Notas iniciais
Obrigada pelos comentários e favoritos. Boa leitura!

— Você foi visitá-la no presídio? — indagou Zelena.

— Sim…e você não faz ideia do quanto foi difícil vê-la naquele lugar, na minha frente e não poder abraçá-la.

— Se não a abraçou foi porque não quis.

— Qual é, Zelena! Eu estou falando sério, porra!

— E eu também, Regina! Mas enfim, o que ela disse?

— Disse que realmente matou esse homem, mas que agiu em legítima defesa.

— Legítima defesa? O que foi que ele tentou fazer contra ela?

— Eu não sei, não perguntei isso — disse ela, suspirando pesadamente enquanto passava as mãos pelos cabelos. — Minha cabeça está a ponto de explodir.

— Bom…pelo menos perguntou a ela sobre o tal Killian?

— Ela negou. Fingiu que não sabia do que eu estava falando mas é claro que ela sabe!

— E se ela estiver dizendo a verdade?

— Então como explicar o fato dele ter desaparecido sem me comunicar? E quem era a suposta mulher que o procurou no mesmo dia em que ela deixou a fazenda?

— Deve ter uma explicação…

— Eu sei perfeitamente qual é a explicação.

— Bom, e o que pretende fazer? Henry já sabe a verdade e…acredita na inocência dela.

— Falei com Victor…pedi para que cuidasse do caso dela. Essa noite ele irá à minha casa para me falar os detalhes. Enfim, você pode ir buscar o meu filho na sala dele? Quero levá-lo para almoçar comigo e conversar a respeito disso.

— Claro que sim…eu já volto.

No caminho até o restaurante, Regina explicava sem muitos detalhes como havia sido sua visita ao presídio onde Emma se encontrava detida. Era a primeira vez que seu filho se mostrava tão atento a cada palavra dita por ela, e embora tivesse apreciado esse carinho entre ele e Emma no início, já não sabia se esse apreço deveria ser levado adiante.

— Viu só? Eu disse que ela era inocente! — ele exclamou, enquanto se acomodava em uma cadeira. — Você vai ajudá-la, não vai?

— Victor cuidará do caso dela.

— Obrigado, mãe. E quando ela estiver livre, você vai mandar a Ruby de volta pra fazenda, não vai?

— Não, Henry.

— Por que não? Vai morar com as duas? — ele perguntou, arregalando os olhos.

— É claro que não, Henry! Acontece que o que havia entre Emma e eu acabou.

— Não gosta mais dela?

— Filho, vamos mudar de assunto, está bem? Já avisei ao Victor para cuidar de tudo e é a única coisa que posso fazer.

— Mas eu queria que as coisas voltassem e ser como era na fazenda…

— Isso não será mais possível. Agora termina de comer porque eu tenho que voltar para o meu escritório.

Após deixar Henry em casa, Regina retornou para o escritório conforme havia dito. Victor ficou de visitá-la no final do expediente para lhe informar os detalhes sobre o caso de Emma. Seus dedos corriam por entre os cabelos enquanto um maremoto de sensações lhe tiravam o sossego. Dentro de poucos minutos se iniciaria uma reunião e pela primeira vez depois de tantos anos, ela agradeceu por isso, iludida ao imaginar que pelo menos naquele momento, Emma sairia dos seus pensamentos.

— Boa tarde, Isabela! Pode avisar a Regina que estou aqui?

— Boa tarde, Dr. Victor. Ela está em reunião mas deve…oh, aí vem ela.

— Victor, como vai? — disse ela, cumprimentando-o com um aperto de mão.

— Muito bem, Regina. E você?

— Vou bem…me acompanhe até minha sala por favor — ela falou, dando passagem para que ele entrasse. — Sente-se — acrescentou, fechando a porta atrás de si.

— Fiz o que me pediu, inclusive, visitei a senhorita Emma na prisão — disse ele.

— E então?

— Bom…ela agiu em legítima defesa porque a vítima tentou violentá-la — ele falou. — Segundo ela, quando saía do trabalho, ele a puxou para uma rua estreita ali perto onde tentou praticar o ato. Houve uma luta corporal entre os dois e ela o acertou na cabeça com algum objeto, um pedaço de ferro talvez, que encontrou no chão.

