Notas iniciais
Vamos lá com mais uma fanfiction SwanQueen. Espero que essa história agrade tanto quanto as outras agradaram. Boa leitura!

Trancada no escritório de sua casa, Regina se embriagava enquanto as imagens da traição de sua esposa rodavam em sua cabeça como se fosse um filme de horror. Desde que seu casamento de dez anos havia chegado ao fim, ela usou o álcool como um aliado na tentativa de esquecer uma das cenas mais asquerosas e repugnantes que tivera o desprazer e a infelicidade de presenciar: Kathryn, sua esposa, praticava sexo anal com o motorista da família, dentro de sua própria casa, em cima de sua própria cama. Mais uma vez o seu estômago embrulhou e embora se encontrasse zonza e desorientada devido à bebida, ela conseguiu chegar ao banheiro a tempo para despejar todo o asco que sentia dentro da privada.

— Até quando você pretende permanecer nesse estado deplorável? — indagou Zelena.

— Até quando eu quiser — ela respondeu, e ao fazer menção de abrir mais uma garrafa de uísque, Zelena a impediu.

— Já chega, Regina!

— Solte-me, sua estúpida! E saia da minha casa porque você não foi convidada a entrar aqui.

— Pelo amor de Deus…você não pensa no seu filho? É uma criança inocente!

— Ele está bem, a babá cuida dele melhor do que eu.

— Ele precisa do carinho da mãe…

— E eu preciso ficar sozinha! Agora dá o fora e me deixa em paz.

— Você entrou na justiça pela guarda dele e ganhou…mas a troco de quê?

— Zelena, vá embora daqui…você não tem nenhum direito de se meter em minha vida.

— Sou sua irmã e…

— Meio irmã! — ela corrigiu. — Agora some, dá o fora.

— Ninguém tem culpa do que aquela vagabunda fez com você…lembre-se disso — Zelena falou, se retirando em seguida.

Sem que pudesse evitar, Regina deixou que as lágrimas mais uma vez lhe banhassem o rosto. Para ela, era difícil aceitar que depois de tanta dedicação, amor e fidelidade de sua parte, Kathryn a tivesse traído de uma maneira tão suja, desrespeitando a ela, o filho e o lar. Após dois anos de casadas, depois de muita insistência, Kathryn acabou aceitando adotar uma criança, e embora o seu descaso com o menino fosse perceptível, Regina se considerava feliz por realizar seu desejo de formar uma família ao lado dela.

Depois de descobrir a infidelidade, Regina não só entrou com um pedido de divórcio, como também recorreu à justiça pela guarda do menino, e como imaginou, a causa foi dada a seu favor.

— Meu filho já chegou da escola? — ela perguntou, dirigindo-se à babá que se encontrava na cozinha.

— Sim senhora. Já tomou banho, jantou e está dormindo.

— Já está dormindo? E que horas são? — Regina questionou, aparentemente desconsertada.

— São vinte e uma horas, senhora.

— Vinte e uma horas… — ela murmurou, atordoada ao constatar que havia perdido o sentido das horas, do tempo, do espaço e de sua vida. O tempo não tem fim, ele é o fim. E em consequência dessa verdade, ela se deu conta de que estava prestes a perder o pouco que lhe restava: sua razão e seu filho.

Lenta e devagar, ela abriu a porta do quarto onde Henry dormia e novamente as lágrimas vieram com força, tão quentes quanto os raios solares numa tarde de verão, causando-lhe a sensação de corrosão na pele e o gosto amargo dos amores enganados.

Na manhã seguinte, Ariel terminava de preparar o lanche de Henry para poder levá-lo a escola quando Regina apareceu, interrompendo-lhe a tarefa.

— Meu filho não vai para a escola hoje — ela disse.

— Mas por quê? Eu quero ir! — ele protestou.

— Quieto! — ela o repreendeu. — Úrsula, faça as minhas malas e você, Ariel, faça as malas de Henry — acrescentou, segurando-o pela mão.

— Para onde iremos, mãe? — ele perguntou.

— Vamos nos mudar para o campo…a cidade não está nos fazendo bem — ela explicou.

— Não quero ir para o campo… — Henry murmurou.

— Você não tem querer! Agora vá ajudar Ariel com suas roupas…eu irei à escola cancelar sua matrícula — dito isso, ela o beijou no rosto e se retirou.

Tão logo Regina saiu, Ariel discou o número de Zelena informando sobre a decisão de Regina em se mudar para o campo. Incrédula com aquela informação, Zelena não hesitou em se dirigir à mansão com o intuito de questioná-la e se possível, impedi-la de concretizar aquela loucura.

