Inesperado Amor

5 Capítulo 5 - "Eu não sou moldável"


Notas iniciais
Capítulo dedicado à Jo Cullen Grey que deixou a primeira recomendação da história.

1° dia

Espreguicei-me sentindo alguns músculos reclamares e lembrei imediatamente da noite que havia tido, Edward ainda dormia agarrado em seu travesseiro e ao levantar tentei ser a mais silenciosa possível, peguei uma roupa na mala e fui ao banheiro me arrumar. Estávamos nos Hamptons* para a passagem do Ano Novo, concordamos em não conversar sobre o que estava acontecendo entre nós até o fim dos nossos dias aqui, talvez porque não tenhamos ideia do que realmente está acontecendo.

Após um banho e roupas decentes fui para a cozinha procurar alguma coisa para o nosso café da manhã, cozinhar era uma paixão secreta que eu não conseguia colocar muito em prática devido a todos os meus compromissos, liguei meu iPod e Locked Away do Adam Levine começou a tocar, era uma música menos recente, mas me animava e era como gostava de me sentir enquanto cozinhava. Achei alguns bacons, ovos e massa para panqueca, típico café americano.

A casa que estávamos nos Hamptons era bem clara com decoração predominantemente em tons de branco, bege e cinza claro tornando tudo muito iluminado, havia uma aura náutica rondando o ambiente mas era algo muito sutil que estava presente em pequenos detalhes como nas janelas clássicas e alguns espelhos em forma arrendondada simulando uma janela de navio.

Na cozinha havia duas portas de vidro que acessavam áreas externas da casa, o sol que entrava fazia meu corpo se animar ainda mais pelo calor recebido. A ilha, que tinha uma linda pedra escura em cima, e os móveis da cozinha eram brancos com puxadores pretos dando um contraste incrível de cores. A sutileza nas alterações de tons era o que tornava a ambientação tão aconchegante. Havia uma mesa rústica no canto da cozinha que harmonizava estranhamente muito bem com o resto dos móveis.

If I showed you my flaws, If I couldn't be strong, tell me honestly, would you still love me the same? *² — cantei enquanto o bacon fritava.

Tell me tell me do you love me or is ya just tryin to play me? Cause I need a girl to hold me down for life*³ — a voz de Edward soou atrás de mim e aquelas palavras pareciam significar além da músicas, mas balancei a cabeça tentando ignorar.

— Ei, você acordou – exclamei e ele me deu um sorriso sonolento – Estou preparando bacons, ovos e panqueca – sorri orgulhosa e ele se aproximou, afastou o fio que fugiu do meu rabo de cavalo e depositou um beijo em meus lábios.

— Obrigado por aceitar vir comigo – sorriu, estamos sorrindo muito essa manhã e eu apenas acenei voltando para o fogão.

Edward Cullen mexia comigo de uma maneira que chegava a me assustar, era um misto de emoções que se confrontavam toda vez que eu o encontrava e muitas vezes mesmo querendo dizer não, eu não conseguia. Depois que recebi o presente dele na casa da minha mãe me levou um bom par de dias para decidir o que fazer, mas eu queria isso, queria pelo menos por um final de semana ignorar que eu sou Isabella Swan com uma carreira que ele odeia e que ele é Edward Cullen, um dos homens mais amargurados que conheci em toda minha vida. Comíamos com alguns olhares trocados e a cada mordida ele elogiava minha “comida” fazendo-me rir, ele parecia leve, eu nunca o havia visto assim em nossos poucos encontros, mas era reconfortante vê-lo assim, gostaria que ele fosse sempre assim, seria tão mais fácil.

— Então, o que vamos fazer hoje? – questionei enquanto lavávamos a louça.

Edward havia oferecido para contratarmos alguém para cuidar da limpeza da casa, que era dele por sinal, mas neguei veemente, queria que fosse só nós dois, ficaríamos uma semana ali e eu queria aproveitar o máximo dele, sem ter que me importar com o mundo exterior e isso incluía qualquer pessoa além de nós dois.

