Notas iniciais
Eu quero agradecer à quem comentou e quem favoritou. É gratificante e espero que continuem assim. Último Flashback...Eu ia dividir em dois, mas mesmo sendo grande, explica em definitivo. Leiam as notas finais.=D

Quinn acordou em um sobressalto. Olhou o relógio prateado na sua mesinha de cabeceira e não passava das três da madrugada. Seu rosto estava pálido e ela não parava de pensar no sonho que teve. Era assustador e lhe causava arrepios enormes.

Desceu as escadas e pela penumbra que exalava na sala através das cortinas, se dirigiu à cozinha a fim de beber um pouco de água e se acalmar um pouco. As memórias ainda estavam vivas na sua cabeça. Três corpos caídos no chão. Provavelmente mortos. Rostos desfocados, mas ela reconheceria os cabelos loiros daquelas pessoas mesmo não podendo ver seus olhos. Eram seus pais, e sua irmã, Frannie.

...

Acordou no outro dia sentindo seu corpo pesar quase uma tonelada. Após beber sua água na madrugada, voltou para o quarto e o sono só veio lhe acometer às cinco da manhã. Teria que acordar às sete para ir buscar Frannie no aeroporto.

Frannie... Saber que ela iria estar o fim de semana todo em casa lhe assustava. Sabia que algo aconteceria. Sabia também que deveria contar para alguém, mas quem? Seus pais não lhe dariam ouvidos, estavam ansiosos ao extremo pela visita da filha mais velha e Quinn não queria causar nenhuma preocupação, além do mais, jurou para si mesma que esqueceria que possuía tais visões.

Tomou um banho e se trocou colocando um vestido azul marinho que ia até os joelhos, meia-calça preta, botas de cano baixo da mesma cor, e seu cardigã creme. Deixou os cabelos curtos, dourados e sedosos um pouco bagunçados e saiu do quarto.

Seus pais estavam na sala e assim que os viu, tentou dar seu melhor sorriso mínimo e saíram para fora de casa. O dia não estava ensolarado, mas a neve tinha cessado e apenas uma brisa fria pairava no ar.

— Mal posso esperar para ver a Frann! Está ansiosa Quinnie? — Judy perguntou com um sorriso no rosto. Seus olhos azuis brilhavam em expectativa de rever a filha mais velha.

Quinn que até então estava distraída olhando pela janela, olhou para a mãe, e seu coração doeu em vê-la tão feliz e não ser capaz de sentir o mesmo. O medo e a preocupação estavam enormes, e ela tentava disfarçar o melhor que conseguia.

— E-eu...Sim mãe, claro que estou, morrendo de saudades da Frann. — Respondeu sorrindo sem vontade.

Parte do que disse não era mentira. Quinn e Frannie eram cúmplices em tudo. A loira mais velha lhe contava tudo, e mesmo Quinn sendo fechada e calada na maior parte do tempo, a loira de olhos azuis como os de Judy sempre tinha assunto e falava sobre qualquer coisa e lhe dava toda a atenção possível.

Quando Frannie foi para YALE, as duas se falavam diariamente pelo telefone, e todos os finais de semana se viam pelo skype. Na última ligação, ela disse que estava namorando, e estava ansiosa para apresentar o rapaz para a irmã caçula e para os pais.

Dizia que ele era um bom rapaz e que finalmente tinha achado alguém que fosse compatível com ela. Russel não gostou nada de saber que Frannie estava namorando. Quinn não entendeu, sua irmã já era adulta, e ela e Russel eram sempre um pouco distantes, na opinião da mais nova. Mas achava que era apenas coisa de sua cabeça.

...

Chegaram ao aeroporto e em menos de quinze minutos já se encontravam na frente do saguão de desembarque, com outras pessoas que também deveriam estar ansiosos com a chegada de seus parentes. Russel passava a mão nos cabelos sem parar. Os olhos verdes iguais aos de Quinn demonstravam impaciência.

