Infectum osculum

Desafio 16 de drabbs, tema beijo

— por Abel Araghon

Tatsumi chutou seus sapatos ao passar pela porta e caminhou até seu quarto, tirando o uniforme escolar e guardando sua mochila. Logo seria hora de fazer o jantar, por isso ele precisava se apressar, mas, antes, daria uma passadinha rápida no banheiro.

Caminhou até o cômodo com as mãos nos bolsos, estranhando, por fim, o silêncio que estava na casa. Geralmente havia muita bagunça. Vozes, barulho de água, de uma cauda batendo na água, de risadas.

Mas não havia nada.

Como se, de repente, uma luz acendesse em sua mente, o rapaz andou mais rápido, abrindo a porta do banheiro em um puxão.

Tudo estava calmo lá também. O chão estava molhado, a janela aberta e a banheira cheia de água. Andando lentamente, tentando não fazer barulho, Tatsumi sentou-se no banquinho ao lado da banheira e apoiou-se nas bordas, fitando o ser boiando na água limpa.

Ele era lindo. Sua pele era branquinha, seus longos cabelos loiros eram macios e brilhantes e os olhos, agora fechados, Tatsumi sabia serem azuis como as águas límpidas.

Tatsumi não conseguia parar de admirá-lo. Era como se um imã o atraísse para ele. Para aquele ser sobrenatural e estranho que ele havia encontrado.

— Okaeri, Tatsumi.

A voz doce e alegre soou, tirando-o de seus devaneios. Os olhos de Wakasa abriram-se lentamente, fitando-o profundamente.

— Tadaima — respondeu laconicamente.

Wakasa espreguiçou-se, balançando a cauda alegremente. Tatsumi nunca se cansaria daquilo. Apoiando o rosto sobre a mão, ficou lá, olhando para o homem sereia, admirando-o enquanto ele conversava alegremente com o patinho. Seu rosto estava corado pelo longo tempo na água quente.

— Como foi o seu dia? — perguntou Wakasa interessado, recostando-se em frente à Tatsumi.

— Normal — respondeu simplesmente. — E o seu?

— Eu aprendi uma coisa nova hoje, posso testar em você? — indagou animado, Tatsumi assentiu. — Feche os olhos.

O rapaz fechou-os, ficando parado onde estava, perguntando-se o que Wakasa tinha aprendido. O som da água se mexendo e da cauda batendo invadiu o local. Tatsumi já estava parado há alguns minutos quando finalmente abriu os olhos, achando que Wakasa havia se esquecido dele. No instante em que os abriu, foi para ver o rosto do outro muito próximo do seu e sentir os lábios úmidos contra os seus.

Tatsumi não teve reação. Seus olhos se arregalaram e suas bochechas coraram, enquanto Wakasa pressionava a boca contra a sua.

Ele se afastou lentamente, abrindo os olhos e olhando para Tatsumi como se nada tivesse acontecido. Sorriu, agarrando o patinho e conversando com ele.

Aquilo era uma loucura. Tatsumi jurou, enquanto sentia seu rosto quente, que não deixaria Wakasa testar mais nada em si.

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