— Pensei em irmos à praia, não consigo me lembrar da última vez que fui em uma – deu de ombros olhando pela janela que ficava na frente da pia e dava para o quintal e um pouco mais à frente para praia.

— Então praia será – afirmei animada e ele riu.

O quarto que dividíamos, assim como no resto da casa, o branco era a cor predominante mas nesse ambiente havia vários detalhes com azul navy, como na colcha e nas almofadas que decoravam a cama, várias janelas clareavam o ambiente, os móveis desagastados propositalmente completavam a decoração do quarto, o teto triangular ressaltava a ideia náutica que estava em alguns detalhes da casa.

Encarei os biquínis em minha mala sem conseguir decidir qualquer escolher, ser uma Angel tinha muitas vantagens e uma delas era receber todas as coleções, o que me garantia uma grande coleção de biquínis, mas nesse momento não era algo que me agradava porque minha indecisão dificultava tudo, haviam 4 modelos estendidos sobre a cama, um azul marinho, um rosa mais puxado para o salmão, um preto e um estampado.

— Ainda não está pronta? – Edward adentrou o quarto já de bermuda e uma regata branca, como esse homem é gostoso.

Não consigo escolher um – mordi o lábio e ele caiu na gargalhada – Não ria – resmunguei já rindo junto.

— Eu gosto do azul – informou e eu peguei sem pensar – Como eu imaginei – mordeu o lábio quando voltei para o quarto e dei uma voltinha. – Vamos antes que eu não te deixe sair desse quarto.

O sol ainda não estava muito forte, era relativamente cedo, mas eu ainda enchi-me de protetor solar, devido a minha palidez eu não conseguia pegar sol, porque nunca conseguia um bronzeado já que sempre resultava em minha pele toda vermelha e ardendo em cada centímetro, então para evitar futuras queimaduras, protegia minha pele o máximo possível e eu ainda saía um pouco queimada.

— Não vai entrar? – Edward gritou da beira do mar e após ter certeza que meu protetor estava bem espalhado e eu não parecia um fantasma corri ao seu encontro entrando primeiro que ele.

— Vai ficar só olhando Cullen? – provoquei e ele logo entrou na água.

Não estava muito gelada, mas também não estava quente, era uma temperatura bastante agradável e não resisti a um mergulho. Quando Charlie ainda era vivo, ele e Renée tinham uma casa nos Hamptons e até os meus 5 anos vínhamos todo final de semana para cá, foi quando recebi o apelido de peixinha pelo meu pai, eu era apaixonada por mar e por nadar, mas depois de sua morte sempre evitei ir à praia, era estranho não tê-lo me chamando por perto.

— Você realmente gosta de água – Edward brincou me segurando pela cintura quando emergi.

— Meu pai me trazia muito para cá quando era mais nova – sorri com a lembrança – Foi inevitável não me apaixonar pelo mar.

— Esme é apaixonada por praia, quando éramos mais novos, ela fazia pelo menos uma viagem para o litoral no ano – Edward parecia perdido em suas lembranças e o deixei falar – Mas fomos crescendo e essas viagens foram ficando cada vez mais escassas, até que acabaram – deu de ombros e voltou o olhar para mim.

— Gosto da calma que o mar passa – joguei meu corpo para trás molhando o cabelo.

Edward esperou que eu ficasse em pé novamente para me puxar para um beijo, sua boca tinha gosto salgado do mar, mas não era algo que me importava, passar a mão pelo seu cabelo molhado era uma sensação maravilhosa. Sem me controlar muito passei as pernas ao redor do seu quadril e pude sentir sua ereção, fazendo-me sorrir em sua boca e ele friccionou nossos sexos e o gemido saiu pelos meus lábios.

— Não quero ser presa por atentado ao pudor – murmurei entre gemidos ao ver algumas pessoas caminhando pela praia.

— Você ficaria muito sexy com aquele uniforme laranja – provocou e eu dei um tapa em seu braço e ele riu alto.

