Inesperado

13 Capítulo 12 - Irmão caçula (Jeremy)


Notas iniciais
Primeiramente queria agradecer os comentários de vocês (só fiquei triste que ninguém recomendou a história, magoei...)
Bom, ninguém acertou de quem era o ponto de vista do capítulo, mas também foi muito difícil (acho que eu mesma não teria acertado, mas se fosse para sugerir alguém eu teria pensado em um cap com o ponto de vista da Liv)
Enfim, sem mais enrolação, aqui está o cap, espero que gostem.

Aula de direito familiar era uma das chatas em todo o curso, e sei muito bem que não sou o único a pensar dessa maneira. A única coisa que salvava era o professor, senhor Herondale, ele até fazia com que tudo ficasse mais divertido e um pouco menos entendiante.

- Bom vou terminar a aula cinco minutos mais cedo hoje – comentou dando uma rápida olhada no relógio de pulso, deu para ouvir o suspiro de alívio de todos na sala – Mas, leiam o próximo capítulo da apostila e nos iremos comentá-lo na semana que vem.

Comecei a guardar minhas coisas e coloquei a mochila nas costas antes de sair com o restante dos alunos.

- Jeremy, será que eu posso dar uma palavrinha com você? — o professo pediu fazendo com que eu parasse.

- Algum problema, professor Herondale? — decidi perguntar.

- Não, ao contrário – respondeu abrindo a pasta retirando um papel de lá de dentro, que eu reconheci como a prova que fizemos na semana passada – Ainda não corrigi todas as provas, mas a sua foi uma das primeiras e eu queria te parabenizar.

Peguei a minha prova e fiquei espantado com a minha nota. 10,00!

- Uau, isso é incrível- consegui dizer – Muito obrigado pela nota, professor Herondale.

- Não precisa me agradecer, Jeremy – avisou – Você mereceu essa nota, é o melhor aluno da turma.

- Pode ter certeza de que eu estudei bastante para isso – garanti.

- Você tem muito talento para direito familiar – devolvi a prova para ele, que a guardou novamente – Você pensou em seguir essa área quando se formar?

Ainda não pensei o que irei fazer na faculdade, ainda faltam dois anos para isso – respondi. Para ser sincero eu tinha certeza de que não queria ser advogado de família, sabia disso desde antes de começar a faculdade, claro que não diria isso a ele.

- Pois é hora de começar a pensar – continuou – Posso até te ajudar, conheço algumas pessoas que podem te arranjar um estágio, essa não é uma área muito popular – eu já sabia muito bem disso.

- Vou pensar nisso, senhor, prometo – garanti, embora já estivesse com a minha decisão tomada.

- Ótimo! — deu um pequeno sorriso – Mudando de assunto, sua irmã já resolveu aquele assunto que você veio me consultar?

- Já tem um tem uns dias que não falo com a Lena – respondi – Mas passei tudo que o senhor disse para ela.

Nesse momento percebi com minha visão periférica que tinha alguém se aproximando da porta da sala. Virei-me a ponto de encontrar a minha namorada, ela me deu um sorriso bobo e eu retribui da mesma maneira.

- Bom, senhor Herondale, eu preciso ir – avisei – Mais uma vez, muito obrigada por me mostrar a minha nota.

- Não foi nada, Jeremy, e pense sobre aquilo que eu te falei – disse – E qualquer outra dúvida que tiver, pode vir aqui me perguntar.

- Oi, Tess! — me aproximei e dei um selinho nela antes de colocar o braço no seu ombro e começamos a andar em direção a saída do prédio.

Eu e Tessa nos conhecemos na recepção aos calouros da Brown e lá mesmo começamos a conversar. Uma das coisas que mais me encantou nela foi o seu entusiamos para começar logo a estudar biologia, dava para ver o quanto ela já era apaixonada pelo seu curso antes mesmo do inicio das aulas. A chamei para sair no final daquele dia e começamos a namorar logo no primeiro encontro, já faz dois anos e não poderia estar mais feliz.