— Até que enfim você chegou — ela disse, levantando-se rapidamente quando Regina ultrapassou o portal da porta.

— O que faz aqui? — Regina perguntou.

— Não posso visitar meu sobrinho?

— Se já o viu pode dar meia volta.

— Que ideia é essa de se mudar para o campo?

— Isso é assunto meu.

— Regina, você realmente não pensa no seu filho…

— É exatamente nele que eu estou pensando.

— Tem certeza?

— Claro! Minha fazenda é imensa, tem muito verde, ar puro…isso fará bem a ele.

— Aquela fazenda no fim do mundo não é lugar para uma criança! E os estudos? E..

— Lá tem escola do mesmo jeito!

— Num povoado sem futuro que fica a não sei quantos quilômetros da sua fazenda!

— E daí?

— Por Deus, Regina! Você quer se enfiar num buraco e vai arrastar o menino junto?!

— O filho é meu e irá comigo para onde eu for! Agora para de se meter na minha vida, mas que merda!

— Regina…pensa no futuro dessa criança…

— Ele terá um futuro muito melhor longe das imundices da cidade grande! Agora se me der licença, tenho mais o que fazer! — dito isso, Regina se trancou no escritório.

Após a saída de Zelena, Regina reuniu todos os empregados da mansão para informá-los sobre sua mudança, uma vez que aquele lugar ficaria fechado e talvez, ela colocasse à venda, já que em seu pensamento ela não pretendia voltar.

— Tem algum tempo que não visito a minha fazenda na cidade de Storybrooke, mas sei que precisarei de novos empregados, então, quem não quiser ficar sem trabalho, venha comigo. Quem optar por ficar, receberá suas contas amanhã mesmo — ela explicou.

De todos os empregados da mansão, apenas Granny pediu para ir com ela, já que a mais antiga cozinheira da casa não tinha família e precisava do trabalho para sobreviver. Além disso, embora Regina fosse uma mulher difícil e tivesse mudado bastante depois da traição de sua esposa, agora ex esposa, nunca deixou que faltasse nada a nenhum dos seus empregados, desde auxílio para quem possuía filhos, até assistência médica em casos considerados urgentes e delicados.

— Desculpe, senhora…mas não poderei acompanhá-la para cuidar do seu filho — Ariel falou.

— Não se preocupe…não creio que você seja a última babá nesse mundo! — ela exclamou, um tanto ríspida.

— Bom, com licença… — disse a babá.

— Meu contador entrará em contato com vocês para pagá-los a rescisão — dito isso, Regina voltou a se trancar no escritório.

[…]

Já era noite e Henry dormia tranquilamente enquanto Regina mais uma vez se via atormentada pelas lembranças dolorosas daquela infidelidade. Naquele momento, ela desejou que seu pai estivesse vivo para confortá-la, ao mesmo tempo em que lamentava a distância que ela mesma colocou entre ela e Zelena, sua meio irmã, filha do primeiro casamento de Cora.

— Cora… — ela murmurou, lembrando-se que sua mãe nunca fora de acordo com aquele casamento e no final das contas, ela estava com a razão. Depois que o escândalo sobre a infidelidade de Kathryn se espalhou pelos quatro cantos do estado e Regina passou a se mostrar agressiva com todos à sua volta, Cora deixou o país e desde então, Regina não teve mais notícias e nem procurou saber.

As horas se passavam e o sono não chegava, pelo contrário. O cansaço era nítido, tanto físico quanto mental, o abatimento em sua expressão misturado à raiva que ela sentia também estavam visíveis para quem quisesse observar. E nessas condições de solidão e isolamento, ela acabou adormecendo no sofá da sala.

— Regina… — Zelena murmurou, enquanto deslizava uma das mãos pelos cabelos curtos.

— Hum? O que faz aqui? — ela perguntou, levantando-se lentamente. — Merda… — ela murmurou, ao constatar que passava das oito horas da manhã.

— Vim me despedir de você e do meu sobrinho…

— Onde ele está? Já acordou?

— Está tomando o café da manhã.

— Vou tomar um banho para partirmos…

— Ainda há tempo de desistir dessa loucura.

— Loucura é permanecer nesta casa atormentada pelas lembranças daquela…miserável.

— Fugir não resolve nada.

— Não estou fugindo!

— Sim, você está.

— Pense o que quiser, eu não me importo! — ela exclamou, subindo apressadamente em direção ao seu quarto.

— Mamãe perguntou por você — disse Zelena, e subitamente Regina parou. — Ela está pensando em…

— Não me interessa o que ela está pensando ou deixa de pensar! — dito isso, ela retomou sua caminhada.

