Inesperado Amor
11 Capítulo 10 - "Você já é uma mamãe urso"
Olhava para o teto do quarto do hotel contando quantos riscos tinha, estava em Shangai para inauguração da nova Victoria’s Secrets e eu só conseguia pensar em como demoraria fazer isso de novo. Pouco mais de dois meses já haviam se passado desde a nossa viagem à Grécia e foram maravilhosos 60 dias juntos com Edward, ele parecia outra pessoa desde que iniciamos tudo, ele ainda tinha vários passos atrás em relação à minha profissão, mas aos poucos ia progredindo.
Quando eu fui para o Paris Fashion Week como era de se esperar ele optou por não ir aos desfiles e mesmo me doendo muito tentei compreendê-lo, afinal era quase uma relação direta com a mãe dele, descobri que ela morreu durante o Paris Fashion Week, mas quando voltei para Nova Iorque fui pega de surpresa com sua abertura à falar sobre como foi todos os quatro desfiles que participei, ele chegou até pedir fotos e me surpreendi quando cheguei em seu escritório um dia e havia uma foto minha desfilando pra Balmain na parede de fotos dele.
E foi nas provas de roupas para os desfiles que surgiu minha primeira dúvida, por ser uma modelo sempre fiz questão de manter minhas medidas as mesmas, então quando ia participar de algum desfile ou evento, a Jane somente mandava meus tamanhos para a assessoria da grife e eu ia fazer as provas, mas em Paris, todas as roupas ficaram apertadas e aquilo não estava certo, porque eu fiz a mesma preparação de sempre e não havia comido nada fora da minha dieta usual. Após um desmaio inesperado em uma reunião com a Jane quando chegamos em Shangai, ela me convenceu a ir atrás de um teste de gravidez, minha menstruação estava atrasada, mas não me preocupei porque meu ciclo sempre foi irregular e qual foi minha surpresa ao ver os dois tracinhos, eu seria mãe.
— Ei mamãe – Jane adentrou meu quarto e eu sorri preguiçosa me levantando da cama.
— Fale baixo, não quero que ninguém saiba por ora – adverti – Quero que Edward saiba antes – sorri passando a mão levemente sobre o ventre.
— Você sabe que eu tenho que avisar à Victoria’s Secrets, não demore muito a contar – explicou e eu apenas assenti.
O serviço de quarto chegou e comemos nosso café da manhã conferindo o que faríamos com a minha agenda que teria que ser toda adiantada para que eu pudesse realizar os trabalhos antes da barriga começar a aparecer, apesar de eu ter certeza que já tinha algo, mas Jane insiste que é apenas meu desespero e que eu continuo seca como sempre.
— Edward vai surtar – Jane afirmou – No bom sentindo – completou.
— Será? Edward é tão imprevisível que tenho medo de suas reações – confessei enquanto juntava as poucas peças de roupa que estavam pelo quarto para podermos ir fazer check-out.
— E se ele surtar no mal sentido, o que você vai fazer? – questionou receosa.
— Ele irá receber um belo pé na bunda e eu irei viver com meu bebê – empinei o nariz e Jane rolou na cama gargalhando.
— Adoro sua determinação – Jane afirmou.
— Não é determinação, é amor por esse serzinho aqui dentro de mim – passei a mão levemente sobre o ventre, tenho medo até de machucar – Jane, eu nunca tive um elo com alguém, pessoas sempre foram e voltaram na minha vida, nem meu pai ficou por muito tempo – sorri triste – e Renée e Bob sempre sendo maravilhosos, eles sempre foram muito ocupados, mas agora eu tenho o meu bebê e nada e nem ninguém irá me fazer desistir dele – fechei a mala e olhei para minha amiga com os olhos marejados.
— Você já é uma mamãe urso – me abraçou chorando e eu não consegui segurar as lágrimas.
— E você terá férias por 9 meses – brinquei com a voz embargada e ela caiu na risada em meio as lágrimas.
— Até parece, todas as revistas irão querer fotos suas com o barrigão. – retrucou bufando e eu comecei a rir secando as teimosas lágrimas que ainda escorriam.
