Inesperado
4 Capítulo 04 - O teste.
"Olhe para a frente, enfrente seus medos,
não seja um derrotado que nem tenta,
sei que pode falhar, mas por favor,
Não desista."
—Autor desconhecido.
Assim que todos os 20 agentes chegaram à empresa no dia seguinte, já fomos levados para o teste. Nos deixaram em uma área mais afastada. Era como se fosse um parque com árvores ao redor, dali era possível ver a empresa.
A princípio todos nós estávamos indo pela porta dos fundos até que me lembrei do que Lean havia dito: "Siga seus instintos, Emy. Faça o que achar melhor sem se importar com o que os outros irão pensar, não seja influenciada"
E isso me fez pensar…
Qual o lugar menos provável para qualquer um de nós tentar entrar? Óbvio que pela porta da frente.
Então fui exatamente por esse caminho.
Assim que entrei no prédio, vi uma mesa com duas mulheres. Do lado esquerdo, havia dois elevadores, do lado direito, um corredor e uma porta.
Fui em direção a uma das recepcionistas. Ela estava com um coque muito bem feito e um uniforme azul, nele havia um broche que parecia uma plaquinha escrito Rebeca Ebert. Parecia ser uma pessoa simpática. Quando já estava perto o suficiente para ser ouvida, ela começou a falar:
— Bom dia, eu posso ajudar?
— Bom dia, eu sou Samantha Brunelli, poderia falar com o senhor Ethan Benacci?
Uma das coisas mais importante quando se é agente é o fato de que não podemos nos esquecer que quando estamos em um missão ninguém pode saber quem realmente somos, então temos diversas identidades falsas para isso.
— Sobre o que seria? Ele não costuma permitir que as pessoas subam sem ter avisado antes.
Ok, Emilly, você deveria ter bolado um plano antes de vir falar com a mulher, não é mesmo? Pensa… Será que ele é comprometido?
Por favor, seja uma pessoa que não mistura trabalho com vida pessoal para essa mulher não me desmascarar.
— Então, na verdade, eu queria fazer uma surpresa para ele, estamos saindo há um tempo, e ontem nós dois brigamos porque eu disse que ele deveria dar menos importância ao trabalho e que nunca colocaria os pés nessa empresa, mas me arrependi. Então aqui estou eu para mostrar que posso melhorar. Você poderia me deixar subir? Não quero que ele pense que não dou valor ao seu emprego.
Estava realmente torcendo para ela ser aquelas mulheres que querem ajudar as outras e não acabar com ela ou que ela não tivesse uma queda secreta por ele, pois isso com certeza não ajudaria. Comecei a achar que não havia sido uma boa ideia, quando começou a me olhar meio desconfiada.
— Nunca ouvi falar do senhor Benacci saindo com alguém.
Quando ela disse aquilo, tive vontade de fazer uma dancinha da vitória.
— Ah, você deve saber como o Ethan é. Um homem muito reservado, não gosta que saibam da vida dele.
— Isso é verdade. Pode subir, ele está no vigésimo andar, na primeira sala.— ela ficou com um olhar meio estranho— Pensando bem, eu te acompanho.
Levantou e foi em direção ao elevador. Lá dentro, ficamos em silêncio. Ela só falou algo quando chegamos em frente à sala dele, mas não foi comigo e sim com a secretaria. Uma moça loira, muito bonita, que tinha o mesmo uniforme que Rebeca, e na plaquinha presa em sua roupa estava escrito Ellen Montenegro. Ao contrário de Rebeca, ela não me parecia muito amigável. Para ser sincera, parecia aquelas vilãs dos filmes. Apenas pelo jeito que olhou para mim e para Rebeca, percebi que não seria algo bom mexer com ela e que elas não devem ser muito amigas.
— Ellen, essa é a Samantha. Ela quer falar com o senhor Benacci e pode entrar sem ser anunciada.
— Até a última vez que eu chequei, Rebeca, é o Ethan que me dá ordens, não você. — Então falou olhando para mim com um sorrisinho — Sem a liberação dele, você não entra.
