Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários e favoritos. Boa leitura.

— O que você está fazendo aqui, Ruby? — Regina perguntou.

— Eu…vim buscar suas roupas para lavar.

— Já avisei que isso não é assunto seu.

— Acontece que Margaret estava ocupada e…

— Tudo bem…eu queria mesmo falar com você.

— Pode falar, patroa.

— Reúna todos os empregados no pátio, inclusive os da casa grande. Eu vou tomar um banho e já os encontro.

— Aconteceu alguma coisa, patroa?

— Limite-se a fazer o que eu mandei.

— Sim senhora, com licença.

Regina permaneceu na banheira mais tempo do que imaginava ou pretendia. As lembranças dos doces lábios de Emma, sua pele quente e tão macia, a forma apaixonante como fizeram amor se enredavam em seus pensamentos. Uma vez mais ela se flagrou sorrindo, no entanto, procurou descer da nuvem onde se encontrava e dar início aos assuntos e mudanças que pretendia concluir naquela manhã.

Passava das oito e trinta da manhã, Emma havia saído cedo para acompanhar Henry à escola e sem dúvidas já estaria voltando, portanto, Regina apressou os seus passos em direção ao pátio onde centenas de empregados a esperava, ansiosos e curiosos para saber do que se tratava aquela reunião.

— Bom dia — ela disse. Ainda que o brilho dos seus olhos fosse notável, ela manteve a postura severa que todos conheciam.

— Bom dia — alguns responderam, outros permaneceram em silêncio.

— Patroa, com licença… — Robin se pronunciou. — Alguns empregados já estavam nas plantações, e o Dr. Jones está tratando de um filhote e por isso não poderá comparecer — ele explicou.

— Tudo bem, você se encarregará de avisar aos demais — ela disse. — Enfim, o que eu tenho a dizer é breve, mas prestem atenção porque não pretendo repetir — acrescentou, suspirando em seguida. — De agora em diante, seja na minha ausência ou não, todos vocês deverão acatar qualquer pedido feito pela senhorita Emma. Outra coisa, todos vocês que possuem filhos, devem matriculá-los na escola hoje mesmo, caso contrário, perderão o auxílio que eu venho pagando em função disso e a criança que faltar as aulas, os pais serão demitidos.

— Mas patroa, a cidade fica longe daqui e…

— Eu disponibilizarei alguns carros da fazenda para levá-los e buscá-los todos os dias. Isso não será mais desculpa para que as crianças não frequentem a escola! — exclamou Regina. — Agora voltem aos seus afazeres. Robin, leve as mães das crianças à cidade para fazer as matriculas. Amanhã mesmo quero ver todos indo para a escola.

— Sim senhora.

— Marian, venha comigo — Regina falou, caminhando em direção ao seu escritório sob o olhar atento dos empregados, entre eles, Ruby.

…

— Faça uma lista com os nomes das crianças e vá a cidade comprar mochilas e o que mais se julgue necessário para eles.

— Sim senhora.

— Se esse dinheiro não for suficiente, avise ao dono do mercado que mais tarde deixará o que faltar.

— Acredito que seja mais do que suficiente, patroa.

— Ótimo então. Agora vá.

— Sim senhora, com licença.

Após a saída de Marian, Regina se acomodou em sua confortável cadeira enquanto refletia sobre suas últimas ações. Estava ciente de que por algum motivo, Emma preferia manter a relação delas em segredo, todavia, seria difícil tratá-la como uma simples empregada quando sua vontade era fazê-la se sentir uma rainha. Uma batida à porta interrompeu seus devaneios, e ao autorizar a entrada imaginando ser Emma, ela suspirou ao dar de cara com Ruby.

— Posso falar com a senhora? — ela perguntou.

— Diga — limitou-se a dizer.

— Porque devemos obedecer as ordens de Emma?

— Porque assim eu decidi.

— Não acho justo que…

— Você não tem que achar nada, Ruby. Aqui quem dá as ordens sou eu e se eu digo para você obedecer Emma ou quem quer que seja, você terá que obedecer.

— E se eu não obedecer?

— Seguramente arcará com as consequências. Agora volte aos seus afazeres e não questione as minhas decisões.

— Com licença — ela disse claramente contrariada, se retirando em seguida.

[…]

— Cara, nunca imaginei que nesse fim de mundo pudesse encontrar tanta mulher bonita! — dizia Killian. — Além das bonecas que encontro na pracinha da cidade, ainda tem a mulherada da fazenda…

— Mulherada? — questionou Robin.

— Ruby é o sonho de consumo de qualquer homem, até a Marian dá pro gasto. E a patroa também é muito bonita, mas esse jeito durão que ela tem é broxante. Gosto de mulher delicada como a loirinha de olhos verdes — ele disse, esboçando um largo sorriso.