Ficamos mais um tempo na água sempre provocando um ao outro com toques ousados ou apenas com beijos, mas meus dedos começaram a enrugar e achei melhor ir sentar na areia onde havia deixado nossas coisas. Fiquei olhando Edward mergulhar um pouco e quando ele emergia e os músculos de suas costas contraiam, sentia o fôlego ir embora, ele era extremamente sexy, um ogro quando queria, mas muito sexy e com as gotas d’água escorrendo pelo seu corpo, não tem Bella que aguente.

— Admirando a paisagem? – questionou ironicamente quando sentou ao meu lado e eu apenas empinei o nariz.

— Claro que estou, olha que lugar lindo – Bella marca

O silêncio entre nós era confortável, ao longe via-se um casal com uma criança e imediatamente meus pensamentos foram para Charlie, como eu sentia saudades dele, apesar dele ter morrido quando eu ainda era muito nova, as lembranças eram tão frescas na minha memória que chegavam a doer, ainda conseguia lembrar da nossa primeira vez na praia e como ele me ajudou a pegar algumas conchas e entrou comigo no mar rindo de minha alegria e descoberta de que o mar era salgado. Onde que você esteja, saiba que eu te amo Charlie.

O que tanto pensa? – Edward tirou os fios do meu rosto tirando-me dos meus pensamentos.

— No meu pai – confessei voltando meu olhar para ele.

— Saudades de casa? – questionou confuso e eu dei uma risada fraca.

— Charlie não está mais nesse mundo – dei de ombros e ele me puxou para seus braços.

— Como? – sussurrou após um tempo de silêncio, ele passava a mão pelos meus braços e eu estava olhando para frente.

— Acidente de carro, um motorista bêbado o atingiu quando ele voltava para casa – solucei lembrando do dia que eu estava ansiosa por sua volta porque eu queria mostrar meu trabalho da escolhinha, mas ele nunca chegou.

— Sinto muito – beijou meus cabelos e fechei os olhos.

—x-

2º dia

O último dia do ano! Não conseguia acreditar que 2016 havia chegado ao fim e muito menos que eu estaria passando minha virada de ano com Edward, se um mês atrás alguém me contasse isso, eu riria muito na cara deles e falaria que foi somente uma noite, mas agora eu estava aqui vendo-o fazer o nosso almoço na churrasqueira, Edward Cullen sabe usar uma churrasqueira e tudo parecia estar certo, nós conseguimos conviver bem, mas o que aconteceria quando terminasse os sete dias? Cada um para o seu lado? Edward havia marcado meu coração, não é amor, isso eu tenho certeza, mas ele estava aqui dentro e se tornou importante para mim, não seria fácil ter que deixá-lo, mas seria eu capaz de fazê-lo entender que minha carreira é tão importante quanto qualquer outra?

— Cem dólares pelos seus pensamentos – Edward disse ainda mexendo nas linguiças.

— Eu ganho mais que isso em uma hora – dei de ombros e ele gargalhou.

— Você vale isso tudo? – provocou desligando o fogo.

— Acredite, muito mais – retruquei.

— Vamos almoçar – cortou a conversa que nos levaria a falar da minha carreira, como sempre.

Nossas refeições sempre eram cheias de provocações e risadas, elogiei algumas vezes a carne e isso parecia que o deixava ainda mais animado. Edward era uma criança no corpo de um homem, chegava a ser engraçado as vezes como alguns comentários simples eram o suficiente para alegrá-lo. Nossos planos para o Ano Novo eram bem simples: Passar a virada na cama.

— Esse será o Ano Novo mais diferente da minha vida – comentei mais tarde deitando ao lado de Edward na cama.

— Da minha também – respondeu sem muita animação com os olhos na tela do notebook.

Apesar de ser quase feriado e ele estar tecnicamente de férias por uma semana, Edward não parava com o celular um minuto resolvendo problemas do hotel e agora ele se encontrava digitando alguma coisa enlouquecidamente em seu notebook, faltava apenas duas horas para a virada do ano e aquilo estava começando a me irritar, o idiota que ligou não poderia esperar até amanhã?

— Não aguento mais isso – bufou fechando o notebook e fazendo-me despertar do meu breve sono ao seu lado, a chatice foi tanta que acabei dormindo.

