Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada. Se fossem meus, o negócio se chamaria Saint Shiryu. Não ganho nada com minhas fics.

INESPERADO

Chiisana Hana

“Deslizo sobre você.

Bem devagar, sussurro:

Eu sou o que seu coração deseja?”

Eu poderia ser sua menina ingênua,

Manter você seguro e inspirado.

Querido, deixe suas fantasias rolarem...

Nós podemos fazer o que você quiser. (1)

Capítulo VI

– É, Mino, nós estamos namorando – Shunrei contou à amiga pelo telefone, assim que Shiryu deixou sua casa.

– Eu sabia! Eu sabia! – comemorou Mino.

– Eu tentei resistir, mas não deu. Ele é perfeito demais. Você acredita que ele disse que eu era “o sonho que ele ainda não tinha sonhado” e que por isso me beijou na arena?

– Ai, ai... – suspirou Mino – Além de milionário também é romântico. O que mais você quer da vida, amiga?

– Mas eu ainda estou com um medo enorme... Você sabe, o Emanuele também parecia perfeito...

– Você não pode ficar pensando que todos os homens são como aquele italiano sem-vergonha. E, bom, você sobreviveu mesmo tendo passado tudo que você passou com ele, não é?

– É – ela admitiu. – Eu realmente sinto que o Shiryu é diferente, mas tenho medo de que o charme dele esteja nublando minha mente.

– Nublando coisa nenhuma. Já te falei, deixa rolar, amiga. Se não der certo, não deu.

– Espero que dê, apesar das nossas diferenças.

– Estou na torcida, balançando pompons e tudo! Você merece um cara legal e não é nenhum problema ele ser milionário, bilionário, podre de rico, né?

Shunrei riu. Na verdade, até achava que era um problema ele ter tanto dinheiro, mas queria acreditar na boa índole e na sinceridade dos sentimentos dele.

– Agora me conta direito – Mino continuou –, você estava doente e ele ficou aí cuidando de você?

– Aham. Ele até dormiu aqui em casa – ela disse, depois acrescentou: – No sofá.

– Ai, meu Deus, e não rolou nada, nadinha?

– Ainda não, mas estamos a caminho... Vamos viajar no próximo final de semana... e acho que lá, bom.. você sabe...

– Ih, viagem? É claro que vai rolar. E vocês vão pra onde?

– Aí é que está, eu não sei. Ele disse que é surpresa! E é claro que estou morrendo de medo de ele ser um maníaco e me levar para um lugar ermo e, sei lá, me esquartejar e colocar meus pedaços no freezer.

Mino deu uma gargalhada.

– Quanto drama! Shu, se o maluco do Emanuele não te esquartejou, não é o cabeludo quem vai fazer isso.

Shunrei também riu.

– É, tem razão... – concordou. – Corri mais risco com o Emanuele. Mas por precaução, vou ligar pra você durante a viagem. Se eu não ligar, chame a polícia.

Mino riu outra vez.

– Pode deixar – assentiu ainda rindo.

–-s2--s2--

No final de semana...

Shunrei tentou convencer Shiryu a dizer o destino da viagem pelo menos para saber que tipo de roupa levar. Depois de muita insistência, ele acabou cedendo e revelando que iriam a uma praia. Ela olhou seu biquíni favorito, rosa, muito comportado, com estampa da Hello Kitty, e pensou que Shiryu morreria de rir se a visse usando aquilo. Por isso, comprou outro biquíni igualmente comportado, mas com uma estampa mais “adulta”. Mesmo assim, no último minuto, escondeu o rosinha no fundo da mala para o caso de querer usá-lo.

Shiryu tinha combinado de buscá-la às sete da noite. Pontualmente na hora marcada, ele chegou de motorista, num Maybach prata que parecia até normal perto do Lamborghini Gallardo ou da Ferrari.

Cumprimentaram-se com um beijo e, ansiosa, Shunrei tentou de novo arrancar dele qual seria o destino, mas não obteve sucesso. Quando percebeu que iam pelo caminho do aeroporto, ela tornou ao assunto.

– Vamos de avião?

– Sim – ele respondeu, com um sorriso misterioso e encantador.

