Inesperado

10 Capítulo 9 - Alaric Saltzman, advogado (Elena)


Notas iniciais
Além dos agradecimentos de sempre pelos lindos comentários de vocês eu não posso deixar de comentar a renovação de TVD para a 5ª temporada.
Nem preciso dizer o quanto fiquei feliz ao ler essa notícia em plena segunda-feira de carnaval. Isso é para calar a boca desse povo que diz que a qualidade da série caiu nessa temporada e coisa e tal (só um pequeno desabafo meu...)
Bom, mas voltando a fic, aqui está um cap novinho para vocês, espero que gostem.

O táxi parou em frente ao prédio comercial e eu paguei o motorista antes de sair do carro. Peguei o meu celular dentro da bolsa e disquei o número de casa, cinco toques Caroline atendeu a ligação.

- Alô! — minha amiga disse do outro lado da linha.

- Car, sou eu – respondi – Acabei de chegar ao escritório do advogado, só liguei para saber se está tudo bem por ai.

- Está sim – garantiu – Busquei a Liv na escola e chegamos em casa tem uns dez minutos. Tinha acabado de colocá-la no banho quando ouvi o telefone tocando.

- Então fica de olho nela – pedi – Se você deixar ela vai acabar transformando o banheiro numa piscina.

- Pode deixar que eu vou ficar olho – garantiu – Depois vou fazer o lanche para ela. Pensei em preparar um omelete, o que acha?

- Ela vai gostar – concordei – A reunião com o advogado não deve demorar muito, vou imediatamente para casa depois disso.

- E o que eu falo se o Stefan telefonar para cá? — perguntou parecendo um pouco incerta.

- Diz que eu tive que ficar na faculdade até mais tarde terminando um trabalho – sugeri.

Nesse momento eu estava subindo a escadaria que dava acesso ao prédio. Damon estava parado na entrada e assim que me viu se aproximou.

- Eu detesto ter que mentir para ele, Lena – deu um longo suspiro – Acho que você tem que contar a verdade para ele, esse seria o momento mais do que perfeito.

- Vou contar para ele, Car, quando estiver tudo resolvido – avisei – Agora eu tenho que desligar. Cuida direitinho da Liv, por favor.

Desliguei antes que ela pudesse falar mais alguma coisa e coloquei o celular no modo silencioso antes de jogá-lo na bolso. Damon agora me encarava com os braços cruzados.

- Mas que coisa feia, Elena, mentindo para o seu noivo – balançou a cabeça negativa,ente se fingindo de decepcionado.

- Por favor, Damon, não começa, não estou com vontade de discutir isso – pedi – Além do mais, você não tem nada a ver com isso.

- Tudo bem, não está mais aqui quem falou – levantou as duas mãos como se se rendesse.

- Ótimo, vamos logo falar com o advogado e acabar logo com isso – passei por ele entrei no prédio, queria passar o mínimo de tempo possível perto dele.

- Então me espera! — veio correndo atrás de mim e eu, simplesmente, continuei andando – Sabe, você ainda não me respondeu quando eu vou poder ver a Olívia.

- Você pode passar o dia com ela no próximo sábado – respondi o mais fria o possível.

- Ótimo! — pareceu satisfeito.

No momento em que saímos de dentro do elevador pude avistar um homem alto, com cabelo castanho claro parado na porta do escritório do advogado.

- Boa tarde, você deve ser a senhorita Gilbert – estendeu a mão no momento em que me aproximei – Sou Alaric Saltzman, nos falamos pelo telefone.

- Sim, claro, senhor Saltzman – retribui o gesto dele apertando a sua mão, foi nesse momento que Damon parou atrás de mim, acho que por alguns segundos tinha me esquecido da presença dele – Esse daqui é Damon Pierce, meu...

- Sou marido dele – ele me interrompeu.

- Ex-marido – apressei em corrigir – Bom, pelo menos foi o que viemos fazer aqui, resolver isso.

- Por favor, me acompanhem – pediu abrindo a porta do escritório.

