Inferno Psíquico

20 Eu sempre voltarei para você...


Notas iniciais
Pois bem...Último capítulo, galera. :( Quarta tem o epílogo, ou amanhã mesmo... Esse capítulo é grande, então sem mais delongas, boa leitura e desculpem os erros...

''Os sociopatas são caracterizados pelo desprezo pelas obrigações sociais e por uma falta de consideração com os sentimentos dos outros. Eles exibem egocentrismo patológico, emoções superficiais, falta de auto-percepção, pobre controle da impulsividade. Eles são geralmente cínicos, manipuladores, incapazes de manter uma relação e de amar. Eles mentem sem qualquer vergonha, roubam, abusam, trapaceiam, negligenciam suas famílias e parentes, e colocam em risco suas vidas e a de outras pessoas.''

As palavras do livro que leu quando estava com seus catorze anos passaram-se na cabeça de Quinn enquanto observava Frannie dirigindo e via sua face mudar de expressão a cada minuto. Feliz, preocupada, ansiosa e extremamente pensativa, como estava agora.

Todas as características citadas sobre sociopatia encaixavam-se na mais velha, menos a incapacidade de amar. Quinn via que Frannie a amava. Ela via como Frannie nunca levantou a mão para ela, nem mesmo quando Quinn desferiu um tapa em seu rosto no dia do reencontro, mas ela também via que a pessoa que achava ser sua irmã era doente e precisava de ajuda.

É claro que nunca a perdoaria por matar Judy, Russel e os outros, mesmo que não fossem boas pessoas, eram seres humanos, nunca compreenderia e nem tentaria, mas Quinn sempre acreditou que até a morte de alguém, há a chance para a redenção, e com Frannie não seria diferente.

Sentiu um incômodo nas têmporas e apoiou a cabeça no banco do carro. Os olhos fecharam-se e automaticamente Rachel lhe veio a mente. Os olhos castanhos. Os lábios fartos. A voz melodiosa e doce. O único momento íntimo e especial de ambas que Quinn nunca esqueceria.

Seus pensamentos foram interrompidos por uma virada brusca do carro que virou rapidamente uma rua.

— O que houve? — Quinn perguntou assustada observando o velocímetro atingir a velocidade de cento e dez quilômetros por hora.

— Estão nos seguindo. — Frannie respondeu entredentes, apertando o volante com as duas mãos até os nós de seus dedos ficarem brancos.

A mais nova virou-se no banco e pôde ver dois carros pretos em alta velocidade quase alcançando o veículo que Frannie dirigia.

Olhou novamente para o velocímetro e o mesmo já estava chegando à cento e cinquenta quilômetros.

— Frannie, diminua. — Quinn falou devagar tentando manter a voz firme.

— Eu fiz e passei por muita coisa para desistir agora, Quinnie. — Frannie pisava firme no acelerador e não tirava os olhos da estrada. A paisagem passava como um borrão nas janelas laterais do carro. — O porto não está longe. — A mais velha falava nervosamente e as mãos pálidas tremiam levemente no volante.

Quinn sentiu uma pontada forte na cabeça e sua mente viajou até o momento em que o carro de Frannie atravessava a Silver Bridge sendo pega de surpresa por uma barreira de carros de polícia. Ela podia ver o rio Ohio abaixo da ponte. Viu também quando o veículo da mais velha atingiu em cheio os policiais que estavam perto das viaturas. Viu os corpos voarem e chocarem-se no para-brisa do carro, o sangue e o rosto morto dos policiais, inclusive da agente Sue Sylvester.

Sua mente voltou a realidade e Quinn sentia as lágrimas escorrerem em sua face, e o velocímetro chegava perto dos duzentos quilômetros.

Os carros ainda as seguiam a todo vapor. Quando o veículo de Frannie virou à esquerda e adentrou a ponte, Quinn pôde ver de longe uma movimentação fechando a passagem, mas Frannie parecia em estado de torpor, dirigindo no automático.

— FRANNIE PARE ESSE CARRO! — Gritou tentando chamar a atenção de Frannie, porém não obteve resposta.

O carro aproximavam-se da barreira feita e Quinn já podia ver com dificuldade os policiais em seus postos.

— Me desculpe. — Sussurrou antes de soltar o cinto e agarrar o volante, girando-o com toda a força para a sua direita.

O carro virou bruscamente e capotou duas vezes sobre a ponte antes de cair rio abaixo.