Eu terei um barrigão! Mesmo já passando alguns dias desde que descobri, era tudo tão surreal para mim, mas ao mesmo tempo tão maravilhoso que eu não era capaz de colocar em palavras como estava minha mente desde que aquele palitinho mudou minha vida! O vôo de volta para Nova Iorque seria mais que longo, então teria tempo suficiente para pensar em uma maneira de contar para Edward que os Cullen e Swan receberiam um novo membro.
A mistura de sentimentos dentro de mim chegava a ser conflituosa, enquanto havia uma alegria muito grande dentro de mim de ter um pequeno ser humano dentro de mim também havia um medo insano, eu e Edward ainda não tínhamos nem dito as três palavras ainda. O vôo até Nova Iorque foi longo o suficiente para poder digerir toda minha realidade.
— Já sei – exclamei para Jane em um momento da viagem.
— Já sabe o que louca? – Jane resmungou sonolenta.
— Como vou contar para Edward – exclamei ganhando sua atenção – O aniversário dele está chegando e eu vou contar para ele como seu presente – sorri animada com a minha decisão.
— Será o melhor aniversário da vida dele – Jane afirmou e retribui com sorriso.
Quando o avião aterrissou em no aeroporto JFK em Nova Iorque eu já estava com a certeza que minha bunda tinha ficado dormente, estávamos a tanto tempo voando que eu só desejava ficar em pé, já não me importava nem encontrar com a minha cama, só quero ter certeza que minhas pernas ainda funcionam. O capitão anunciou que estávamos liberados para sair e eu quase gemi ao ficar em pé, meu corpo estava inteiro tensionado e meus pés pareciam duas melancias, gemi novamente, agora de desespero ao lembrar que em alguns meses meus pés estariam constantemente inchados, mas vai valer a pena, como valeria a pena, os pés inchados eram o caminho para ter meu bebê em meus braços.
— Bella – Jane chamou-me quando passamos pelas portas automáticas que davam em direção ao aeroporto – Olha quem está aqui – acenou com a cabeça e segui seu olhar.
E lá estava Edward com toda sua beleza, ele usava um terno alinhado escuro, seus cabelos estavam bagunçados como de praste, ele usava óculos escuros escondendo suas orbes claras, mas o que me deixou mais surpresa era o buquê de rosas em suas mãos, ele tinha feito isso e naquele momento liguei o foda-se de esperar ele dizer as três palavras, eu as diria porque tudo fez sentido pra mim naquele momento, ele fazia tudo valer a pena, ele me deu o bem mais precioso que é meu bebê e ele é... ele.
— Cullen – joguei-me em seus braços e ele circulou minha cintura com seus braços.
— Senti sua falta Swan – comentou olhando-me nos olhos – Trouxe isso para você – entregou-me o buquê após separar nosso abraço.
— São lindas – cheirei-as e senti uma leve náusea mas respirei fundo e quando levantei meu olhar ele estava com os olhos em expectativas para cima de mim e não resisti, passei a mão em seu rosto e depositei um beijo em seus lábios encostando nossas testas – Eu te amo, Cullen – murmurei com os olhos fechados.
— O quê? – seus olhos estavam abertos em surpresa e não consegui conter o sorriso, havia alguns poucos paparazzi perto de nós, mas nada que me incomodasse.
— Eu te amo – reafirmei agora mais alto e olhando em seus olhos, ele ficou estagnado sem reação nenhuma e eu sentia a aflição dentro de mim crescer, só responda, por favor.
— Vamos? Estão todos te esperando – respondeu depois de um tempo e eu suspirei pesado, será que serei só eu e meu bebê?
— Claro – retruquei seca e não peguei em sua mão estendida – Só irei me despedir de Jane – anunciei e sai andando sem esperar sua resposta.
— Que cara é essa? Problemas no paraíso? – Jane questionou preocupada, não havia ironia em seu tom de voz.
— Edward é um idiota, só isso – dei de ombros – Felix está vindo te buscar? – questionei mudando de assunto.
