Inevitable

2 Es su forma de ser pero algo no anda bien


Notas iniciais
Hey, guys! Eu não costumo postar dois capítulos em um só dia, até porque eu não tenho muito tempo (quer dizer, tempo até tem... Só falta a inspiração). Mas, eu fiquei inspirada, e queria postar logo o primeiro capítulo. Esse capítulo também é só pra esclarecer algumas coisas, conhecer ALGUMAS PESSOAS, e tudo isso. Mas, a partir do próximo, as coisas vão começar a ficar interessantes. Have fun ;)

Roberta's POV.
"Olhem aquela garota, como ela é estranha" "Você já viu aquele cabelo? Ela não tem espelho em casa não?" "Ela é até bonitinha, mas parece ser insuportável" "Tomara que ela nem chegue perto de mim" "Shhh, aquela ali nunca vai chegar aos nossos pés, coitada" "Essa escola tá baixando o nível, olha o tipo de gente que se matricula"

Esses não eram nem metade dos comentários que eu escutava por onde passava, e isso já estava extrapolando minha paciência. Assim que coloquei os pés para dentro da propriedade do colégio, todos os olhares foram redirecionados para mim, e não de forma positiva.

De certa forma, eu já sabia que isso aconteceria. Eu nunca fora o tipo de garota "normal", se assim se pode dizer. Nunca tentei seguir os padrões de beleza que a sociedade empunha. Na verdade, eles me irritavam profundamente. Mais que isso: me davam nojo. Por isso, eu procurava me vestir da forma que bem entendia, da forma que me sentia bem. Não importava o quão as pessoas achassem isso estranho ou louco.

Eu não era tão diferente ou estranha como diziam. Ao menos, no meu conceito não. Cabelo vermelho, roupas um pouco mais escuras do que se costuma usar. O que tem de mau? Já vi pessoas mil vezes piores do que eu. Entretanto, em uma escola de ricaços como aquela, onde todas as garotas usam roupas mais apropriadas para uma passarela e todos os rapazes tinham o cabelo banhado em geral, não era muito fora do comum que tivessem esse tipo de reação.

Eu já começava a pensar em uma maneira de ser expulsa daquela droga de lugar de uma vez por todas, como eu sempre fazia nas minhas escolas passadas. Mas, dessa vez, eu não poderia fazer nada, embora morresse de vontade. Aquele era o emprego da vida do meu pai, e eu não poderia jogá-lo no lixo dessa maneira. Não dessa vez. Meu pai sempre se esforçava muito para dar tudo do bom e do melhor pra mim, e não era certo que eu agradecesse dessa maneira. Embora eu não fosse o tipo de pessoa "sensível", eu tinha que reconhecer isso.

Depois de tanto caminhar, perdida em meus pensamentos, saí de meu "transe" e me dei conta de que não fazia ideia de onde estava indo. Aquele lugar era enorme, e eu não tinha a mínima referência de onde deveria ir. Eu até poderia perguntar para alguém, mas duvido que me respondessem. Além do mais, eu preferia me perder um milhão de vezes a ter que me rebaixar tanto a ponto de pedir informação para aqueles imbecis.

Decidida a prestar mais atenção e procurar qualquer placa que indicasse o território feminino, parei de andar e comecei a procurar com o olhar. Não passei nem 3 segundos parada que já senti alguém esbarrando com força de mim, fazendo com que eu tombasse pra trás.

– Você tem problemas??? — Quase gritei, sem nem saber de quem se tratava.

– Você não pode ficar parada que nem uma retardada no meio do corredor e esperar que ninguém esbarre em você. — Uma voz masculina falou e duas pessoas riram.

Cerrei os punhos, segurando-me para não dar um soco no indivíduo.

Enfim olhei para frente, e então, pude ver três rapazes com um semblante irônico, me encarando. O do meio, que com certeza fora o que falou comigo, tinha cabelos castanhos banhados em gel, penteados para trás. O do seu lado esquerdo, era menor que eu e tinha o cabelo igualmente penteado para trás, só que o seu era mais cacheado. E o da direita era o mais alto e tinha os cabelos tingidos de laranja. Nem precisava conhecer para saber que eram os populares da escola.

– O problema não é meu se você tem problemas de vista e não viu que eu estava parada aqui. — retruquei.

– Pra estar falando assim com a gente, com certeza deve ser novata. — O de cabelos laranjas falou, com um sorrisinho cínico.