- E então, o que o senhor Herondale queria com você? — ela quis saber.

- Estava me falando que corrigiu a minha última prova – expliquei – Tirei a nota máxima.

- Que legal, Jer – parou de andar e me olhou – Quero dizer, eu sei que essa não é a sua matéria favorita e coisa e tal. Mas eu sei muito bem o quanto você tem se esforçado e tudo isso está valendo a pena.

- Com certeza, eu também estou feliz com isso – garanti – O problema é que ele perguntou se eu queria seguir a área de direito família quando me formasse e disse que pode até me arranjar um estágio se estiver interessado.

- Isso também é ótimo! — continuou – Sabe, você deveria aceitar.

- Seria ótimo se eu gostasse dessa área – me encostei na parede do lado de fora do prédio.

Tessa ficou de frente para mim e segurou as minhas duas mãos.

- Olha, Jer, não faço o mesmo curso que você e não sei qual é o problema de todo mundo como direito familiar – seu tom de voz era bem calmo – Mas dá par ver o quanto você é bom nessa área ou não teria tirado 10 na prova, por mais que tivesse estudado.

Dei um longo suspiro e olhei para as nossas mãos entrelaçadas. Eu tinha cinco anos na primeira vez em que falei para os meus pais que queria ser advogado. Sempre sonhei em ser juiz ou até mesmo promotor público, nunca quis ajudar as pessoas a se divorciarem.

- Se quer saber a minha opinião, você deveria aceitar o estágio – sugeriu — Você pode se surpreender e acabar gostando.

- Podemos falar sobre isso uma outra hora? — pedi enquanto a puxava pela cintura de modo que nossos corpos ficassem grudados – Vamos para o meu dormitório ou você tem muita coisa para estudar de novo?

- Você está com sorte, minhas provas já acabaram, não tenho nada para estudar esse final de semana – começou a passar a unha na minha nuca, não pude deixar de soltar um pequeno suspiro – Tem certeza de que vamos estar sozinhos? Detestaria que fossemos pegos em flagrante pelo seu colega de quarto.

- Não precisa se preocupar com isso, desde que o Kol começou a namorar a Camile está praticamente morando no apartamento dela, só passa lá mesmo para pegar livros e roupas – garanti – Não se preocupe, vamos estar sozinhos.

- Então vamos lá! — me deu um selinho antes de me puxar em direção a escadaria de acesso ao prédio.

O alojamento masculino dos alunos da Brown não fica muito longe do prédio do departamento de direito, o que significa que podemos ir até lá a pé. No momento em que entramos no meu dormitório comecei a beijar Tessa a imprensando contra a porta e, em seguida, a tranquei com uma certa dificuldade, mas sem nunca quebra o contato. Ela soltou o pequeno gemido contra os meus lábios.

- Shhh! — coloquei meu dedo indicador sob o lábio inferior dela – Não quer que todos nos ouçam, não é mesmo?

Apenas balançou a cabeça negativamente em resposta, então a peguei no colo, fazendo com suas pernas entrelaçassem na minha cintura e comecei a caminhar pelo quarto. A cama rangeu no momento em que deitei Tessa lá, já tinha desconfiado que um parafuso estava frouxo, agora eu tenho certeza.

- Acho que essa não é a melhor maneira de sermos silenciosos – começou a rir – Isso não está muito romântico.

Dei um selinho nela e comecei a trilhar os beijos em direção ao seu ouvido e dei uma leve mordida no lóbulo.

- Isso está romântico o suficiente para você? — sussurrei.

Tessa apenas me puxou pela camisa fazendo com que eu deitasse por cima dela e começou a me beijar enquanto passava o pé ao longo da minha panturrilha. Quando o ar foi necessário eu me afastei alguns centímetros para poder olhá-la melhor.

- Eu te amo, Theresa Gray – disse passando a mão pelo seu rosto.