Após o banho, já devidamente vestida, Regina pediu para que um dos empregados começasse a levar as bagagens para o carro. Em seu escritório, ela efetuava algumas ligações para ter certeza de que tudo seria realizado conforme suas ordens. O seu advogado e administrador dos seus bens foi instruído a colocar a casa à venda, bem como fiscalizar de perto os pagamentos das rescisões dos empregados e assumir o controle dos seus negócios na capital, já que ela se encarregaria única e exclusivamente da fazenda.

— Está pronto? Vamos…

— Eu não quero ir, mamãe…tia Zelena, deixa eu ficar com você… — dizia Henry, agarrado nas pernas de Zelena.

— Você não tem pena dessa criança? — indagou a ruiva, não contendo a emoção.

— Ele só tem oito anos e não se governa!

— Mas eu quero ficar aqui!

— Acho bom você não me tirar o pingo de paciência que me resta, ou no lugar da fazenda, você irá para um internato! — Regina falou, num tom exaltado. — Agora se despeça de sua tia e vamos embora porque já está tarde!

— Não se preocupe, meu amor…titia só vai terminar uns negócios e logo estará no campo com você…e prometo que levarei muitos brinquedos — dizia Zelena, claramente comovida com o choro dele.

Henry era o tipo de criança tímida, poucas vezes questionava e raramente desobedecia, mas desde a separação entre suas “mães”, ele passou a se mostrar rebelde devido ao comportamento de Regina.

Após a despedida, Granny se acomodou no banco traseiro em companhia dele, enquanto Regina checava os últimos detalhes em seu carro para dar partida.

— Você poderia pelo menos ir de avião. A viagem de carro pode se tornar muito cansativa — Zelena falou.

— E você poderia parar de se meter nas minhas decisões? Eu não te dei esse direito! — exclamou Regina.

— Se não for muito incômodo, ligue para visar que chegaram bem, por favor…

— Certo, eu ligarei — dito isso, Regina entrou em seu carro e deu partida.

Oito horas seria o tempo que Regina levaria para chegar à pequena cidade de Storybrooke, onde seus pais nasceram, cresceram e construíram a maior propriedade daquela região.

— Vamos! Depressa! A patroa chega hoje e a casa tem que estar em perfeita ordem! — dizia Ruby, enquanto checava um cômodo e outro.

— Se você parasse de dar ordem e nos ajudasse, já teríamos terminado! — disse uma das empregadas.

— Minha função nesta casa é garantir que vocês façam o trabalho correto! Não esqueçam que os pais da patroa deram esse cargo a minha mãe e como ela já faleceu, a tarefa ficou para mim.

— Se eu fosse você, baixava um pouco a bola…afinal de contas, não conhecemos a filha dos patrões e ela pode perfeitamente não estar de acordo com muitas coisas, inclusive, de te manter nesse posto — comentou Marian, responsável por lavar e passar as roupas.

— Para o seu governo, eu a conheço mais do que você imagina! De qualquer forma, enquanto ela não decide, tudo continua como está! Agora voltem ao trabalho! — dito isso, Ruby se retirou.

Passava das dezesseis horas quando Regina finalmente avistou a placa de boas vindas na entrada da cidade, todavia, a fazenda se encontrava afastada, e a julgar pelo que recordava, restava ainda aproximadamente uma hora na estrada. Henry cochilava no banco traseiro e por um instante, ela se arrependeu de não fazer aquela viagem de avião. Ainda que o aeroporto ficasse distante, talvez realmente fosse menos cansativo para ele.

— Finalmente… — ela murmurou, ultrapassando os limites impostos pelas cercas e muros que demarcavam toda a terra que a ela pertencia.

Pelo pouco que conseguiu observar, Regina constatou que pelo menos a parte em torno da casa grande se encontrava em ótimas condições. E quando estacionou nas proximidades da escadaria que levava à porta de entrada da casa, ela se surpreendeu ao notar que alguns empregados aguardavam um ao lado do outro para desejar as boas vindas.

Os cochichos foram inevitáveis entre eles, já que ninguém imaginava que a herdeira se tratava de uma mulher tão jovem e extremamente bonita.

— Boa tarde, patroa. Seja bem-vinda! — Ruby foi a primeira a se pronunciar.

— Quem é você? — Regina perguntou, ignorando o cumprimento.

— Me chamo Ruby…eu administro a casa para que tudo esteja sempre em perfeita ordem — ela explicou.

— Meu filho está dormindo no carro. Leve-o para o quarto — ela disse. — Vocês dois, peguem as bagagens e coloque-as no piso superior — acrescentou, se dirigindo aos peões. — E os demais voltem aos seus afazeres — finalizou, recebendo um olhar desconsertado de todos ali presente.