– Como eu imaginei. — Ri alto. — Vocês são os populares do colégio. Gente imbecil é sempre tão previsível. — Suspirei. — Meu amorzinho, mesmo que eu estudasse nessa escola desde que ela foi fundada, eu trataria vocês da mesma forma. Populares ou não, vocês pra mim não valem nada.

Já não tinha mais ninguém andando no corredor. Agora, todos estavam parados, concentrados na minha pequena discussão com garotos que eu sequer sabia o nome. E não fazia a mínima questão de saber.

– Eita, essa aí é brava, hein? — O do meio, que certamente era o "líder" do grupo, riu debochado. — Garota, se eu fosse você, tomaria cuidado com o que diz. Principalmente porque é uma novata.

– Ah, e o que você vai fazer se eu não tomar? — desafiei. — Vai me bater? Ou vai mandar seus amiguinhos me perseguirem? Escuta, eu nem te conheço. Mas fique sabendo de antemão que eu não tenho medo de nada, e muito menos vou ter medo de você. Então, acho melhor ficar bem longe de mim.

Não esperei resposta de nenhum dos três, peguei minhas malas que deixara cair no chão e os empurrei, fazendo assim com que me deixassem passar. Enquanto me afastava, pude ouvir um "Ela é uma idiota, mas até que é bonitinha, pego fácil..." Revirei os olhos. Quem aquele imbecil pensava que é?

Com toda essa "confusão", acabou sendo muito fácil encontrar o dormitório feminino. A placa que indicava a direção estava bem na minha frente, mas eu não tinha prestado atenção. Ao chegar lá, pude ver várias portas. Como o diretor (do qual eu não me lembrava o nome) me instruíra, fui procurar em qual delas tinha o meu nome.

E não demorei muito pra encontrar, a primeira porta da direita tinha claramente "Josy Luján Landeiros, Guadalupe Fernandez, Roberta Reverte". Só esperava que minhas colegas de quarto não fossem tão imbecis como o restante das pessoas daquele colégio. Mas provavelmente seriam também. Ninguém escapava.

Abri a porta do quarto lentamente, e logo vi uma menina de cabelos pretos e outra menina de cabelos castanhos sentadas na cama. Elas estavam tão concentradas em sua conversa que nem perceberem minha chegada. Aproveitei isso e entrei vagarosamente no quarto, me aproximando de uma das camas que parecia não estar sendo ocupada por ninguém. Coloquei minhas duas malas lá e comecei a retirar toda roupa.

– Ei, você é a aluna nova? — Uma voz fininha perguntou, quando eu achava que enfim teria paz. Como sempre, me enganei.

– Sou. — respondi de costas para a menina, concentrada em retirar as roupas da minha mala.

– Ah, que legal. — disse em um tom animado. Revirei os olhos. Era só o que me faltava.

Escutei passos atrás de mim, e quando menos esperei, a menina de cabelos pretos se sentou em minha cama. Ela estendeu a mão para mim.

– Eu sou Lupita. — disse com um sorriso simpático. — E você deve ser a Roberta.

– Sim, eu mesma. — respondi indiferente. — Em que lugar posso colocar as minhas coisas?

– Ali. — Ela apontou para a última porta do enorme armário. Sem dar cerimônias, encaminhei-me até lá.

Enquanto eu colocava minhas roupas nos cabides, Lupita e a outra garota, que pelo o que eu havia lido, deveria se chamar Josy, continuavam a conversar. Isso era um alívio pra mim. Odiava ter que ficar respondendo a perguntas, odiava ter que me socializar.

Mas esse momento de paz demorou muito pouco. Logo tentariam inutilmente ter qualquer tipo de conversa decente comigo.

– E então Roberta, de onde você veio? — A outra garota, cujo ainda não se apresentara, perguntou. Fechei os olhos com força. Já estava começando o interrogatório.

Pensei em ser grossa e pedir que não se intrometessem em minha vida, mas eu havia prometido ao meu pai, antes de vir pra cá, que daria o máximo de mim para ser sociável e educada. Ao menos que um pouquinho.

– Eu morava com meu pai em Monterrey. — disse simplesmente.

– Ah, legal! Um amigo nosso é de lá. E por que vieram para cá?

– Porque meu pai recebeu uma proposta de emprego aqui no Elite Way, como professor. E ele não poderia perder essa oportunidade.

– Ai, que bom! Deve ser muito legal ter seu pai como professor! — Lupita exclamou como se fosse a melhor coisa do mundo.

Soltei uma risada amarga. Aquela garota certamente tinha problemas. E problemas sérios.

– Muito pelo contrário. — discordei. — É terrível. Você não pode nem sair um pouco dos trilhos porque ele está sempre na sua cola.