É oficial, eu sou um bobo completamente apaixonado pela minha namorada, pode parecer clichê, mas pensei que nunca fosse me sentir dessa maneira. Claro que Tessa não é a minha primeira namorada, comecei a sair com Anna, minha vizinha da frente, durante a 8ª série e continuamos juntos durante todo o Ensino, mas depois da formatura decidimos terminar de comum acordo já que eu viria estudar na Brown e ela estava indo para Dartmouth e sabíamos que um namoro a distância nunca daria certo.

- Também te amo, Jeremy Gilbert – retribuiu o meu gesto – Você não tem ideia do quanto.

Inclinei-me para beijá-la, mas em vez de ir para os lábios, dirigi-me direitamente ao seu pescoço, então levei as mãos até a barrada da sua blusa para poder tirá-la, fui dando selinhos em direção ao seu colo. Tessa puxou meu rosto e voltou a me beijar enquanto também retirava a minha camisa. Logo estávamos ambos apenas de roupa intima.

Comecei a beijar o seu ombro enquanto afastava a alça do seu sutiã e, em seguida, fiz a mesma coisa com o outro antes de abrir o fecho e jogar a peça de roupa em no chão. Deixei um rastro de saliva no vale entre seus seios e pela sua barriga até chegar ao umbigo, quando cheguei na região do seu baixo ventre dei um beijo na sua intimidade por cima do fino tecido da calcinha, fazendo com que ela soltasse um gemido.

- Jeeeeeeeeeeer! — sua voz saiu ofegante – Para com essa tortura, por favor.

Coloquei as mãos uma de cada lado da peça e quando estava me preparando para abaixá-la meu celular começou a tocar, cortando completamente o clima.

- Não acredito! — escondi meu rosto na barriga de Tessa e dei um longo suspiro.

- É melhor você atender, Jer – avisou enquanto me fazia levantar – Pode ser alguma coisa importante.

Totalmente contrariado fui até a minha mesa de estudos pegar o meu celular. Reconheci o número da casa dos meus pais em Atlanta, o que será que eles queriam? Não pude deixar de revirar os olhos antes de atender.

- Alô! — minha voz saiu ligeiramente mal-humorada, Tessa tinha acabado de se cobrir com o lençol da minha cama e ficou me observando.

- Olá, meu filho – era a voz do meu pai – Espero que não esteja atrapalhando em nada.

- Não, pai, você não está atrapalhando em nada – menti enquanto me sentava – Pode falar.

- Bom, eu cheguei em casa já tem uma hora, mas não liguei antes pois sabia que deveria estar na aula – explicou – Como estão as coisas por ai? A faculdade? E a Tessa?

- Está tudo bem na faculdade sim, embora as aulas estejam ficando cada vez mais pesadas e tem muita coisa para estudar – respondi – E a Tessa também está ótima.

- Que bom! — respondeu – Vocês precisam vir até aqui nos visitar, quem sabe agora nas férias, é só avisar quando comprarem a passagem e serão mais que bem vindos.

- É, quem sabe – dei de ombros, na verdade desde o inicio do ano eu combinei com a Lena que iria passar as férias de verão com a ela em Los Angeles, até já comprei a passagem para o inicio do mês que vem, claro que não iria contar para ele.

Ouvi minha mãe falar alguma do outro lado da linha.

- Sua mãe está me pedindo para te mandar um beijo – avisou – Ela está saindo para o supermercado.

- Mande outro para ela – disse.

- Bom, agora que ela já saiu posso te perguntar – continuou – Você tem falado com a Elena ultimamente?

- Claro que sim, afinal, ela é minha irmã – falei – Só por que vocês a expulsaram de casa não significa que eu também tenho que tirá-la da minha vida.

- Você sabe que se fosse por mim eu não teria mandando ela sair de casa – lembrou – Mas as coisas com a sua mãe são um pouco mais complicadas.

- Pode até não tê-la expulsado, mas não fez nada para impedir – sussurrei.

- Eu vi no jornal que ela vai se casar com aquele ator, o Stefan Salvatore – finalmente tinha chegado ao ponto onde queria – Você o conhece? Sabe como é o relacionamento deles? Ele a faz feliz? E, o mais importante, ele trata a Olívia bem?

