Infected
6 Capítulo 6: Família
A pequena choupana do Dan é ligeiramente monótona e nostalgica e me lembrava uma casa na árvore que tínhamos quando criança. Porém a choupana tem alguns metros e cômodos a mais: três quartos razoávelmente grandes, uma sala, cozinha e banheiro. É tudo confortável para acomodar sete pessoas. As coisas não poderiam estar melhores.
— Beleza, agora vocês contam as suas histórias e depois é a nossa vez. — Dan puxa uma das cinco cadeiras dispostas ao redor da mesa, Megan e Mark sentam-se em outras duas e Viollet divide uma comigo, sentando sobre meu colo. Shay e Aria nos imitam.
— Bem, vou ser breve e resumir nossas histórias parcialmente, creio que não é tão legal ficar relembrando coisas ruins do passado. — Todos fazem que sim com a cabeça. — No início de tudo, meus pais se sacrificaram para que eu pudesse escapar de casa. Foram heróis. Eu estava sem rumo e então corri para a casa mais próxima a minha, de alguém que eu conhecia: a Shay. Ela estava sozinha. Não conseguimos achar seus pais então usamos o carro de um vizinho, que já estava abandonado e fomos procurar a Aria. Sempre fomos muito unidos, desde criança, nos chamavam de The Golden Trio. A Aria não estava em melhores condições que a gente... Sua mãe tinha acabado de ser mordida e, no final das contas a Aria que teve que "fazer"... Depois de alguns meses nisso tudo encontrei a Viollet encurralada por zumbis em uma floresta, acabei "salvando" ela e então estamos todos juntos nisso desde então. Sofremos um ataque de alguns estupradores, onde ganhei as costelas quebradas, mas agora está tudo bem. Serviu para reforçar que somos uma família. E agora, encontrei outro membro dela, meu irmão e, mais dois novos integrantes. — Envolvo a cintura de Viollet em um abraço enquanto conto toda a história, a garota se deita sobre a mesa, um pouco abalada. Aria afundou seu rosto contra as costas de Shay, visivelmente abalada também.
— Sinto muito. Por todos vocês. — Dan quebra o silêncio, por fim depois de alguns minutos. — As nossas histórias não são muito diferentes também. Quando tudo começou eu estava na faculdade e foi um caos completo, corri para casa quando percebi tudo e salvei o que pude. Tentei chegar na sua casa, Cal, mas já estava vazia. Bem, não completamente, mas enfim. Então fiquei vagando sem rumo por um bom tempo, uma das vantagens de ser órfão: não ter muitas pessoas para se preocupar. Acho que um mês depois de muito sofrimento eu encontrei essa maravilhosa, gostosa e linda garota, porém lésbica, perdida e cercada por alguns "mordedores", acabei ajudando ela e estamos juntos desde então. Como amigos, infelizmente. A Meg cursava medicina em NY, segundo período, e estava a passeio aqui na Georgia, ela estava tentano curar essas coisas ainda, mas já era tarde demais. Algumas semanas depois encontramos o Mark. Ele nos salvou de um bando de mordedores. Era polícial federal antes disso tudo e trazia consigo um verdadeiro estoque de armas e coisas úteis. Somos todos uma "família" também, desde então. — Dan parece mais calmo que todos e até sorri quando menciona o fato de Megan ser lésbica. Ele aponta para um canto da choupana onde estão várias armas e munição, trazidas por Mark.
O clima de tensão se propaga pela sala por alguns minutos, todos nos entreolhamos. Viollet deixa sua mão sobre a minha e Aria finalmente tira o rosto das costas de Shay.
— Agora estamos seguros então. Temos uns aos outros, o passado é passado. O que importa é o presente e como vamos lidar com tudo, para sobrevivermos até o final disso tudo. — Dessa vez é Shay que quebra o gelo e fico feliz por isso.
— Essa é a minha Sabe Tudo. — Sorrio, fitando a garota.
— Belas palavras. — Megan arqueia uma das sobrancelhas enquanto fixa os olhos em Shay, que ficou corada.
— Obrigado. — Shay solta, quase inaudível.
— Tem algo para comer aqui? Isso tudo me deu a maior fome. — Aria batuca uma das mãos sobre a mesa.
— Temos frutas. Bem, aqui nas redondezas as pizzas estão em falta, então só algumas frutas mesmo. — Dan indica a cozinha para Aria, que segue para o cômodo como se ja fosse realmente de casa.
— Eu acho que vou acompanhar ela, se me derem licença. — Viollet sorri graciosamente para todos e me da um beijo, antes de seguir para a cozinha também.
— Como materam os zumbis afastados dessa choupana? Não vi nenhum corpo deles ao redor da casa. Fiquei intrigada. — Shay se ajeita melhor na cadeira e coloca uma das mãos sobre a mesa.
— Foi moleza, na verdade. Criamos alguns obstáculos a alguns quilômetros da casa, que impossibilitam a passagem dos mordedores. — Mark se apressa em dizer.
— Inteligente, gostaria de ver depois. — Shay parece fascinada e reviro os olhos.
— A qualquer hora eu posso te mostrar. — Mark tenta ser apenas cordial, mas ainda assim me sinto protetor em relação a Shay, principalmente porque Mark é mais velho.
— É, vamos ver tudo depois. Juntos. — Deixo transparecer meu sorriso mais irônico enquanto observo Mark.