— Olha cara, deixa eu te dar um aviso…Ruby já me pertence e a loirinha como diz você, já tem seu cavalo amarrado. Sendo assim, melhor escolher entre as bonecas da pracinha ou Marian — Robin falou.

— Emma tem o cavalo amarrado? O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que ela já tem dono, ou melhor, dona.

— Como é que é?

— Você não tá sabendo que ela anda de casinho com a patroa?

— Quem te disse isso?

— Ouvi uns boatos…

— Nunca dei ouvidos a boatos.

— Mas se eu fosse você, começaria a mudar esse pensamento. A propósito, a reunião de hoje foi justamente para avisar a todos os empregados que a partir de agora, devemos obedecer todas as ordens da senhorita Emma. E conhecendo a patroa, ela jamais faria isso se não houvesse outros assuntos envolvidos…se é que você me entende.

— Talvez ela tenha dito isso por causa do filho. O moleque adora Emma.

— Se você quer se iludir, problema seu. Mas no seu lugar, eu não colocaria os olhos em cima dela…a não ser que esteja disposto a enfrentar a fera.

— Eu enfrento qualquer homem, porque não enfrentaria uma mulher?

— A patroa não é qualquer mulher. Lembre-se que ela é dona de praticamente todo o povoado, além dos negócios que tem lá pela capital. Não seria difícil para ela acabar com você em dois tempos.

— Bom, se Emma realmente estiver de caso com ela, esquecerei o assunto. Mas se isso for apenas boatos, partirei para a luta, doa a quem doer. Mas me fala uma coisa, eu não sabia que você e Ruby tinham algo.

— Na verdade nós não temos…eu gosto dela, ou melhor, eu sou louco por ela.

— E…?

— E ela não me quer. Acha que nesse fim de mundo vai encontrar um príncipe encantado que a leve para longe daqui.

— Essas mulheres…

— Bom, a conversa está ótima mas eu tenho que ir. A patroa quer que eu leve as mães das crianças para fazer a matricula dos meninos na escola.

— Pelo menos com as crianças a fera se preocupa.

— Não creio. Tenho certeza que isso foi ideia da senhorita Emma e como são namoradinhas agora, ela não se atreveu a negar — sorrindo, ele se retirou, deixando Killian para trás perdido em pensamentos.

…

— Margaret, Emma já chegou? — questionou Regina.

— Sim senhora. Está na cozinha — ela respondeu, e sem delongas, Regina se dirigiu ao cômodo informado.

— Por que demorou tanto? — ela perguntou, tão logo seus olhos cruzaram com a dona dos seus pensamentos.

— Desculpe…eu acabei me distraindo no mercado. Precisa de algo?

— É claro que eu preciso — Regina falou. — Preciso de você… — acrescentou, num tom quase inaudível.

— Regina…alguém pode te ouvir — Emma disse, afastando-se em seguida.

— E daí?

— Já conversamos sobre isso.

— Tudo bem, vamos ao meu escritório então.

— Eu já vou…só preciso terminar de limpar isso.

— As tarefas domésticas não são de responsabilidade sua. Eu já disse isso várias vezes — Regina falou, e antes que Emma pudesse argumentar, Margaret apareceu interrompendo a conversa.

— Patroa, com licença. O delegado de polícia pede permissão para falar com a senhora — informou a criada, assustando-se com o barulho dos pratos caindo do chão.

— Emma, está se sentindo bem? — indagou Regina, aproximando-se rapidamente.

— Sim…foi só uma tontura… — ela murmurou. — Eu vou limpar essa bagunça e…

— De jeito nenhum. Sente-se aqui — Regina falou. — Tome um pouco de água…

— Eu estou bem, de verdade… — disse Emma.

— Fique com ela, Margaret. Eu vou falar com o delegado e já volto — dito isso, Regina se retirou.

…

— Bom dia — disse ela.

— Bom dia, senhora Mills. Sou o delegado Humbert, às suas ordens.

Cumprimentando-o com um aperto de mão, Regina fez um rápido meneio de cabeça e indicou o sofá para que ele sentasse.

— Recebi uma denúncia onde me informaram que os resíduos gerados na sua empacotadora estão sendo despejados nas margens do rio Pedra, e isso é um crime ambiental, senhora.

— Eu sei disso.

— E permitiu que os resíduos fossem despejados lá?

— É claro que não. Se fizeram isso foi sem o meu consentimento.

— Eu não acionei nenhum órgão ambiental até o momento.

— Nem precisa. Hoje mesmo tomarei as devidas providências e arcarei com todas as despesas no processo de despoluição do rio, caso seja necessário.

— Bom…sendo assim, fica tudo bem então.

