Infected

17 Capítulo 17: Decisões


[POV: Viollet]

Bato minha cabeça algumas vezes contra o teto do porta malas. O carro se move em alta velocidade e vez ou outra, atropela algum zumbi, acho que são zumbis. Os caras sequer se importam com o que tem na frente.

Tento me livrar das cordas que prendem minhas mãos, mas ainda não tenho êxito, consigo apenas remexer as mãos, mas ainda vou conseguir. Na verdade, eu tenho que conseguir. Me lembro dos truques que aprendi com meu pai no circo.

"Só é difícil se você acreditar que é! Na verdade, tudo é uma questão de prática." Ele sempre dizia mas nunca acreditei muito, focava muito mais nas aulas de ginastica que tinha. Mas agora entendo o que ele queria dizer. É tudo uma questão de querer e correr atrás para conseguir. E eu quero me livrar dessas cordas, quero ser útil, quero salvar meus amigos.

— Pare de se mexer, vai acabar se machucando, Vi. — Dan franze a testa para mim, fazendo uma cara de dor cada vez que o carro bate em algo.

— Eu tô me soltando, bem, tentando. Relaxa. — Tento parecer confiante, porque está realmente difícil a nossa situação. Mesmo que eu me solte, ainda serão três homens para enfrentar. — Como está a perna? Acha que consegue me ajudar, se eu precisar?

— Já nem sinto mais dor, senhora. Conta comigo para o que você precisar, só não nos mate. — Dan sorri e sua animação é contagiante, eu sei porque o Calum gostava tanto dele.

Consigo afrouxar um pouco o nó, o suficiente para tirar minhas mãos e sorrio. Murmuro para Dan que consegui e, antes que ele possa responder, o carro para. Nos entreolhamos, preocupados e sei que devo fingir que ainda estou presa.

[POV: DJ]

A porta do porta malas se abre e um homem puxa Aria para fora, com força. Cerro os dentes e faço uma nota mental: matar esse cara.

Sou lançado contra o chão por um dos homens e recebo um chute na barriga. Meu estômago se comprime e evito gritar de dor, não vou dar esse gostinho para eles. Observo ao redor e vejo Aria, Shay, Megan, Dan e Viollet todos amarrados, ao meu lado também. Os três homens que nos pegaram estão apontando armas para nos. Um deles fala em um walkie talkie semelhante ao nosso. Estamos parados em frente a um enorme portão metálico.

— Bem vindos, meus amigos, ao Açougue. — Donald, um dos sequestradores fala e as portas se abrem.

Somos obrigados a caminhar para dentro. É um pequeno condomínio, com quatro ruas e dez casas, ao que parece. Existem mais homens além de nossos sequestradores. Dois nos esperam um pouco a frente e um fecha o portão, fora os três que nos conduzem, armas apontadas contra nossas costas.

— Caralho, Donald, finalmente você conseguiu ser útil, cara. Pensei realmente que você teria que ser o próximo a queimar. Bela safra! — Um dos homens que nos espera caminha até cada membro de nosso grupo e nos observa, de cima a baixo.

— Eu disse que não iria se arrepender de me poupar, Grande Mestre. — Donald sorri, visivelmente aliviado.

— O Joe voltou e trouxe um também, mas ele é durão. Não gosta de falar muito. Tá lá na sala vermelha, podem ir brincar, se quiserem, vocês merecem. — O "Grande Mestre" parece ter trinta e sete anos. É encorpado e veste uma camisa cavada, calças e botas militares e também carregar uma arma no cinto e um chicote em uma das mãos. — Será que vocês são durões também ou vão cooperar? Quem é o "líder" de vocês?

Todos ficamos em silêncio por alguns minutos. Os três homens que apontavam armas para nós entraram em uma das casas do condomínio e nossos novos "guardas" são o cara que abriu o portão, segurando um facão, e o honem que estava parado ao lado do "Grande Mestre", que sorri para nós enquanto empunha uma faca.

— Querem bancar os durões também? Que assim seja! — O Grande Mestre ergue seu chicote acima da cabeça e o desce com força, acertando um ombro de Aria, fazendo um barulho agonizante. A garota cai no chão, chorando.

