Inferno

1 Capítulo 1 - Pesadelos


Olá. Me chamo Mari e sou uma garota normal... Ou melhor dizendo, "era". Ultimamente, estou tendo pesadelos todas as noites, um mais horrendo que o outro, e isso está começando a me deixar preocupada.

Meus pesadelos são muito estranhos e realísticos, como se estivesse mesmo vivenciando aquilo. E, pra piorar, durante o dia eu continuo lembrando de tudo, o que geralmente não acontece comigo em sonhos normais.

Isso normalmente não me preocuparia, se eu não acordasse "sentindo" algo do pesadelo. Não sei como explicar, mas, na noite anterior, sonhei que estava sendo queimada viva. E eu acordei assustada e chorando, suando muito e com os batimentos cardíacos aceleradíssimos. Foi apavorante!
Estou fazendo o máximo para manter-me acordada. Queria poder falar com alguém, mas temo que comecem a achar que estou enlouquecendo de vez. Acho que o melhor a fazer numa situação como essa é esperar que o tempo dê um jeito em tudo.

Bem, vou tentar falar um pouco mais sobre mim. Sou uma adolescente de quinze anos, sempre tive muitos amigos e sempre fui bastante popular, apesar de nem me importar com popularidade. Moro com o meu pai. E acho que isso é tudo que eu tenho pra falar de mim.

Segunda-feira, 20 de outubro de 2014.

Fazia três dias que eu não dormia. Eram 05:55 da manhã e eu estava deitada na cama, esperando meu pai me chamar. O horário que meu pai ia trabalhar era o mesmo que eu ia para a escola (07h00m), então ele sempre me acordava.

Ouvi uns passos vindo do corredor, era meu pai, então fingi estar dormindo. Ele entrou no quarto e abriu as cortinas, deixando a luz solar iluminar meu quarto.

– Acorda, guria preguiçosa! — Ele disse, enquanto puxava o meu edredom.

– Já vou, pai... — Fingi estar acordando.

Levantei e tomei um banho de água gelada, daqueles que congelam até sua alma. Bebi café puro e fui me arrumar para a escola. Falei para o meu pai que tinha comido uma maçã, mas na verdade, eu estava evitando também comer, porque ficar sem fome me dá sono.

Na escola, a primeira coisa que fiz foi falar com os meus amigos, o Bernardo e a Elisa.

– Fala aí, gente. — Disse, me sentando no banco, ao lado deles.

– De boa? — Perguntou Bernardo.

– Você vive com cara de sono ultimamente. O que está acontecendo com você? — Elisa me perguntou.

– Nada, estou bem. Só estou sentindo mais sono que o normal. — Respondi, tentando aparentar mais sinceridade possível.

– Ok. Mas você sabe, Mari, que se algo estiver errado, você pode desabafar com a gente sempre que quiser. — Disse Bernardo, e logo tocou o sinal que alertava o início das aulas.

As aulas passaram rápido e eu não consegui entender porra nenhuma do que os professores falavam. Estava cansada e com muita fome. No final da aula, Anny me convidou para sua festa. Na hora que recebi o convite, pensei: "Por que diabos uma pessoa daria uma festa em plena segunda-feira?". Com certeza, vai ser daquelas festas que é pura música eletrônica, sexo, drogas e álcool.

– Elisa, Bernardo, vocês vão na festa da Anny?

– Com certeza, Mari! — Bernardo respondeu, com um sorriso no rosto.

– Minhas segunda-feiras são chatas e faz tempo que eu não vou em festas, então, talvez eu vá. E você? — Elisa me perguntou.

– Hum, acho que eu vou.

– Vai, vai ser legal. As festas da Anny sempre são boas. — Elisa disse, me convencendo a ir.

– Ok. Mais tarde eu falo com vocês então, vou pra casa agora, tchau. — Me despedi.

– Tchau! — Os dois se despediram de mim.

Cheguei em casa, jogando minha mochila no sofá e tirando minha roupa. Fui direto tomar banho, estava muito calor. Fiquei pensando em qual roupa eu iria usar, já que faz tempo que eu não saio ou vou em festas. Vesti uma roupa qualquer e fui decidir o que eu usaria na festa, já que começaria 18:00h. Depois de revirar todo o meu guarda roupa e não achar nada de interessante, decidi ir com um vestido preto e um salto alto da mesma cor.