O impacto foi maior para a mais nova por estar sem a proteção do cinto, fazendo Quinn bater a cabeça com toda a força no teto do carro.

Quinn lembrou uma última vez dos olhos castanhos de Rachel e perdeu a consciência em seguida.

...

A sirene das ambulâncias ecoavam pela ponte junto com as vozes dos policiais e de Sue Sylvester ditando ordens quando Rachel desceu do carro do casal Berry que vinha seguindo tudo à distância. Foi possível ver o momento em que o carro caiu e Rachel não duvidaria se seu coração estivesse fora de seu corpo.

A judia correu até a lateral da ponte e olhou o rio abaixo de si. Não conseguia ver nada além da imensidão das águas verdes.

As lágrimas já escorriam pelo seu rosto quando sentiu a presença de Santana e Brittany que também vinham acompanhando tudo.

— Eu não vou aguentar perdê-la outra vez. — A judia murmurou chorando.

— Meus agentes já estão descendo a ponte e vão encontrá-las senhorita Berry. — A mão de Sue tocou o ombro da morena de forma solidária. — Só nos resta aguardar. Não há para onde fugir. Não mais. — A mais velha completou afastando-se em seguida.

Rachel apenas assentiu enquanto deixava as lágrimas caírem sentindo seu coração martelar dentro de si e olhou uma última vez para o rio antes de ir de encontro aos pais junto com as amigas.

...

Frannie observava o corpo pálido e desacordado de Quinn e tentava a todo custo soltar o cinto de segurança. O ar já estava se esvaindo de seus pulmões quando abriu o porta-luvas e tateou tudo em busca de algo.

Achou um pequeno canivete e cortou o cinto rapidamente, soltando-se em seguida. Segurou no tronco da mais baixa e a puxou saindo do carro pela janela.

Nadou com todas as suas forças, segurando a filha com um braço fortemente, e quando emergiu do rio, deitou Quinn no chão coberto de terra e passou a fazer massagem cardíaca e respiração boca a boca, mas nada fazia efeito.

A cabeça da mais baixa sangrava compulsivamente e já estava quase sem pulso.

Frannie começou a desesperar-se e a chorar copiosamente.

— Quinnie, reage meu amor, por favor. — Suplicava chorando sem parar as massagens e a respiração.

Ouviu vozes aproximando-se e sabia que era a polícia. Quinn não reagia. Seu rosto estava sem vida e os lábios arroxeados. Sua filha precisa de um hospital, e não a deixaria morrer. Segurou a mais nova em seus braços quando viu um caminho que daria a uma floresta.

Não...Ela não fugiria...Quinn não aguentaria e ela nunca deixaria sua garotinha morrer. Não sua Quinnie.

Observou o rosto quase sem vida da sua filha e beijou sua testa uma última vez antes de tomar a decisão que mudaria todos os seus planos.

— Eu amo você, Quinnie. Me perdoe. — Sussurrou com o rosto vermelho, tomando o caminho correto.

...

— Isso está demorando muito. — Santana falou em completa agonia, enquanto batia o pé freneticamente.

— Eu não vou ficar aqui parada. — A judia manifestou-se e já ia caminhar para falar com um dos agentes, quando viu uma grande movimentação no final da ponte, e em seguida observou os paramédicos andarem rapidamente em direção à ambulância. E então Rachel a viu...

Quinn estava pálida, os cabelos loiros manchados de sangue e o lençol que cobria a maca banhado em vermelho.

A maca foi colocada cuidadosamente dentro da ambulância e a judia não pensou duas vezes antes de correr em sua direção.

— Ela é minha namorada, e eu vou entrar aí dentro nem que eu tenha que arrancar esse seu braço fora! — Rachel falou num tom que seus pais jamais ouviram, quando um dos paramédicos barraram sua entrada no veículo.

— Deixe-a entrar, ela tem o direito. — Sue ordenou logo atrás e o homem liberou o braço que segurava a baixinha.

— Vamos seguir a ambulância para o hospital. — Santana apareceu falando e Rachel apenas assentiu, entrando e sentando-se no banco lateral do veículo.

As portas foram fechadas e o veículo seguiu para o hospital.

Quinn já tinha uma faixa em torno da sua cabeça tentando parar o sangramento e Rachel deixou as lágrimas escorrerem novamente.