— NÃO TOQUE NELA! — Avanço na direção do Grande Mestre, com raiva. Ele ergue o chicote novamente e acerta meu rosto, fazendo-o queimar de dor. O cara que abriu o portão corre e me puxa para trás, lançando-me contra o chão.

— Temos um vencedor aqui... — O Grande Mestre sorri enuanto caminha até mim. Dan, Viollet, Shay e Megan ameaçam seguir meus atos, porén os comparças do Grande Mestre puxam suas facas e agitam a cabeça negativamente, mostrando que seria uma má ideia. Aria se senta no chão, ainda chorando. — Então, amigo, vai querer conversar agora?

— O que você quer com a gente? — Me ergo do chão, ficando de pé novamente. Ainda assim, o Grande Mestre é maior e tem mais corpo que eu, ele chega a assustar.

— Vou ser bem direto com você rapaz. A comida se tornou algo muito raro nos tempos de hoje, mesmo aqui, então eu e meus amigos decidimos passar por uma reeducação alimentar para conseguirmos sobreviver... Comemos carne humana também, sabe? Nada pessoal, mas se tornou tão comum, se é que você me entende. Mas enfim, vez ou outra meus camaradas saem por aí em busca de novos alimentos e, caso voltem sem nada, eles próprios se tornam o alimento. Éramos mais de vinte homens quando formamos essa base, hoje somos apenas nove. Dessa vez, o Donald conseguiu trazer um grupo inteiro, o que me surpreendeu, admito. Então vou te fazer uma proposta... Se aceitar em entrar para nosso grupo e trabalhar em equipe conosco, pouparemos cinco de vocês. Caso contrário, vamos ter refeição por, pelo menos, uns três meses. — O Grande Mestre me encara, sério, enquanto fala.

— Você só pode estar de brincadeira... — Viollet encara o Grande Mestre, completamente chocada, assim como o restante de nós. Não dá para acreditar no que acabamos de ouvir.

— É sobrevivência, baby! Sobrevivência!! — O Grande Mestre diz.

— Não estamos interessados. — Encaro o Grande Mestre, tentando manter a voz firme.

— Eu estava rezando por isso, camarada. Podem levar para o galpão. Fique de olho neles, Martin. — O Grande mestre se afasta de nós, dando algumas gargalhadas.

Os dois homens se aproximam e nos empurram, por entre as casas, até a mais afastada. Somos jogados em um cômodo vazio da casa, na verdade essa casa toda está vazia. Martin não para de lubrificar os lábios, chega a ser doentio. Primeiro entramos eu, Aria, Dan e Viollet. Martin para Shay e Megan antes de elas entrarem no cômodo e fecha a porta. Meu coração se acelera.

— Ei, ei! O que você vai fazer? — Bato com o pé na porta algumas vezes, desesperado.

— Se você tocar nelas, eu mesma vou arrancar suas tripas, idiota! — Aria coloca o rosto perto da porta enquanto fala.

Alguns segundos depois a porta se abre e recuamos. Shay e Megan entram, desaa vez elas não estão amarradas sozinhas, ele uniu as duas.

— Ei, grandalhão, cale a boca antes que eu me estresse com você! — Martin coloca seu dedo em minha testa e se vira para Dan, colocando a faca contra o pescoço do garoto. — Se afastem! Se alguém tentar ser herói aqui, eu mato esse escroto! — O cara puxa uma corda do bolso e a envolve sobre as de Dan, prendendo o garoto nas grades da janela como um cachorro.

Shay e Megan se sentam, colocando as costas de uma na outra. Dan bufa algumas vezes, lutando para se soltar da janela. Martin fica parado na porta por alguns minutos, fitando Viollet.

— Você é bem bonitinha, moça, acho que vou convencer o Grande Mestre a dar você para mim antes de jantarmos sua carne. — Martin volta a lubrificar os lábios, sádico.

— Você pode tentar a sorte agora mesmo. Aqui é hierarquia Jedi ou algo assim? Tudo tem que ter a aprovação desse Grande Mestre, vocês são realmentes muito viadinhos! — Viollet encara Martin enquanto fala. Dan solta uma enorme gargalhada, Megan também. Shay olha surpresa para Viollet e tento entender qual a ideia da garota também.

