Inferno Psíquico

15 Uma nova visão e decisões...


Notas iniciais
YEEEYY! Capítulo passado houve comentários de novos leitores e fiquei bem feliz em saber a opinião deles, então manifestem-se novamente para incentivar-me. =D Desculpem qualquer erro...E boa leitura!

Já era noite na casa dos Berry. Depois da manhã animada e repleta de bagunça na cozinha, as garotas limparam tudo e passaram o dia conversando amenidades conhecendo-se ainda mais.

Rachel surpreendeu-se com o número de filmes antigos que Quinn já assistiu quando mais nova e ouviu atentamente a mais alta falar sobre Charlie Chaplin e o quanto o admirava.

A loira por outro lado, ficou impressionada com quantos musicais a baixinha já viu, e achava adorável como ela falava de Barbra Streisand com tanta idolatria e automaticamente os olhos castanhos brilhavam majestosamente.

...

Todos jantavam na grande mesa dos Berry. Leroy ocupava a cabeceira da mesma, enquanto seu marido estava ao seu lado esquerdo, e as garotas estavam à frente de Hiram.

O casal Berry conversavam sobre o trabalho e alguns pacientes que atenderam no decorrer do dia, enquanto Quinn e Rachel permaneciam caladas, porém ambas trocavam carinhos por baixo da mesa com as mãos de vez em quando.

A judia viu a loira afastar o brócolis para o canto do prato e franziu o cenho.

— Por que você afastou o brócolis? — Perguntou confusa.

— Eu não gosto de brócolis. — Respondeu simplesmente, enquanto terminava de afastar os vegetais para longe.

— Pois você vai comer. Brócolis faz muito bem para a saúde. — Determinou enquanto pegava seu garfo e colocava todos os vegetais de volta no lugar no prato da loira.

— Eu sei que fazem bem, Rach. Mas eu não suporto brócolis. — Retrucou emburrada vendo a judia arrumar tudo em seu prato.

— Você realmente quer que eu cite as doze vantagens de comer brócolis agora? — Perguntou autoritária, vendo Quinn balançar a cabeça em forma negativa. — Então trate de comer. — Completou encerrando o assunto.

A loira bufou frustrada e tentou a todo custo não comer, porém foi impossível, já que Rachel estava ao seu lado.

Os homens Berry observavam tudo em silêncio, segurando a risada enquanto viam o rosto de Quinn formando um biquinho frustrado sempre que a morena reclamava quando a mesma tentava afastar os vegetais novamente.

...

Sue acordou sentindo sua cabeça doer terrivelmente. Tentou levantar-se mas sentiu um peso em seus pés. Olhou em volta do pequeno local que era iluminado apenas por uma pequena lâmpada no teto e só conseguiu visualizar móveis cobertos por plástico.

Engoliu o medo que estava sentindo, vendo seu pé ser preso por correntes, e tentou gritar por ajuda.

— Achei que uma mulher finíssima como você não iria gritar por ajuda. É tão antiquado. — A figura esguia e imponente saiu de uma parte mais escura do cômodo. — Eu fiquei aqui por horas esperando a senhorita acordar só para ver seu rosto demonstrando medo. É tão...— Parou pousando delicadamente a mão coberta por uma luva preta de couro no queixo e fingiu pensar. — Harmonioso. — Completou sorrindo em seguida. Um sorriso calculado que fez um arrepio subir pela espinha de Sue.

— Acredite, estou surpresa e em choque por saber que quem causou todos esses assassinatos foi você. Assim que saí da casa de Cassandra, eu já havia ligado metade dos pontos. Mas agora faz sentido. — Sue falava tentando manter a calma. Não iria gritar. Só pioraria a situação. — Cassandra largou você pela sua loucura se agravar e quando aproximou-se de Brody, seu ódio só cresceu. — Completou observando o rosto fino não emitir nenhum sentimento. — Só não entendo o porquê de matar os Fabray. E o motivo de colocar a culpa na garota Quinn.

O rosto imponente pareceu fraquejar por um segundo ao ouvir o nome da caçula Fabray, mas logo voltou à expressão anterior.

— O plano não era esse. Ela deveria ir comigo. Mas eles tentaram impedir. Eles...— As mãos cobertas por luvas foram até o couro cabeludo agarrando com força aquela região. A figura de preto respirou fundo retomando a calma e a postura. — Eles mereceram.

— Ninguém merece morrer. Você não determina isso. — Sue tentava persuadir aquele ser perturbado.

Sabia que aquela pessoa era claramente louca. A sociopatia. Porém a firmeza e a certeza que aquele ser humano demonstrava seus motivos era irreal. Para essa pessoa, tudo o que ela fez contra aquelas pessoas estava certo.

— EU DETERMINO! — Esbravejou chutando um dos móveis. — EU DETERMINO QUE AQUELES SERES IMBECIS TIVERAM O QUE MERECERAM...QUINN É MINHA...— Parou um segundo enquanto colocava a cabeça no lugar. Passou as mãos pelos cabelos arrumando-os.

— Sua...? — Sue arqueou as sobrancelhas esperando uma resposta.

— Não interessa. — Foi aproximando-se da mulher sentada no chão frio e lhe estendeu o celular. — Ligue para alguém que conhece e diga que está bem. — Ordenou friamente. — Uma palavra sequer que não seja para comunicar isso, e a morte vai ser pouco perto do que irei fazer. — Alertou puxando uma cadeira para sentar-se.

Sue não teve escolha. Trabalhou por anos com assassinos e psicopatas. E agora estava nas mãos de uma pessoa calculista e bastante astuta. Discou o número da sua assistente e na primeira chamada, pôde ouvir a voz de Becky soando preocupada.