— Onde ela trabalhava? — questionou Regina, remexendo-se no assento, claramente surpresa com aquela revelação.

— Num clube privado como garçonete. A propósito, algumas pessoas mudaram o depoimento e afirmaram que ela era garota de programa com o intuito de denegrir a imagem dela e enaltecer a figura do pastor.

— Esse monstro imbecil era um pastor?

— Por incrível que possa parecer, era sim.

— E como sabe que mudaram o depoimento?

— Tenho alguns informantes de confiança na polícia.

— O que você acha disso tudo, Victor?

— Acho que se toda mulher conseguisse se defender como ela se defendeu, teríamos menos agressores impunes nesse mundo afora. E vou ser sincero, Regina…no lugar dela, eu teria feito o mesmo.

— Eu também — disse ela. — Por favor, tire-a daquele lugar.

— Com todo prazer — disse ele, levantando-se em seguida.

— Victor, você não disse a ela que é meu advogado, disse?

— Claro que não…assim como você pediu, eu disse que era o advogado concedido pelo estado.

— Obrigada.

— De nada…ah, já ia esquecendo. Aqui está a carteira de motorista da senhorita Lucas — ele disse, entregando-lhe o documento. — Até mais, Regina. Eu a manterei informada.

[…]

— Chegou tarde hoje… — comentou Ruby, tão logo Regina adentrou a sala de estar. — Gostaria que fôssemos jantar fora hoje.

— Não estou com cabeça pra isso — disse ela, caminhando em direção à escada. — Quero tomar um banho e me deitar — acrescentou, e antes de entrar em seu quarto, ela bateu à porta do quarto de Henry.

— Oi, mãe! Chegou tarde hoje…

— É, eu sei. Precisei resolver alguns assuntos pendentes — ela explicou. — Amanhã é sábado, o que acha de sairmos um pouco?

— Pode ser…

— Nossa, que entusiasmo!

— Acontece que eu fico com pena da senhorita Emma. A gente se divertindo e ela na prisão.

— Emma já não faz parte da nossa vida, então pare de pensar nela. Bom…eu vou tomar um banho e deitar um pouco. Boa noite, querido — ela disse, beijando-lhe o topo da cabeça.

— Boa noite, mãe.

Alguns minutos se passaram enquanto Regina refletia todos os acontecimentos passados encolhida dentro da banheira. Ela já não tinha dúvidas em relação à inocência de Emma mediante aquele crime, todavia, a confiança havia sido quebrada quando a mulher que dizia amá-la, partiu. Quando se manteve calada em vez de falar a verdade sobre o seu passado e principalmente, por ter confiado em Killian Jones onde deveria ter confiado apenas nela e em mais ninguém.

— Você foi tão infiel quanto Kathryn…e isso eu não posso perdoar — ela murmurou, levantando-se em seguida. Após enxugar o corpo e cobrir-se com um roupão, Regina retornou para o quarto surpreendendo-se ao encontrar Ruby sentada em sua cama.

— Imagino que esteja cansada então gostaria de saber o que posso fazer por você essa noite — disse Ruby, num fôlego só.

— Me deixar sozinha é o melhor que você pode fazer — Regina falou, arrependendo-se no mesmo instante ao notar o constrangimento em suas feições.

— Claro…com licença — ela disse, e ao fazer menção de se retirar, Regina a deteve.

— Desculpe. Eu estou com um pouco de dor de cabeça e enfim, não quis ser grosseira.

— Talvez não acredite, mas no dia que você não for grosseira, acionarei o pronto socorro — disse ela, e diferente do que imaginava, Regina sorriu. — Quer um comprimido?

— Por favor.

— Eu já volto.

Minutos depois, Ruby retornou com uma bandeja em mãos onde um copo com água repousava no objeto de prata. Depois de tomar o comprimido e colocar o copo vazio sobre a bandeja em cima da cama, Regina sentiu o pressionar dos dedos de Ruby em suas têmporas.