Os lábios estavam roxos e um tubo agora encontrava-se em sua boca junto ao balão de oxigênio enquanto era feita uma massagem cardíaca sem parar em seu peito.

A judia pegou a mão alva e segurou firme entre as suas. Extremamente gelada. A pele abatida. As unhas pequenas. Rachel encostou a mão da loira em seus lábios enquanto chorava.

— Os batimentos estão caindo. — Uma voz falou.

— Precisamos chegar logo ao hospital! VÁ MAIS RAPIDO. — Outra voz gritou.

Rachel apertava com mais força a mão de Quinn e rezava para não perdê-la outra vez. Estava tão perto de tudo acabar. O choro era constante.

— Não me deixe. Eu não aguentaria, Quinn. — A morena suplicava baixinho.

A ambulância parou após alguns minutos e vários enfermeiros já aguardavam na entrada do hospital. Quinn foi levada para dentro e quando Rachel tentou seguir, foi impedida por um deles que avisou que a levariam para cirurgia e logo perdeu a loira de vista quando a levaram para outro corredor.

Rachel sentou-se na cadeira desconfortável da sala de espera e apertou o crucifixo na mão, quando ouviu a voz da latina ecoar pela recepção.

— Para onde levaram aquela loira idiota? — Santana perguntou nervosa com Brittany a segurando pelo braço.

A judia levantou a cabeça e viu as duas garotas acompanhadas pelas mães e pelo casal Berry.

— San, fique calma. — Brittany repreendeu a namorada.

— Ela está em cirurgia. — A voz da morena saiu quebrada. — Ela estava quase sem batimentos...— Os olhos fecharam-se com força e Rachel fungou. — Tinha tanto sangue. — O choro voltou forte e sôfrego.

Braços longos a envolveram e Rachel apoiou a cabeça contra o ombro de Brittany.

— A Q é forte. Ela sempre foi. Agora ela está aqui, sã e salva e não vai nos deixar justo no final. — A loirinha falava enquanto afagava os cabelos escuros da judia.

— Frannie...Ela...O que houve com ela? — Rachel perguntou em meio ao choro.

— Foi levada pela agente Sylvester para a delegacia para depoimento e será transferida para o presídio até o julgamento. — Hiram respondeu sentado ao lado do marido. — Ela estava chorando e perguntando sobre Quinn o tempo todo. — Completou passando as mãos pelo rosto.

— Aquela vadia merece morrer naquele lugar. Eu mesmo a mataria se fosse possível. — A latina falou enquanto andava de um lado para o outro e gesticulava.

— San, pare de falar bobagem e sente-se. Não nos deixe nervosos andando assim. — Brittany ralhou.

A latina logo sentou-se ao lado da namorada e passou a encarar o relógio na parede.

...

— Doutor, estamos perdendo a paciente. — Uma voz masculina alertou.

— Batimentos caindo. — Uma voz feminina ecoou pelo local.

— Deêm-me o dreno. Vamos drenar essa hemorragia. — Outra voz.

—Certo, doutor. —A voz feminina falou novamente.

Quinn ouvia tudo, mas não sentia-se em seu corpo. Não compreendia o que estava havendo...

Estava morta?

Sua visão escura começou a ganhar forma e ela ouviu as vozes esvaindo-se de sua cabeça. De repente viu-se viu no quintal de uma casa, vestindo apenas um short vermelho e um biquíni branco. Mas ela não estava naquele corpo mais velho e maduro. Estava com uma roupa de hospital e sentia uma faixa em sua cabeça, observando tudo de perto, mas nenhuma das mulheres mais velhas a viam. Era como ver-se em terceira pessoa.

— Você está divinamente maravilhosa assim. — A voz melodiosa ecoou por seus ouvidos e a loira virou-se dando de cara com Rachel trajando uma saia longa floral que ia até os calcanhares e a parte de cima de um biquíni preto. Os seios estavam fartos e os cabelos castanhos mais longos caíam como cascata por seus ombros com um par de óculos escuros pendidos acima da cabeça da judia.

Quinn estava encantada e mais apaixonada do que antes pela morena à sua frente. Olhou para o lado e observou a Quinn madura, e viu que seu rosto estava em igual estado catatônico de amor.

Os olhos verdes pararam na barriga enorme e lindamente redonda de Rachel. Quinn sentiu os olhos marejarem,mas seus pensamentos foram interrompidos pelos braços morenos que rodearam o pescoço da Quinn madura. Ela sentia... Quinn sentia o toque, mesmo que Rachel esteja abraçando a loira mais madura ao seu lado. E o calor do toque de Rachel ainda era o mesmo. Sorriu com ainda mais amor se era possível.