— Sim, estou morrendo de saudades do meu amor – exclamou com um sorriso e somente retribui, por que eu não tenho um amor fácil como da Jane e do Felix?
— Então, eu vou indo – a abracei e nos despedimos rapidamente.
Edward e eu seguíamos lado a lado em silêncio até onde iríamos buscar as malas*, os paparazzi clicavam nós dois e eu coloquei a mão no rosto pra proteger meus olhos, recolhemos minhas malas e o silêncio entre nós era massacrante, eu sentia o meu coração apertado e dolorido com a rejeição, quando comecei esse relacionamentos eu sabia que não seria algo fácil, Edward não é uma pessoa fácil, mas o desapontamento que eu senti com sua falta de resposta era tão grande que a minha vontade era deixa-lo aqui, pegar um táxi e ir sozinha pra casa. Estávamos caminhando lado a lado e estava me segurando para não pegar cada táxi que passava na rua.
O trajeto até meu apartamento foi tão silencioso quanto o caminho até o carro, Edward tentou puxar alguns assuntos, mas eu não tinha estômago e frieza para fingir que estava tudo bem e que vivemos um lindo conto de fadas e foda-se que ele me deixou com cara de idiota ao confessar meus sentimentos, iria morrer pelo menos um obrigado? Seria melhor que fingir que eu não disse nada. Os carros passavam e eu tentava conter as lágrimas que ardiam meus olhos, malditos hormônios.
— Seja bem vinda – me deparei com todos da minha família e dos Cullens dentro do meu apartamento quando abri a porta.
— Meu Deus – exclamei sem conter o sorriso – O que vocês estão fazendo aqui? –questionei sorrindo já correndo para abraçar Max.
— Você não poderia chegar em casa após rodar o mundo e não ter ninguém para te receber – Bob informou e eu corri para abraçá-lo, só o abraço do meu pai para acalmar a dor em meu peito — Depois conversamos – murmurou já sabendo que havia algo errado comigo, ele sempre sabe.
— Até vocês – brinquei olhando para os Cullens e fui cumprimenta-los.
— E aê Bellinha – Emmett pegou-me em um de seus famosos abraços de ursos e cai na risada, como adoro o Emmett.
— Cadê o pequeno Henry? – questionei já escutando a risada infantil dele que se escondia atras do pai – Poxa, ele não veio me ver, vou chorar.
— Não chola, olha eu aqui – o desespero em seu rostinho com medo de eu estar chorando era a coisa mais adorável do mundo, puxei-o para meus braços e o enchi de beijos.
— Humpf – ouvir uma bufada e virei a tempo de ver Max cruzas os braço e empinar o rosto, ciumento.
— Você está linda – Alice comentou ao me aproximar – Parece que você está com um brilho a mais – olhou- me minuciosamente, parecia que ela sabe.
— Trouxe algumas lingeries da coleção nova pra vocês – pisquei pra Rosalie e Alice e elas sorriram largamente.
— Vamos aproveitar irmão – Emmett cutucou Jasper nas costelas e os dois caíram na risada.
— Emmett – Esme o repreendeu e pela primeira vez vi Emmett corar.
— Encontrei seu ponto fraco, cunhadinho — provoquei – Só chamar a mamãe.
Todos caíram na gargalhada e eu sentia meu coração inflamar vendo todas as pessoas que eu amo estavam ali por mim, não porque eu estava em algum momento de glória como um desfile, mas sim um momento que eu precisava de carinho e acolhimento após dias sozinhas em outro país, sorri agradecida por ter aquilo tudo, mas ao mesmo tempo ainda havia aquela dor de não me sentir amada por Edward Cullen, nem sempre podemos ter tudo.
— Obrigada por terem vindo – agradeci todos enquanto nos despedíamo.
— Sempre estaremos aqui quando precisar – Esme sorriu carinhosa e me abraçou antes de sair e fechar a porta.
Apesar de amar ter todos próximo a mim, não podia negar o cansaço que tomava conta de mim, principalmente na minha atual situação, então quando todos anunciaram que estavam indo embora foi um grande alívio pra mim, mas também foi uma grande tormenta, eu ficaria sozinha com Edward e apesar de ter passado algumas horas desde que ele ignorou minha declaração, ainda me doía, teria sido melhor ele dizer tudo bem à me ignorar daquela maneira.
