Inesperado
8 Capítulo 8 - Humilhada
Notas iniciais
Depois de mais uma semana no hospital, com Johnny e Thomas
me fazendo companhia, tive alta, Estela nem se quer deu as caras. Nice me
visitou e me fez exames também, tudo esta bem graças a Deus. Ela já me deu uma
data provisória para o nascimento do bebê, como estamos em janeiro, e estou com
quase três meses, provavelmente em julho vamos ver o pequenino. Estou muito
feliz com a gravidez, estou ansiosa para sentir o bebê, Nice me disse que logo
isso ira acontecer. Minhas roupas não entram mais em mim por nada, aumentei
muito nesses três meses.
Johnny me apareceu na porta do quarto, sorrindo, com um
buquê de rosas vermelhas e brancas, com um cartão na mão, ele chegou perto de
mim e me deu um abraço muito apertado, como ele sempre fazia quando eu era
pequena, e estava brincando no jardim de casa, ele chamava meu nome e eu ia
correndo para seus braços, isso me deixou emocionada, ele me olhou e viu que
estava chorando de novo.
- Mas você ta chorando de novo? – ele caiu na risada e
colocou a mão em minha barriga – bebê, por favor, não deixe sua mãe tão
emotiva, ela não para mais de tanto chorar! E isso é do Thomas! – ele revirou
os olhos, chorei mais ainda pelas lindas rosas que Thomas me mandou.
- Pai! – o repreendi e continuei chorando. No cartão estava
escrito “Ela é perfeita pra mim”.
Como Thomas pode ser tão perfeito? Meu Deus. Johnny riu de mim, peguei minha mala e saímos do
quarto, ele me olhou com cara feia e pegou a mala de minha mão.
- Nada de carregar peso senhorita, o médico já te disse!
- Ta bem pai! – revirei os olhos e seguimos até o carro.
Antes de chegarmos em casa ele parou em uma loja, achei
estranho, Johnny parando numa loja de
roupas? O que?
Ele me conduziu até a loja e entramos, ele seguiu direto
para a seção de gestantes, aquilo me emocionou, sim novamente, ele me olhou e
riu. Provei três blusas, ele insistiu que eu comprasse, depois fomos para a
seção de crianças, ele pegou um macacão branco com um ursinho, me olhou e deu
para a atendente ela sorriu pra mim, fiquei emocionada com a atitude de meu
pai.
- Na sua próxima consulta com a Nice, eu vou junto, você
precisa se acalmar, chega de chorar – ele me olhou zombando – a primeira
roupinha do bebê foi eu que dei, não esqueça de contar ao meu neto! – ri do
modo que ele falou, ele realmente estava fazendo o papel de uma mãe.
Depois seguimos até em casa, entrei e Julie veio correndo e
grudou em minha perna.
- Lisabe! – Johnny e eu caímos na risada, nem meu nome ela
conseguia falar ainda.
- Oi Julie! – me abaixei e ela pegou no meu pescoço e me abraçou
depois do abraço ela me ofereceu seus bracinhos, ela queria que eu a
carregasse, olhei para Johnny, incerta de se podia ou não.
- Melhor não! – ele se abaixou para Julie, ela me olhou com
seus grandes olhos azuis, com uma cara triste – Juli, a Liz não pode te
carregar por enquanto, você sabia que ela tem um neném na barriga? – Julie me
olhou surpresa e abriu um longo sorriso, expondo seus dentes da frente.
- Dade Lisabe? – Julie me perguntou sorrindo – Sá eu vê o
nenê?
- Você quer por a mão em minha barriga meu anjo? – Perguntei
rindo para ela, ela fez que sim, Johnny a carregou e ela colocou a mão de leve
em minha barriga, ela ficou fascinada e deu uma gargalhada, rimos juntos.
- Querida, a Liz precisa descansar, depois você fica mais
com ela certo? – Julie aceitou e saiu correndo pela sala.
Olhei no canto da cozinha e vi Estela com uma cara péssima,
ela estava muito brava, ela encontrou meu olhar e virou a cara, Johnny
percebeu, pegou meu braço e me apoiou para subirmos a escada, ele arrumou minha
cama, e desfez minha mala, me deu um beijo e disse que depois me traria algo
para comer, mas tive que tomar tanto soro que pareço saciada sem comer nada.
Coloquei meu buquê no criado mudo, com um pouco de água para não murchar,
depois tenho que agradecer Thomas.
Acordei com muita sede e muita vontade fazer xixi, me
levantei com cuidado, minhas costas estão bem doloridas ainda, fui ao banheiro
e relaxei. Desci a escada e fui à cozinha, na hora em que estava voltando
passei pela sala, ouvi meus pais conversando no escritório. Me entoquei num
canto e ouvi a conversa.
- Você querendo ou
não eu vou apoiá-la Estela, e eu não sabia que tinha de ir pra China justo
agora! Ela precisa de ajuda!
- Eu não tenho nada
com isso! Já não basta a minha vida, eu não vou apoia-la de jeito nenhum! Ela
virou uma puta qualquer!
