Ine
1 Entre céu e inferno
Uma mente maquinada, tal manipulada pelo homem.
Homem, coisa que não lhe faltava.
Maquiagem de fato era pesada. Rosto, sem ela a fazia desfigurada.
Não agia de acordo com o que fora programada.
Os olhos observavam, a mente captava. Idéias distorcidas na cabeça fixava.
\"Mundo estranho, mundo podre.
Estranho como gosto. Podre como sou.\"
Rotina a mesma, não mudava. Mesmo que, de tal, não reclamava.
Casa? Não tinha. A rua lhe abrigava. Por onde andava já estava defamada.
Ninguém mais a queria, ninguém mais a amava.
E ao lembrar disso tudo, mais nicotina ela ingeria. E mais ainda se acabava.
Acabar? Tal parecia eterna. Quantas vezes se cortava? Não importava.
A sua vida não terminava.
\"Mas pagando bem, qual o mal de viver?\"
Bebia quando lhe convinha, e de quebra injetava.
Brigava, transava, rodava.
E só disso ela vivia.
Mas por trás de tal obscuridade, sangue e narcóticos, um coração ainda batia.
\"Bate por você, mas não com você.\"
Simplesmente ignorava.
\"São todos loucos; todos à minha volta.
Me chamam de louca sem enxergarem-se.
Mas provarei da loucura deles. Farei de sua loucura... a minha.\"
Hoje?
Robô putrefo, criado pela sociedade com intuito de obedecer.
Rebelde, assassino, sonhador, irreal.
Ou não?
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