Inesperado
4 Capítulo 4 - Terríveis encontros
Notas iniciais
Estela chegou a tarde e veio em meu quarto, me encontrou
ensopando o travesseiro, literalmente.
- O que você tem Elisabeth? – ela se sentou em minha cama,
perto dos meus pés.
- Só um pouco de nervosismo e estresse, estou bem! — disse
com a voz embargada.
- Espero que fique bem, vamos sair pra jantar?
- Prefiro ficar descansando, preciso dormir um pouco!
- Nós nunca saímos juntos, vamos? – que diferença, ela
estava tão doce comigo hoje.
- Melhor não mãe – limpei meu nariz com as costas de minha
mão.
- Elisabeth, eu conheço você e tem algo muito errado que
você não quer me contar!
Decidi ir jantar com eles, quanto menos eu estar apreensiva,
maior é a chance de eu esperar mais para contar que irão ser avós – Tudo bem,
eu vou mãe, você me da um tempo para me arrumar?
- Claro, qualquer coisa estou lá embaixo.
Tomei um banho rápido, deixei meu cabelo molhado mesmo.
Desci e vi Julie correndo na sala, ela estava com um vestido branco cheio de
bolinhas cor-de-rosa e roxas, pensei em meu bebê ao ver a pequena correndo na
sala, lágrimas encheram meus olhos nesse momento e voltei à realidade para me
conter.
- Minhas três mulheres estão prontas? – Johnny nos olhou e
sorriu – como minhas meninas estão lindas! – Julie agarrou a perna de Johnny e
riu, eu ri do ato dela.
Minha mãe disse que seriamos só nós, mas depois a hora que
estávamos chegando ao restaurante japonês ela esclareceu melhor:
- Bom, os Mansini vão jantar conosco, me desculpe, esqueci
de dizer Johnny!
- Tudo bem amor, não é a Silvia e a família dela?
- Sim querido, ela, o marido e o menino deles, se não me
engano o menino deles tem a idade da Elisabeth! Não, ele é um pouco mais velho.
- É um pouco mais velho sim, eu lembro que a Liz nasceu
quando ele já estava com quase um ano.
- Você o conhece? Ele esta muito lindo.
- Não me recordo bem dele, mas já o vi no colégio da Liz! –
agora que não entendi nada, quem é esse menino? – o conhece Liz?
- Qual o nome dele? – disse, enquanto Julie puxava um fio do
meu cabelo e ria de mim, olhei e sorri pra ela também.
- Se eu não me engano é Pedro – ai não! Não pode ser – ele é
branco, os cabelos são castanhos.
Medo é pouco pra definir o meu estado físico e mental, e
agora? Ficar de frente com Pedro sem nossos pais, ao menos, nem imaginarem que
vão ser avós e o pai é o menino que ira ficar frente a frente com eles hoje.
- Elisabeth? Você o conhece? – o que eu vou dizer? Com toda
certeza Pedro ira me ignorar.
- Hmm... não sei bem mãe, já o vi, eu acho!
- Tudo bem, vocês irão se conhecer hoje! Nossa amor, a
Silvia é uma excelente empresária, ela...
E assim Estela continuou falando da tal Silvia, como vou me
comportar? E se eu ficar enjoada, o que vou fazer? Preciso falar com Thomas
urgente. Depois que chegamos disse aos meus pais que iria ao banheiro primeiro,
alias eu realmente estava mesmo precisando, mas também precisava falar com o
Thomas, disquei seu numero e liguei... Nada, liguei de novo ai ele atendeu:
- Thomas é a Elisabeth! – disse murmurando, ele estava
sonolento.
-Oi Liz, algum problema?
- Me desculpa te ligar a essa hora, mas meus pais me
trouxeram pra jantar e a família de Pedro ira vir também! O que eu vou fazer?
- Você contou a eles?
– ele estava assustado!
- Você ficou doido Thomas?! Ainda não! Mas eu não sabia,
minha mãe é meio que amiga da mãe dele, e eu não sei o que fazer, estou com
medo de passar mal!
- Aja normalmente Liz,
não transpareça medo, faça isso e me avise como foi ta?
-Ta bem, preciso ir pra mesa, beijo!
