Inesperado Amor
15 Bônus - "Bella não é Elizabeth"
Notas iniciais
A minha bochecha queimava pelo estalo dos dedos da Bella em meu rosto, eu não queria nunca mais olhar para o rosto de Isabella, qual o direito que ela tinha de bater em meu rosto quando eu só constatei a ver... Droga, eu acabei de comparar a Isabella com a Elizabeth, que tipo de ser humano eu sou? Bella mostrou em todos nossos meses juntos que ela totalmente o oposto da mulher que me pôs no mundo... Bella já era mãe antes mesmo de saber se eu queria ser pai. Droga!
Peguei meu telefone e rapidamente disquei o número do meu pai, eu precisava de suas sábias palavras para raciocinar a estupidez que eu havia feito, o celular parecia pesar 10 quilos em minhas mãos e minha mente estava em outra dimensão, uma única frase passava incontavelmente nos meus pensamento “Que merda eu tinha acabado de fazer?”.
— Edward? – a voz do meu pai soou do outro lado da linha e parecia que a situação só ficava cada vez mais real.
— Eu estraguei tudo – murmurei ouvindo a minha voz embargada e desesperada.
— O que houve? – Carlisle questionou preocupado e eu sentia as quentes e espessas lágrimas descerem pelo meu rosto.
— Eu arruinei tudo com a Bella – minha voz já estava quase inaudível tamanho era meu choro de desespero.
— Edward, me explica direito – meu pai exigiu e eu comecei a narrar a minha tamanha estupidez – Não acredito que você fez isso – ele suspirou depois de ouvir minha narrativa – Eu e sua mãe estamos indo te encontrar, não saia de casa e não ligue para Bella – mandou já desligando o telefone.
E assim eu fiz, enrolei-me sobre os lençóis em que ela estava até alguns minutos, ou talvez horas, e deixei meu desespero e dor tomar conta de mim. Tudo estava tão perfeito entre nós, seríamos pais e eu estava inexplicavelmente feliz com isso, era como se a vida me desse uma certeza de que eu nunca ficaria sozinho, agora no mundo teria um pequeno pedaço de mim, mas como sempre, Elizabeth voltou do inferno para me atormentar, quando Bella mencionou seu trabalho, foi como se uma vertigem tivesse tomando conta de mim e eu só conseguia pensar que meu filho não seria esquecido também, mas eu esqueci que Bella não é Elizabeth.
— Droga Elizabeth – gritei para o vazio em meio aos meus prantos, levantando e jogando um vaso qualquer na parede – Por que você não me amou? – murmurei caindo de joelhos no chão.
— Ô meu filho – a voz de Esme preencheu meus ouvidos e ergui a cabeça vendo meus pais diante de mim com expressões de piedade – Não fique assim, meu pequeno – abaixou-se me puxando para seus braços, exatamente como quando eu era pequeno.
— Eu estraguei tudo – murmurei ainda sem conseguir conter as lágrimas – Eu não perdi só a Isabella, perdi meu filho também.
— Filho, Bella é boa demais para tirar seu filho de você – Carlisle começou, levando-me para cama com auxílio da minha mãe— Mas quanto a ela, eu não sei, Bella é forte demais para lidar com tudo isso por muito tempo.
— Eu não sei o que fazer – confessei derrotado – É como se a cada passo que eu dou com Bella, Elizabeth me faz voltar dois – coloquei o rosto entre minhas mãos, ainda sem conseguir conter as lágrimas.
— Meu filho, você não pode deixar isso continuar – Esme passou a mão em meus cabelos – Elizabeth é passado, você precisa pensar no seu futuro!
— Acho que está na hora de você procurar ajuda médica – Carlisle comentou cauteloso – Você tem que tentar de novo, sei que é doloroso reviver todos os seus sentimentos, mas será mais doloroso ficar sem sua família – o olhei com a expressão vazia e o mundo pesando nas minhas costas, é agora ou nunca.
— Eu vou começar a terapia... De novo – murmurei e os dois me abraçaram imediatamente trazendo-me o conforto de casa.