Passamos pela recepção que tinha uma mesa com telefone e um computador e um sofá no canto oposto, em seguida fomos para a outra sala que deveria ser o escritório. Ele foi para o seu lugar de costas para a janela e indicou as outras duas cadeiras para que nos sentássemos.

- Eu peço desculpas pela desorganização, acontece que a minha secretária teve um problema pessoal e não pode vir hoje – explicou – Mas vocês aceitam alguma coisa? Café? Água?

- Não, obrigada! — neguei com a cabeça e Damon repetiu o meu gesto.

- Certo, então vamos começar a analisar o caso – segurou alguns papéis que estavam em cima da mesa, que provavelmente eram os documentos que eu tinha lhe enviado por e-mail – Pelo visto ambos estão de comum acordo quanto ao divórcio e isso certamente irá facilitar e muito. Talvez até faça com que a papelada saia mais rápido.

- Isso é mesmo muto bom – suspirei aliviada – Quanto mais rápido resolvermos isso, melhor.

- Antes que eu possa iniciar com o processo de divórcio, precisamos resolver algumas pequenas questões – continuou – A primeira delas é a respeito do dinheiro. Vocês irão dividir tudo que o casal adquiriu durante os anos de casamento ou cada um ficará com os seu próprio dinheiro.

Dei uma rápida olhada em Damon nesse momento. Tudo que eu adquiri nesses últimos cinco anos foram dívidas.

- Sou dono de um apartamento duplex de quatro quartos em Chicago – foi a vez dele falar – Não pretendo vendê-lo, já que estou morando lá, mas posso passar o dinheiro que equivale a matade do valor do apartamento para a conta bancaria da Elena.

- Eu não quero! — apressei-me em dizer – Prefiro que façamos uma separação total de bens, assim fica menos complicado.

No momento em que decidi levar adiante esse divórcio deixei bem claro para mim mesma que não queria nenhum dinheiro vindo de Damon Pierce. Não queria ficar devendo nada para ele.

- Então está bem – Alaric anotou alguma coisa – A próxima questão a sobre a filha dos dois, Olívia Anne Pierce. A guarda dela ficará com a mãe, eu suponho.

Balancei a cabeça afirmativamente. Isso nem precisava ser discutido, é claro, Liv é minha e Damon nunca ousaria tentar tirá-la de mim, ou então ele iria me ver irritada de verdade.

- Então agora só precisamos discutir a pensão dela – continuou – Normalmente o juiz estipula que o pai dê 15% do salário por filho. Aqui no caso, é só uma.

- De maneira nenhuma! — gritei mais alto do que está planejando, fazendo com que os dois homens me olhassem espantados – Ele não precisa pagar essa pensão, eu não faço a menor questão.

- Senhorita Gilbert, esse é um direito que a sua filha tem – o advogado agora olhava sério para mim – Da mesma maneira que o senhor Pierce também tem direito de ver a filha, pelo menos, de 15 em 15 dias.

- Eu e a Liv nos viramos durante esses cinco anos sem nenhum tipo de ajuda do Damon – fiz questão de olhá-lo nesse momento – Não vai ser agora que vamos precisar.

Era só o que me faltava, agora eu teria que deixá-lo ver a minha filha, aquela mesma filha que ele nem ao menos queria e nunca fez questão de ver. Sabia que não seria uma boa ideia Damon reparecer depois de tanto tempo.

- Então coloque o dinheiro em uma poupança para quando ela for para a faculdade – sugeriu – Ou permita que ele pague a escola dela ou alguma outra atividade extra curricular.

- Certo – concordei, por fim – Ele pode pagar a escola dela. E como Damon mora em Chicago, podemos combinar da Liv passar o dia de ação de graças ou o natal ou talvez as férias com ele.

- Por mim está bem – ele concordou – Acho que podemos combinar tudo isso uma outra hora.

- Fico feliz que estejam chegando a um acordo – Alaric comentou – Bom, isso é tudo, vou entrar com o pedido de divórcio e quando tudo estiver em minhas mãos vou chamá-los aqui para assinarem toda a papelada.