— Minha mãe sempre dizia que uma pequena massagem nesse local alivia a dor — Ruby sussurrou, deixando seus lábios tocarem a orelha de Regina propositalmente. Em seguida, seus dedos deslizaram pela face dela e percorreram a curva do queixo, e sem aviso prévio, ela virou aquele rosto de traços perfeitos de encontro ao seu e então a beijou na boca.

Os lábios de Ruby, doces à sua maneira, não lhe deram a sensação de tremor e desejo quando tocaram os seus.

— Ruby… — ela murmurou, quebrando o contato dos lábios.

— Eu te desejo tanto, Regina…faça amor comigo… — disse ela, tomando-lhe o rosto entre as mãos e mergulhando seus lábios nos dela mais uma vez.

[…]

Alguns dias se passaram e desde de sua primeira e última visita à Emma no presídio, Regina se recusou a voltar àquele lugar. Até mesmo as notícias trazidas por Victor eram recusadas por ela, uma vez que a decisão já havia sido tomada: Emma deveria ser esquecida e arrancada do seu coração.

Utilizando de sua influência e seus conhecimentos, Victor conseguiu que o julgamento de Emma fosse marcado para uma data bem próxima, e apesar da insistência de Henry, Regina deixou claro que não pretendia comparecer. Ao ouvir a conversa, Ruby não hesitou em questioná-la a respeito do assunto.

— É verdade que Emma está presa e você está pagando um advogado para tirá-la da cadeia?

— Sim, é verdade.

— Por que está fazendo isso?

— Porque eu faço o que me der na telha! — ela exclamou, num tom exaltado, e ao fazer menção de se retirar, Ruby lhe segurou o braço.

— O que eu sou pra você, Regina? Num dia fazemos amor e no outro você se mostra indiferente.

— Não gosto que se metam em minhas decisões!

— Depois de ter mentido pra você, depois dela ter fugido com o veterinário…

— Quem te disse que ela fugiu com o veterinário? — questionou Regina, num tom ameaçador.

— Você me disse…

— Não lembro de ter dito isso!

— Não seria porque estava enchendo a cara?

— Escute bem, Ruby…só porque dormimos juntas uma ou duas vezes, não te dá direito algum de questionar o que eu faço ou deixo de fazer. Portanto, não perca seu tempo me aborrecendo com esse blá, blá, blá idiota! — dito isso, Regina se retirou.

…

— Tia Zelena, posso falar um minuto com você?

— Claro que pode, meu príncipe! Sente-se, por favor — disse ela, e ao fechar a porta, acomodou-se na cadeira de frente para ele. — Aconteceu alguma coisa?

— Você sabe que a senhorita Emma está presa, não é?

— Sim, eu fiquei sabendo.

— Sabe também que o julgamento dela é daqui a alguns dias?

— Regina comentou a respeito.

— Bom…ela disse que não vai então eu queria que você me levasse.

— Não acho que seja apropriado, Henry…você é uma criança e sua mãe me mataria se soubesse.

— Por favor, tia.

— Desculpa, Henry. Eu não posso fazer isso.

— Então poderia visitá-la no presídio e entregar essa carta a ela? Eu gostaria que ela soubesse que acredito na inocência dela e que vou ficar na torcida para que dê tudo certo.

— Está bem…hoje mesmo levarei essa carta para ela.

O restante do dia se passou de forma tranquila, embora Regina se mostrasse um tanto inquieta com a proximidade do julgamento de Emma. Pela décima vez ela ligou para Victor em busca de garantias relacionadas ao caso, e para amenizar seu desespero, ele garantiu que seria capaz de comprovar que Emma agira em legítima defesa, uma vez que o pastor não era exatamente aquilo que aparentava ser.

No final do dia, aproximadamente por volta das dezesseis horas, Zelena chegou ao presídio onde Emma permanecia presa. O sobrenome que ela carregava foi seu “passe livre” para falar com a detenta, já que as visitas aconteciam somente pela manhã.

— Obrigada, senhor diretor. Eu realmente preciso muito falar com essa moça — disse ela.