— Barbra não para de chutar. Acho que será uma dançarina como a tia Britt. — Comentou a judia risonha.

A Quinn madura soltou um riso amoroso e pousou a mão sobre a barriga enorme de Rachel e acariciou o local, sentindo um forte chute em seguida. Chute que Quinn sentiu em sua mão direita, mesmo que não estivesse com ela no ventre de Rachel.

Seu coração palpitou dentro de si e o amor inundou-a mais uma vez.

— Barbra...— A loira que observava balbuciou com um sorriso bobo.

Rachel olhava para a esposa á sua frente com um sorriso iluminado. O sorriso de Quinn.

— Ela chuta muito quando sente você por perto. Acho incrível como ela sabe diferenciar os carinhos da mamãe Quinnie com os da mama Rach. Charlie era igual. — A morena segurou o rosto alvo entre as mãos e esticou-se ficando na ponta dos pés para dar um selinho demorado na esposa.

Quinn sentiu e pousou a mão nos lábios. Seu coração ainda acelerava com os lábios carnudos nos seus.

Uma voz interrompeu seus pensamentos...

— Senhoras Fabray. O pequeno Charlie aqui não para de chamar pelas mamães. — Uma asiática de no máximo trinta anos adentrou o quintal segurando um garotinho de pele branca e cabelos loiros que estendia os bracinhos gorduchos na direção de Rachel e Quinn.

— Mama....Mamãe...— O pequeno Charlie falava com sua voz fina de bebê.

— Um ano e meio e já é esperto assim. — A asiática comentou antes de entregar o bebê para a Quinn mais velha, que o pegou com maestria em seus braços.

— O que o príncipe da mama quer? — A judia perguntou enquanto dava beijos nas bochechas fartas do filho.

— Ele definitivamente é muito parecido comigo. — A Quinn mais velha comentou sorrindo orgulhosa.

— Isso porque seus genes são fortes e seus óvulos comandaram tudo mesmo saindo da minha barriga. — A morena respondeu sorrindo. — Fico tão aliviada por termos escolhido o mesmo doador anônimo para as duas fertilizações. Assim eles serão sempre apenas nossos. Filhos de duas mulheres. Sem precisarem de figura paterna. — Rachel selou os lábios nos de Quinn e Charlie riu gostosamente.

Quinn sentia transbordar-se enquanto observava aquela cena. Sentia o calor de Charlie em seus braços. E sua risada...Deus! Era linda e Quinn podia ouvi-la pelo resto de sua vida.

— Não entendo a mania que ele tem de rir sempre que nos beijamos. — Rachel deu uma risada e bicou os lábios da esposa, ouvindo Charlie rir novamente.

— Ele deve achar isso divertido. — A loira deu de ombros e viu o garotinho estender os bracinhos e apontar em direção à piscina.

— Quer entrar na piscina meu amor? — A judia perguntou, vendo o filho assentir freneticamente. — Mamãe Quinnie vai entrar com você enquanto eu leio um livro ali naquela espreguiçadeira. — A morena completou sorrindo marota.

— Eu vou? — A loira perguntou arqueando uma sobrancelha.

— Vai. — Rachel confirmou beijando o pescoço alvo delicadamente. — Quero o senhor Charlie Berry Fabray brincando bastante para dormir a noite toda e aproveitarmos antes de Barbra nascer e começar a rotina de fraldas sujas e choros durante a noite. — Rachel mordeu o lóbulo da orelha da esposa e caminhou para sentar-se na espreguiçadeira sob o guarda-sol.

Quinn sentiu seu corpo arrepiar-se por completo. Ambas as loiras acompanharam o caminhar da esposa hipnotizadas e com os olhos vidrados nas nádegas perfeitamente redondas e grandes da morena e foi tirada de seus pensamentos nada puros por Charlie se contorcendo e apontando novamente para a piscina.

— Tudo bem, pequeno príncipe, vamos brincar até ficarmos exaustos. — Dito isso, a Quinn mais velha beijou as bochechas do pequeno e caminhou até a piscina, entrando cuidadosamente com o filho nos braços sob o olhar amoroso da judia que segurava uma máquina fotográfica e fazia leves carinhos na barriga redonda.