— Russel, pare de bagunçar os cabelos, está me deixando mais nervosa ainda. — Reclamou Judy segurando as mãos do marido, que já iam de encontro aos cabelos mais uma vez.

— Estou ansioso Judy! Não vejo Frannie desde o natal do ano passado, e já fazem cinco meses. — Retrucou Russel suspirando e preocupado.

— Como a Frann conseguiu sair de YALE em um final de semana no meio do ano? — Perguntou Quinn tentando demonstrar calma.

— Ela adiantou os trabalhos da universidade e conseguiu esse fim de semana livre. Quer muito nos apresentar o namorado — Respondeu Judy animada.

Russel bufou com a menção do namorado de Frannie, e Quinn voltou sua atenção para o portão. O mesmo se abriu cinco minutos depois e uma Frannie sorridente logo correu em direção a Quinn, abraçando-a com toda força que pôde e a girou no ar como uma criança.

A loira mais nova apenas revirou os olhos e sorriu abraçando-a com a mesma intensidade, abandonando em parte a preocupação, mas seus pensamentos ainda em alerta.

Quando foi a vez de Russel, a irmã de Quinn apenas apertou a mão do loiro mais velho, o que causou mais estranheza na loira de cabelos curtos.

Abraçou a mãe casualmente e a caçula arqueou a sobrancelha esquerda, mas nada disse.

Judy e Quinn só vieram reparar no rapaz atrás de Frannie quando foi ouvido um pigarro. A caçula olhou pelos ombros de Frannie e viu um homem moreno com olhos extremamente azuis vestindo uma calça jeans escura um pouco justa para um cara -na opinião da loira- e uma camisa gola ''V'' da mesma cor embaixo de uma jaqueta de couro. O cabelo era bem cortado e ele olhava para Quinn de uma forma que a loira não soube identificar como simpatia ou antipatia.

— Como foi de viagem, filha? — Judy perguntou sorrindo.

— Bem, porém cansativa, mãe. — Respondeu Frannie desviando os olhos da mãe para Quinn. — Meu Deus! Você cresceu! — Disparou Frannie apertando as bochechas da irmã.

— Céus, Frann! Não faz nem um ano que não nos vemos, continuo da mesma altura. — Retrucou a loira mais nova revirando os olhos. — Ele é o seu namorado, certo? — Apontou com o queixo na direção do rapaz.

— Sim, Quinnie! — Respondeu Frannie animada chamando o rapaz com a mão até o mesmo estar parado ao seu lado. — Esse é Brody Weston. Brody, esses são os meus pais, Judy e Russel, e minha irmã Quinn. — Completou Frannie sorrindo.

— Muito prazer Brody, e nossa, você é lindo! — Judy exclamou apertando a mão do genro, arrancando uma risada de Frannie e um revirar de olhos de Quinn.

— O prazer é meu senhora Fabray, e tomara que Frannie fique tão linda quanto a senhora no futuro. — Respondeu o rapaz moreno apertando a mão da loira mais velha. — É um prazer conhecê-lo senhor Fabray. — Brody se dirigiu a Russel estendendo a mão, esse por sua vez apenas acenou com a cabeça com uma expressão séria se virando para sair do aeroporto.

Quinn arqueou a sobrancelha novamente e acompanhou o pai com os olhos sem saber o porquê do comportamento do mesmo. Foi tirada de seus pensamentos pela voz de Brody.

— Muito prazer Quinn. — O rapaz estendeu a mão, e a loira mais nova a apertou com um pouco de relutância.

— O prazer é todo meu, Brody. — Respondeu a loira dando um sorriso extremamente forçado, que Frannie percebeu e a fez revirar os olhos.

— Acho melhor irmos, estou cansada e Brody também deve estar. — Interrompeu Frannie enquanto o rapaz pegava as duas malas pequenas do carrinho.

No caminho, enquanto todos conversavam -exceto Russel e Quinn- a loira mais nova teve uma dor de cabeça e as imagens de seu sonho se repetiram como um filme na sua mente. Ela pôs a mão sobre a têmpora tentando amenizar as pontadas que atravessavam sua cabeça.

