Inferno
1 Round I
Notas iniciais
Em uma sala escura de um bangalô construído sobre um pântano, pisavam os quatro destemidos soldados. Tank Dempsey, Soldado da Marinha dos Estados Unidos, herói americano, selecionado para esta missão depois de mostar que tem peito de verdade na batalha do Peleliu — sua unidade foi capturada pelo inimigo durante os ataques constantes antes da invasão principal e ele passou duas semanas em uma jaula de bambu, infestada de ratos e submergida em águas contamidas — malária, nada mais nada menos. Mas isso não parou o tanque, depois de conseguir escapar da cela, lançou um ataque audacioso contra o inimigo, armado apenas com um clipe de cabelo e sua medalha de honra. Agora não há mais "antes da guerra" para Dempsey, e também não há depois. Tudo o que há é a lenda de Tank Dempsey, e como ele vai ganhar a guerra para o resto de nós.
— Estamos aqui. "Shi No Numa", este é o lugar — ressaltou Dempsey.
— Finalmente! Eu já tava me cansando da conversa fiada do Takeo — respondeu Nikolai.
Nem mesmo Stalin conseguia encarar Nikolai Belinski — ninguém consegue. Bem fundo, dentro de seus olhos é possível ver a alma ardente de um homem possído pelo ódio por todas as coisas que vivem. Logo cedo em sua carreira ele subiu os ranks do exército rapidamente, assassinado o próximo homen na linha e se casando politicamente várias vezes, entretanto, a casa caiu quando sua décima quinta esposa morreu misteriosamente enquanto limpava seu machado com o pescoço. Mal ele sabia que ela andava dormindo com um oficial de alta patente na calada das noites. Isso o tornou mal visto em todo o exército vermelho, e não demorou muito até que o próprio Stalin soubesse do ocorrido, mais importante, o supremo líder tinha medo de Nikolai. Assim que a guerra começou, ele foi largado nas linhas de frente onde se enterrou em auto-piedade e sua sede insaciável por vodka.
— Cale a boca Nikolai, pegue seu equipamento e caregue sua arma — retrucou o tanque.
Foi somente por breve segundos, mas deu para ouvir claramente a voz de alguém — alguém rindo, e neste tom... é quase como se fosse uma bruxa, mas não há mais ninguém neste lugar, ninguém além dos quatro sodados.
— Este lugar... o ar pesado e esta sensação em meu peito... não há dúvida, vamos encontrar demônios pelo caminho — murmurou Takeo.
Para um soldado do Império Japonês, não há sentido na vida além de aperfeiçoar a suprema disciplina e revelar o real caráter e honra. Talvez ele pense nisso e outras questões filosóficas enquanto sua katana corta através da carne de seus inimigos. Takeo Masaki nasceu em meio a riqueza, com sua linhagem familiar datando de centenas de anos de tradição e poder, honrando seu papel como samurais e bushis. Fazendo parte do todo ele não é nehuma exceção. Já a uma jovem idade, ele mostrava futuro enquanto brincava pelas ruas, cortando fora as caudas de gatinhos aterrorizados com sua espada por aí, não havia uma sombra de dúvida sequer de que Takeo estava destinado a honrar o nome Masaki com fieldade e dignidade. Sempre reservado e pensativo, ele viu a guerra como uma perfeita oportunidade para alimentar seu vício sádico e estudar a natureza daqueles que possuem menos honra do que ele mesmo, e para os que morrem por suas mãos, o nobre guerreiro sempre pode descansar em paz sabendo que sua caça ajudou um homem superior a chegar mais perto da iluminação do conhecimento.
— Eles estão vindo. Rápido! Cubram as janelas, não deixem que nenhum entre! — apontou o Doutor.
Richtofen, conhecido afetivamente como "Maldito Açougueiro" por suas vítimas gritando em agonia momentos antes de terem suas vidas arrancadas de si, é um dos torturadores encarredos de extrair informações para pesquisa atrás das linhas de frente sob o comando da SS Gestapo. Richtofen é um sociopata incurável, incapaz de enxergar a linha moral que define uma morte natural de um assassinato — para ele, a vítima é apenas mais uma vítima, independentemente de como sua destruição final se manifesta.
"Cuidado com o Doutor", é uma mensagem que mais do que frequentemente se encontra fixada em vários locais de alta movimentação através das cidades controladas pelo Eixo. A fome pode ser desencorajante, desinteria é devastadora e o fogo inimigo pode até estraçalhar sua carne e seus ossos, mas "Cuidado com o Doutor" e a perigosa curiosida do que se passava atrás das paredes do labóratório é o que mantém a maioria os soldados alemães acordados a noite. Apesar de tudo, Doutor Richtofen é um excêntrico no fim das contas, com seus gostos e preferências acompanhando em seguida, ele tem uma coleção de ursinhos de pelúcia customizados, cada um deles inspirados nos "pacientes" dignos de se recordar de tempos em tempos que passaram pelo laboratório antes de morrer.
Assim os quatro homens se espalharam pelo local, cada um cobrindo uma entrada fechada com tábuas de madeira claramente pregadas as pressas. Ao longe, no andar de baixo e nas pontes laterais de madeira que conectavam outros pequenos bangalôs a estrutura principal, ao longe e entre a névoa era possível avistar das janelas, cambaleando a arrastando-se, eles se aproximavam. Cadáveres dos soldados do Império Japonês. Zumbis. Dezenas deles. Não é a toa que não ouve resistência ao entrar nesta suposta base militar, por algum motivo estão todos mortos, sem exceção aparentemente, fora que a maioria deles parece ter encotrada um jeito de voltar do inferno. Com suas pistolas em mãos, Colts modelo M1911 eles abriam fogo sem piedade contra o inimigo que já estava morto, mas que agora, teria que morrer ainda mais uma vez.
— Fiquem longe da minha vodka!!
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