– Ai, meu Deus... – sussurrou Shunrei, um tanto chocada.

No aeroporto, nada de voo comercial, pois o luxuoso jato particular de Shiryu os esperava. Ele cumprimentou piloto e copiloto, que os receberam do lado de fora, apresentou-a como sua namorada e então os dois entraram na aeronave.

– Bom, eu devia ter imaginado – murmurou Shunrei, dando uma boa olhada no interior da aeronave. As quatro fileiras de poltronas na cor bege podiam até lembrar algo de um avião comum, porém mais à frente havia praticamente uma sala de estar com sofá, tevê e mesinha de centro, além de uma mesa de jantar para quatro pessoas.

– Bom dia, senhor Suiyama e senhorita Tzeng – cumprimentou uma aeromoça que aos olhos de Shunrei podia facilmente ser uma modelo de sucesso. Era bem alta, esbelta, tinha cabelos loiros e grandes olhos azuis, além de estar impecavelmente vestida, maquiada e penteada. Ainda não tinham sido apresentadas, mas se ela já sabia seu nome e sobrenome era porque provavelmente Shiryu a preveniu. A chinesa não pôde evitar uma pontada de ciúmes, além de ficar se perguntando se ele já teve alguma coisa com a beldade.

– Bom dia, June – cumprimentou Shiryu. – Essa é a minha namorada, Shunrei.

– É um prazer conhecê-la, senhorita – disse June, exibindo um sorriso. Shunrei pensou que nunca tinha visto dentes tão perfeitamente alinhados.

– Igualmente, June – Shunrei respondeu, ainda impressionada com a perfeição da aeromoça.

– Desejam alguma bebida, senhores? – a aeromoça perguntou.

– Você quer, Shunrei? – indagou Shiryu.

– Não, obrigada.

– Então vamos deixar para mais tarde – Shiryu disse e agradeceu à moça, dispensando-a.

Com uma mesura, ela saiu, deixando os dois a sós. O casal acomodou-se no sofá e Shiryu afivelou o cinto de Shunrei, depois o próprio.

– Os procedimentos de decolagem já vão começar – ele justificou.

– Ela é bem bonita – Shunrei disse, sem prestar atenção no que ele dizia. Ainda pensava na aeromoça e sua perfeição quase artificial.

– Sim, ela é – ele concordou. – E não, nunca tive nada com ela – completou, adivinhando o que Shunrei pensava.

– Bom saber – ela riu. – Achei que você só gostasse das motos e dos carros, mas estou vendo que de aeronaves também... então fiquei pensando se gostava de aeromoças.

– Eu nunca quis ter um avião – ele explicou. – Quando recebi a herança, ele veio no pacote, com piloto, copiloto, June e outro comissário de bordo. Logo em seguida, analisei os custos e pensei que era um luxo desnecessário, por isso quase o vendi. Foi minha mãe quem me convenceu a mantê-lo. No final das contas, ela estava certa. É bem prático viajar assim, ainda mais porque posso levar minhas motos para os torneios com tranquilidade.

– Posso imaginar... – ela disse, sem de fato conseguir imaginar a situação de receber um avião junto com alguns bilhões. – Mas você ainda não me disse para onde estamos indo, Shiryu.

– Acho que agora já posso revelar. Estamos indo para Phuket.

Shunrei arregalou os olhos.

– Tailândia? Mas isso deve dar umas sete horas de voo!! – protestou Shurei.

– Por aí... Dependendo das condições, esse avião faz em seis horas.

– E voltamos quando? Segunda-feira eu preciso trabalhar!!

– Calma! Está tudo sob controle. Por isso eu quis partir na sexta à noite, depois que você saísse do trabalho. Vamos chegar lá na madrugada. Teremos o final de semana todo e partiremos no final da noite de domingo, chegando a tempo de você ir trabalhar. Não se esqueça que estamos no meu avião e não dependemos dos horários das companhias aéreas.

– Eu detesto não ser informada dos planos nos quais me incluem – resmungou Shunrei, lutando não brigar com ele.

– É só um passeio, Shunrei – Shiryu tentou justificar.

– Com quatorze horas de avião que eu ignorava!

Shiryu a abraçou gentilmente.

– Não fique com raiva... Eu a amo e só quis fazer uma surpresa.