— Quinnie, você está bem? — Perguntou Frannie enquanto passava a mão no braço da irmã.

— Estou, foi apenas um mal estar. — Respondeu Quinn. — Pai, pode me deixar na casa da Sant? — Perguntou a loira logo em seguida.

— Você não quer ficar conosco, filha? — Perguntou sua mãe preocupada.

— Quero mãe, não é isso. Apenas esqueci de pegar um livro que emprestei para Santana e preciso muito dele, voltarei o mais rápido possível. — Tentou tranquilizar a mãe que fazia um drama desnecessário.

Russel assentiu, e depois de alguns minutos o carro parou em frente a casa com grandes janelas vermelhas. Quinn desceu do carro depois de dizer que voltaria a pé.

O carro tão logo partiu, a loira suspirou e foi até a porta. Queria ignorar aquela sensação de preocupação demasiada. Brody estava lá e tudo ficaria bem.

Bateu na porta e Santana logo abriu a mesma, vestindo um curto short com uma blusa de mangas compridas e meias até o tornozelo. O cabelo estava bagunçado e a mesma estava com uma cara de sono. Quinn deu uma risadinha.

— O que você quer a essa hora da madrugada, Fabray? — Perguntou a latina mal-humorada.

— Já são oito e meia da manhã, Santana. — Respondeu a loira revirando os olhos. — Não quero nada, apenas não desejo ficar em casa hoje.

— Mas sua irmã e o namorado dela não iam chegar hoje de New Haven? — Questionou a morena confusa.

— Sim, e não gostei dele, mas deve ser antipatia de irmã caçula, já li sobre isso. — Respondeu tentando parecer casual.

— Você sempre lê sobre tudo, vem! — Chamou a latina puxando a amiga para dentro de casa.

As duas passaram a manhã falando sobre coisas aleatórias, e a latina sempre que podia implicava com a loira ou falava em Brittany, o que era normal.

Almoçou por lá e á tarde decidiu ir para casa, se não aparecesse lá no único final de semana que tinha para ver a irmã pessoalmente, a mesma ficaria triste com a caçula.

Se despediu de Santana e de Maribel, e foi andando até a casa branca de janelas amarelas. Á medida que ia se aproximando, sua cabeça doía mais e mais.

Já não estava aguentando quando parou em frente a casa e viu a porta da mesma aberta.

Sentiu seu corpo todo tremer e entrou correndo pela porta se deparando com a cena que mudaria sua vida... Seus pais e Frannie estavam caídos no chão, mais pálidos que o normal, de bruços. Ela se aproximou tremendo e tocou a pele deles... Todos gelados.

Quinn começou a chorar e sua cabeça começou a girar. Não sabia o que tinha acontecido, e por que diabos o Brody não estava ali? Onde ele estava?

Não conseguia se mexer, seus olhos vagaram pela sala e o bule com as xícaras preferidas de sua mãe estavam caídos no chão, o líquido marrom estava espalhado pelo tapete que sua mãe tanto amava.

Não se deu conta quando policiais entraram na casa e tentaram segurá-la. Também não percebeu que estava chorando e se debatendo contra os braços do policial que parecia ter dois metros de altura.

— Meus...meus...Frann... — Ela soluçava e as lágrimas em nada se comparavam á dor que se acometeu em seu peito.

Ela ouvia as sirenes dos carros e da ambulância do lado de fora da sua casa. O outro policial segurou Quinn pelo outro braço e os dois a levaram até a viatura.

Quinn não conseguia saber para onde estava indo, só sabia que estava na delegacia quando viu muitos outros policiais andando de um lado para o outro.

Foi obrigada a se sentar e esperou. Os minutos pareciam horas, e sua cabeça girava e doía como nunca. Bebeu um pouco de água que lhe foi oferecida por um policial loiro com uma boca grande, mais simpático que o moreno alto.