- Sim pai, pode ficar tranquilo, o Stefan é um perfeito cavalheiro com a Lena e trata a Liv como se fosse filha dele – dei um longo suspiro e olhei rapidamente para o teto – E, se quer saber a minha opinião, estou muito feliz por eles, a minha irmã merece isso depois de tudo que sofreu nos últimos anos.

- Também acho isso – concordou – No jornal dizia que eles ainda não tem uma data para o casamento. Eles não estão nem pensando em um mês específico.

- Ainda não! — expliquei – A Lena tem algumas coisas para resolver antes de poder se casar com o Stefan.

- Oh sim, claro, o Damon – só o som daquele nome me fazia fazer uma careta de nojo – Olha, não posso falar muito por que sua mãe não deve demorar muito para chegar, eu só quero que você dê um recado para a Elena por mim. Diga a ela que eu fiquei muito feliz de saber que ela iria se casar e tudo que eu mais queria na vida era levá-la até o altar.

- Você mesmo pode falar isso a ela – sugeria – Tenho certeza de que a Lena ficaria muito feliz se você fosse ao casamento.

- Você sabe muito bem que não posso prometer isso a ela e tenho certeza de que a Elena também sabe – completou – Bom preciso desligar, vou deixar você continuar seja lá o que estava fazendo antes de eu ligar.

Nem sei por que eu ainda tentava, as coisas são assim há cinco anos e tenho a impressão de que nunca vai mudar. Fui até a minha cama e sentei na pontinha do colchão colocando as duas mãos no rosto.

- O que foi meu amor? — Tessa se ajoelhou atrás de mim e me abraçou pelo ombro – Você está com uma carinha.

- É só o meu pai – falei – Quero dizer eu sei que ele se sente culpado por tudo que aconteceu depois que a Lena engravidou e coisa e tal e até manda um dinheiro para ela e para a Liv todo o mês, mas acho que ele deveria admitir isso para a minha mãe. Tudo isso magoa mais a minha irmã do que se ele estivesse sendo totalmente indiferente.

- Olha, Jer, eu entendo o que você quer dizer. Mas não acha que toda essa situação não deve ser difícil para o seu pai também? — perguntou – Quero dizer, ele não vê a Elena há anos e ainda tem que lidar com a sua mãe que continua insistindo que não tem uma filha.

- Isso tudo é muito complicado – coloquei a mão sob a dela – Às vezes eu queria poder voltar no tempo e impedir a minha irmã de cometer o maior erro da vida dela.

- E então você não teria a sobrinha maravilhosa que é a Olívia, que te ama muito e que eu sei que você também ama – lembrou – Sei que as coisas seriam bem mais fáceis assim, mas tudo na vida tem um por quê.

- Você tem razão, Tess – virei para poder olhá-la melhor.

- Eu sempre tenho razão, meu amor, acostume-se com isso – brincou antes e segurou o meu rosto e me deu um selinho – Importa-se se dormirmos um pouco, eu acordei muito cedo para ir imprimir um trabalho de anatomia dos vertebrados e estou morrendo de sono.

Ela encostou a cabeça no meu ombro e fechou os olhos. Não acordei tão cedo assim, mas fiquei acordado até tarde lendo um texto para a aula de hoje e também estava com sono.

- É uma boa ideia – concordei,

Tessa se deitou virada para a parede e eu me deitei atrás dela e a abracei pela cintura, a cama era de solteiro, por isso tínhamos que ficar o mais juntos possível. Comecei a sentir a respiração regular da minha namorada percebi que ela estava dormindo, mas antes de eu conseguir cair na inconsciência também, toda aquela conversa com o meu pai me fez lembrar daquela noite há seis anos em que tudo mudou na vida da família Gilbert.

*Flash Back*

Já fazia meia hora que estávamos na recepção do hospital esperando alguma noticia de Elena, que tinha desmaiado no banheiro antes do jantar. Meu pai até tentou descobrir alguma coisa, já que ele trabalha aqui, mas não teve nenhuma notícia.