Quinn observava tudo com um amor imensurável, quando sentiu uma dor lasciva na cabeça e viu tudo desfocar-se, voltando para a escuridão.

...

— Hora do óbito: duas horas e vinte e oito da tarde. — A voz rouca do médico soou pelo quarto junto com o som contínuo do monitor cardíaco de Quinn.

Os enfermeiros iam se encaminhando para retirarem os fios que estavam ligados ao corpo alvo, quando a máquina começou a emitir novamente os batimentos da loira.

— Rach...Rachel...Char...lie...Bar...Barbra... — A loira balbuciava coisas incoerentes à medida que os batimentos iam subindo.

— A paciente está instável, doutor. — A voz feminina de antes falou.

...

— SEIS HORAS ESPERANDO E NENHUMA NOTÍCIA! — Santana esbravejou enquanto levantava-se.

— San, fique calma. — Brittany repreendeu pelo que seria a décima vez.

— Não dá, Britt. Quinn pode não sair dessa. — A latina tinha os olhos marejados.

— Pare de pensar nisso e falar isso na frente da Rach! — A loirinha ralhou enquanto mantinha o braço sobre os ombros da judia, fazendo Santana encolher-se.

— Filha, não quer ir para casa descansar? — Leroy perguntou acariciando a mão da morena.

— Papai. Eu esperei seis horas, e esperaria seis dias, seis semanas, seis meses e seis anos para ter a Quinn bem e viva aqui comigo. — Rachel respondeu enxugando as lágrimas que já caíam.

Um pigarro foi ouvido e Santana virou-se bruscamente junto com todos os presentes para olharem o médico de cabelos encaracolados.

— Com licença, vocês estão acompanhando Quinn Fabray? — Perguntou olhando algo em sua prancheta.

— Sim! Eu sou a namorada dela. Rachel Berry. Como a Quinn está, doutor? — A judia já estava em pé em frente ao médico.

— É um prazer conhecê-la, Rachel. Me chamo William Schuester. — Disse cumprimentando a judia. — A Quinn teve várias paradas cardíacas e uma hemorragia intracraniana devido à uma forte pancada. Seus pulmões estavam cheios de água causando um edema pulmonar grave. Quinn chegou a realmente falecer. Anotamos até a hora do óbito. — O doutor explicava tudo calmamente, enquanto a judia já tinha lágrimas escorrendo pela face e era abraçada por Hiram.

— Por um milagre que eu nunca havia visto em todos os anos em que trabalho aqui, o coração da paciente voltou a bombear sangue para o corpo e em termos leigos, Quinn ressuscitou. Ela foi encaminhada à UTI, onde passará as próximas quarenta e oito horas e se tudo ocorrer bem, ela será transferida para um quarto para a recuperação total. — O médico mal terminou de falar e Rachel agarrou-se ao pai, abraçando-o enquanto chorava de alívio. — Mais uma coisa, senhorita Berry. — O médico chamou a atenção da morena. — Enquanto Quinn voltava à vida, ela passou por devaneios e balbuciou seu nome junto à dois outros nomes — O médico completou, olhando novamente na prancheta que segurava em mãos..

— Quais nomes, doutor? — A judia contorceu o rosto em confusão.

— Charlie e Barbra. — O homem de jaleco respondeu após retirar os olhos da prancheta.

— Charlie e Barbra? — Rachel franziu o cenho confusa.

— Sim, senhorita. — O médico respondeu com a voz calma.

— Quando poderemos vê-la? — Santana perguntou abraçada com Brittany.

— Na UTI apenas duas pessoas podem entrar por vez. — O doutor respondeu atencioso. — Se me derem licença, preciso ir agora. A enfermeira irá explicar o caminho. — Todos assentiram e a judia abraçou o médico fortemente.

— Obrigada, doutor. — A baixinha afastou-se e apertou a mão do médico entre as suas.

— Não há o que agradecer. Tenham um bom dia. — Sorriu mais uma vez e caminhou entrando em uma sala.

— Acho que a Rach deve entrar sozinha. — Brittany manifestou-se enquanto abraçava Santana.

— Concordo. Vá ver a loira idiota e depois eu e Britt iremos. — Santana abraçou a judia seguida de Brittany e Rachel assentiu enxugando as últimas lágrimas.

A enfermeira logo conduziu a morena até a UTI. As camas eram separadas por cortinas verdes e logo a mulher parou em frente à última cama da lateral esquerda do quarto, avisando que Rachel teria quinze minutos para a visita e saiu do local.