— O que foi que você disse, sua putinha desgraçada?! — Martin se aproxima de Viollet, visivelmente irritado, mas é surpreendido. Viollet conseguiu se livrar das amarras e acerta um belo cruzado de direita contra o homem.

Martin cambaleia para trás, surpreso e assustado. Viollet corre para cima dele, aproveitando sua distração e desfere um chute certeiro contra o queixo do homem, que cai como uma pedra no chão. Viollet ainda parte para cima do homem, mesmo sabendo que ele já está desmaiado e pisa várias vezes seguidas contra sua garganta.

— Faltam oito agora. — Viollet arfa e apanha o facão de Martin que caiu no chão, e corta todas as nossaas amarras. — Eles nos subestimaram demais.

— Boa, Vi! — Megan enrola o resto da corda que a prendia contra as mãos, formando uma bela "luva de boxe" em sua mão direita.

— Mas ainda estamos desarmados! Temos um único facão e eles tem armas... Não vai ser fácil! — Shay apoia sua mão no queixo, pensativa.

— Somos mais inteligentes, com certeza! Não pode ser tão impossível assim. — Dan imita Megan e faz uma "luva" para sua mão esquerda.

— Deixem o Grande Mestre comigo, devo aguentar alguns socos dele ou pará-lo. Só temos que ter cuidado. — Mesmo em uma situação de perigo como essa, não consigo deixar de sorrir. Esse grupo, essas pessoas, são incríveis. Estou feliz por tê-los como amigos.

— Ei, eu disse que seria difícil, não impossível. Já tenho um plano! — Shay estrala os dedos, determinada. Todos nos aproximamos dela para ouvi-lá. — Podemos tentar atrair alguns deles para cá. Dan ou DJ, podem soltar o grito mais másculo que tiverem, para chamar eles. Temos a vantagem do território! Quando eles entrarem aqui para ver o que esta acontecemos, só precisamos acerta-los antes que nos vejam. E precisamos rezar para que eles venham armados, porque depois ainda teremos mais alguns canibais para exterminar.

— Essa é minha garota! — Megan pisca para Shay e suas bochechas coram.

— É, pode funcionar! — Dan choca sua mão com a "luva" contra a outra, animado.

— Se aquela aberração gigante vier, vai ser melhor ainda. Ele deve ser o mais perigoso deles... Ótimo plano, Shay! — Viollet está parada a porta, observando a casa, checando se não vem ninguém.

— Mãos a obra então! — Digo, confiante.

Todos ficamos em posição. Me escondo atrás da porta de entrada, meu trabalho é fechá-la assim que todos os homens que vierem passarem. Dan está posicionado atrás de um dos balcões que sobrou na cozinha, qualquer pessoa que entre lá ele vai conseguir derrubar. Megan e Viollet estão atrás da porta do cômodo vazio em que estavámos, para surpreender os canibais. Aria e Shay ficaram escondidas em um dos quartos, decidimos e até Aria concordou que não seria inteligente tê-la na linha de frente, devido a sua condição.

Suspiro, sentindo a adrenalina dominar meu corpo. Só mais oito. Vamos conseguir. Espero alguns minutos até termos tomado posições e solto um berro alto, gritando socorro. Ouço os canibais gritando lá fora, correndo para a casa em que estamos. Por favor, sejam no mínimo três.

Os canibais chegam a casa e começam a entrar, correndo. Ouço o último passo e fecho rapidamente a porta. Estou frente a frente com dois canibais, mais dois passaram do corredor para frente. Eles arqueiam as sobrancelhas, sem entender muito e avançam contra mim. Suas armas estão presas ao cinto, junto com suas facas, eles me subestimaram por serem dois.

