Inesperado
11 Epílogo - Versão 1
Notas iniciais
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada. Se fossem meus, o negócio se chamaria Saint Shiryu. Não ganho nada com minhas fics.
INESPERADO
Chiisana Hana
EPÍLOGO
(VERSÃO 1)
Dez anos depois...
Na arquibancada da arena de Tóquio, Shunrei esperava pelas manobras do marido em seu último campeonato de motocross. Aos trinta e oito anos, ele finalmente decidiu que era hora de parar. Amava saltar, adorava a adrenalina, mas sentia que era hora de levar uma vida mais segura e tranquila com a esposa e os dois filhos de nove e seis anos, Kenji e Naoki.
Além de se dedicar aos meninos, Shunrei continuou escrevendo, incentivada pelo sucesso do seu primeiro livro, “Máscara da Morte”, que ganhou o prêmio Ryunosuke Akutagawa (1). Os livros que ela escreveu em seguida também foram sucesso de público e crítica. Agora o quinto livro estava prestes a ser publicado e a imprensa especializada já apostava em um novo best-seller.
Aos nove anos, Kenji seguia os passos do pai e dava os primeiros saltos numa moto de tamanho apropriado. Shiryu via talento nele e apostava que no futuro ele seria um campeão. Naoki, ao contrário do irmão, preferia assistir as manobras em segurança, sentadinho na arquibancada.
Nos bastidores, Shiryu estava em cima da moto, fazendo uma oração silenciosa para que tudo corresse bem em sua última apresentação. Disputaria a final contra um jovem talento, quase vinte anos mais novo, e queria fechar a carreira em grande estilo, por isso passou os últimos meses dedicando-se intensamente aos treinos.
O concorrente mais novo já tinha feito sua série, com ótimos saltos e pousos sem falhas, porém não fez nenhuma manobra de alta dificuldade. Shiryu sabia que para vencê-lo precisava fazer um salto arriscado: o Beijo da Morte. Só tinha acertado essa manobra poucas vezes no treino, nunca numa apresentação, mas precisava arriscar tudo nessa final.
Ele respirou fundo e acelerou a moto em direção à rampa principal, partindo para o tudo ou nada. Subiu a rampa, decolou, fez o Beijo da Morte corretamente seguido de um pouso perfeito. Ouviu a aclamação da plateia e sabia que não tinha como perder se continuasse a série sem erros. Seguiu manobrando, fazendo outros saltos de menor dificuldade para minimizar as chances de falhar, e terminou a série com perfeição. Missão cumprida. Podia respirar aliviado. Arrancou a camisa como era de costume e deu uma volta na arena agitando-a no ar. Depois, jogou-a para o público que, a essa altura, já delirava.
Shiryu esperou a contagem dos pontos por um tempo que lhe pareceu interminável até que finalmente o locutor anunciou o resultado: ele era o campeão!
Eufórico, o piloto gritou, ergueu os braços aos céus e agradeceu. Deu mais uma volta na arena e exibiu para o público um último salto. Depois, largou a moto, correu até onde a esposa e os filhos estavam e saltou a grade que separava a arena do público. Todas as câmeras seguiram-no e filmaram quando ele a beijou, exibindo a cena no telão para delírio do público.
— Aqui estamos nós de novo – ele disse a Shunrei, sorrindo e olhando nos olhos dela. – Onde tudo começou...
— Sim – ela confirmou sorrindo de volta. – Aqui onde você me roubou um beijo.
— A melhor coisa que eu fiz na vida. Eu te amo tanto, Shunrei!
— Eu também te amo muito, meu adorável motoqueiro maluco.
— Pai, mãe, parem com isso – Kenji murmurou envergonhado. – Estão filmando... Tá passando no telão...
Shiryu abraçou os dois meninos, deu um beijo em cada, deixando-os ainda mais encabulados. Depois acenou para um repórter, pedindo o microfone.
Kenji bateu a palma da mão na cabeça, sem acreditar no que o pai estava fazendo, já que normalmente ele era discreto e ponderado.
Assistindo a tudo dos bastidores, Seiya fez o mesmo gesto que o menino.
— Lá vai ele de novo!! – exclamou o empresário. – Ainda bem que essa é a última vez.
Quando o repórter se aproximou, Shiryu pegou o microfone e começou a falar:
— O motocross me trouxe tantas coisas boas, tantas alegrias, tantos amigos. Também trouxe algumas cicatrizes, é verdade. Mas a coisa mais importante que ele me trouxe foi a minha esposa, Shunrei, que eu acho que vocês conhecem. – A plateia reagiu com gritos de afirmação. – Ela escreve uns livros incríveis, recomendo! Inclusive o livro novo deve sair em algumas semanas, fiquem ligados!
Shunrei riu da publicidade gratuita, enquanto os meninos morriam de vergonha. Shiryu prosseguiu:
— Alguns anos atrás, quando eu ganhei um campeonato como hoje, ela estava aqui, trabalhando como repórter. Eu nunca a tinha visto antes, mas lhe roubei um beijo. – O público gritou novamente, pois a maioria lembrava da cena. – Pois é, e aquele beijo roubado se transformou em um casamento feliz e dois filhos lindos.
— Três... – Shunrei corrigiu, surpreendendo a família inteira. – Tem mais um a caminho.
Shiryu a pegou no colo e a beijou mais uma vez. Por causa da carreira, tinha perdido alguns momentos dos meninos e esse era seu único arrependimento. Agora tinha a chance de se redimir.
Enquanto os pais comemoravam, os meninos entreolharam-se perplexos.
— Que não seja uma menina, que não seja uma menina – repetiram juntos.
— Por que não? – Shunrei perguntou. – Depois vamos ter uma conversa sobre isso, mocinhos!
Fim
(ou não...)
(1) Prêmio literário japonês que geralmente prestigia novos escritores.
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