A judia não perdeu tempo e puxou um pouco a cortina, adentrando e fechando-a atrás de si.

As lágrimas caíram novamente quando observou Quinn abatida, os lábios levemente roxos e ligada à vários aparelhos. Os cabelos loiros e rebeldes estavam um pouco raspados na lateral devido à cirurgia e uma bandagem retangular um pouco grande ocupava o local raspado.

O braço esquerdo estava enfaixado e possuía um corte no supercílio. Um tubo estava introduzido na boca da loira e a mesma dormia com o semblante sereno.

Rachel sentou-se próxima de Quinn e beijou-lhe a testa demoradamente, sentindo a pele fria da amada contra seus lábios. Segurou a mão pálida entre as suas.

— Deus, Quinn. Eu quase morri sem você. — Murmurou beijando freneticamente as costas da mão da loira. — Eu não sei o que faria sem você. Eu sinto a cada minuto que você é o amor da minha vida, e que eu faria qualquer coisa por você. Por nós. — A judia falava entre o choro que já era forte e sôfrego. — Eu amo tanto você.

As lágrimas caíam livremente e a morena apenas passou o restante dos minutos observando a face da sua garota, simplesmente sentindo o amor preenchê-la enquanto afagava a mão pálida.

Os quinze minutos passaram voando e a enfermeira logo voltou avisando que o tempo tinha acabado. Rachel enxugou as lágrimas e beijou a testa de Quinn novamente.

— Obrigada por voltar para mim, meu amor. Eu te amo. — Sussurrou e saiu da UTI.

...

Rachel observava atentamente os enfermeiros colocarem Quinn deitada cuidadosamente sobre a cama do quarto do hospital. Dois dias haviam passado e Quinn não apresentou nenhuma alteração grave, todavia os sedativos continuaram sendo aplicados para o caso de algum coágulo aparecer devido à drenagem no cérebro.

Os enfermeiros retiraram o tubo de respiração da boca da loira, e os sedativos já não eram aplicados desde a manhã. Quinn só precisaria abrir os olhos e Rachel estava ansiosa para ver os olhos verdes que amava novamente.

Logo Brittany e Santana entraram no quarto acompanhadas pelo doutor Schuester e a loirinha segurava em suas mãos alguns balões coloridos, amarrando-os aos pés da cama.

— Agora está mais colorido. — Brittany bateu palminhas animada, fazendo a judia soltar uma risada.

— Vejo que Quinn ainda não acordou. — O doutor analisava a face de Quinn.

A pele alva ainda possuía os machucados, mas a cor já havia voltado ao normal, e os lábios não estavam mais roxos.

— Isso é algum problema? — Santana logo perguntou.

— Não. Os sedativos eram muito fortes, logo mais ela acordará, só peço que me chamem assim que acontecer. — Todas assentiram. — Certo, preciso ir averiguar alguns pacientes. Não esqueçam de me chamar quando essa mocinha acordar. — O doutor logo saiu, fechando a porta em seguida.

— O julgamento de Frannie foi marcado para daqui uma semana. — A latina sentou-se ao lado de Brittany. — E os corpos que encontraram no dia da explosão eram de Cassandra July e Sam Evans. — Completou suspirando. — Ela confessou tudo e a cada frase dizia o quanto amava Quinn.

— Tomara que ela seja condenada e pague pelo que fez. — Rachel tinha o tom de voz firme.

Santana ia responder, mas um resmungo chamou a atenção das garotas.

Logo ambas correram para o lado da cama da loira e Rachel pôde ver novamente os olhos verdes puros e lindos de Quinn. Era como se o mundo estivesse entrando nos eixos.

— Quinn...— Rachel tocou levemente o rosto da loira.

— Ra...Rachel. — A voz saiu extremamente rouca. — Águ...a...— Quinn murmurou baixinho.

Antes que Rachel pudesse levantar, Brittany voltou com um copo em mãos acompanhado por um canudo e entregou-o nas mãos de Rachel.

A judia levou o canudo até a boca de Quinn e a mesma sugou com vontade o líquido do copo, umedecendo os lábios com a língua em seguida.

— Vamos chamar o doutor Schuester. — A latina beijou a testa de Quinn demoradamente e Brittany repetiu o ato, saindo atrás da namorada.