—x-
Alguns pares de anos haviam passado desde que eu pisei pela primeira vez em um psicólogo! Minha primeira experiência foi com 16 anos, depois que entrei em uma fase rebelde com raiva do mundo, Carlisle e Esme acharam que era importante que eu aprendesse a lidar com meus sentimentos, mais especificamente: com o sentimento da rejeição, mas para um jovem amargurado, a experiência de ter que narrar cada dor, cada sensação, cada pensamento era doloroso demais, então depois da terceira consulta, eu simplesmente desisti de ir para lá e fui seguir minha vida sendo o filho que Esme e Carlisle mereciam, mas odiando todo mundo que Elizabeth escolheu.
Agora eu encarava o chão sentado no sofá de couro preto do consultório de Aro Volturi, o melhor psicólogo de Nova Iorque, se ele não conseguisse me ajudar, ninguém conseguiria e isso me assustava para um caralho. Seu consultório era na medida certa, havia uma enorme estante embutida de madeira escura em uma das paredes, não havia mesa, somente uma enorme poltrona cinza postada exatamente a frente do sofá em que eu estava, as paredes eram de um cinza bem claro, dando uma ideia até de reconfortante, o tapete era felpudo e em determinado momento de nervosismo, me vi contando quantos pêlos havia nele.
— Edward Cullen – a voz de Aro anunciou sua chegada e me pus de pé, Aro era um homem de meia idade de longos cabelos escuros e um óculos pendurando no seu nariz – A que devo a honra? – fez sinal para me sentar e se direcionou para sua poltrona
— Eu preciso de ajuda – comuniquei.
— Oh meu caro, todos precisamos – brincou – Preciso que seja mais específico – pediu já pegando um caderno e uma caneta.
E então eu comecei a narrar cada situação que eu lidei durante minha vida até que eu chegasse no momento que deixei Isabella escapar pelos meus dedos, diferente da sensação que eu tive aos meus 16 anos, agora era um alívio deixar tudo aquilo sair de dentro de mim, era como se o meu tormento estivesse se esvaindo e aos poucos eu conseguisse abrir meus olhos.
Quando a consulta chegou ao fim, peguei meu celular no bolso e liguei, uma das regras de Aro era manter o celular desligado durante a consulta, e me surpreendeu uma mensagem da Bella. Já havia se passado 48 hrs desde nossa briga, minha vontade era ir atrás dela, mas Carlisle me aconselhou a esperar, estressá-la demais poderia ser perigoso para o bebê. Abri a mensagem um pouco receoso com medo de ser ela me mandando nunca mais vê-la, mas era um endereço e um horário, a primeira consulta do meu filho! Olhei o relógio exasperado e constatei que a consulta já havia começado a cinco minutos e eu estava do outro lado da cidade.
Sem pensar muito, entrei dentro do carro e dirigi o mais rápido que eu pude, mas o trânsito de Nova Iorque era uma grande merda e o relógio parecia não querer colaborar comigo, cada vez que eu piscava eram 5 minutos que o ponteiro avançava, quando finalmente avistei o prédio da consulta, respirei aliviado e torci para ter chegado a tempo, estacionei de qualquer jeito e sem me preocupar se era local proibido ou não e corri como nunca na minha vida, mas quando a vi no hall sabia que era tarde demais, mas ainda tinha uma pequena esperança.
— Cheguei a tempo? – questionei ofegante e torcendo por uma resposta positiva.
— A tempo de me ver indo embora – ouvir sua voz depois de tantos dias era tão reconfortante, mas ela logo passou por mim irritada.
— Droga, fiquei preso no trânsito – tentei explicar, eu ainda não queria que ela soubesse sobre o psicólogo.
— Edward, suas desculpas não me interessam – ela não olhava para mim e começou a mexer sua mão para tentar conseguir um táxi.
— Deixa que eu te levo para casa, assim pelo menos me conta o que aconteceu na consulta – quase implorei para que ela permitisse isso e quando ela me olhou e seus olhos se arregalaram por um fração de segundo, tive certeza que ela se assustou com meu estado físico.