— O que está acontecendo? – questionei pegando o notebook e analisando a tela que estava.

Era uma intimação judicial de uma ex funcionária alegando condições indignas de trabalho, assédio assexual e erros na folha de pagamento, pela troca de e-mails de Edward percebi que era uma funcionária nova, Tanya Denali, bonito nome mas péssima pessoa, olhei alguns arquivos que Edward havia enviado e tudo tinha sido pagado conforme o contrato, mas não havia pagamento pela alimentação dela, que era onde ela alegava o erro e o assédio era contra algum outro funcionário.

Você pode abrir o arquivo de contrato dela por favor? – pedi e ele logo achou no computador.

Quando eu era adolescente, passava horas no escritório do Bob e ele sempre me ensinava a lidar com os casos, poucas pessoas sabem mas eu cheguei a fazer alguns semestre na faculdade de Direito, mas quando minha carreira estourou de vez, tranquei a faculdade e analisando o contrato empregatício dos Cullens com a Senhorita Tanya, havia exatamente o que eu esperava, as horas de trabalho dela eram baixas para alguns benefícios e o mais importante, estava descriminado no contrato que ela não iria receber benefício alimentício.

— Aqui – chamei sua atenção apontando para tela – No contrato vocês descriminaram que não haveria pagamento pela alimentação, ela não tem direito de pedir isso agora principalmente que as horas de trabalho dela não são suficientes, no caso do assédio, ela deveria processar o assediador, não a empresa e quanto as condições indignas de trabalho, procure alguns ex funcionários e funcionários atuais que estejam dispostos a testemunhar a favor da empresa, problema resolvido – informei e ele me olhava sem muita reação. — E que tipo de advogado você tem que não foi olhar o mais simples que era o contrato dela? – debochei e ele estava perplexo.

— Onde aprendeu isso tudo? – indagou e não consegui conter o sorriso irônico.

— Cullen, você sabe quem é meu padrasto? – retruquei e ele negou levemente – Meu padrasto é o Robert Thompson – sorri com sua cara de choque, digamos que o Bob é muito conhecido. – E eu fiz alguns semestres de Direito – dei de ombros fingindo ser algo banal.

— Você me surpreende cada vez mais – murmurou para si e me puxou pela cintura para um beijo.

Devo dizer que não percebi quando as roupas deixaram nosso corpo e isso era o que menos me importava naquele momento, o arrepio que passava pelo meu corpo quando ele passava seus dedos pela minha pele era uma das melhores sensações que senti nos meus 25 anos. Minhas unhas estavam compridas o suficiente para arranhar seu braço e ele soltou um gemido baixo quando fiz isso, sua boca migrou para o meu pescoço e com ela veio os arrepios que dominavam meu corpo quando ele me tocava.

— Nunca me canso de sua beleza – murmurou enquanto me analisava antes de voltar com sua boca na minha.

Puxei-o mais contra mim e eu já sentia seu membro roçar em minha intimidade e isso já era o suficiente para me acender ainda mais, a maneira que Edward dominava meu corpo era algo nunca experimentado por mim, nunca tinha sido assim com ninguém. Sua boca ao redor dos meus seios foi o ápice para me levar a loucura, eu o queria.

Edward sugava com avidez e eu imagina nos pontos avermelhados que deixaria no meus seios claros, mas aquilo pouco importava, ele me encarava através dos cílios deixando a imagem ainda mais erótica para mim, joguei minha cabeça para trás sem conseguir falar muito e foi quando sua mão chegou na minha intimidade e não consegui conter o grito que se apossou de mim, preliminares eram uma novidade entre nós. O contato de seus dedos com meu clitóris fazia todos meus músculos contrair e os gritos saírem descontrolados pela minha boca, quando senti que não aguentaria mais segurar Edward tirou a mão e eu o olhei irritada.

— Eu quero que você chegue ao prazer comigo dentro de você – sussurrou na minha orelha, idiota.