— Ótimo. Agora se me der licença…

— Ah…claro. Tenha um ótimo dia, senhora Mills.

— Marian, acompanhe o delegado até a porta.

— Sim senhora.

Caminhando até a cozinha, Regina observou que Emma permanecia no mesmo lugar enquanto Margaret recolhia os pedaços de louças espalhados pelo chão. Sem se importar com a presença da criada, ela se ajoelhou diante de Emma e não escondeu a preocupação que sentia.

— Tudo bem? — ela perguntou.

— Sim…já passou — Emma disse, olhando para todos os lados, menos para ela.

— Perdão por me meter, patroa…mas ela não se alimentou essa manhã e isso deve ter sido a causa da tontura — Margaret falou.

— Por que não se alimentou?

— Porque deixei para tomar o café da manhã quando chegasse da cidade.

— Não faça mais isso — ela disse. — Margaret, prepare alguma coisa para ela comer.

— Agora mesmo, senhora.

— Enquanto isso, venha comigo até o escritório…preciso falar com você — disse Regina, e o coração de Emma disparou.

Tão logo a porta do escritório foi fechada, Regina lhe puxou para um abraço ao mesmo tempo em que distribuía beijos em cada centímetro do seu rosto.

— Depois que se alimentar, quero que vá descansar, certo?

— Regina, eu estou bem…além disso, prometemos ao Henry que iriamos buscá-lo hoje.

— É verdade, mas…

— Mas nada. Está tudo bem — ela disse, acariciando-lhe o rosto. — Aconteceu alguma coisa para o delegado vir aqui?

— Estão despejando os resíduos da empacotadora num lugar indevido, mas eu já vou resolver isso.

— Ah…que bom que não é nada grave.

— Vamos…você vai comer agora e eu vou resolver essa questão. Mais tarde buscaremos Henry na escola.

— Está bem, meu amor.

— Gosto quando me chama de seu amor — disse Regina, beijando-lhe os lábios delicadamente.

Depois de acompanhar Emma até a cozinha e certificar-se de que ela se alimentaria de forma correta, Regina se dirigiu ao encontro de Robin para questioná-lo sobre o suposto despejo indevido de resíduos nas margens do rio Pedra.

— Acontece que a empresa responsável por recolher os resíduos desapareceu…

— Tivesse contratado outra! — ela exclamou.

— Eu ia fazer isso, patroa.

— Quando?

— Bom…

— Robin…mais um erro idiota como esse e você irá para o olho da rua. E eu deveria descontar do seu salário.

— Não vai se repetir, patroa.

— Levou as mães das crianças para matriculá-los na escola?

— Sim, senhora.

— Certo, agora volte ao trabalho.

— E quanto a nova empresa para a coleta dos resíduos?

— Eu mesma entrarei em contato com alguma — dito isso, Regina se retirou.

[…]

— Onde está a patroa? — questionou Ruby.

— Foi buscar o filho com a senhorita Emma — respondeu Marian. — Você precisava ter visto a patroa toda preocupada porque a babá passou mal — acrescentou, sorrindo maliciosamente.

— Emma passou mal?

— Margaret me contou que ela sentiu uma tontura ou algo assim…e a patroa ficou muito preocupada, até reclamou por ela não ter se alimentado.

— Idiota…não me admiro que ela tenha levado um belo par de chifres da ex esposa. Quem manda ser tão estúpida!

— Como assim a patroa levou chifres da ex esposa? — indagou Marian. — Ela era casada com outra mulher? — acrescentou, claramente surpresa, embora já tivesse notado as “preferências” sexuais de Regina.

— Sim…ela flagrou o motorista da casa comendo a mulher dela em sua própria cama.

— Minha nossa! Como você sabe de tudo isso?

— Lembra da Lacey?

— Lacey?

— Sim! A babá desse moleque chato que acompanhou a patroa nas poucas vezes em que ela veio visitar a fazenda.

— Ah, sim! Agora lembrei.

— Ela me contou tudo por telefone. Disse até que a patroa passou um tempão isolada de tudo e de todos, inclusive, desse moleque chato.

— Do próprio filho?

— Bom, ele é adotado…mas é filho do mesmo jeito, não é?

— É verdade…mas e a Lacey, ainda trabalha lá?

— Não. Depois da confusão toda, ela me disse que pediu demissão porque ia se casar e desde então eu não soube mais de nada.

— Nossa…fiquei chocada com essa história — comentou Marian, e antes que Ruby pudesse replicar, uma outra voz interrompeu a conversa.

— Boa tarde.

— Boa tarde — as duas responderam, em uníssono. — Quem é a senhora? — questionou Ruby.

— Sou Zelena Mills, irmã de Regina.