- Muito obrigada, senhor Saltzman – agradeci – Só queria te pedir mais uma coisa. Eu comentei, quando conversarmos por telefone, a respeito do meu noivo, Stefan Salvatore.

- Claro que me lembro disso, senhorita Gilbert – concordou – Não se preocupe, tudo aqui será feito na maior descrição o possível.

Despedi-me dele antes de sair do escritório. Caminhei pelo corredor sem me importar se Damon estava vindo ou não atrás de mim.

- Opa, por que toda essa pressa, Elena – ele conseguiu entrar no elevador antes de a porta se fechasse – O hotel em que eu estou hospedado fica no mesmo caminho que o seu apartamento, o que acha de dividirmos um táxi?

Não respondi. Apenas me encostei na parede do elevador e fiquei encarando os meus pés.

- Vai realmente ficar me dando um gelo? — quis saber – Sabe, Elena, essa é uma atitude muito infantil da sua parte.

- Infelizmente eu não posso nunca mais te ver na minha frente, então, por favor, só fale comigo quando for estritamente necessário – chegamos ao trailer e eu sai apressada novamente.

Já estava começando a escurecer quando cheguei ao lado de fora do prédio, o estacionamento que estava cheio antes já começava a esvaziar e as pessoas retornavam para as suas casas.

- Com licença, a senhorita quer que chame um táxi? — um segurança se aproximou e me perguntou.

- Sim, por favor – respondi na mesma hora.

- Você vai mesmo agir assim comigo? — Damon segurou o meu braço e me virou fazendo com que eu o olhasse.

- Sim, Damon, é assim que você merece que eu aja com você – puxei o meu braço deixando bem claro que ele estava me machucando – E eu tenho motivos para isso.

- Então vamos, me diga apenas um desses motivos? — pediu.

E aqui está o grande momento. Eu finalmente vou poder dizer tudo que está preso na minha garganta há cinco anos.

- Antes de eu te conhecer, tinha a vida mais perfeita que qualquer adolescente de 16 anos poderia querer, e eu tinha planos – comecei a falar – Eu ia ser a capitã das lideres de torcida no meu último ano de escola, iria levar a equipe para o nacional e ganharia um lugar no hall da fama da escola, além disso, ia ser a primeira aluna da turma e ia fazer um discurso na formatura e seria um daqueles discursos que as pessoas iriam estar com lágrimas nos olhos quando terminasse a cerimônia, depois disso eu e Caroline viríamos para a Califórnia fazer fazer faculdade: UCLA, Stanford ou Universidade de Santa Bárbara, então nós duas iriamos dividir um apartamento até que uma de nós duas se casasse.

Dei um longo suspiro tentando me manter o mais calma o possível.

- Sei que isso tudo pode parecer meio fútil, mas eu e Caroline já planejávamos isso desde os 7 anos e você conseguiu destruir isso em poucos meses – continuei – De repente eu me vi grávida, sem o apoio dos meus pais, sem o seu apoio e tendo que viver de favor na casa da minha melhor amiga. Tive sorte de conseguir terminar o ensino médio e depois a Car me convidou para vir para Los Angeles junto com ela. Aqui eu consegui um emprego na biblioteca da UCLA, comecei o mu curso de literatura e estou conseguindo criar a minha filha apenas de todas as dificuldades, além disso eu conheci o Stefan que cuida de mim e da Liv de uma maneira que você nunca fez.

Nesse momento o segurança estava subindo novamente a escadaria de acesso ao prédio e tinha um táxi parado bem em frente.

- Como você pode ver eu tenho mesmo muitos motivos para não te querer perto de mim nunca mais – minha voz saiu ligeiramente tremida, mas eu consegui me aguentar – Agora com licença, tive um dia muito cheio e quero ir para a minha casa.

Passei o meu endereço para o taxista e logo estávamos nas ruas de Los Angeles. Encostei a minha cabeça na janela e deixei os meus pensamentos me levarem para longe, mais especificamente, para seis anos passado.