Quando Edward colocou seu membro dentro de mim achei que não iria aguentar mais nada, meu corpo gritava por alívio, mas o prazer de tê-lo em mim era tão grande que me segurei o máximo possível, puxei-o para um beijo e mexi meu quadril em sua direção, seu ritmo estava mais lento hoje, como se buscasse aproveitar o momento e não só o prazer e eu tentava mantê-lo devagar também, mas isso durou pouco porque nossos corpos começaram a exigir mais de nós e o ritmo foi ficando cada vez mais intenso, os gemidos cada vez mais alto e eu logo sentir meu corpo contrair antes do prazer completo, Edward veio logo em seguida e caiu ao meu lado puxando-me para seu peito e deixando um beijo em minha testa.

— Feliz Ano Novo – desejou após olhar o relógio que ficava no criado mudo ao seu lado.

— Feliz Ano Novo – murmurei me apertando contra ele.

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3° Dia

Cullen, se você fizer isso eu juro que te mato – gritei correndo dele.

Durante a madrugada caiu uma chuva torrencial e o quintal ficou um pouco úmido e Edward acabou escorregando e ficou todo sujo de lama e eu nunca consegui segurar o riso ao ver uma pessoa caindo, independente de quem seja e não foi diferente com ele, o problema foi quando saiu correndo atrás de mim pedindo um abraço.

Corríamos ao redor da piscina e dos móveis que ficavam do lado de fora da casa, meu único medo era escorregar assim como ele e ganhar um belo roxo em alguma parte do corpo, talvez por ser alta demais, sempre fui um tanto desajeitada quando o assunto era correr, a probabilidade de eu levar um tombo era quase 100% e isso rendeu vários hematomas ao longo da minha vida.

— Swan, eu só quero um abraço – provocou chegando mais perto.

Cada vez que ele se aproximava eu agradecia aos céus por ser alta, porque podia fugir dele na mesma proporção que ele corria atrás de mim, então sempre havia um espaço interessante entre nós dois e eu tinha que manter a maior atenção possível, porque se eu demorar um pouco para reagir é o suficiente para ele pegar e me sujar toda. Nunca fui uma pessoa muito fresca, mas havia algumas coisas que eu tinha pavor e uma delas era ficar melada, qualquer coisa molhada demais que pegava em mim me deixava extremamente agoniada.

— Te peguei – Edward gritou me abraçando e senti a lama gelada na minha pele.

— Filho da puta – xinguei mas sem conseguir conter o riso.

— Isabella Swan xinga? – provocou ainda com seus braços ao redor da minha cintura e afastou o cabelo que caia sobre meu rosto.

— Você não tem ideia de como – retruquei e ele gargalhou jogando a cabeça para trás e aquela foi uma das cenas mais bonitas que já vi.

O sol fraco da manhã batia em seus fios cobres deixando-os ainda mais brilhantes, seu maxilar não estava tensionado como era de seu costume, assim como suas expressões faciais que estavam leves, não havia vincos entre as sobrancelhas ou olhos semicerrados, esses três dias me mostravam o Edward que todos comentavam ser uma simpatia, mas que não permitia se mostrar às modelos, a alguém como eu.

Fiquei feliz de ter aceitado meu convite – comentou quebrando meus pensamentos.

— Fiquei feliz de ter aceito seu convite – sorri levemente e ele colou nossas bocas.

Sentia que Edward se abria cada vez mais, mas eu não tinha ideia de quanto isso iria durar e isso me matava por dentro de pensar que nosso castelo de areia poderia ser derrubado apenas com uma pequena maré.

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Estava deitada no sofá passando por vários canais sem me preocupar muito com o que estava passando, Edward estava em algum lugar durante uma ligação de negócios e eu só conseguia pensar na saudade que estava de trabalhar, procurei meu celular pela sala e quando achei fui direto para os meus e-mails para conferir minha agenda de trabalhos, Jane era minha agente e todo início de mês eu recebia minha agenda atualizada para caso algum trabalho de última hora tenha surgido e junto de estava os contratos para que eu pudesse rever e requerer alguma alteração, mas quem cuidava de toda parte contratual da minha carreira era Jacob, um dos meus melhores amigos e advogado no escritório do Bob.