Thomas desligou e eu fui encarar um dos piores momentos da
minha vida, observei de longe e Pedro sentou-se ao lado de minha mãe, e do lado
dele estava a minha cadeira. Cheguei à mesa e Pedro me viu, ele ficou até
pálido, eu devo ter ficado do mesmo jeito, ele me cumprimentou como se nem nos
conhecêssemos, fiz o mesmo, depois Silvia e marido dela me cumprimentaram
também, ela é adorável, não sei como Pedro pode ser tão canalha, com toda
certeza ele não tem nada da personalidade da mãe.
Nossos pais ficaram conversando, eu já não aguentava mais o
cansaço e o tédio, Julie estava inquieta no colo de Estela, decidi a levar pra
fora.
- Mãe me deixa levar a Julie ali fora um pouco? A hora que
os pratos chegarem você nos chama, pode ser?
- Pode sim filha, é até bom pra Julie! – Julie sorriu e veio
até mim, hesitei na hora de carregá-la, acho que por enquanto ainda posso.
Peguei-a no colo e fui saindo, mas Silvia resolveu falar.
- Pedro vai com elas lá! Daqui a pouco te chamo – ela deu
uma piscadela e Pedro, o canalha, se levantou. Só me faltava essa, comecei a
ficar enjoada, ai não bebê – murmurei
pra meu filho, mentalmente.
Pedro veio até meu lado, Julie estava fazendo cachos em meu
cabelo, ela ria sem parar pra mim. Só eu Julie conversávamos no jardim do
restaurante, na hora em que me sentei Pedro sentou-se de meu lado, sai do banco
e me sentei em outro, eu não fico do lado dele por nada.
Depois de quase meia hora Pedro veio até mim, eu e Julie
estávamos dando nomes para suas bonecas, ele se sentou do meu lado e começou:
- A gente tem que sentar junto pra nossos pais não
perceberem que nos conhecemos.
- Tudo bem, só não ponha um dedo em mim! – rosnei pra eles
essas palavras e ele ficou quieto.
Julie já estava quase dormindo em meu ombro quando minha mãe
apareceu no jardim.
- Vamos comer? Pedi um pouco de sushi pra você Elisabeth! –
ai que nojo, como posso não querer comer umas das minhas comidas preferidas? Você esta grávida Elisabeth! Meu
inconsciente falou para mim.
- Ah sim, obrigada mãe! — Me levantei com Julie e Pedro veio
atrás de mim, como vou comer isso? Vou vomitar na certa!
Depois de acomodar Julie no meu colo, peguei um sushi com o
maior esforço do mundo e o pus na boca, ai que nojo, aquilo pareceu que foi
aumentando em minha boca, o enjoo estava cruel, senti que ia vomitar mais
segurei, afastei a cadeira e todos me olharam, sorri e me levantei fazendo que ia
ao banheiro, minha mãe pegou Julie e me perguntou:
- Tudo bem? – acenei que sim com a cabeça e fui ao banheiro.
Mal cheguei e coloquei tudo pra fora, ah bebezinho, o que você esta fazendo comigo! Acariciei minha
barriga e me olhei no espelho, meu Deus estou péssima, as olheiras estão 10
vezes piores, parece que andei até emagrecendo. Peguei o pó na minha bolsa e
passei em meu rosto, depois coloquei um batom rosa — bebê ficou um pouco
mais... Hmm agradável.
Voltei à mesa sorrindo, minha mãe me olhou de um modo
estranho, me sentei novamente e nem por nada no mundo coloquei algo na boca. O
jantar estava quase no fim quando Silvia falou:
- Meu Deus como sua filha combina com o Pedro! – só na sua
cabeça mulher!
- Nem me fale Silvia! E eles são lindos!
- Sim Estela, eles são! Imagina que coisa linda um filho
desses dois? – ah se ela soubesse...
- Mãe chega! –Pedro a interrompeu, e eu pela primeira vez o
agradeci mentalmente.
Despedimos-nos de todos e fomos embora, eu necessitava de
minha cama, e de um banho.
- Elisabeth, por que você estava cheirando a vomito quando
voltou do banheiro? – ai não Estela esta encaixando as peças, e agora?
- Eu não passei bem mãe, meu estomago não esta muito bom!
- Seria algo que você comeu filha? — Johnny perguntou.
- Com toda certeza pai!
- Mas você quer ir ao médico querida? – o desespero tomou
conta de mim.
- Não pai, já estou melhor, preciso dormir um pouco só isso.
- Bom se você quer assim...
Ninguém mais disse nada o trajeto inteiro,
chegamos em casa, fui para o banheiro tomei um banho, escovei meus dentes e dormi.
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