— O que...o que houve exatamente? — Perguntou a loira limpando as lágrimas.

— Não sabemos exatamente, só recebemos uma ligação de um rapaz indicando o endereço e dizendo que devíamos ir até lá o mais rápido possível. — Respondeu o loiro. — Não posso te falar mais nada, aguarde aqui, iremos te chamar em breve. — Completou o homem saindo logo em seguida.

Brody! Só podia ser Brody. Mas se ele ligou para a polícia, por que então ele não estava em lugar nenhum? Será que ele foi embora? Milhares de perguntas rondavam sua mente e ela passou horas sentada naquele corredor ouvindo vozes de diversos policiais e telefones tocando.

...

Já passavam das seis da noite quando uma mulher alta, com longos cabelos loiros apareceu vestindo um terno feminino com um distintivo preso no cinto. Olhou Quinn de cima a baixo e lhe direcionou um olhar frio.

— Senhorita Fabray, venha comigo. — Falou em um tom gélido.

As duas entraram em uma sala com pouca iluminação, e a mulher indicou onde Quinn deveria se sentar, assim que se acomodou, a loira mais velha sentou de frente à ela. Os mesmos policiais que estavam em sua casa apareceram e ficaram cada um em um lado da mesa que as separava.

— Meu nome é Cassandra July. Sou a chefe desse departamento, e tenho perguntas para fazer à senhorita. — Cassandra quebrou o silêncio dirigindo seu olhar para a loira na sua frente.

— Eles..morreram? — Foi a única coisa que Quinn conseguiu perguntar.

— Sim, seus pais, Judy e Russel Fabray e sua irmã, Frannie Fabray morreram evenenados, mas creio que a senhorita já saiba disso. — Cassandra colocou uma pasta na mesa onde continham as fotos dos corpos e os outros detalhes da sala da casa de Quinn. A mesma desviou os olhos para as fotos e logo voltou sua atenção à mulher com o semblante confuso.

— Como assim? Do que a senhora se refere? — Questionou sem entender nada.

— Senhorita Fabray, convenhamos que para uma pessoa que tenta matar a própria família, deixar suas digitais por toda a cena do crime foi burrice. — Respondeu Cassandra de forma irônica.

A cabeça de Quinn não parava de girar e ela não entendia nada do que aquela mulher estava falando. Como assim suas digitais? Ela passou a manhã e parte da tarde na casa de Santana. Como se advinhasse seus pensamentos, a mulher se pronunciou:

— Por que de repente preferiu visitar sua amiga senhorita Fabray? Justo no dia em que sua irmã, depois de meses vem lhe visitar? Deixou tudo pronto e decidiu ir se esconder na casa de alguém por que não aguentaria ver eles morrendo na sua frente? Ainda tem coração? Duvido. — Cuspiu todas as palavras de forma cortante.

— Como...como você sabe que fui à casa de Santana? — Perguntou sem saber como tinha formulado aquela frase. Sua cabeça estava explodindo.

— O namorado de sua irmã, senhor Brody Weston, veio aqui e deu seu depoimento. Falou muitas coisas a seu respeito senhorita Fabray. — Respondeu Cassandra analisando a pasta amarela.

Que coisas? O que Brody poderia saber de Quinn? E por que ela não o vira em nenhum momento na delegacia?

— Onde Brody está? E o que ele disse? Acha que mataria meus próprios pais e minha irmã? Não faço a mínima ideia de como minhas digitais foram parar ali. — Respondeu quase chorando.

— O senhor Weston saiu da delegacia após prestar depoimento. Creio que a senhorita tenha problemas mentais senhorita Fabray. Ninguém consegue ter visões do futuro, não é mesmo? — Indagou Cassandra, fazendo Quinn arregalar os olhos.

— O...o que voc..você disse? — Perguntou já chorando.

— No relato do senhor Weston ele afirma que Frannie Fabray lhe contou que há uns dias a senhorita pareceu ter advinhado que um cervo atravessaria o carro de Maribel Lopez, mãe de sua amiga. — Respondeu Cassandra.