*Flash Back*

No momento em que acordei senti um forte enjoo subindo pela minha garganta. Tudo que consegui foi levantar e correr em direção ao banheiro e vomitei o que tinha e o que não tinha no meu estomago.

- Está tudo bem, Lena? — Jeremy abriu a porta do banheiro que eu tinha esquecido de trancar.

- Está sim! — falei enquanto me levantava e ia até a pia para lavar o rosto – Eu já acabei aqui, imagino que você queira usar o banheiro.

- Eu posso esperar – garantiu – Estou preocupado com você, Lena, de verdade, você está pálida.

Dei uma rápida olhada no espelho, meu rosto estava tão branco quanto uma folha de papel.

- Foi só um mal estar passageiro – insisti – Já estou bem melhor, Jer, é sério mesmo.

- Se você diz – deu de ombros.

Sai do banheiro e voltei para o meu quarto, eu estava mesmo me sentindo muito melhor e, surpreendentemente, com fome.

Já tinha deixando minha roupa separada na noite anterior e quando fui vestir a jeans, percebi que estava um pouco apertada, acho que vou precisar fazer uma dieta antes do primeiro jogo daqui há duas semanas, ninguém quer ver uma líder de torcida gorda. Coloquei uma bata azul, penteei o cabelo, passei um brilho labial e desci para a cozinha aonde minha mãe terminava ter fazer panquecas, meu pai está de plantão no hospital desde ontem a noite, por isso só vou vê-lo quando chegar em casa mais tarde.

- Bom dia minha filha – deu um beijo no topo da minha cabeça – Vai querer panquecas?

- Não devia, pois eu estou muito gorda – fiz uma careta – Mas elas estão com um cheiro ótimo.

- É assim que se fala! — colocou uma panqueca no prato a minha frente – E você não está gorda, querida, está muito bem.

- Não é isso que diz a minha calça jeans – revirei os olhos antes de cortar um pedaço da panqueca e comer.

Foi nesse momento que meu irmão apareceu na cozinha já arrumado e com a mochila no ombro.

- Bom dia família – falou antes de sentar ao meu lado – Oba, panquecas!

Por fim acabei comendo seis panquecas, pelo jeito eu estava mesmo com muita fome, fiquei até espantada.

- Isso por que você disse que está precisando emagrecer! — minha mãe comentou rindo.

- Estava com bastante fome para quem estava passando mal há menos de meia hora – Jeremy comentou e eu o fuzilei com os olhos.

- Você passou mal, minha filha? — aproximou-se preocupada colocando a mão na minha testa – O que foi que aconteceu?

- Foi só um enjoo matinal, mãe – garanti – Não é nada com o que precise se preocupar.

Na verdade essa não é a primeira vez que eu passo mal logo depois de acordar. Tenho tido esses enjoos todos os dias desde o inicio da semana, felizmente nem meus pais nem o Jer tinham percebido ainda, mas confesso que estou começando a ficar preocupada.

- Se você diz – deu um longo suspiro – Mas, se você não estiver se sentindo bem, pode ficar em casa hoje.

- Não precisa, eu vou para escola – avisei – Além disso, hoje tem o ensaio das lideres de torcida e eu sou a capitã, não posso faltar.

- Falando em escola – meu irmão comentou – Você pode me dar uma carona, Lena?

- Vou com a Caroline hoje – expliquei – Mas você pode ir com a gente, tenho certeza de que a Car não vai te deixar ir a pé para a escola.

- Ótimo – concordou com a cabeça.

- É bom você não ir se acostumando mal – continuei – Ano que vem eu vou para a faculdade e você não vai ter mais a carona para a escola.

- Ano que vem vou poder tirar a minha carteira de motorista, então não vai ser um problema – lembrou.

- Sei! — me inclinei na direção dele e dei um beijo na sua bochecha.

- Eca! Germe irmã – passou a mão pelo rosto fazendo cara de nojo – Agora vou ter que ir desinfetar o meu rosto.

Levantou e saiu na direção da sala e eu não pude deixar de rir. Foi nesse momento que a campainha tocou.