Isso era só uma desculpa. O fato de meu pai ser também meu professor jamais me impediu de fazer o que quero.

– Pelo menos você tem um pai que se preocupa com você. — A outra garota disse, diminuindo o tom.

Virei-me e observei sua expressão. De repente tinha ficado cabisbaixa com alguma coisa. O assunto "pais" aparentemente era algo um tanto quanto delicado para ela.

– Por quê? Seu pai não se importa com você? — perguntei automaticamente.

– Eu... prefiro não falar sobre isso. — disse de maneira mais brusca.

Normalmente eu teria ficado irritada com essa resposta. Eu não era o tipo de pessoa que aturava desaforos. Mas eu até entendia a reação da garota. Afinal, eu acabara de chegar e já estava perguntando coisas pessoais da vida dela. Eu sequer sabia quem ela era.

– Bom, desculpa.

– Não tem problema, é só que isso é meio delicado pra mim.

– Entendo...

– Mas então, Roberta... — Lupita tratou de mudar de assunto rapidamente. — Já conheceu alguém da escola?

Trinquei os dentes ao lembrar dos três garotos imbecis com quem esbarrara no corredor.

– Conheci o diretor... Um tal de Paulo, Pablo, não sei.

– Pascoal. — As duas corrigiram com uma risada. — O que achou dele?

– Ele foi bem... simpático. Mas tenho a impressão de que isso não vai durar por muito tempo.

– Você tem boa intuição. — A garota de cabelos castanhos disse. — A simpatia dele com os novatos só dura até o fim do primeiro dia. A partir de amanhã, você vai ver quem ele é de verdade.

– É, eu imagino. — Soltei uma risada fraca.

– E só conheceu ele?

– Conheci uns três garotos extremamente imbecis. Espero que eles não façam o mesmo ano que eu.

– Que garotos?

– Ah, um branquelo que tem o cabelo penteado pra trás, um de cabelo laranja e outro de cabelos cacheados. — Já cerrei os punhos só de me lembrar dos indivíduos.

– Diego, Giovanni e Tomás. — A morena respondeu automaticamente e seu olhar era fulminante. — Azar o seu tê-los conhecido logo agora, no seu primeiro dia. São uns idiotas que só ligam para garotas, popularidade e bebidas. Nem chegue perto.

– Graças a Deus achei alguém com bom senso aqui! — exclamei com as mãos para o alto, como quem diz "aleluia!"

Eu achava que todos aqui tinham uma enorme falta de neurônios. Pelo menos encontrara alguém que pensava igual a mim, pelo menos nesse ponto. Se dependesse de mim, aquela garota e eu nos daríamos muito bem.

– Eu que o diga! — A garota respondeu, rindo. — Geralmente, todas as novatas ficam admiradas com eles. Tanto com eles como com o "Mia's Club". — Ela fez uma cara de nojo ao pronunciar esse último nome.

– O que diabos é isso? — Ri. Só o nome já era ridículo.

– É o "grupinho" da Mia Colucci. Ela é a popular do colégio, se acha o máximo. Todos veneram ela, como se fosse um tipo de deusa. Mas ela é só uma desmiolada esnobe.

– Não fala assim dela! — Lupita, que até então se mantivera calada, interveio. — A Mia não é assim.

– Ela é assim sim! Você sabe disso. — insistiu, já se irritando. — Lupita é muito amiga dela. — explicou.

– Bom, eu ainda nem conheço essa garota, mas pelo o que acabei de saber, já tenho pena de você Lupita. — Ri.

Fiquei conversando com Lupita e Josy (sim, de fato o nome dela era Josy) até anoitecer. Descobri, no meio de todos aqueles estúpidos, havia ao menos uma minoria de pessoas que valiam a pena no colégio. Pessoas que não se importavam só com aparência e popularidade. E isso já era um grande alívio.

Logo ficou tarde e tivemos que nos aprontar para dormir. Ao me deitar, passei alguns minutos refletindo sobre como seria o dia de amanhã.

De uma coisa eu tinha certeza: nada de bom viria daquele tal Diego, e eu seguiria com todas as forças o conselho que Josy me dera. Manteria bastante distância. E se aquele garoto se aproximasse de mim por algum motivo, eu não responderia por mim.

Notas finais
Gente, eu sei que tá bem parecido com a história original, mas não vai ter nada a ver. Os acontecimentos vão ser totalmente diferente, os casais também... Enfim, vou fazer de tudo para que não fique clichê. Vou postar o próximo em breve. Digam o que acharam, o que acham que vai acontecer, enfim... Pronunciem-se. Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.