E eu achando que conseguiria passar por ela tranquilamente. Vou ter que tentar passar da mesma forma que consegui com a Rebeca.
— Não acho que o Ethan ficará muito feliz em saber que sua namorada veio até aqui para se reconciliar com ele e sua secretária não a deixou entrar.
Isso fez com que ela se levantasse.
— Ethan não tem namorada. — disse cruzando os braços.
— Até onde eu sei, ele tem, se não eu não estaria aqui.— respondi imitando o cruzar de braços dela — Todos nós sabemos que ele é uma pessoa incrivelmente fechada e que não gosta de envolver sua vida pessoal com a vida profissional.
Dizendo isso, passei por ela e tentei abrir a porta, mas Ellen segurou meu braço e quase gritando disse:
— Você não vai entrar, o Ethan não tem namorada.
Quem ela pensa que é para vir segurar meu braço desse jeito e ainda gritar comigo?
Não consegui dizer nada antes da porta se abrir e eu ouvir uma voz forte dizendo:
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
Ai. Meu. Deus.
Não era para o cara me conhecer dessa forma, agora está tudo perdido e ele vai dar a missão para outra pessoa.
— Ellen? — Ele perguntou com a voz impaciente.
Quando ela finalmente soltou meu braço, eu me virei para ele e entendi o porque dela querer tanto que ele não tenha uma namorada.
O rapaz era realmente muito bonito.
Tinha o cabelo castanho ondulado quase no ombro, mais ou menos 1,80 de altura e uma beleza excepcional. Se eu não tivesse criado imunidade à esse tipo de coisa desde que meu coração fora partido, poderia dizer que me apaixonei só pelo fato de olhar para ele.
Como nem eu nem a Ellen respondemos, ele olhou para a Rebeca que disse:
— A senhorita Samantha veio até aqui para se reconciliar com o senhor e por isso não queria ser anunciada, mas a sua secretária não permitiu que ela passasse.
Ele me olhou um pouco confuso, e com razão. O cara nem sabe quem eu sou, por que iria me reconciliar com ele?
Nesse momento eu só conseguia pensar: Por favor, não estrague meu disfarce. Por favor, não estrague meu disfarce.
Ainda me olhando sem entender, ele disse:
— Entre. — Eu passei por ele e me virei a tempo o ver fechando a porta com uma Ellen nos olhando chocada e se virar para mim com uma expressão irritada.
— Quem é você e por que precisaríamos nos reconciliar?
Respondi com a voz mais confiante que consegui.
— Meu nome é Emilly Durand, estou entre os agentes enviados para fazer o teste. Me desculpe por ter usado seu nome, mas eu precisava subir de alguma forma, então disse para a recepcionista que era sua namorada, que havíamos brigado e que eu precisava me desculpar.
— E ela acreditou?
— Eu sei ser muito convincente quando quero, senhor.
— Então, agora, tecnicamente você é minha namorada? —Ele me olhava com as sobrancelhas arqueadas.
— Elas acham que sim. — Por que eu não pensei em alguma outra justificativa? Eu poderia ter falado que era irmã dele não namorada.
Sorrindo, ele respondeu:
— Tá bom, você disse o que achou necessário para conseguir alcançar seu objetivo nesse teste.
— Você não está me achando uma maluca? — Respondi franzindo as sobrancelhas.
Ethan riu e disse:
— Talvez um pouco, mas nada que eu não possa lidar.— deu a volta na mesa de madeira e se sentou na cadeira atrás dela apontando às cadeiras da frente para que eu me sentasse— Eu não esperava que nenhum de vocês chegasse aqui tão rápido, onde estão os outros?
— Eles decidiram vir pelos fundos, acho que vão demorar um pouco para chegar até aqui.
— Eu tenho uma pergunta, Emilly. — Ele estava sorrindo de novo, esse cara não para de sorrir, não? Não que seja ruim olhar o sorriso dele, é um sorriso realmente muito bonito, mas qual é, tem uma pessoa ficando nervosa aqui do outro lado — O que você faria se eu tivesse uma namorada?