Quase pulei de alegria ao constatar que um novo photoshoot havia surgido para semana que vem, no e-mail Jane questionava se eu iria aceitar, já que adiaria meu período de férias, mas eu estava com tanto desejo de trabalho, que estava disposta esperar um pouco para poder viajar e como ainda não havia decidido qual seria meu destino, era mais uma razão para aceitar o contrato.

— Jane? – chamei quando ela atendeu o telefone.

Olá sumida – ironizou e não consegui conter o riso – Onde você se enfiou depois do Natal?

Estou nos Hamptons – informei somente o necessário – Estou ligando para pedir para você confirmar o photoshoot e depois vou entrar em um mês de férias – avisei e Edward voltou para sala e fiz sinal para ele esperar um minuto.

Hamptons? Não quero nem saber com quem – brincou e não consegui conter a risada e o olhar de curiosidade só aumentava no rosto de Edward – Já pensou para onde vai viajar? Preciso deixar anotado na sua agenda.

Ainda não, Jane preciso ir, mas me avise a data exata do photoshoot, beijos – me despedi rapidamente e desliguei após Jane responder.

— Quem era? – Edward questionou mexendo nos canais fingindo despreocupação.

— Minha agente, estávamos resolvendo alguns trabalhos – informei sentando-me ao lado dele.

— Trabalho? Para que? Pensei que iria deixar a carreira de lado – comentou e senti a ira dominar meu corpo.

— Deixar minha carreira de lado? Por que eu faria isso? – questionei já com a raiva dominando meu tom de voz.

— Por nós – Edward finalmente me encarou e toda a raiva que eu senti por ele no dia que nos conhecemos estava ali – Isabella, você não espera que nós dois teremos algo caso você continue com essa profissão.

Eu o encarava sem reação alguma, a raiva que me dominava era algo tão intenso que eu não tinha a capacidade de formar uma frase completa, minha boca chegou a abrir e fechar várias vezes e nenhum som saia por ela, era como se tivessem arrancado minhas cordas vocais. Puxei o ar lentamente tentando recuperar o controle e quando me senti confiante de novo voltei a falar.

— Cullen, os dias que tivemos aqui foram muito bons, mas acabam aqui – anunciei já me levantando e ele me encarava sem reação – Eu lutei demais para chegar onde estou, para desistir de tudo por causa dos seus traumas, se você não está disposto a me aceitar por completa, não espere que continuaremos com isso – terminei já me direcionando para as escadas.

Sentia as teimosas lágrimas dominarem meus olhos tornando difícil até enxergar os degraus a minha frente, ao entrar no quarto peguei minha mala e comecei a enfiar as roupas que estavam pelo quarto de qualquer jeito e disquei o celular pedindo um carro para me levar de volta para Nova Iorque, só queria sair daquele lugar, eu era tão idiota de acreditar que ele iria aceitar quem eu sou, nunca fui de abaixar a cabeça para ninguém e eu não começaria a fazer isso agora, eu não sou a mãe dele!

Terminei de fechar a mala e conferi no celular a mensagem que o motorista estava a poucos minutos da casa, aproveitei esse tempo para ter certeza que não havia esquecido nada, mas minhas lágrimas eram tão intensas que provavelmente se eu estivesse deixando algo para trás, eu não iria perceber. Quando a notificação avisou que o carro havia chegado, consegui sentir um alívio momentâneo daquela pressão dolorosa em meu peito.

— Você vai fazer como minha mãe e me deixar? – a voz do Edward soou atrás de mim quando minha mão já estava na maçaneta da casa e precisei puxar o ar antes de me virar.

— Eu não estou fazendo como sua mãe – a firmeza na minha voz era totalmente refutada pelas lágrimas em meu rosto – Ela não se importava com você e por isso ela te largou, não foi porque ela era modelo ou coisa do tipo – naquele momento eu não media as palavras que saiam da minha boca – Eu estou indo embora porque não irei abandonar tudo que eu lutei a vida toda por alguém que não me aceita, Edward, não espere que entrarei nesse relacionamento abusivo que você está montando onde pretende ter domínio sobre minhas decisões ou sobre quem eu sou – peguei minha mala e abri a porta dando uma última olhada para ele – Eu não sou moldável.