— Sua irmã esteve aqui, mais geniosa do que nunca.

— Pois é…Regina vem passando por uma série de problemas, mas como o senhor sabe, é uma boa pessoa.

— Sim, claro que sim. Só que não entendo…de onde vocês conhecem a detenta?

— Ela já trabalhou como babá do meu sobrinho e ele se apegou muito a ela. A propósito, estou trazendo uma cartinha que ele escreveu. Tem algum problema?

— Não, claro que não. Vou pedir a uma das agentes para trazer a detenta, com licença.

Poucos minutos se passaram até que uma agente se aproximou ao lado de Emma. Os longos cabelos loiros estavam presos em um rabo de cavalo e os pulsos unidos pelo metal das algemas. Mediante essa visão, Zelena compreendeu o desespero de Regina, afinal, até mesmo para ela foi doloroso vê-la em tais condições.

— Eu não vou perguntar como você está porque não acho que alguém esteja bem na cadeia, mas gostaria de dizer que eu estou na torcida para que você consiga sair dessa — disse ela, e sem que pudesse evitar, Emma sentiu os olhos transbordando em lágrimas.

— Obrigada — foi a única palavra que ela conseguiu dizer enquanto tentava enxugar o rosto com o braço.

— Eu vim aqui porque Henry me pediu para te entregar isso — ela falou, entregando-lhe um envelope.

— Como ele está? — Emma perguntou, e mais uma vez as lágrimas correram em abundância sobre a sua face.

— Está bem…preocupado e com saudade de você.

Tais palavras lhe atingiram em cheio e ela se flagrou incapaz de proferir uma palavra que fosse. Estava ciente de que Henry sofreria com sua partida, assim como ela mesma sofreu ao ter que deixá-lo. Por fim, após se recompor, levantou o olhar.

— Eu sinto tanto…quando soube que precisavam de uma babá naquela fazenda, nunca imaginei que me apegaria tanto a ele e ele a mim. E nem em sonho pensei que me envolveria com…Regina — ela disse, deixando escapar um longo suspiro. — Não sei se eu teria recuado se essa possibilidade tivesse passado pela minha cabeça…o que eu quero dizer é que…

— Eu sei perfeitamente o que você quer dizer, Emma. Você queria ter evitado tudo isso, mas existem coisas que estão destinadas a acontecer e por mais que a gente tente, não conseguimos evitar.

— Queria que Regina me compreendesse da maneira que você está compreendendo.

— Ela está magoada, ferida…acha que você foi infiel, que a traiu com o veterinário da fazenda. Você fugiu com esse homem?

— Por Deus…de onde ela tirou isso? Eu troquei poucas palavras com esse rapaz.

— Bom…misteriosamente, o veterinário sumiu e um funcionário da pensão onde ele se encontrava hospedado, afirmou que uma mulher foi procurá-lo no dia em que você foi embora.

— Então esse funcionário está mentindo ou se tratava de uma outra mulher. Eu não tinha razão alguma para procurar esse homem.

— Foi isso que imaginei…porém, Regina está cega de ciúmes, de raiva. Mas é compreensível. Essa desconfiança toda são consequências da infidelidade da ex esposa dela.

— Infidelidade?

— Com licença…o tempo acabou, Zelena. A detenta precisa voltar para a cela dela — disse o diretor.

— Claro, senhor diretor. Já foi muita gentileza de sua parte me deixar entrar num horário desses — disse Zelena, esboçando um meio sorriso. — Cuide-se, Emma. E boa sorte no julgamento.

— Obrigada e diga ao Henry que eu mandei um beijo, que estou com saudades e que…sinto muito — ela disse, em seguida, foi conduzida de volta para a cela.

[…]

— Conseguiu falar com ela, tia? — Henry perguntou.

— Sim, meu amor.

— E como ela está?

— Está bem…com saudade de você. Mandou um beijo e disse que sentia muito.

— Pobrezinha…entregou minha carta a ela?

— Para quem você mandou uma carta, Henry? — questionou Regina, interrompendo a conversa.