- Deve ser a Car – levantei me levantando – Deixa que eu vou lá atender.

E eu estava certa. Quando abri a porta minha amiga estava me esperando na varanda de casa.

- Oi, Lena! — ela me abraçou – Vamos?

- Só precisamos esperar o Jeremy — avisei – Ele foi lá em cima, mas já debe estar descendo.

- Certo! — concordou.

- Oi, Caroline, querida – minha mãe apareceu na porta da cozinha – Você quer comer alguma coisa? Eu fiz panquecas.

- Muito obrigada, tia, mas eu não quero – respondeu educadamente – Lena, por que não esperamos lá fora? Tenho que falar uma coisa com você.

- Claro! — fui até a minha mãe e dei um beijo em seu rosto – Tchau, mãe, até mais tarde.

- Boa aula, minha filha – deu um beijo na minha testa antes de eu seguir Caroline até o lado de fora da casa.

Sentamos nos degraus da Varanda e minha amiga colocou as duas mãos na frente do rosto.

- Ai, amiga, hoje a noite vai ser um pesadelo lá em casa – reclamou antes de dar um grande suspiro – Meus pais chamaram o Damon para jantar lá hoje.

Apesar de eu ter insistido que ela não fizesse isso, Car não fala com o primo desde o incidente em que eu e Damon “terminamos”. Uma semana antes das nossas aulas começarem ele anunciou que tinha arranjado um apartamento perto do trabalho e se mudou para lá, nós duas nunca mais o vimos desde então.

- Será que eu posso dormir na sua casa hoje? — pediu, por fim.

- Não é uma boa ideia, Car – respondi – Você tem que estar no jantar em família como se nada tivesse acontecendo. Ou seus pais podem desconfiar de alguma coisa.

- Então deixa eles desconfiarem – deu de ombros – É bom mesmo saberem que o quão cretino o Damon pode ser.

- Não, Car, eu não quero que eles saibam de nada – insisti – Sei que fui uma grande idiota caindo na dele, mas não quero que ninguém saiba disso. Por favor, não insista.

- Certo! — deu de ombros – Não está mais aqui quem falou.

Não demorou muito para Jeremy apareceu e nós três pudemos ir para a escola. Foi um dia bem tranquilo de aula.

Quando o sinal do fim do dia tocou eu e Car fomos direito para o treino das líderes de torcida. Como capitã era meu dever ficar na frente da equipe para fazer a coreografia. Estava indo tudo muito bem quando dei uma rodada e senti uma tontura tão grande que eu tive que parar na mesma hora.

- Você está bem, Lena? — minha amiga se aproximou de mim e colocou a mão sob o meu ombro.

- Sim, foi só uma tontura – tentei me levantar, mas meus joelho cederam e eu tive que sentar novamente – Car, você se importa de continuar o ensaio de hoje no meu lugar.

- Claro que não me importo – ela me ajudou a levantar e caminhou comigo até a arquibancada de onde eu poderia ver o ensaio.

Minha vontade era de continuar a coreografia, mas fiquei com medo de desmaiar no ensaio ou qualquer coisa parecida. Segui junto com o resto da equipe para o vestiário.

- Amiga, abre aqui para mim? — Caroline pediu me entregando o vidro de perfume – Minha mão está toda suja de creme.

- Claro! — no momento em que abri o cheiro do perfume subiu no meu nariz e o meu estômago embrulhou na mesma hora – Credo, Car, que perfume mais enjoado. Como é que você consegue usar isso?

- Foi você quem me deu esse perfume, Lena – lembrou – Aliais, você tem um igualzinho na sua casa.

- Sério? — foi então que eu li o nome na embalagem – Nunca tinha percebido o quanto esse cheiro era enjoado. Vou jogar fora assim que chegar em casa.

- Olha, Lena, eu sei que não é da minha conta, mas acho que você deveria ir ao médico – sugeriu, Caroline foi a única pessoa para quem eu contei que estava me sentindo mal nesses últimos dias – Você pode estar com estresse ou alguma coisa parecida.

