele acabe atrofiando algum osso. – Talvez até mesmo você goste de mim também.

Não acredito que essa frase saiu dos meus lábios, e por não acreditar acabo engolindo em seco e agindo como se absolutamentenada estivesse acontecendo. Aaron não diz nada, ele sequer parece estar aqui. Sua postura é imóvel e sua respiração é controlada. Seus olhos estão sobre a nota em minha mão. A nota que estava com todas as outras dentro da minha bolsa. A nota da lista. A nota número três.

Lagrimas não levam a nada. Sorrisos são necessários para a sobrevivência. Mas nunca esqueça que há uma ligação entre os dois. E nunca se esqueça de que chorar torna você humana. Você está indo bem, garota.”

— Hoje faz três meses.

— Eu sei.

— Queria que ela estivesse aqui.

Ele fica em silencio. Por quase dois minutos inteiros antes de respirar fundo e dizer:

— Eu também.

Ponho-me de pé. Aaron faz o mesmo. Eu o odeio. Eu o amo. Eu o odeio por amá-lo. Estar com ele faz com que todos os sentimentos que estiveram escondidos por tanto tempo venha à tona. Sinto que Aaron sempre soube que eu gostava dele, mas nunca demonstrou interesse por justamente nunca ter gostado de mim da mesma maneira. E, no fundo, fico aliviada que nunca tenha retribuído. Eu era nova demais. Inocente demais. Frágil demais. Segundo Juliet, se realmente tivéssemos tido algo, não teria durado muito. Teria durado menos do que durou os dois. E eu sairia destruída desse relacionamento. E eu nem havia completado quinze anos direito quando a coisa toda ocorreu. Foi melhor assim.

Mas eu realmente espero que eu não volte a sentir tudo da mesma maneira, espero que consiga por um freio nisso.

— Colin é meu amigo. – Começo a dizer quando o interrompo no meio de uma frase qualquer que começa com “Amanhã...”, quase sinto vontade de voltar a trás e pedir para que ele termine, mas ele já fechou a boca e coça o nariz olhando para qualquer coisa que não seja eu. – Claro que estou chateada com ele por nunca ter me contado sobre ele e a Juliet. Mas ela também nunca disse nada, e ele nem sequer sabia da minha existência. De qualquer maneira, eu não devo satisfação á você. – Pela sua expressão, parece que acabo de dar-lhe um tapa na cara. Eu engulo em seco apertando a minha bolsa com força. – Acho que eu é quem fui burra de nunca ter percebido antes. De qualquer forma, eu sei que vocês dois eram próximos. Ou quase isso. Sei lá. Encontrei uma foto na bolsa da Juliet. E, se vamos mesmo completar os itens da lista juntos, não quero conversar sobre Colin. – Aaron dá de ombros, como se realmente não se importasse, e pior que não se importa mesmo. Mais uma vez, ele abre a boca para dizer algo, e eu o interrompo sem nem perceber. – Ele é a luz dos meus fins de semana.

Quando escuta a minha última sentença, Aaron afasta-se quase dois metros de distancia. Encara como se não me conhecesse. Eu o encaro como tenho encarando-o desde que o encontrei na biblioteca: como se ele fosse um desconhecido. E não deixa de ser mentira. Ele não é o doce garoto da casa ao lado que me apaixonei uma vez, preciso lembrar-me disso sempre.

— Certo... – Semicerra os olhos e sua voz é tão distante e hesitante que parece apenas um eco no vazio. – Amanhã podemos completar mais um item da lista. Se você quiser, é claro.

— Vou estar na casa do meu pai. E ele não parece muito feliz que eu ande com você.

— E desde quando você se importa em fazer seu pai feliz?

— É que se fosse a Juli...

— Ah. – Ele me interrompe, soltando um risinho sarcástico e debochado. – Esqueci que você quer alcançar a “Perfeição.” – Isso me irrita de tal forma que eu sibilo um desaforo e digo para ele me encontrar pela manhã na porta do condomínio. Acho que ele já desistiu de tentar me irritar, porém estou muito enganada, pois a última coisa que ele diz antes de atravessar a rua e deixar-me completamente sozinha é: – E só pra você saber; Juliet Singer não era nada perfeita.

E uma terrível e obscura parte de mim concorda com ele.

Notas finais
e aí galera, quanta informação né? quanta coisa aconteceu, to igual cego em tiroteio, perdidinha, e vcs? e olha que eu sou autora, juro q n queria tá na pele de vcs KAKAKAKAKA ai, beijos de luzzzz e comentem xuxus pfvr e espalhem a fic pra td mundo