Notas iniciais
Olá! Depois de muito tempo, voltei! Do u miss me? Peço desculpas pelo sumiço, tive bloqueio criativo e só voltei a escrever quando a ideia de outro plot pra uma estória surgiu (link nas notas finais) e aí a escrevi para me reaquecer para voltar com tudo aqui hehehe Sem mais delongas, desejo a vocês uma boa leitura!

Entram no restaurante que está demasiadamente cheio e fazem seus pedidos. O homem insiste em pagar seu lanche. Aceita, mesmo contrariada.

Sentam-se em uma mesa com duas poltronas macias, próximas à parede. É impossível não perceber o quanto ela evita encará-lo.

— Pâmela, por que você mentiu sobre Daniel?

Finalmente o visa.

— Eu não menti. Estava pronta para terminar com ele. Mas foi a única saída que vi para conseguir um tratamento da minha doença.

— Espera... Que história é essa? – abocanha o lanche, se inclinando curioso para ouvi-la.

— Daniel disse que se aceitasse seu pedido de casamento, pagaria um convênio para eu fazer meu tratamento e minha cirurgia. – responde, mordiscando um pedaço do hambúrguer.

— Isso é um absurdo! Sabia que isso é relacionamento abusivo? – questiona inconformado.

— M-mas eu o amo... – aquelas palavras cortam seu coração. Não consegue compreender como isto é possível. – Ou pelo menos acho que amo. – completa.

— Você pode amá-lo. Porém, está em uma relação tóxica. – alerta.

— Vamos mudar de assunto... – ela solicita, enquanto espalha ketchup em sua batata frita.

Os minutos seguintes passam rapidamente. Logo, estão na porta da casa da jovem.

— Obrigada. – expressa num sussurro. – Você foi muito gentil. – dá um beijo em sua bochecha, sai do carro.

A lança um sorriso sem graça e assente com a cabeça.

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Os dias correm. Daniel já havia ido ao hospital solicitar que incluíssem Pâmela em seu convênio e assina um termo afirmando que pagará os custos adicionais, não inclusos em seu plano.

A vida não está sendo justa com Pâmela. Ao mesmo tempo em que crê amar Daniel, pensa frequentemente em Thiago, no beijo que deram na festa de Carolina. Para piorar, seus colegas de trabalho a tratam como se estivesse à beira da morte. Realmente está, todavia, isto a lembra de que pode morrer a qualquer momento.

Seu único conforto são suas colegas de faculdade, que ainda tentam se comportar da mesma maneira de sempre.

Thiago; por outro lado, continua levando a vida dupla, como policial de dia, justiceiro à noite. Tenta ao máximo não pensar na garota absurdamente mais nova e comprometida. Inclusive, faz o possível para não cruzar o caminho dela. É o melhor a fazerem.

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Em um daqueles dias em que a Lei de Murphy* decide brincar com Pâmela, a mesma acorda atrasada para o trabalho. Não tem tempo para tomar café, sai correndo para o ponto. Uma tempestade começa a cair, o que faz seu ônibus demorar a passar.

Chegando à empresa – com mais de duas horas de atraso –, todos a encaram curiosos. Os cabelos e roupas ensopadas explicavam por si só. Contudo, seu chefe a convida para a sala de reuniões.

Pressente que o emprego está a um fio. Suspira pesadamente, seguindo Antônio para o “cantinho da vergonha”— como é conhecido o local, devido à bronca que os funcionários recebem sempre que são chamados para lá.

— Olha, quero pedir desculpas... – ele ergue a mão no ar, fazendo-a se silenciar celeremente.

— Sabe Pâmela... Eu gosto de você! – ri. Retribui com um sorriso tenso, sem entender o que quis dizer. – Você é uma boa funcionária, apesar de toda sua rebeldia em não concordar com algumas das nossas regras e não cumpri-las, ou estourar as pausas**. Gosto desse negócio de empoderamento! – gargalhadeia novamente.

Os ombros da ruiva ficam erguidos, com tensão. Almeja entender o rumo da conversa.

— O que vai fazer Antônio? Dar suspensão? Demitir-me? – inquire-o, ansiosa.

— Claro que não, querida! – afirma como se fosse óbvio. – Mas... Que tal se fizer um favor pro seu “super”? – ela ergue uma das sobrancelhas. – Levanta dessa cadeira!

Obedece-o e caminha na direção do mesmo.

— Ótimo! – comemora. – Agora... Que tal se eu fizer isso... – fala pausadamente, enquanto circula-a, parando atrás de suas costas. Ele passa as mãos ali.

Não consegue reagir. Apenas respira desconfortada, nervosa. Sente-o levantar sua blusa, deslizar uma das mãos até a barra de seu sutiã.

— Para... Por favor! – implora num murmúrio.

— Seu namorado já te tocou assim, Pâmela? Ele já te fez uma massagem gostosa desse jeito? – pergunta, levando suas mãos aos ombros dela, massageando-os.