— Becky...Sim...estou bem...Sim, meu carro bateu em uma árvore e fui até o hospital fazer uns exames, terei que ficar ausente por um tempo...Não, querida, não foi nada demais. Não vá para minha casa, preciso descansar...Apenas comunique isso para a equipe. Tenho que desligar. — Falou o mais calma que conseguiu e finalizou a chamada, entregando o celular para o ser à sua frente.

— Ótimo. Agora preciso realmente ir. — Levantou-se e caminhou em direção à escada que levava ao andar superior.

— Espere. Antes de ir...O que irá fazer comigo? — Perguntou com certo receio.

— Não posso matar a senhorita. O cheiro ocuparia toda a casa, e preciso dela em perfeita ordem. Não se preocupe, terá alguns dias viva. Aproveite. — Sorriu secamente e subiu as escadas, trancando a porta logo em seguida.

Sue só conseguiu chorar e rezar baixinho para que consiguisse continuar viva naquele local.

...

Após o jantar, todos foram para a sala, com exceção de Quinn que sentiu uma forte dor de cabeça e uma angústia no peito e pediu licença alegando que precisava tomar um banho. Foi o mais calma possível para não preocupar os Berry, e principalmente Rachel.

Tomou uma ducha fria achando que tanto a dor, quanto a sensação ruim passariam, mas para o seu azar, só aumentou.

Após secar-se e se vestir, saiu do banheiro dando de cara com Rachel.

— Ei, você demorou. Está tudo bem? — Questionou enquanto afagava o rosto da maior.

— Eu estou bem. Só fiquei pensando durante o banho e perdi a noção do tempo. — Respirou fundo enquanto fechava os olhos sentindo o carinho da judia.

— Eu vou tomar banho agora, e acho bom você estar deitada na minha cama quando eu sair do banheiro, porque eu sei que tem algo errado. — Declarou firme dando um selinho em Quinn e entrando no seu quarto em seguida.

A loira apenas respirou fundo. Rachel a conhecia melhor que ela mesma, e isso era adorável e intrigante.

Sua cabeça latejava mais forte a cada segundo, escutou o barulho do chuveiro no quarto da baixinha e decidiu tomar uma água, querendo desesperadamente se livrar daquele incômodo.

Ao descer as escadas e ver que a sala estava vazia, foi para a cozinha e pegou um copo, enchendo-o com água e bebendo o líquido, pedindo para que a dor fosse se esvaindo de sua cabeça, assim como a água ia desaparecendo do copo à medida que ia bebendo.

Lavou o copo e o guardou. A dor persistia e estava decidida em ir falar com Hiram, para saber se o mesmo poderia lhe dar algum remédio, quando viu a porta dos fundos novamente entreaberta.

Seu coração deu um salto dentro do peito. Uma sensação de Déjà Vu se fez presente. Aproximou-se da porta, olhando para a rua escura. Não havia baú nem algo parecido.

Todavia quando ia fechar a porta, notou uma rosa branca com um cartão colado na mesma. Ao segurá-la nas mãos alvas, pôde ler o que estava escrito no pequeno papel retangular amarelado.

''Espero que tenha gostado do meu presente. Foi de coração, minha Quinnie. Acho que chegou a hora de finalmente você saber de tudo, e finalmente viver do lado de quem te ama. Vá até a casa dos Fabray imediatamente. Não me faça esperar. Pelo seu próprio bem. Ou mais uma família morrerá.
Não demore.''

Suas mãos tremiam, e antes de processar qualquer informação, a dor latejante piorou imensuravelmente e suas pernas fraquejaram, fazendo a garota cair sentada no chão da cozinha.

Imagens aleatórias tomaram conta de sua cabeça. E como naquele sonho antes de todo o inferno começar, viu três corpos no chão sem vida. Mas diferente daquele sonho, ela pôde ver sangue por toda parte, e o rosto de Hiram, Leroy, e Rachel perfeitamente nítidos em sua cabeça.

Voltou à consciência minutos depois. Lágrimas escorriam por sua face. A dor de ver os homens Berry e sua amada Rachel lhe partiram o coração, exatamente como anos atrás. Mas ver o rosto delicado e moreno sem vida...Deus! Quinn tiraria a própria vida se isso acontecesse. E não iria! Dessa vez nada de mal aconteceria. Não novamente.

Levantou enxugando o rosto e decidiu não fraquejar mais. Iria impedir essa tragédia. Não conseguiu salvar sua família, mas essas pessoas que lhe ajudaram e lhe fizeram conhecer o amor novamente ela salvaria.

Correu até o porão, entrando em seu quartinho e retirou o pijama de seu corpo, vestindo em seguida uma calça jeans, seguida de uma blusa branca de algodão, calçando tênis pondo um casaco com capuz.

Pegou um pedaço de papel e caneta e escreveu uma carta, indo o mais rápido possível para o quarto de Rachel e depositando o papel em sua cama. O chuveiro continuava ligado. Deu graças pelo ritual noturno da baixinha, isso evitaria que a morena tivesse uma síncope e com certeza impediria a loira de sair.

Saiu do quarto sem fazer barulho e desceu novamente para a cozinha, passando pela porta e indo em direção à rua escura, fechando a porta dos fundos e caminhando para a casa que cresceu.

Sabia que seria tudo ou nada. Acabaria com esse assassino ou ele acabaria com si própria.

Colocou o capuz sobre a cabeça e caminhou sem olhar para trás.

Notas finais
Comentem! Mostrem suas opiniões antes de tudo ser revelado. =D