Acerto o primeiro homem que avança tão forte que sinto seu nariz se quebrando sobre meus dedos. O homem cai no chão, sangue jorrando de seu nariz enquanto ele geme. O segundo homem é mais rápido e me acerta um soco em cheio no estômago. Curvo-me para frente, sentindo uma falta de ar momentanea e ele me atinge nas costas, colocando todo seu peso sobre mim, caio no chão. Rolo para o lado, desviando de um pisão que o canibal deu, provavelmente teria despedaçado meu crànio. Agarro a perna do homem e o jogo no chão, ele bate as costas com força. Acerto sua virilha com um soco e o homem se contorce de dor. Me coloco de pé, puxando a faca do próprio homem de seu cinto e a cravo contra sua cabeça. Faço o mesmo com o homem que ainda estava caido, com o nariz sangrando.

[POV: Dan]

Estou agachado atrás de um pequeno balcão de mármore. Apesar de ser uma coisa simples, o esforço que tenho que fazer com a perna está me incomodando. Ainda sinto dores na coxa, mas não posso me dar ao luxo de fracassar. Não quando a vida de meus amigos está em perigo.

Ouço alguns passos pelo corredor. Um dos homens entra na cozinha e passa em minha frente. Estico um dos braços e o faço tropeçar, o homem cai de cara no chão mas se recupera rápido. Sou lento demais para desviar de um chute que ele desfere e me acerta, em cheio, na testa. Sinto a dor atordoante e perco os sentidos por um milésimo de segundo. Lanço meu corpo, todo sem jeito, contra o homem, e começo a esmurrá-lo. Alguns socos acertam o chão, pois não consigo mirá-lo direito, porém outros acertam o rosto do homem.

Ele é resistente e consegue aguentar bem. O canibal me empurra para o lado e me acerta um belo cruzado. Cambaleio para trás, procurando algo para me apoiar e encontro o fogão, seguro em suas grades, tentando permanecer de pé.

— Seu merdinha, vou acabar com você! — O nariz do canibal está sangrando enquanto ele se ergue e caminha até mim, erguendo sua faca acima da cabeça para o golpe final.

— Hoje, não! — Puxo as grades do fogão e as acerto contra a testa do homem, abrindo um corte enorme. Ele cai no chão, desacordado e tomo posse de sua faca. Termino o serviço.

[POV: Viollet]

Um dos homens entra correndo no cômodo vazio, seu maior erro. Megan dá uma "voadora" nas costas do homem que cai contra o piso sem sequer saber o que o atingiu. Corro para cima do homem e desço o facão contra sua cabeça. Game over.

[POV: DJ]

A primeira parte do plano correu tudo bem, em parte. Dan e eu tomamos uns belos socos, mas vamos sobreviver. Fico com uma arma dos canibais e Viollet e Aria com as outras. A segunda parte, na teoria, é a mais fácil, segundo Shay. Só temos que correr para fora dessa casa, em duplas, sempre com um parceiro armado e caçar o restante dos canibais. Eu irei com a Aria. Shay e Megan. Dan e Viollet.

O plano todo vai por água abaixo quando abrimos novamente a porta da casa em que estamos. O "Grande Mestre" e os outros três canibais restantes estão sentados na varanda de uma das casas, a uns quinhetos metros a frente da nossa e se assustam ao nos ver. O Grande Mestre e mais dois canibaus correm para dentro da casa rapidamente. Um dos outros canibais não teve a mesma sorte. Aria o atinge em cheio na testa, com um sorriso maligno.

Estávamos todos felizes e comemorando, iriamos vencer mais essa. Até que o Grande Mestre se posiciona na sacada da casa em que estava. Ele segura algo grande nos ombros e nos mira. Sequer temos tempo de correr quando ele dispara, foi tudo muito rápido até percebermos que era um lança misseis. O míssel passa zunindo por nossas cabeças e acerta a porta da casa. A explosão é tão forte que nos arremessa para longe, feito bonecos e caímos contra o asfalto.

Notas finais
Capítulo longo hein? Mas é porque vou dar um "hiatus" na história, até terça feira. Provas finais pessoal, são um saco! :( Mas enfim, o que acharam do capítulo? Pra mim, os nomes desse capítulo foram DJ, VIOLLET E SHAY! Hahaha! Comentem aí tudo o que acharam e que acham que vai acontecer daqui pra frente. Ainda tem o monstro do "GM" pra eles enfentarem, hein. Tretas? Tretas! Até o próximi capítulo, pessoal!