— Ele realmente atravessou. — Quinn falou quase gritando.

— Acha que isso é possível senhorita Fabray? Foi só uma infeliz coincidência. A senhorita claramente sofre algum tipo de problema psicológico. A senhorita fugiu para a casa de sua amiga enquanto seus pais e sua irmã tomavam o chá que a senhorita envenenou. Se o senhor Weston não tivesse ído tomar banho momentos antes, o mesmo agora estaria morto e não teríamos esses relatos sobre a senhorita, teria chegado em casa e depois ligaria para a polícia se fazendo de vítima. — Cassandra jogou as palavras em Quinn de uma vez só.

A loira mais nova não se segurou e partiu pra cima de Cassandra a jogando para fora da cadeira de uma vez só. Os policiais a seguraram, mas segundos antes de tirar Quinn de cima da mulher mais velha, a mesma acertou um soco em seu rosto.

— VOCÊ É LOUCA!! ACHA QUE MATEI MINHA PRÓPRIA FAMÍLIA? EU NUNCA FARIA ISSO. NÃO FIZ NADA DISSO E NUNCA FARIA. EU SÓ QUERO ELES DE VOLTA! — A loira mais nova gritava desesperada sendo segurada pelos dois policiais.

Cassandra se levantou, limpou a trilha de sangue que se formou no canto de sua boca e olhou para Quinn sem um pingo de sentimento.

— Amanhã um psiquiatra irá avaliar a senhorita, e se ele constatar que a sua cabeça não bate bem..Então sua vida será um inferno senhorita Quinn Fabray.

A policial saiu da sala e ordenou para que a levassem até uma cela separada, onde passaria a noite. Mesmo sendo de menor, ninguém ali tinha dó da loira, pensando que a mesma realmente havia matado sua família

Quinn estava deitada na cama dura composta apenas por um fino colchão velho. Chorava deitada em posição fetal, balançando seu corpo como se quisesse se consolar. As lágrimas caíam como cascatas, sem parar e cada vez mais. Sua cabeça estava um caos e seu coração destruído. Para uma garota de catorze anos ela não era ingênua...Sabia que estava sendo acusada de algo que não fez, e que o culpado claramente era Brody. De certo seus pais ligaram para a irmã, contando o que houve e pedindo conselhos, e o rapaz poderia estar na hora da ligação, ou Frannie estava tão apaixonada que confiou nele para contar algo particular. Chorou todas as lágrimas que conseguiu colocar para fora, mas que nada se comparavam ao que sentia no coração.

...

Acordou com uma batida na grade da cela, o policial loiro a levou para a mesma sala que estava com Cassandra no dia anterior. Mas dessa vez quem estava sentado era um rapaz de cabelos ondulados e olhos claros. Vestia um terno preto impecável.

Ela se sentou de frente para ele, quando o mesmo ergueu os olhos que antes estavam em uma pasta com vários documentos e se apresentou como o psiquiatra Jesse St. James.

Jesse fez várias perguntas para Quinn, perguntas essas que a loira não respondeu, apenas encarava o homem à sua frente com olhos opacos e inchados. Ele anotava coisas em alguns papéis e lhe fazia mais perguntas: como ela se sentia; como era sua relação com os pais e a irmã; entre outras coisas. Mas Quinn nem se preocupava em responder, agradecia aos céus por ser esperta o suficiente para saber que o que quer que ela falasse, de nada adiantaria. Aguardaria o que tivesse que vir e tentaria ser forte.

...

Quinn se encontrava sentada sozinha em uma mesa de frente para um homem de aproximadamente cinquenta anos vestindo roupas pretas. Ele usava óculos e tinha pouco cabelo na cabeça. Era o juiz na audiência...

Já faziam quatro meses desde o ocorrido, e nesse tempo, Quinn foi para um reformatório. Sofreu todo tipo de violência, apanhava quase todos os dias e em seu rosto tinha alguns cortes na bochecha e no supercílio direito como prova da última briga há poucos dias atrás.