- Por que estão demorando tanto – eu não consegui parar de andar em círculos de tanta preocupação.

- Eles devem estar fazendo vários exames para tentar descobrir o que está acontecendo com ela – meu pai sugeriu – Não se preocupe, o médico já deve vir falar conosco.

- Já tem mais de uma semana que eu percebi que a Elena não está bem – lembrei – Deveria ter falado.

- Tenho certeza de que não deve ser nada, Jer – foi a vez da minha mãe falar – Tenho certeza de que ela só deve estar estressada com a escola e com a pressão de ser a capitã das líderes de torcida.

Não demorou muito para o médico aparecer. Ele estava com a expressão séria, o que me deixou preocupado.

- E então, como está a minha filha? — meu pai apressou-se em perguntar.

- Não se preocupe, Grayson, ela está muito bem, foi só uma queda de pressão – explicou, fazendo com que todos respirássemos aliviados – Ela só vai precisar passar a noite no hospital, em observação.

- Muito obrigado! — ele continuou – E nós podemos vê-la?

- Daqui a pouco, ela está dormindo no momento por causa do remédio que demos a ela – avisou – Mas não se preocupe isso não vai afetar de nenhuma maneira o bebê. Ele vai ficar muito bem, assim como a mãe.

- Bebê? — nós três perguntamos ao mesmo tempo.

- A senhorita Gilbert está grávida de dois meses – falou – E, pelo jeito, vocês não sabiam – estava totalmente sem graça nesse momento – Bom, eu preciso ver outros pacientes, avisou a vocês quando a Elena acordar.

Ele passou pela porta da área de médicos e pacientes. Um silêncio constrangedor preencheu o ambiente.

- Grávida? — minha mãe gritou, fazendo com que algumas pessoas que estavam na recepção virassem para nós – Como foi que isso aconteceu? Nem ao menos sabia que ela estava namorando.

- Em primeiro lugar, fala mais baixo, Miranda, estamos no hospital – meu pai lembrou, tentando acalmá-la – E não vamos tirar conclusões precipitadas, vai ver que ela nem sabe do bebê.

- Claro que sabe, uma mulher sempre sabe dessas coisas – sentou-se e colocou as duas mãos na cabeça – E, pensando melhor agora, ela passou grande parte do verão fora de casa, provavelmente com o namorado secreto. Quando era mais nova ela me contava tudo...

- Estudamos a respeito de gravidez na adolescência na aula de Biologia e as coisas não são nada fáceis – foi a minha vez de comentar – A Lena vai precisa muito da nossa ajuda.

- Ajuda? Você só pode estar brincando, Jeremy! — voltou a gritar – Ela não precisou da nossa ajuda quando fez essa criança! Tenho certeza de que ela sabe se virar muito bem sozinha!

Sentei novamente, assustado, acho que nunca vi minha mãe tão alterada como agora. Desde que éramos pequenos ela sempre deixou bem claro que queria nós fossemos bem sucedidos na carreira que escolhemos e não queria para a Elena o mesmo destino que o dela, que engravidou menos de um ano depois de terminar a faculdade de literatura e teve que desistir para cuidar dos filhos. Claro que nada justifica essa atitude.

- O médico disse que ela está com dois meses, não é mesmo? — continuou – Quer dizer que ela ainda pode abortar sem representar nem tipo de perigo para ela.

- Ora, Miranda, não fale um absurdo desses – meu pai disse – É só um bebezinho inocente que não tem culpa de nada disso que está acontecendo. Além disso é o nosso neto.

- Não, ele mão é meu neto, por que se ela tiver essa criança não a considerarei mais minha filha – nesse momento todos estavam olhando na nossa direção – E é bom ela tirar as coisas dela da nossa casa o mais rápido possível.

- O que é? — voltei a me levantar – Mãe, você não pode fazer uma coisa dessas com a Lena.

- Claro que posso fazer isso – virou-se para mim – Se ela foi capaz de fazer esse bebê vai ser capaz de se virar sozinha.