- Estresse na segunda semana de aula? — franzi a testa e a encarei – Está mesmo falando sério, Car?

- Pode acontecer, afinal estamos no último ano e tem toda a pressão de entrar em uma boa faculdade, você também é a capitã das líderes de torcida e todos estão esperando para saber o que você está planejando para os jogos – lembrou – Além disso teve toda a história com o Damon, isso pode causar um certo estresse.

Estava tentando me fazer de forte com toda essa história do Damon, mas mesmo já tendo passado mais dos dois meses ainda era muito difícil ouvir sobre isso.

- Tudo bem, eu vou – concordei por fim.

Mesmo sabendo que a essa hora meu pai já deve ter ido parada casa, não quis ir para o hospital em que ele trabalha, pois acabaria chegando aos ouvidos dele de uma maneira ou de outra e eu não queria preocupá-lo. Até por que eu tenho certeza de que não deve ser nada.

Não demorou muito para a médica me atender. Ela perguntou o que eu estava sentindo e mediu a minha pressão e escutou as batidas do meu coração, em seguia passou um exame de sangue para eu fazer e avisou que queria ver o resultado ainda hoje. Foi um exame bem rápido, para o alívio, já que nunca gostei de agulhas nem de ver sangue, depois voltei para a recepção esperar que me chamassem novamente.

- Senhorita Gilbert, a doutora Greene já está com o seu exame, você já pode entrar – a recepcionista do hospital me avisou.

- Muito obrigada! – disse enquanto me levantava.

- Você quer que eu vá junto com você, Lena? — Caroline estava sentada na cadeira bem ao lado da minha.

- Não precisa – garanti.

Entrei no consultório um tanto receosa. A doutora Greene me deu um sorriso encorajador e eu me sentei bem em frente a ela.

- Bom, Elena, aqui está o resultado do seu exame de sangue – me mostrou o envelope na sua mão – Vamos ver o resultado juntas?

- Sim – balancei a cabeça afirmativamente embora não estava muito certa se queria saber o que tinha.

- Não precisa se preocupar, tenho certeza de que não é nada grave – colocou a mão em cima da minha tentando me tranquilizar – E se for, bom iremos tratar da melhor maneira possível e logo você estará ótima como antes. Certo?

Dei um fraco sorriso antes dela abrir o envelope e retirar o papel de lá de dentro. Começou a passar o olho enquanto lia o exame, cada segundo que passava eu ficava mais apreensiva.

- E então, doutora? — decidi perguntar, por fim – O que eu tenho?

- Bom, fico feliz em dizer que o que você tem não é grave, quero dizer, dependendo do ponto de vista, é claro – abaixou o papel e passou a me olhar – Você está grávida, Elena.

Foi como se jogassem um balde de água fria em cima de mim. Grávida? De todas as coisas que poderiam estar acontecendo comigo essa era a que eu nunca pensaria.

- Deve ter alguma coisa errada, doutora Greene – insisti – Eu não posso estar grávida.

- Você pode sim, e está – virou o papel na minha direção – Olhe você mesma, seu nível de beta hCG está alto – indicou com a caneta.

- Mas isso não é possível – passei as mãos pelo cabeço – Como é que isso foi acontecer?

- Bom, provavelmente você deve ter transado sem camisinha em algum momento dos últimos meses – ela brincou e eu não pude deixar de revirar os olhos – E pense bem, a sua menstruação deve estar atrasada. Esse sempre é o primeiro sinal.

E era mesmo verdade, minha última menstruação foi na primeira semana das férias de verão Não sei como pude ser tão desligada a ponto de não ter percebido isso antes.

- Olha, Elena, eu sei que não é a melhor hora para termos essa conversa – a médica continuou – Mas você precisa começar o pré-natal o mais rápido possível. Posso te passar o nome da obstetra que atende aqui mesmo no hospital e você pode marcar uma consulta aqui mesmo na recepção.

- Eu vou fazer isso – garanti concordando com a cabeça.