— Eu senti tanto a sua falta. — A judia já lutava contra o choro.

— Não...Chore. — Quinn murmurou, levando o braço demoradamente até o rosto da judia. Sentia o corpo lento e pesado.

O doutor Schuester logo apareceu e examinou a loira, garantindo que Quinn estavam cem por cento fora de perigo no cérebro, sem nenhuma sequela e anunciar que a loira teria que ficar duas semanas no hospital para recuperar-se totalmente, se retirou do quarto deixando Quinn e as meninas sozinhas.

Santana e Brittany conversaram com a amiga por algum tempo e Quinn explicou lentamente como fugiu da explosão e as amigas prometeram voltar no dia seguinte. Quando a enfermeira avisou que apenas uma pessoa poderia passar a noite, se despediram com beijos frenéticos no rosto de Quinn, o que causou o riso na loira e na judia, que observava tudo.

Após a enfermeira dar banho em Quinn e trocar todos os curativos, a morena tomou banho e vestiu seu pijama rosa, aconchegando-se delicadamente no peito da loira, sentindo sua cintura ser envolvida pelo braço bom.

O calor...Deus! Como sentiram falta daquele calor que emanava de seus corpos juntos.

Quinn cheirou o cabelo sedoso de Rachel e sorriu bobamente.

— Pai e papai avisaram que amanhã virão te ver. — Avisou com o rosto enterrado no pescoço de Quinn, aspirando o cheiro próprio da pele branca.

— Estou com saudade deles. — A maior respondeu de olhos fechados.

— Quem é Charlie e Barbra? — A judia perguntou afastando o rosto do pescoço pálido e olhando nos olhos verdes, vendo a confusão neles. — O doutor Schuester disse que você balbuciou esses nomes junto com o meu na mesa de cirurgia. — Explicou enquanto passava os dedos no queixo delicado de Quinn.

— Eu tive uma nova visão, mas essa era diferente...Era como se eu estivesse lá...Meu corpo observava tudo...Como um espírito. E...tinha um garotinho que era uma cópia fiel de mim, e você estava grávida. — A loira explicou calmamente.

— Então são nossos filhos? — Perguntou animada, vendo Quinn assentir. — Como nós éramos? Eu ainda tinha cabelo comprido? — A judia perguntou eufórica, arrancando uma risada contida de Quinn devido à dor na cabeça.

— Seu cabelo era enorme e lindo, assim como é atualmente. — Respondeu afagando o rosto moreno. — Éramos felizes. Muito felizes. — Completou sorrindo.

— Eu te amo, e vamos ter quantos filhos você quiser. — A baixinha falou efusivamente.

— Eu te amo muito mais. — Quinn deu um selinho casto nos lábios fartos de Rachel.

A judia logo aconchegou-se novamente sobre o peito de Quinn.

— Quer namorar comigo? — A loira perguntou de repente. — Eu reparei que não tinha feito um pedido formal. — Completou de olhos fechados, sentindo o sono chegar.

— Eu adoraria ser sua namorada. — Rachel respondeu com um sorriso que mal cabia no rosto. — Eu te amo. — Murmurou fechando os olhos.

— Eu te amo mais. — A loira respondeu com a voz rouca.

— Quinn... —Rachel sussurrou.

— Hum...— Murmurou sonolenta.

— Obrigada por voltar para mim. — Murmurou adormecendo.

Quinn abriu os olhos com dificuldade e analisou a baixinha dormindo serena em seu peito. Sorriu com todo o amor do mundo, beijando o topo da cabeça da namorada em seguida.

— Eu sempre voltarei, Rach. Sempre voltarei.

Notas finais
Desculpem o capítulo grande, senhoras...Eu não iria ser sacana em dividir. Não sou má. Vamos ao fato. * A ponte Silver Bridge era uma ponte que ficava sobre o rio Ohio, mas foi demolida em 1928. Ela não existe atualmente, mas para o acidente ocorrer, eu a ressuscitei. Pesquisei muito esses procedimentos cirúrgicos e acho que agradou na medida do possível. Amanhã ou quarta terá o epílogo e vocês verão o desfecho da sociopata mais elegante, Frannie Fabray. =D E sexta tem a nova fic estreando, e espero que estejam aqui para comentar nela e me dizerem se devo continuar. Comentem e exponham o que acharam desse final choroso. O texto emotivo ficará no epílogo. Beijão. =D Twitter: @agronnatic