— Bom, eu não tinha pensado nisso, mas sinceramente esperava que você fosse uma pessoa reservada, então ninguém aqui saberia.
— Realmente, sou uma pessoa reservada, mas e se eu não fosse?
— Então, a mulher da recepção saberia que eu era uma farsa, não me deixaria subir e eu teria que arrumar um outro jeito de chegar até você.
— Fico feliz que tenha ido por um caminho diferente dos outros.- ele continuou sorrindo.
Esse cara nem faz esforço para me deixar constrangida!
—Bom, eu posso tirar um minuto para ligar e avisar meu chefe que já te encontrei?
— Sim, claro. Você toma café? —Balancei a cabeça confirmando enquanto procurava meu celular dentro da bolsa— Vou buscar um enquanto fala com ele, fique à vontade.
Depois de dois toques, Len atendeu.
— Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa, boneca?
— Oi, Len, está tudo bem. Só liguei para avisar que eu já achei o Ethan.
— Já chegou? Eu disse que você conseguiria! E você aí achando que não tinha como passar. E os outros, onde estão?
Contei a ele que não sabia onde os outros estavam porque fui em uma direção diferente. Depois, tudo o que eu fiz para chegar até aqui, e, por fim, perguntei o que iria acontecer dali em diante.
— Estamos acabando de montar o arquivo sobre a missão para te mandar. Preciso te falar uma coisa. Você vai ficar por alguns dias na casa do Ethan porque ainda não conseguimos um lugar para alugar perto da casa dele. Contudo, é só por enquanto. Ele vai estar te ajudando a se adaptar a empresa e te ensinando algumas coisas que vai precisar fazer para chegar até onde queremos.
— Lean Aguilar, me diz, por favor, que isso é brincadeira. Você melhor do que ninguém sabe que eu não quero morar com ninguém, só com minha amiga. Você sabe disso, Lean!
— Emy, eu não estou brincando, você vai precisar de ajuda. Além disso, é só a trabalho. Vai ser muito mais fácil se estiverem perto um do outro. Calma, tá bom? Já estamos atrás de um apartamento no prédio dele, mas pode não ser rápido e enquanto eu procuro, você vai ter que ficar lá, certo? Eu sei que é difícil para você e mesmo sabendo que tem que superar, eu vou atrás disso. Só que não tem como te colocar em outro lugar agora.
— Tá bom, tudo bem. Não gosto muito disso, mas não tem jeito. Só tenta ser rápido, por favor, Len.
— Já estou tentando, boneca, mas você realmente precisa superar.
— Não é porque eu não quero algo que isso quer dizer que não superei. Eu já superei, vocês apenas não veem isso— vi o Ethan entrando na sala nesse momento com dois copos de café na mão — Lean, vou ter que desligar agora. Eu falei que ia só te avisar que tinha conseguido e já demorei muito.
— Tá bom, vai lá. Qualquer coisa, eu te ligo. Vou avisar aos outros que você já conseguiu e que é para eles voltarem.
Desliguei o telefone e fui em direção à mesa, lugar onde Ethan estava apoiado me entregando um dos copos.
— Eu não tenho mais muitas coisas para fazer aqui, então quer ir ver o lugar que você vai ficar por enquanto?
Concordei em ir embora e agradeci o café. Se eu soubesse que iria ficar na casa dele, muito provavelmente eu teria desistido dessa missão.
Obrigada, Lean, por esconder informações importantes.
Quando saímos da sala, ele colocou uma das mãos nas minhas costas e disse para a Ellen que estava indo para casa. Por que ele estava apoiando a mão em mim como se me conhecesse?
— O que você está fazendo? — sussurrei enquanto esperávamos o elevador.
Ele olhou para mim e sorriu.
— Você que disse que era minha namorada, não eu. Se eu não agisse como se de fato você fosse, elas desconfiariam, você não acha?
Por que eu não disse que era a irmã dele, Deus? Aonde eu estava com a cabeça para falar que ele era meu namorado?
— É, você tem razão.
Entramos no elevador e fomos a caminho daquilo que eu tenho certeza que vai ser meu tormento pelos próximos meses.
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