Inevitável
1 Tchau, Litchfield.
Notas iniciais
Parecia mentira quando finalmente as grandes da prisão de Litchfield se fecharam para mim. Mas, desta vez, eu estava fora dela. Puta merda, e eu estava com a Alex. Eu não poderia ter saído de um jeito melhor depois de passar mais de um ano encarcerada com todas aquelas detentas. Eu aprendi muito com elas, admito. Com cada uma delas. Todas tinham sua própria história, tão diferentes. E agora é a vez de eu escrever a minha.
— Você não adora esse ar puro? Nem acredito que estou sentindo um aroma que não seja do sabonete barato que usávamos na cadeia — Alex riu, me tirando dos meus devaneios. Ela estava linda. Como sempre. Com delineador, batom vermelho forte e aquele sorriso sarcástico no rosto.
— Faz dois dias que durmo absolutamente bem, me alimento de forma decente e, mesmo assim, parece que sinto um vazio — Falei, assim do nada.
Alex arqueou as sobrancelhas e me deu um olhar de reprovação.
— Você quer voltar pra lá, é isso? Arrumo um jeito de te pegarem com drogas de novo e em um minuto você e essa sua cara de desânimo voltam para detrás das grades — Ela respondeu, rindo de lado.
Eu ri também. Sabia que eu só estava com depressão pós-prisão e precisava me animar de alguma forma. Estávamos no nosso loft que dividíamos, estavamos juntas. O que mais eu poderia querer?
— A gente deveria estar transando ao invés de estarmos nos lamentando por ter saído do xadrez. Acho que vou sentir falta de você com aquela roupa de detenta. Aquilo me excitava pra caralho, Pipes — Alex revirou os olhos e sorriu de novo.
— Eu estou tendo uma pequena crise de tristeza e você só pensa em me comer. Tudo bem, Alex. Você quer transar aqui no chão do nosso novo apartamento e deixar a sala com cheiro de sexo? Por mim, tudo bem — Fingi estar zangada e, de repente, senti ela me puxando pela cintura.
— Eu vou fazer sexo com você em cada lugar dessa casa, meu bem — Alex falou baixinho, quase como um sussurro perto do meu ouvido, mordeu o lábio inferior de forma provocante e saiu em direção ao banheiro. Demorei um pouco para me recuperar.
A segui em direção ao banheiro e tive uma breve imagem dos seus seios nus, bem antes dela fechar a cortina do box e me fazer ficar sem aquela visão do paraíso.
— Está me punindo? Sério que você tá fazendo isso, Alex? — Falei, abrindo a cortina do box.
— Estou te deixando a sós com a sua tristeza. Achei que você estava muito deprê pra sexo — Ela riu e fechou a cortina novamente.
"O que você faz comigo, Alex Vause?" Porra, minhas pernas estão bambas. E você nem ao menos me tocou ainda. Que droga de poder é esse que você tem sobre mim?, pensei comigo mesma.
Eu estava certa de que não seria fácil conviver com alguém sob o mesmo teto, o tempo todo, e ter que dividir tudo. Ainda mais esse alguém sendo nada mais, nada menos que a Alex. A noite só está começando e ela sabe me deixar sem controle, sem poder. Me pergunto o que o resto dessa noite reserva para nós duas.
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