Ela não se tornou rebelde, de forma alguma, ela até achava que se virasse uma garota violenta ganharia respeito, mas ela ignorava tudo e todos, o que causava a raiva sem motivo nas outras meninas. Agora ela estava ali, sentada, esperando o seu destino.

Sabia que Santana e Brittany, assim como Maribel e a mãe da loirinha, Whitney, estavam sentadas atrás de si, mas não conseguia e não queria olhar para elas, não sabia o que as quatro pensavam dela, e não queria sofrer mais.

Brody estava sentado ao lado de Cassandra e olhava para o juiz. Nenhum advogado quis lhe defender, a cidade ficou em choque quando soube o que houve, e todos ali estavam esperando a pior sentença para a garota loira.

Até a própria Quinn estava esperando o pior. Vestia uma calça azul de algodão e uma blusa branca de mangas curtas com o nome do reformatório de Mansfield que se localizava no centro de Ohio. Nos pés usava um par de tênis brancos e os cabelos estavam bagunçados.

Logo a audiência começou. A mesma estava sendo televisionada e todo o país assistia esse momento caótico. Cassandra estava sentada e lhe direcionava olhares frios. Falou sobre suas digitais misturadas com os dos pais no bule de chá e sobre o soco que levou da loira no dia que conversou com a mesma pela primeira vez.

Jesse foi o segundo e falou sobre seu comportamendo fechado. Alegando que ela sofria de Transtorno de Bipolaridade e consequentemente a Psicose Maníaco-Depressiva causando em uma alucinação que levou a loira à cometer tal ato. Alegou que seria melhor para Quinn residir em uma clínica psiquiátrica, onde receberia tratamento e pudesse um dia se livrar de seus problemas mentais.

A loira ouvia tudo com os punhos cerrados e a cabeça baixa. Atrás de si, Brittany já começava a chorar e Santana tinha o braço em volta do ombro da loira mais alta tentando consolar a mesma.

Era duro tanto para a latina quanto para a loirinha, que a melhor amiga de ambas pudesse ter feito tal coisa, mas Santana sabia que ela era inocente, não acreditou quando soube de tudo, queria muito falar com Quinn, mas a mesma não podia receber visitas, estava reclusa de todos.

Brody falou tudo que sabia, disse que Frannie havia lhe contado sobre aquela manhã de domingo e sobre aquela tarde na estrada de quinta-feira. A loira mais nova não conseguiu mais segurar as lágrimas e seu peito doía cada vez mais. Maribel testemunhou alegando que Quinn sempre foi doce e gentil, que conhecia Judy desde o colégio e estava sofrendo muito pela perda dela, de Russel e de Frannie. Falou que Quinn nunca foi violenta, e ela, Santana e Brittany eram amigas desde que nasceram, e a filha da latina nunca comentou com a mesma sobre a loira ter tido algum comportamento fora do normal.

No final daquela tarde nublada de segunda-feira o juiz determinou que:

''Lucy Quinn Fabray ficará internada na clinica psiquiátrica William McKinley até completar dezoito anos, recebendo tratamento mental, e quando a mesma completar essa idade, outra audiência será feita para determinar se continuará internada ou irá para o Presidio Pines Bed and Breakfast em Ohio.''

O som do martelo do juiz se fez presente na sala, e logo após o mesmo se retirou. Quinn ficou estática, e tudo à sua volta parecia girar em câmera lenta.

Ela se levantou e as pessoas sorriam vitoriosas, como se finalmente uma assassina fosse sofrer pelas consequências. Santana, Brittany, Maribel e Whitney se aproximaram e a loira mais alta pulou em Quinn a abraçando e chorando compulsivamente.

A loira mais baixa nada disse, respirou aliviada por não ser odiada pelas quatro, e apenas retribuiu, apertando Brittany contra seu corpo. Santana foi a próxima...Trocaram um abraço cheio de palavras não ditas.