- É muito bom ouvir isso – falou – Não quero te assustar, mas aos 17 anos seu corpo ainda não está totalmente pronto para gerar uma vida, então a sua gravidez é considerada de alto risco. Sua pressão não está alta e já vi pelo seu exame de sangue que você não está anêmica, o que já é um alívio, mas você precisa ter um acompanhamento constante até o bebê nascer, para o bem de vocês dois.

Acho que eu ainda não tinha me tocado disso até o momento em que a médica falou sobre o bebê. Tinha uma outra vida crescendo dentro de mim, um outro ser humano que iria depender totalmente dos meus cuidados e isso era assustador.

- E a coisa mais importante, é claro – completou – É que você tente se estressar o menos possível.

- Tenho 17 anos e acabei de descobrir que estou grávida – lembrei – Tudo que minha vida não vai ser nos próximos meses é tranquila.

- Certo – ela não pode deixar de rir – O pai do bebê. Vocês dois estão namorando, não é mesmo?

Dei um longo suspiro e, mais uma vez tudo voltava a uma única questão: Damon. Eu o evitei durante o restante das férias, mas agora precisaríamos conversar. A questão é, como ele irá reagir.

- Para falar a verdade, não – admiti – Esse é um assunto um tanto complicado.

- Bom, mas acho que você deve contar logo para ele, antes de falar com qualquer outra pessoa – sugeriu – E você pode pedir a ele ir com você contar aos seus pais. Sei que esse momento pode ser o mais difícil, e vai ser mais fácil com o pai do bebê por perto.

Tudo que consegui fazer foi balançar a cabeça afirmativamente.

- Bom, Elena, isso é tudo – estendeu a mão para que eu pudesse apertá-la – Desejo toda a sorte do mundo.

Sai de lá ainda meio anestesiada com tudo que tinha acabado de ouvir. No momento em que me viu, Caroline se levantou.

- E então, amiga? — perguntou logo – Como é que foi lá?

Foi somente nesse momento que eu me permiti chorar. Minha amiga apenas me abraçou e deixou que eu deitasse a cabeça no seu ombro.

- Lena, o que foi que aconteceu? — perguntou mais uma vez, agora parecia preocupada – Você está começando a me assuntar.

- Eu estou grávida! — consegui dizer, minha voz saiu ligeiramente rouca,

Agora Car estava em silêncio me encarando. Ela abriu e fechou a boca várias vezes, mas não saia nenhum som sequer.

- Uau! — ela conseguiu dizer – Um bebê seu e do Damon! O que você pretende fazer agora, amiga?

- Sinceramente, eu não sei! — balancei a cabeça afirmativamente – Quero dizer, eu vou ter o bebê, isso eu nem tenho o que discutir.

E pela primeira vez passei a mão pela minha barriga. Só sabia da existência dele ou dela há alguns minutos, mas eu já amava aquela serzinho mais do que tudo na vida, nunca passaria pela minha cabeça abortar ou qualquer coisa parecida.

- Que bom que você pensa assim, Lena – Caroline deu um pequeno sorriso – E como você pretende contar para o Damon? E para os seus pais?

- Só sei que quero contar para eles o mais rápido possível e acabar logo com esse sofrimento – admiti – E vou precisar muito da sua ajuda nisso.

- Claro que eu vou te ajudar, Lena – segurou as minhas duas mãos – Pode contar comigo para o que você e o meu priminho precisarem.

Sorri antes de sairmos do hospital. Não sabia como as coisas vão ficar a partir de agora, mas eu vou conseguir superar tudo, de uma maneira ou de outra.

*Fim do Flash Back*

Notas finais
Prontinho gente.
O que vocês estão achando a atitude do Damon em dar o divórcio para a Lena sem nenhum problema? Será que ele está falando a verdade?
E a atitude da Elena de querer afastar a Liv do Damon? Concordam com ela?
E mais um pequeno Flash Back para vocês, agora de quando a Lena descobriu que estava grávida.
No próximo cap teremos o tão esperado encontro entre o Damon e a Liv.
Enfim... Comentem e digam o que estão achando e não esqueçam de recomendar a história.