Inesperadamente
1 Oneshot
Notas iniciais
Estava tão cansado... Podia perceber o dia clareando, mais uma hora e o sol estaria raiando, mais uma hora e ele terminaria o reparo da última armadura. Só faltava mais uma. Era tão importante que ficassem prontas...
Seus dedos frios mal percebiam a textura do metal, suas mãos deslizavam sobre a peça mecanicamente. Só faltava mais uma...
***
— Um cavaleiro de ouro pego desprevinido? — a voz pedante e firme o despertou repentinamente.
— ... Shaka??... — Abriu os olhos devagar, tentando recordar onde estava... e o que estava fazendo. Aos poucos as memórias retornaram, o chão duro e frio de sua oficina fizeram-se notar sob suas costas. O vulto de Shaka sobre seu corpo desnublava-se. As vestes alaranjadas brilhando forte sob a luz do sol agora alto.
— Shaka? — repetiu — O que está fazendo aqui?
— Parece que se esforçou além de suas próprias forças. Devia ser mais cauteloso — Shaka não se incomodou em responder a pergunta. Ou em sair do lugar, seus pés sobre cada lado da cintura de Mu. E muito menos em mudar o tom autoritário e arrogante de sua voz.
— Eu... — Mu ponderou, cansado demais para retrucar, ou mesmo para notar o cavaleiro de virgem encarando-o perigosamente de onde estava — Eu preciso continuar...
— Terá tempo o suficiente quando terminarmos com isso.
— Terminarmos?? Ah! — Mu exclamou ao tentar levantar, seu corpo doía reclamando as horas sobre o mármore, não entendia o que Shaka estava fazendo ali.
Estava frustrado por não ter feito seu trabalho, e por estar nessas condições na frente de Shaka. Logo Shaka, dentre todas as pessoas...
Porém, antes que pudesse amaldiçoar-se pela situação em que se encontrava, Shaka ajoelhou-se sobre ele. O coração de Mu disparou antes mesmo de dar-se conta do que estava acontecendo.
— Mu, por acaso é capaz de ler estrelas como seus antepassados? Perguntou Shaka, o rosto impassível tão próximo de Mu. Os olhos fechados e mesmo assim inquisidores, como era possível?
Mu olhou para Shaka, tentando ler as intenções do cavaleiro. O corpo quente em contraste ao seu corpo frio sobre piso da casa de Áries, a voz inalterada durante toda a estranha conversação.
— Sim... — respondeu baixinho.
Shaka pareceu estudá-lo. Mu sentiu as pupilas do cavaleiro de virgem encarando-o debaixo das pálpebras fechadas. Um silêncio instaurou-se entre eles, apenas alguns segundos, segundos longos demais para Mu.
— Pode ler sobre nós? Perguntou Shaka repentinamente.
— Nós?...
— Eu... — o cavaleiro pareceu hesitar pela primeira vez desde que aquela conversa teve início — ... e você.
— O que quer saber sobre "nós"? — acaso Shaka sabia de suas indagações às estrelas? Havia sido demasiado óbvio? Um princípio de pânico instaurou-se em seu peito.
— Não é de meu feitio preocupar-me com o futuro — disse Shaka tranquilamente enquanto tomava o rosto de Mu em uma de suas mãos — porém temo pelo destino de nossa amizade depois disso.
E Shaka o beijou.
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