- Você não pode dizer
nada sobre ela! Você casou comigo quando estava grávida! E ela nem é minha
filha! E eu a amo do mesmo modo que Julie! – meu Deus – essa criança não tem culpa, e minha Liz também não tem! Ela sempre vai
ser a minha pequena, eu nunca vou abandoná-la.
- Você que sabe, mas
eu não vou levá-la nem a escola, não é minha obrigação!
- Vou ficar duas
semanas na China, preciso ir! E se eu voltar e minha menina passar mal, ou algo
do tipo, eu me separo de você e levo Julie comigo! Que isso fique certo! Agora
me de licença, preciso arrumar umas coisas, e não precisa me esperar que eu vou
dormir no quarto de hóspedes.
Ignorei a dor na costa e subi até meu quarto, encostei a
porta com cuidado e desabei em meu travesseiro, Johnny não é meu pai, ouvir
isso me arrebentou, ele sempre me amou tanto, me protegeu, nunca nem imaginei
uma coisa dessas, e Estela dizer aquilo de mim, e a dor que estou causando a
Johnny, meu Deus por que tem que ser assim?
Limpei minhas lágrimas e tentei me concentrar em minha vida,
mas a porta de meu quarto se abriu, Johnny acendeu a luz, ele estava com uma
bandeja nas mãos, tem leite, um pedaço de pão, e um prato de sopa, hmm... Parece
estar bom, mas depois de tudo que eu ouvi, não sei se consigo comer, ele me
olhou sorrindo.
- Meu anjo, desculpe se eu e sua mãe te acordamos, se você
ouviu algo de nossa conversa, não me pergunte nada agora, e não fique nervosa,
eu dou um jeito de alguém cuidar de você por mim querida, enquanto eu estiver
na China – ele sorriu – e melhor alimentarmos o bebê ai, ele já sofreu demais e
você também! – ele sorriu me sentei e ele colocou a bandeja em cima da cama e
sentou-se do meu lado.
- Pai eu não to com fome, e se eu comer vai voltar tudo!
- Se você vomitar eu limpo tudo, quero ver minha menina
comer um pouco, por favor! – ele me fez uma cara de dar tanto dó que eu tive
que comer.
A sopa esta maravilhosa, bem quente, como gosto, o pão esta
uma delicia também, a cada colherada, Johnny aumentava seu sorriso. Depois de
terminar a sopa lhe entreguei a bandeja com o copo de leite, não quero leite
agora. Ele me deu um beijo na testa.
- Boa noite pequena, durma bem, fica com Deus, o pai te ama
tá?
- Você também pai! Te amo, e obrigada por tudo!
- Qualquer coisa me chame certo?
- Sim pai. Hmm... Quando você irá viajar?
- Daqui a dois dias, fui em seu colégio e eles me disseram
que terça-feira você pode voltar, eu vou terça pra China, então eu levo você,
pode ser?
- Claro pai! Obrigada.
Dormi extremamente bem. Acordei descansada e com muita, mas
muita fome mesmo, me levantei, minhas costas estão piores, a dor esta terrível,
mas fui à cozinha, meu pijama ressalta minha barriga, ela esta bem saliente
mesmo. Encontrei Estela lá, ela nem me olhou e saiu, Julie apareceu segurando
seu ursinho, toda descabelada ela me olhou e deu uma gargalhada, ela esticou
seus bracinhos para mim, fui até a mesa e me sentei para poder carregá-la, ela
estava vindo ate mim sorrindo, mas Estela a pegou e a tirou da cozinha, ela me
olhava com lágrimas escorrendo por seu rosto, Estela nem ligou e ainda lhe
disse para ficar quieta, não consegui tomar o restante de meu café da manhã,
subi a escada e me afundei no travesseiro novamente, o enjoo veio com uma força
incrível, sai correndo, tropeçando em tudo e cheguei a tempo de vomitar no vaso
sanitário. Fiquei sentada no chão esperando tudo voltar ao normal, olhei na
porta e vi que Johnny vinha vindo, com Julie no colo, ele a desceu e ela veio
correndo até mim no banheiro, ela agarrou meu pescoço e chorou, chorei junto
com ela, Johnny me olhou e sorriu.
- Vomitou meu bem?
- Sim, pai, mais foi porque eu fiquei triste eu acho – Julie
estava chorando alto, agarrada a mim – meu amor vamos sentar na cama comigo? Ai
eu te carrego! – Julie me olhou e coçou
os olhinhos azuis que agora estavam avermelhados de tanto chorar.
Ela concordou e foi indo até minha cama, lavei meu rosto e
escovei meus dentes. Julie estava agarrada a meu travesseiro e Johnny estava
lhe dando um embrulho, ela sorriu ao pegar. Fui até a cama e sentei, ela
automaticamente sentou-se no meu colo e sorriu.
- O que tem nesse embrulho ? – ela apontou pro papel em sua
mão e eu disse que sim.
- Vou abi!
- Abri Julie! – disse rindo e ela riu de mim.
Ela abriu e tinha uma chupeta para recém-nascido, ela pegou
a chupeta e colocou na boca, rimos do ato da pequena, depois ela colocou na
minha barriga, levemente encostando.