— Ele não sabe sequer cantar uma garota. Muitos músculos, mas pouco cérebro. — Megan bate a mão nos bícipes de Marl, sorrindo para Shay.
— Vamos lá, Cal, deixe as crianças brincando um pouco. Vamos dar uma volta. — Dan se levanta e caminha para fora da choupana, esticando os braços.
— Mano, dá para acreditar que iriamos nos encontrar no meio do nada, em pleno um apocalipse zumbi? — Pergunto a Dan após sairmos da choupana. Caminhamos até um velho pinheiro a poucos metros da casa.
— O mundo é espetacular, Cal. Sempre nos prega algumas peças bacanas. — Dan sorri enquanto arranca algumas cascas do pinheiro. — Mas cara, estamos com dificuldades... As frutas já estão acabando na região e os zumbis lotaram nossas barreiras. Queria muito dizer que aqui é seguro, mas vamos precisar partir em breve, tudo bem?
— Claro, cara. Agora estamos juntos de novo, não importa mais para onde vamos. — Toco o ombro de Dan e sorrio para o garoto, ele ainda continua o mesmo: extrovertido, sem jeito e inteligente. Nada mudou.
Quando a noite cai estamos todos sentados na sala, conversando normalmente. Parece que já nos conhecemos a anos. Megan é muito engraçada e gentil. Mark, apesar de um pouco estressadinho, é um cara legal.
— Sugiro um jogo. Poderemos nos conhecer melhor. — Megan corre até a cozinha e apanha uma garrafa de cerveja vazia e empoeirada. — Verdade ou desafio. Eu começo. — Formamos um circulo e Megan gira a garrafa no meio dele. Quando para de rodar, a garrafa está indicando Shay com o fundo e Megan com o bico. — Verdade ou desafio?
— Hm. Verdade! — Shay não pensa duas vezes.
— É verdade que você acha alguém que está nesse circulo atraente. — Megan sorri maliciosamente para Shay.
— Bem... Verdade, sim. — Shay desvia o olhar e todos fazrmos um "hmmm" para ela, que fica corada antes de rodar a garrafa. Dessa vez ela para com o bico para Dan e o fundo para Mark.
— Verdade ou desafio? — o sorriso de Dan chega a ser maligno.
— Droga. Vamos rodar isso de novo! — Mark implora e todos negamos. — Verdade.
— É verdade que você já ficou com um garoto, digo, não só ficou, mas fez o "trabalho todo"? — Dan tem um estranho "poder" para analisar as pessoas, eu diria que é a pior pessoa nesse jogo.
— ... Verdade. Bem, mas ele me pagou para isso. E eu fui ativo. Gosto de mulheres. Ponto. — Megan cai na gargalhada e Aria também, o restante do grupo se restringe a um sorriso constrangedor enquanto Mark roda a garrafa. Dessa vez, Aria pergunta para Megan.
— Oba! Diga-me, mocinha, verdade ou desafio? — Aria lubrifica os lábios maliciosamente quando Megan responde "desafio". — Eu te desafio a beijar a Shay.
— Hein? Nada disso. — Shay pronuncia rapidamente, constrangida.
— Vamos lá, Shay, é só uma bitoquinha. Vou ser bem carinhosa com você, loura. — Megan tem quase a persuasão de Aria e se aproxima lentamente de Shay. Megan é rapida e antes que Shay possa desviar a garota rouba-lhe um beijo.
— Hmmmm. — Viollet e eu soltamos quase que no mesmo instante.
— Vão se ferrar. — Shay nos mostra deu dedo do meio, um pouco conturbada. Ela roda a garrafa que para em mim e no Dan. Ele pergunta.
— Verdade ou desafio? — O garoto arqueia uma das sobrancelhas e sei qual é seu jogo, não vou pedir desafio com ele. Nunca. Peço verdade. — Droga, Lynch, cadê seu espiríto esportivo? Mas vamos lá... Como foi a sua primeira vez com a Viollet?
— Você é a pior pessoa desse mundo, cara. Ainda não tivemos a nossa primeira vez. Ainda. — Coloco uma das mãos sobre a coxa de Viollet, que se curva contra mim e morde minha bochecha, sorrindo. Giro a garrafa e ela para em Viollet e Shay. Viollet pergunta.
— Verdade ou desafio, pequena? — Viollet arqueia as sobrancelhas incessantemente para Shay, que responde "desafio". — Hmmm, ousadinha. Mas eu também sou: desafio você a dar um beijão, de língua e tudo mais, no Mark e lamber seu abdomen definido.
— Sério? Acho que vou sair desse jogo. — Shay dispara, timidamente.
— Pode vir, eu não mordo. — Mark se apressa e tira completamente a camiseta, deixando seu corpo "perfeito" a mostra. Desvio o olhar e finjo vomitar, Viollrt esta rindo feito uma criança e me observa atentamente, ignorano os musculos de Mark, o que é bom.
— Apenas porque não sou fujona. — Shay se arrasta até Mark e percorrer seus "gomos" com a língua até encontrar sua boca; os dois se beijam e a garota se deita sobre ele.
Todos aplaudimos, menos Megan que sai da brincadeira alegando que não estava se sentindo bem. O jogo durou por mais, mais ou menos, quarenta minutos, mas não houveram perguntas ou desafios relevantes. No fim, acabamos todos dormindo na sala mesmo, estirados em alguns colchões no chão. Tudo parecia normal. Estávamos realmente agindo e parecendo uma família normal. Tudo estava bem, por enquanto.
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