Começou a caminhar em direção a saída do hospital.

- Vamos embora, Grayson – falou novamente – Não quero nem olhar para a cara daquela garota.

- Eu sinto muito você ter que ouvir essas coisas Jeremy – meu pai me disse quando ela já estava do lado de fora – Vou falar com ela e tentar convencê-la a não expulsar a Elena de casa.

- Se for para ficar tratando ela desse jeito, é melhor a Lena ir embora mesmo – comentei – Minha irmã não merece ouvir essas coisas, ainda mais estando grávida.

- Você vai para casa conosco? — quis saber.

- Não, vou esperar para ver a minha irmã quando ela acordar – respondi – Além disso não sei se é seguro ficar no mesmo ambiente que a mamãe.

Ele não disse mais nada, apenas seguiu o mesmo caminho que a minha mãe.

Não demorou muito para uma enfermeira aparecer e dizer que a Lena já tinha acordar e eu poderia vê-la. Quando cheguei ao quarto ela estava deitada olhando para o teto e com o soro preso no braço.

- Oi, maninha! — disse assim que entrei no local.

- Jer! — sua voz saiu rouca e ela me deu um fraco sorriso – O que foi que acontece?, Por que eu estou no hospital?

- Você desmaiou – expliquei enquanto me sentava na cadeira ao lado da cama – O médico disse que foi uma queda de pressão e quer te deixar aqui em observação.

Ela não disse nada, apenas colocou a mão protetoramente sob a barriga. Sinal mais do que claro que ela sabe que está grávida.

- Então você já está sabendo – falei – Não precisa se preocupar, está tudo bem com o bebê também.

- Você já está sabendo? — estava preocupada – Isso quer dizer que a mamãe e o papai também já sabem?

- Sim – balancei a cabeça afirmativamente – Papai está bem tranquilo, agora a mamãe já fez um escândalo na recepção do hospital.

- Já deveria imaginar isso – deu de ombros.

Eu tinha que contar tudo para ela com bastante calma. A enfermeira quando me deixou entrar deixou bem claro que Elena não pode sofrer fortes emoções.

- Sei que não é da minha conta – decidi mudar um pouco de assunto – Como foi que isso aconteceu?

Então ela me contou tudo. Como conheceu o primo mais velho da Caroline no final de Junho, como ele a seduziu e os dois começaram a viver um “romance de verão” e, é claro, como os dois foram para cama e ele a rejeitou logo em seguida, agora minha irmã estava grávida e não tinha o apoio do pai do bebê. Enquanto ouvia tudo senti um ódio tremenda crescendo no meu peito, nunca pensei que pudesse sentir tanta raiva de alguém como estava sentindo desse tal de Damon.

- Olha, Lena, a mamãe disse que não quer nem a menos te ver lá em casa – não consegui encará-la nesse momento – Ela quer que você tire suas coisas de lá imediatamente.

- Sinceramente, eu também estava esperando por isso – deu um longo suspiro antes de falar – Tudo que eu quero é ter uma gravidez tranquila e que o meu bebê nasça forte e saudável. Se para isso for necessário eu sair de casa que seja.

Coloquei a mão sob a dela e dei um sorriso, não imaginei que ela fosse receber a notícia com tanta tranquilidade. Tentou retribuir o meu gesto, mas em seguida começou a chorar.

- Calma, Lena, não chora – tentei tranquilizá-la passando a mão no seu cabelo – Você não posso sofrer emoções fortes, não vai fazer bem ao bebê.

- Eu não sei o que vou fazer, Jer – disse – Eu tenho 17 anos, não terminei o ensino médio ainda, estou grávida e meus pais me expulsaram de casa. Para onde eu vou?

- Não precisa se preocupar com nada, eu vou dar um jeito – garanti – Mas agora você precisa se acalmar.

Apertei o botão para chamar a enfermeira e quando ela apareceu pedi um copo d'água com açúcar. Aproveitei que a mulher estava cuidando da minha irmã e sai do quarto para fazer uma ligação, peguei o celular dela sem que visse e procurei o número da Caroline.