Mandei um SMS pro meu pai, avisando que eu ia pra uma festa e ele logo me respondeu, falando que estava tudo bem. Não me arrumei muito, só deixei meus cabelos longos e castanho-escuros soltos, passei um batom vermelho e meu perfume preferido.

Quando deu 18:10h, Bernardo e Elisa já estavam na minha porta, me esperando. Bernardo estava com o carro de seu pai, o que facilitou muito, já que Anny morava longe.

Já tinha bastante gente quando chegamos na festa de Anny, mas a maioria eu não conhecia. O local estava bastante agitado e tocava música eletrônica e pop. Elisa, Bernardo e eu ficamos em um canto da festa, até as pessoas da nossa escola começarem a chegar.

O garçom me ofereceu uma bebida e no terceiro copo eu já estava ficando tonta. Bernardo, como sempre, foi tentar ficar com alguma garota, e Elisa e eu fomos dançar.

Eu bebi mais um pouco, e até que estava sendo bem divertido, mas eu não podia chegar muito tarde em casa.

Quando me dei conta, já eram 22h30m. Então resolvi chamar Elisa para irmos embora.

– Elisa — Chamei, com um tom de voz alto, indo para mais perto dela. — Vamos embora? Já são quase onze horas da noite e amanhã tem aula! — Falei, perto de seu ouvido, por causa do barulho.
– Sim, vamos procurar o Bernardo. — Disse, me puxando pelo braço.

Fomos procurar Bernardo e logo achamos ele. Estava num sofá conversando com uma garota da escola.

– Foi mal por atrapalhar vocês, mas Bernardo, precisamos voltar para casa. — Elisa disse, interrompendo a conversa entre os dois.
– Mas já? Que horas são? — Perguntou Bernardo, se levantando.
– Já são quase onze horas da noite. — Respondi
– Ok, vamos então. — Falou, deixando a garota ali no sofá sem ao menos se despedir dela.
A garota apenas revirou os olhos, murmurou "idiota" e se levantou dali. E eu ri daquela cena.

Caminhamos até o lugar que o carro do pai de Bernardo estava estacionado e entramos. Ele ligou o motor e me deixou em casa primeiro.

– Obrigado aí. Até amanhã na escola, gente. — Agradeci e me despedi.
– Até amanhã! — Eles se despediram também, e eu entrei em casa.

Meu pai já devia estar dormindo. Estava sentindo um pouco de dor de cabeça, então só tomei um banho rápido e fui me deitar. Estava muito cansada, então não aguentei por muito tempo e adormeci. E eu não devia ter deixado isso acontecer.

. . .

Sonhei que estava num lugar pouco iluminado, embora não estivesse de noite. As paredes e os poucos móveis que haviam no local eram todos brancos e aparentavam ser antigos. Estava um silêncio total. Me lembrava um hospício.

Quanto mais eu caminhava, parecia que eu continuava no mesmo lugar. E acontecia o mesmo quando eu entrava em alguma porta. Fiquei nisso por um bom tempo, até ouvir gargalhadas que iam aumentando a cada passo que eu dava. Resolvi então ficar parada e fechei os olhos, esperando tudo aquilo acabar.

Ouvi passos, então abri os olhos e vi uma garota de cabelos loiros e roupa ensanguentada. Quando ela estava bem próxima à mim, pude reconhecê-la: era Elisa.

– Elisa? O que houve com você? Por que você está toda suja de sangue? — Interroguei, até que vi uma faca em suas mãos? — Elisa... O que você fez? — Perguntei, assustada e me afastando dela.

Ela não me respondeu. Eu comecei a correr, tentando fugir, e Elisa começou a correr atrás de mim. As gargalhadas ficavam cada vez mais alta. O local estava repleto de sangue no chão e Elisa estava cada vez mais próxima, então eu continuei correndo, mas escorreguei e cai.

Quando consegui me levantar, não vi Elisa e as gargalhadas pararam. Senti algo sendo cravado nas minhas costas, e com dificuldade, me virei para trás.

Elisa estava ali, com um sorriso insano no rosto, enquanto pronunciava: "- Renda-se!"

. . .