- É pa o nenê Lisabe! –ela me olhou séria.
- Mas você quer pra você querida?
- Não, eu não gosta de pepeta! – ela fez cara de nojo e
rimos.
Rimos durante um bom tempo com Julie, depois Johnny a levou
para almoçar, eu não quis.
Minha tarde se resumiu em meu quarto, uma hora ou outra
Julie passava em frente e me jogava beijos, e saia correndo rindo, realmente
Julie estava sendo uma boa terapia para mim.
O dia amanheceu bonito, Johnny me acordou com um belo café da
manhã, hoje vou voltar ao colégio, estou um pouco amedrontada, mas Thomas irá
também, aliás, tenho que lhe agradecer pelas flores. Depois de me aprontar,
vesti uma blusa solta, uma calça jeans, e uma sapatilha, desci e seguimos até o
colégio. Johnny foi comigo até a entrada, avistamos Thomas, ele caminhou até
nós.
- Liz! – ele sorriu ao me ver.
- Oi! – cheguei perto dele e nos abraçamos.
- E ai Thomas, cuida da minha pequena, por favor? Eu vou ter
que viajar a trabalho, e a Estela esta insuportável! – Johnny revirou os olhos
e rimos.
-Pode deixar senhor Benson, eu vou cuidar sim da minha Liz!
– minha Liz? O quê? Johnny sorriu abertamente quando ele disse isso.
Me despedi de meu pai e seguimos pelo corredor, olhei e vi
Pedro. Na hora que passei perto dele ele agarrou meu braço.
- Olha aqui sua puta, ou você dá um fim nessa gravidez de
merda ou eu ferro com a sua vida! – isso quase me matou, ele continuou
apertando meu braço, Thomas ouviu e deu um empurrão nele.
- Solta a Elisabeth! Seu desgraçado!
- Você ta pensando que é quem seu filho de uma puta?
- NÃO FALA DA NICE PEDRO! – quem ele pensa que é?
- Ei! – o monitor separou Pedro e Thomas – nada de briga por
aqui! Você esta bem Elisa? – Jenson me chama assim desde que vim estudar aqui.
- Estou sim Jens, e hmm... Obrigada – sorri e ele levou
Thomas e eu para a sala.
- E Pedro, você vai para a diretoria! Jena? – ele gritou –
leve ele!
Na saída, Thomas foi andando atrás de mim, ele insistiu
nisso, me lembrei de agradecê-lo pelas rosas.
- Ah Thomas, muito obrigada pelas rosas! Elas são perfeitas!
– e lá vou eu chorar de novo, ele me pegou num abraço apertado.
- De nada meu anjo!
- Ah e eu não sou perfeita! – disse rindo em meio às
lágrimas.
- Para mim você sempre foi perfeita! – ele olhou em meus
olhos, seu olhar é tão confortante e amoroso que quase o beijei, mas me segurei
o quê você esta pensando Elisabeth? Meu
inconsciente reclamou.
Depois disso seguimos até minha casa, ele me levou até a
porta, não adiantou reclamar, isso até é bom, me senti segura com Thomas.
Entrei em casa e dei de cara com Estela sentada no sofá. Estava passando reto,
mas ela falou.
- Aqui e agora Elisabeth! – ela disse meu nome com tanta
raiva que doeu meu coração.
Me sentei no sofá e ela começou:
- Eu não vou te apoiar, você sempre foi um encosto na minha vida, eu
nunca quis ter você, mas como seus avós insistiram eu casei com Johnny e ele te
aceitou, ele te criou, depois que você estava grande eu comecei a te aceitar,
mas ai você me faz uma coisa dessas? VOCÊ ESTAVA COM A CABEÇA NA ONDE? VOCÊ
PODE PEGAR SUAS COISAS E SUMIR DESSA CASA, SUA MALA JÁ ESTA FEITA! SUBA E
PEGUE, NÃO QUERO MAIS VER SUA CARA! SUA INUTIL! – só queria não ter nascido
depois disso, como uma mãe pode fazer isso?
Dizer uma coisa dessas para um filho? Tenho nojo dela, ela nunca valeu
nada, mas eu a amava, mesmo sendo ignorada, e agora ela diz isso?
Minhas lágrimas sumiram, a raiva me inundou, subi a escada,
peguei mais algumas coisas e sai, mesmo não podendo carregar peso, peguei minha
mala. Bati a porta da sala com toda a força que pude, segurei minha barriga e
sussurrei mentalmente para meu bebê “Prometo nunca ser assim para você”.
Caminhei sem rumo por um bom tempo, mas por causa do sol, comecei a me sentir
zonza, minha barriga começou a doer, decidi ligar para Thomas, não era o certo
o colocar nisso também, mas não tenho mais ninguém nesse momento, e com a
ameaça de Pedro é complicado.
- Thomas? – disse por meio as lágrimas quando ele atendeu.
- Liz? Você esta bem?
Você esta chorando?
- Minha mãe me
expulsou de casa, não sei para aonde ir! – disse soluçando.
- Pelo amor de Deus!
Aonde você ta Liz? – lhe disse aonde estava – estamos indo ai, você vai ficar em casa conosco!
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