– Ainda estou um pouco chateada – resmungou outra vez, porém deixou-se abraçar.

– Isso melhora? – ele perguntou, puxando do bolso uma caixinha de veludo que continha um anel fabuloso de ouro rosé com diamantes.

– Não quero que tente me comprar com joias – ela ainda resmungou. – Não estou à venda.

– Não estou tentando te comprar... é só um mimo. Se eu posso te dar um bom presente, por que não?

Ele parecia tão sincero que Shunrei resolveu abaixar a guarda.

– Tá, vamos recomeçar do zero – ela disse, admitindo que estava exagerando na reação. – Vou pensar se aceito o anel. E acho que agora quero aquela bebida que a June ofereceu antes.

– Quer algo mais? – ele perguntou rindo.

Ela ia pensar se aceitava um Bvlgari com diamantes... Onde estava aquele mito de que os diamantes são os melhores amigos das mulheres? Shiryu resolveu não procurar entender a lógica de Shunrei.

– Você jantou? – ele perguntou. – Porque eu não jantei e estou morrendo de fome.

– Só comi uns biscoitos antes de sair...

– Então vou pedir a June para servir o jantar. A comida é ótima, prometo. Tem um chef que viaja comigo, mas como são só dois dias, não o chamei dessa vez. Mas ele deixou uns pratos congelados. Você vai ver que estou falando sério quando digo que ele é bom.

Ele não estava mentindo. June lhes serviu um saboroso jantar digno de um restaurante de alta classe. Durante a refeição, eles conversaram e o descontentamento de Shunrei arrefeceu. Ela até resolveu aceitar o anel.

– Deixa eu ver esse negócio direito – disse. Shiryu entregou-lhe a caixinha aberta. – É bem bonito.

– É um dos modelos mais bonitos da joalheria – ele corrigiu.

– Mas é aquilo... eu não tenho onde usar isso.

– Que tal começar colocando ele no dedo agora?

Ela cedeu e deixou que ele lhe pusesse a joia no anelar direito. Depois de comer, os dois aconchegaram-se novamente no sofá e começaram a ver um filme.

– Acho que devíamos dormir um pouco – ele disse a certa altura. – Para não chegarmos muito cansados lá.

Shunrei concordou. Para ela estava bom aquele sofá, mas ele levantou-se e conduziu-a até o quarto. Era um cômodo maior do que ela esperava, onde havia uma confortável cama de casal, um armário e mesinhas de cabeceira. Shunrei só lembrou que estava nos ares por causa das janelinhas arredondadas.

– Se quiser, pode vestir uma roupa mais confortável – ele disse e mostrou a ela o pijama branco que estava dobrado sobre a cama. Depois, abriu a porta que dava para um banheiro, bem maior que o usual nos aviões comuns e mais luxuoso que o da grande maioria das casas.

Shunrei entrou no banheiro carregando o pijama. Despiu-se e olhou-se no espelho. Gostava do que via, não tinha problemas com o próprio corpo, porém desde a separação não se envolvia com ninguém. Tinha se casado virgem e Shiryu seria o segundo homem de sua vida, o que aumentava sua dose de nervosismo. Apesar disso, sentia-se muito sensual e disposta a deixar o relacionamento progredir. Além do desejo natural que sentia por ele, a ideia de fazer amor num avião era extremamente excitante. Ainda mais sendo naquele jato de luxo, com todo conforto e privacidade que o quarto oferecia. E, ela não queria admitir, mas estava curiosa para saber o que o audacioso motoqueiro era capaz de fazer na cama e até onde ia aquele dragão tatuado nas costas dele.

Ela vestiu apenas a camisa do pijama, deixando os botões propositalmente abertos, e saiu do banheiro.

Encontrou Shiryu sentado na cama, usando apenas a calça de um pijama semelhante ao que ela usava agora. Shunrei sentou-se ao lado dele e foi imediatamente beijada.

– Daqui a algumas horas, vamos pousar no paraíso – ele murmurou com o rosto ainda muito próximo do dela. Com aquela blusa aberta, deixando entrever o corpo, era impossível que ele não entendesse as intenções da namorada. – Eu quero que seja o melhor fim de semana da sua vida.