— Você sabe que eu acredito em você, não sabe? — Sussurrou a latina em seu ouvido.

Quinn apenas assentiu e apertou a morena em seus braços. Abraçou Whitney e por último Maribel, sendo reconfortada pela latina mais velha. Brittany apenas chorava agarrada à Santana

— Iremos te visitar, Q. — A loira mais alta disse em meio as lágrimas.

Quinn assentiu novamente e murmurou um ''obrigada.''

...

Do outro lado da cidade, Hiram Berry assistia a tudo com os olhos arregalados. Sua filha estava ao seu lado e direcionou os olhos para o pai.

— Você acha que ela fez isso, papai? — Questinou a morena curiosa.

— Não, estrelinha, tenho certeza que essa menina não fez nada. — Respondeu o homem de óculos.

— Como você pode saber disso? — Perguntou Leroy, marido de Hiram da cozinha.

— Eu apenas sei, só isso. — Respondeu Hiram olhando atentamente para a televisão.

— Ela não tem cara de assassina, embora assassinos não tenham uma definição de rosto, ela não tinha a expressão de um, digo, ela não demonstrava frieza, mas se ela for uma maníaca, isso pode ser normal, ela pode saber fingir e... — A morena baixinha começava um de seus monólogos intermináveis.

— Filha, essa garota não fez isso, eu sinto só em olhar para ela através de uma televisão. — Interrompeu Hiram.

— Papai, mesmo sendo falta de educação interromper alguém, preciso fazer a mesma pergunta do pai sobre o porquê do senhor saber isso tão veemente. — A morena questionou com os grandes olhos chocolate direcionados ao pai.

— Você teve alguma visão com ela? — Perguntou seu marido.

— Tive, e é por isso que sei que ela não fez isso, conheço essa garota, examinei ela até os doze anos. Irei visitá-la e ajudá-la sempre que eu puder. — Respondeu Hiram determinado.

— Ela tem o mesmo dom que o senhor, não é? — Perguntou a filha.

— Pelo que o tal Brody falou, sim, ela tem. Nunca conheci alguém como eu. Essas pessoas acham mais fácil condenar alguém a um inferno do que ajudá-los a procurar o céu. Eu irei ajudá-la e você, Leroy, irá me ajudar. — Declarou Hiram.

— Como eu vou te ajudar, Hiram? — Perguntou curioso.

— Você é psiquiátra. O melhor deles. Não sei porque não chamaram você para examinar essa garota. Teria visto que ela não sofre de problemas mentais. Mas ao invés disso, chamaram o incompetente do St. James. — Falou Hiram bufando em seguida.

— E como quer que eu o ajude nisso? — Perguntou o moreno mais baixo.

— Você irá avaliar em segredo essa garota. Temos quatro anos para ajudá-la até ela ser condenada à algo pior. — Respondeu Hiram.

Leroy concordou. Sabia que quando o marido estava determinado assim, sempre tinha razão do que dizia. A filha dos dois homens apenas ouvia tudo atentamente, não podia ajudar, era nova, tinha a idade de Quinn. Estava triste pela garota...Rachel era muito frágil, e quando viu o olhar perdido da loira, ficou desolada mesmo sem a conhecer.

...

Quinn saiu pela porta do Tribunal meia hora depois e se deparou com flashes de câmeras em sua direção e vários repórteres a seguindo e fazendo perguntas como: ''O que você tem a dizer sobre isso?'' ''Se arrepende de ter matado seus pais e irmã?'' ... E mais dezenas de perguntas que Quinn ignorou.

Entrou no carro da clínica psiquiátrica, que já a aguardava desde a sentença, e seguiu para onde seria seu novo lar.

Notas finais
Os nomes são em parte fictícios e eu não sei realmente como funciona um caso desse tipo, então pesquisei e fiz o melhor que pude. Exponham suas opiniões e desculpem o tamanho do capítulo. =D