- Oi, amiga! — ela disse assim que atendeu – Está tudo bem com você?

- Não é a Elena, Caroline, sou eu – disse logo em seguida – Preciso da sua ajuda e é urgente.

Expliquei para ela tudo que tinha acontecido. Nem preciso dizer que Caroline ficou totalmente chocada, mas prometeu ajudar a minha irmã e pediu que eu arrumasse as coisas dela ainda hoje.

Fiquei com a Elena até o médico aparecer e dizer que o horário de visitas tinha acabado. Quando eu cheguei em casa passei direto pela sala.

- Espera, Jeremy – minha mãe me chamou antes que eu pudesse subir as escadas – Você não vai jantar?

- Comi um sanduíche no hospital – respondi totalmente seco – Agora com licença que eu vou arrumar as coisas da Elena já que você decidiu dar um ultimato para ela

Quando terminei de arrumar tudo já era de madrugada, não tinha ideia de que minha irmã tinha tanta coisa. Fui dormir totalmente cansado naquela noite.

No dia seguinte, antes de eu sair para a escola, Caroline apareceu para levar tudo para a casa dela.

- Já falei com os meus pais o que está acontecendo e eles deixaram a Lena ficar lá, claro que eu não disse quem era o pai do bebê dela, isso tem que ser dito com calma – explicou – Também fui ao hospital contar as novidades para a Elena, nem vou a escola hoje para ajudá-la com tudo que precisar.

- Ótimo, vamos até o quarto dela, eu ajudo a levar tudo para o seu quarto – avisei, deixando ela passar pela porta – Não se preocupe, minha mãe está na cozinha e não vai se intrometer.

Em pouco minutos já tínhamos levado todas as caixas e as malas. Caroline já estava pronta para sair.

- Acho que é isso – deu uma rápida olhada no relógio de pulso – Quando fui ao hospital o médico ainda não tinha chegado para assinar a alta da Lena, mas acho que agora ele já fez isso.

- Certo, mande um abraço a minha irmã por mim, diga que assim que der vou lá dar um beijo nela – pedi – Só tem mais uma coisa, Caroline. Muito obrigado.

- Não foi nada, Jeremy – garantiu – Elena é a minha melhor amiga, farei qualquer coisa que for necessário para ajudá-la.

Eu a abracei de leve antes que ela entrasse no carro e saísse. Fiquei observando com os olhos até que ela desaparecesse na curva ao final da rua.

*Fim do Flash Back*

Passei quase dois meses sem falar com os meus pais direito, não achei justo o que eles fizeram com a Elena, ela pode até ter errado, mas isso não era motivo para a expulsarem de casa. Foi a minha irmã quem me convenceu a voltar a conversar os dois, mas nada voltou a ser como era antes.

Fiquei mais do que feliz quando soube que Lena estava namorando com o Stefan, principalmente quando o conheci e pude comprovar que ele não só cuida muito bem dela como também cuida da minha sobrinha. O mais importante disso tudo é que Damon está bem longe da vida das duas, ele não merece saber de nada a respeito delas, nem ao menos uma notícia sequer.

Senti Tessa se mexendo ao meu lado e eu dei um beijo no vão entre o seu ombro e o seu pescoço. Meus olhos já estavam começando a pesar, era o sono chegando.

Notas finais
E então, o que acharam do cap.
Não é fofo o jeito que o Jeremy cuida da Elena? Adoro os momentos de irmãos deles (claro que isso também foi uma homenagem ao nosso baby Gilbert que pode não voltar nunca mais *triste*)
E o que vocês acharam da opinião do Jer a respeito disso tudo? Deu para ver que ele não gosta mundo do Damon, o que pode ser um problema agora que o Damon voltou...
Só mente uma ajudinha visual ---->
Tessa: http://userserve-ak.last.fm/serve/_/44345699/Emily+Browning.jpg
Comentem e digam o que estão achando e não esqueçam de recomendar.