– Eu acho que podemos começar agora – Shunrei sussurrou e abriu mais um pouco a blusa, deixando os seios totalmente à mostra.

Shiryu sorriu e pegou o interfone. Quando June atendeu, ele pediu pra não serem incomodados até que estivesse perto do pouso e, assim que recolocou o fone no gancho, segurou Shunrei entre seus braços, envolvendo-a firmemente, colando-a ao seu corpo e atiçando nela a vontade de se entregar à paixão. E foi isso que ela fez, sem ressalvas, sem medo.

–-s2--s2--

– Claro que eu sabia que ia rolar nesse final de semana – Shunrei disse, aconchegada no peito de Shiryu. – Mas nunca imaginaria que seria num avião!

– Confesso que pensei nisso... – ele disse, acariciando o rosto dela.

– Acho que você planejou isso!

– Não, não. Mas imaginei que podia rolar. Melhor dizendo, fantasiei o que podia rolar.

– Ah, é? E nós fizemos o que você imaginou?

– É, fizemos – ele admitiu, e beijou Shunrei outra vez. Depois retomou o fôlego e completou: – Mas ainda temos muita coisa pra descobrir um do outro.

– Vamos descobrindo aos poucos, né?

– Vamos – ele concordou e aconchegou-a melhor. Logo os dois adormeceram.

Shiryu acordou quando o interfone tocou. Era o piloto informando que pousariam em cerca de meia hora. Com um afago e um beijo, ele acordou Shunrei.

– Olá, dorminhoca... precisamos nos preparar para o pouso.

Ela suspirou e bocejou. Tinha dormido tão bem que não lembrava que estavam numa aeronave.

Os dois vestiram-se e foram para as poltronas, onde afivelaram os cintos e esperaram. Em alguns minutos pousaram em Phuket, onde um carro os esperava para levá-los ao hotel. Shiryu tinha reservado um quarto com o sugestivo nome de “Santuário” no Hotel Banyan Tree(2), um dos mais luxuosos do lugar.

O enorme quarto abria-se para um grande jardim privativo, com piscina e banheira de hidromassagem e, a poucos minutos de caminhada, uma praia de acesso exclusivo.

Como era madrugada, foram direto para a cama. Precisavam descansar para aproveitar bem o dia seguinte.

Antes de dormir, Shunrei lembrou-se do ex-marido. Emanuele a chamava de camponesinha quando a conheceu e continuou chamando-a assim durante os anos em que foram casados. E era isso que ela ainda era, apesar dos anos morando em Tóquio. Agora se vestia de um jeito diferente, trocara os conjuntinhos chineses estampados com motivos florais pelas camisas de botão com cores sóbrias e calças jeans. Trocara o longo cabelo sem corte definido, no qual costumava fazer uma trança, por um corte em camadas que, segundo disseram, daria mais leveza ao seu rosto delicado.

Mudara por fora, porém suas raízes ainda estavam lá, naquele povoado na zona rural, na sua casinha no alto da montanha. Ela ainda se sentia uma camponesinha e estava intrigada em saber qual seria o resultado desse romance com um bilionário excêntrico que saltava de moto. Com o italiano apreciador de vinhos tinha sido um fiasco, uma mentira atrás da outra.

Não tinha muita certeza do que devia esperar, mas já estava envolvida demais, apaixonada demais para voltar atrás. Olhou para Shiryu, dormindo tranquilo ao seu lado, o cabelo comprido esparramado pela cama, a tatuagem de dragão à mostra.

“Como pode ser tão lindo?”, pensou, com um sorriso no rosto. “Mas será que essa camponesa aqui vai saber lidar com você e seus milhões?” Então ela olhou para o anel que ainda estava no dedo da mão direita, o dedo em que se usa aliança de noivado. “Será que eu vou me acostumar com isso?”

Continua...

Notas finais
(1) Serial Killer, Lana Del Rey. Essa música é uma das dezenas nunca lançadas oficialmente pela Lana. Está lá no Youtube. (2) O Banyan Tree realmente existe e tem um quarto chamado Santuário! *_* Estava pesquisando hotéis de luxo na Tailândia quando me deparei com isso e é claro que tive de usar.