— Não. – diz, ainda sem conseguir se mexer. – Para! – empurra-o para longe e antes que alcançasse a saída, puxa-a pelo braço.

— Preciso de um abraço. Abrace-me, querida... – fala próximo ao rosto dela, puxando-a para perto de si e distribuindo beijos em seu pescoço.

Pâmela tira forças que sequer imaginava ter, nem sabe de onde vieram e o joga contra a parede. Pega sua bolsa em cima da mesa, sai veloz, pisando fundo.

Desnorteada e chocada, liga para a polícia, a fim de saber o que deveria ser feito. Orientam-na ir a uma delegacia. Assim o faz, porém, opta ir à mais próxima de sua casa.

Chegando lá, vai direto ao policial que estava na recepção:

— Eu quero fazer uma denúncia de assédio! – bate na mesa.

O homem arregala os olhos.

— Acompanhe-me, por favor... – ele a guia à uma sala de espera, lhe dá um copo d’água.

Com as mãos trêmulas, o leva até à boca. Finalmente desaba em um choro desesperado.

O delegado adentra ao local, acompanhado de um rosto conhecido, o qual faria o relatório: Thiago.

Vendo-a naquele estado, sente o coração despedaçar-se. Involuntariamente, se levanta e o abraça forte. Sente naquele momento, como se ele fosse seu porto seguro.

Nem se importa com a camisa molhada pelas lágrimas, pela aproximação da garota com as roupas e cabelos molhados. Apenas retribui o gesto. Posteriormente; a guia até uma cadeira, onde a coloca sentada de frente ao delegado, que não entende a aproximação dos dois.

— Por favor, senhorita... Comece dizendo seu nome completo para nós. – o homem de idade avançada exige, enquanto Thiago se prepara para digitar as informações.

— Pâmela Oliveira Martins.

Prontamente, entrega seu documento ao vizinho, que anota seus dados para fazer a abertura da ocorrência.

— Conte-nos o que aconteceu! – o delegado ordena.

— Meu chefe me assediou. – o justiceiro a olha depressa. Sente seu corpo ferver de raiva. Aperta fundo as teclas do computador, digitando o relato. – Ele levantou minha blusa, passou as mãos em mim...

— Você tem como provar isso? – o mais velho questiona prontamente.

— Não. Não posso usar celular na empresa. Mas talvez, a sala em que ele fez isso tenha câmeras de segurança.

— Acha que encontraríamos evidências do ato, caso fizéssemos corpo de delito? – indaga.

— Ele não chegou às vias de fato, senhor. – retruca.

— Então, infelizmente não temos como ajudá-la, senhorita! Passar bem! – levanta-se da cadeira, deixando-a inconformada.

— O QUÊ??? VOCÊS NÃO VÃO FAZER NADA??? NÃO PODEM NEM IR À EMPRESA INTIMÁ-LO??? – brada.

— Pâmela pare! – Thiago reivindica.

— PARAR? TEM UM ABUSADOR SOLTO E VOCÊS NÃO VÃO TOMAR NENHUMA PREVIDÊNCIA!? –continua gritando.

O delegado se irrita com o escândalo. Intima um dos policiais que a leve para fora da delegacia.

O vizinho decide ir atrás dela.

— Thiago... Ajude-me! – suplica lamuriando.

— Desculpa. Essa é a nossa legislação; como eu te falei naquele dia. – bufa, irritada. – Mas posso te indicar um amigo advogado. Explique o que aconteceu e ele tentará entrar com um processo. – entrega à ela um cartão de Rodrigo.

— O que vou fazer da minha vida sem esse emprego? Não posso continuar lá e se ele...

Shhhh...— Thiago coloca o indicador nos lábios. – Tenta não pensar nisso. Você precisa descansar! – abraça-a, afagando seus cabelos.

— Minha vida é uma merda! Odeio tudo isso! Eu deveria morrer! – choraminga.

— Pâmela... Pare! – aperta-a mais contra seu próprio corpo.

De repente, ela começa a respirar com dificuldade. Por sorte, nota rapidamente que teria uma crise. À vista disso, passa um de seus braços por seu pescoço, a colocando dentro de um carro da polícia.

Apenas avisa no rádio que iria socorrer a jovem, sem esperar a autorização de qualquer pessoa. Acende o giroflex e sai em alta velocidade em direção ao hospital mais próximo.

Notas finais
* Lei de Murphy é uma teoria criada por Edward Murphy que diz "Se alguma coisa pode dar errado, dará". * ** Estourar pausa é uma expressão comumente usada no call center para falar que a pessoa fez mais minutos do que deveria em seu almoço, janta ou pausa-descanso. ** Bom, parte desse capítulo foi baseado em um fato real que aconteceu comigo, então, acredite... Isso pode ser mais real do que imaginamos! O que acham que vai acontecer? Pâmela vai ficar bem? Como sua família e Daniel reagirão à notícia do assédio? O que Rodrigo vai fazer? Não deixem de comentar! ♥