— Todos já foram? – Edward surgiu na sala e eu senti meu corpo tensionar.
— Sim – não havia vontade de estender uma conversa com ele nesse momento.
— Eu senti tanto sua falta – ele veio para me beijar e me afastei suavemente deixando-o com um olhar confuso.
— Estou cansada, foi um longo vôo. – respondi desviando o olhar para esconder a real razão que não o queria.
— Então vamos deitar – começou a se levantar e suspirei pesado, eu não o queria perto naquela noite.
— Na verdade – comecei puxando o ar para criar coragem necessária – Eu quero passar essa noite sozinha – ao encarar seus olhos tive certeza que ele sabia que era mais que só o cansaço e ele sabia que tinha buscado isso.
Edward saiu sem despedidas ou qualquer barulho, estávamos os dois emergidos em pensamentos, quando tive certeza que ele não voltaria, coloquei as mãos em meu estômago ainda liso e tentei me acalmar para que meu bebê não sofresse qualquer estresse desnecessário. É bebê parece que seremos só os dois, espero que as coisas mudem nesses seis meses que faltam para você chegar. Não demorou muito para que o sono chegasse, havia muitos fatores me puxando para as profundezas do sono e por lá fiquei por indeterminadas horas.
—X-
Meu estômago embrulhava com o cheiro do restaurante, mas eu tinha que disfarçar já que estava junto de Esme, Rosalie e Alice, apesar de estar com o coração quebrado por Edward, eu achava que ele deveria saber que seria pai antes de sua família e ele deveria optar pela hora certa de contar ou não.
— Então, o aniversário do Edward está chegando – Alice começou animada e eu apenas acenei tomando um gole do meu suco – E apesar de tudo, ele sempre adorou essa data e como esse é o primeiro ano que ele realmente está em um relacionamento – sorriu pra mim e eu apenas acenei com um sorriso amarelo – Deveríamos tornar essa data ainda mais especial.
— Alice, eu já te conheço bem o suficiente para saber o que você tem em mente – Rosalie comentou risonha enquanto dava comida para Henry.
— Como tem tanta certeza? – empinou o nariz e eu não consegui conter o riso.
— Alice, você sempre tem tudo planejado – Esme retrucou e a baixinha apenas sorriu dando de ombros
— Voltando ao foco, Bella você tem algum trabalho nas próximas duas semanas? – Alice questionou.
Como eu e Jane estávamos muito preocupadas com a aparição da barriga e acabar dando prejuízo para as empresas, todos os meus trabalhos já haviam sido adiantados, até mesmo a próxima campanha de lingerie da Victoria's Secrets, eu já estava praticamente de licença maternidade, só faltava mesmo contar a Edward e a toda família, não vejo a hora de ver a reação da minha mãe,
— Não, estou livre – me limitei a falar pouco com medo de algo me entregar.
— Então ótimo – Alice se mexeu na cadeira animada como se tivesse descoberto um novo planeta – Nós iremos comemorar o aniversário do Edward em Bora Bora — gritou animada e agradeci por não ser horário de pico, porque os poucos clientes que estavam no restaurante a encararam.
— Bora pra onde? – Henry questionou confuso e eu não consegui conter o sorriso.
— Bora Bora é o nome de uma ilha, querido – Esme explicou no seu tom de vó e eu não consegui conter a imagem que se formou dela conversando com o meu bebe e de Edward.
— O que acham da ideia? – Alice estava nitidamente ansiosa.
— Eu adorei – Rosalie exclamou – Preciso pegar um sol.
— Eu achei maravilhosa, sabe como eu e Carlisle adoramos juntar a família – Esme comentou e todas se viraram pra mim.
— Acho que vamos pra Bora Bora – exclamei tentando conter meu nervosismo.
Enquanto todos comemoravam, eu só conseguia pensar em como contar para Edward que teremos um bebê junto de toda a família, mas enfim, Bora Bora aqui vamos nós!
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