— Não, obrigada, tudo que você precisa saber é que os bebês estão bem – respondeu com um táxi já parando a sua frente e esmagando as poucas esperanças que eu tinha. — Sim, parabéns papai, são gêmeos – sua voz era irônica, mas eu não me preocupei com isso, sua última frase rondava pela minha mente enquanto eu via o táxi ir embora.
Eu serei pai em dose dupla!
—X-
— Você vai ser pai de gêmeos – Emmett exclamou – Que mira hein – brincou e todos riram, até mesmo eu.
Já havia passado alguns dias desde meu último encontro com Isabella e eu não conseguia coragem suficiente para ir atrás dela! Emmett e Rosalie convidaram a família inteira para um jantar e era bom estar cercado de pessoas que se importam comigo, quando eu me sinto afundado em uma areia movediça de emoções sem expectativas de sair. Estávamos todos na sala jogando conversa fora, todos os casais juntos nas poltronas e eu sentado no chão encostado no sofá com o pequeno Henry em meu colo jogando no meu celular
— E vocês já conversaram? – Alice questionou cautelosa e eu apenas neguei com a cabeça.
— Ela ao menos sabe que você procurou ajuda? – Jasper perguntou e eu me resumi novamente a negar com a cabeça;
— Por Deus, vocês serão pais – Rosalie exasperou – Vocês precisam conversar – enfatizou.
— Concordo com Rosalie – mamãe começou – Está na hora de vocês resolverem isso, vocês terão dois bebes juntos, se decidirem não ser mais um casal – aquilo doeu inexplicavelmente mas guardei para mim, como sempre — Precisam ser ao menos parceiros.
— Eu tenho medo – confessei olhando para o joguinho de Henry – Me assusta a ideia dela confirmar minhas suspeitas e me dizer que não terei acesso às crianças – dei de ombros.
— Como se a Bella fosse fazer algo assim – Alice resmungou cruzando os braços.
— Alice está certa – Carlisle confirmou – Bella é uma pessoa maravilhosa e você sabe disso, ela jamais tiraria seus filhos de você.
Sabia que toda minha família estava certa, mas o medo era gigantesco dentro de mim e no dia seguinte trouxe essa pauta para mais uma consulta com Aro e ele me aconselhou a ir atrás dela, se eu ficasse remoendo meus medos, todo nosso trabalho estaria sendo inútil, então após minha consulta, digitei uma rápida mensagem para ela falando que queria ir ao seu apartamento essa noite e ela respondeu com um simples “ok”.
—X-
Era possível ouvir os meus batimentos de tão rápidos que estavam enquanto eu esperava Bella abrir a porta, essa seria conversa que definiria tudo para nós e se decidíssemos ser apenas pais dos bebês em seu ventre, tenho certeza que sairia destruído desse apartamento!
— Cullen – seus braços estavam cruzados em seus já avantajados seios e sua cara gritava poucos amigos.
— Oi Bella, podemos conversar? – tentei conter o nervosismo em minha voz e ela logo deu espaço para eu entrar, eu me sentia um invasor no lugar que foi minha casa metade da semana, sentei-me no sofá e passei a mão na minha calça para tentar conter o nervosismo.
— Fale – sua grosseria doía, eu só queria implorar seu perdão, mas sabia que não podia exigir isso dela.
— Bella, eu nunca escondi meus demônios de você, eu não posso enumerar quantas vezes no dia que eu entro em uma batalha comigo mesmo para poder estar com você – então pela primeira vez, criei coragem para olhar diretamente em seus olhos, eu queria que ela soubesse que eu estava sendo sincero e ela simplesmente me puxou para um abraçado surpreendendo-me e eu não consegui conter as lágrimas de cairem – Eu sei que você não é como Elizabeth, eu realmente sei, ela não me quis do momento que ela soube que eu existia, enquanto você foi o oposto, você quis nossos filhos desde o momento que os descobriu – respirei fundo e afastei-me para olhar dentro de seus olhos novamente – Eu te amo Bella, nossa, como eu amo, mas você vive em um mundo que me atormentou a vida toda, mas eu não estou disposto a desistir de você ou deles – encostei suavemente a mão em sua, ainda lisa demais, barriga sem acreditar que ali estava meus filhos.