As lágrimas eram assustadoramente incontroláveis durante todo o caminho até Nova Iorque, a dor no meu peito era dilacerante e eu sentia como se estivesse sufocando tamanha era ela. Apesar de saber que Edward era um homem difícil nesses poucos dias que estivemos juntos imaginei que ele havia finalmente me aceito, finalmente entendido que eu amo minha profissão, mas percebi que não, ele acreditava que iria me convencer a desistir de toda minha carreira.

O apartamento vazio parecia combinar com como eu me sentia naquele momento, larguei a mala em um canto qualquer da sala e me arrastei até o sofá mais próximo deitando lá e permitindo toda minha angústia sair em forma de grito contra uma almofada qualquer, mas não foi suficiente. Para muitos talvez eu estivesse sofrendo de coração partido, mas naquele momento todo meu corpo doía tornando até o simples ato de mexer um músculo doloroso.

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Minha cabeça e meu corpo doíam quando acordei no sofá com as mesmas roupas do dia anterior, não sabia em que momento havia sucumbido ao sono, mas realmente não me importava naquele momento, arrastei-me para o banheiro desejando um banho de banheira na expectativa de que tudo aquilo saísse do meu cérebro. Olhei a hora em meu celular, mas não foi aquilo que me chamou a atenção, mas sim a data, ainda era dia 4 de janeiro. Quando estava naquela casa com o Edward parecia que havia se passado uma eternidade e não somente 3 dias, a conexão que havíamos desenvolvido era grande demais para tão pouco tempo, não fazia sentido tudo aquilo, como eu poderia ter sentimentos tão fortes por ele em apenas 72 horas?

Se eu achei que a noite anterior havia sido difícil, eu com certeza não imaginava como iria me sentir pelas próximas horas, cada minuto que eu sabia que era para eu ainda estar naquela casa com ele, passei imaginando o que ele estaria fazendo ou o que nós estaríamos fazendo caso ele não tivesse sido tão imbecil, a dor era algo ainda presente e as lágrimas raramente abandonavam meu rosto, eu não conseguia aceitar essa minha reação, eu nunca havia sentido isso e era o que mais me assustava.

Até o dia 7 de janeiro, permiti-me se entregar a tristeza e a dor, esse seria o tempo que eu teria ficado com ele, mas quando a manhã do dia 7 chegou, prometi a mim que a partir daquele momento eu ergueria meu queixo e seguiria em frente, Edward Cullen ficaria para trás assim como os dias que passamos juntos naquela casa, apesar de meu corpo e meu coração gritarem por ele, meu amor próprio precisa ser mais forte.

Notas finais
* Os Hamptons são um grupo de vilas de luxo, localizado no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América. *² Se eu te mostrasse meus defeitos, se não pudesse ser forte, diga-me honestamente: Você ainda me amaria do mesmo jeito? *³Diga-me, diga-me você me ama ou só está tentando brincar comigo? Pois preciso de uma garota que me guarde a vida toda OLÁÁÁÁÁÁÁ MEUS AMORES, eu sei, não me matem, mas é necessário que vocês entendam que o Edward não é um cara emocionalmente forte (logo teremos um bônus com o POV dele e vocês vão entender) então não daria pra resolver tudo tão rápido. Mas devo dizer que tenho uma paixão IMENSA por esse capítulo porque é a primeira vez que vemos Bella e Edward como casal e também que vemos o Edward saindo da caixinha dele... Espero que gosteeeem. Kisses & Bites, BellaMC PS: EU QUERO AGRADECER MUITOOOOOOOOOOOOOOOOOO À JO CULLEN GREY QUE DEIXOU A PRIMEIRA RECOMENDAÇÃO DA HISTÓRIA, EU FIQUEI IMENSAMENTE FELIZ, OBRIGADA MESMO PELO CARINHO.