— E o que pretende fazer? – seu tom já era suave e eu consegui sentir o alivio dentro de mim.
— Naquelas dois dias em que eu sumi depois da nossa briga, eu fui atrás de um psicólogo – confessei tentando dar um sorriso no processo, mas falhando miseravelmente – E eu não te contei isso antes, porque eu esperei sentir que era o momento certo – fechei os olhos e puxando o ar que parecia pesado demais naquele momento – Bella, eu serei o homem que você e nossos filhos merecem. – prometi e ela sorriu suavemente.
— Eu confio em você – afirmou e naquele momento eu recebi a força que precisava para continuar.
Os meses que seguiram nossa conversa foram os mais difíceis da minha vida, eu estava com Bella quase o tempo todo, só nos separávamos para minhas consultas e para eu ir para o trabalho, onde ela de vez em quando aparecia, mas não éramos um casal, era como se fossemos melhores amigos que teriam dois filhos juntos e isso me massacrava por dentro, mas ela constantemente me lembrava que logo estaríamos juntos novamente.
Depois do ultrassom que soubemos que teríamos dois meninos, era como se o mundo ao nosso redor tivesse ficado azul, sempre havia algo em nós do tom azul, analisando minhas gravatas percebi uma grande aquisição de gravatas no tom azul e Bella estava sempre com algo em si azul, seja a bolsa, a blusa, a calça e até mesmo a capa do seu celular, que agora era azul.
— Ei Cullen – Bella adentrou meu consultório com seu já exuberante barrigão, como ela gosta de chamar.
— Ei Swan – retribui o cumprimento já me levantando e ela riu – Como vocês estão hoje? – sentei ao seu lado no sofá.
— Enjoados – resmungou jogando a cabeça para trás – Acho que tudo com gêmeos vem em dobro, porque esses enjôos não podem ser normais.
— Bella, a Drª Leah já disse que seus enjoos são perfeitamente normais, você que é mole demais – provoquei e ela me direcionou um olhar mortal.
— Cullen, eu carrego todos os dias, dois bebês que são surpreendentemente grandes demais, mole é o seu pau – xingou e eu não consegui conter a gargalhada.
— Se for verdade o que dizem que os bebês escutam dentro do ventre, você está sendo um péssimo exemplo – comentei ainda rindo.
— Se fode Cullen – mostrou o dedo do meio e eu a puxei dando um beijo estalado em sua bochecha.
— Vai ficar aqui durante o dia? – questionei levantando sua blusa, algo que ela já estava acostumada, e passando a mão em sua barriga.
— Acho que sim, preciso sair daquele apartamento um pouco – comentou e eu senti um chute sob minha mão e sorri. – Eles já reconhecem até seu toque, como isso é possível? – brincou e caímos na risada.
O clima entre nós era sempre bom, mas eu queria mais, muito mais e não demorou muito para eu ter minha sonhada oportunidade de provar que eu havia mudado, Jane chegou com uma oferta para fazermos a capa da VOGUE e não pensei duas vezes em aceitar e Bella se entregou a mim maravilhosamente naquela noite e eu tive a certeza que fiz a coisa certa e agora estava sentado no consultório de Aro preparado para contar meu feito.
— Vejo que está alegre hoje – Aro comentou com um sorriso.
— Bella e eu somos um casal de novo – exclamei sem conter meu sorriso.
— Ora, ora, mas que notícia maravilhosa – sua felicidade era genuína e fiquei agradecido por tê-lo escolhido como psicólogo e então contei a decisão que tomei de participarmos do photoshoot – Edward, isso é uma ótima notícia, mas devo alertá-lo, mesmo que você se sinta como um novo homem, a terapia é algo constante – havia uma preocupação em seu tom de voz e acenei.
— Oh não, não pretendo sair da terapia, foi isso aqui que me fez enxergar meus erros e poder ter uma vida com a minha família – afirmei.
— Então Edward, aproveite muito a família que você está construindo – exclamou e eu sorri.
E assim eu farei, agora eu tenho a minha família e eu agora poderei amá-los inteiramente, sem reflexos do passado!
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