Notas iniciais
Andei por um tempo de redescobrimento. (att 15.05.2020: nem sei do que eu tava falando, eu nem tinha feito dezesseis ainda nessa época e achava que tudo era o fim do mundo LFDSKJDSFHFD mal sabia que ia passar por coisa muito pior do que não ser correspondido pelo Blue...)

08.06.2017

Dependência

substantivo feminino

1. estado ou qualidade de dependente; subordinação, sujeição.

2. necessidade de proteção, de arrimo.

3. relação necessária entre fenômenos; conexão, correlação.

4. acessório, anexo, complemento de um objeto principal.

To: Blue

Querido Blue,

começo a achar que não sei fazer outra coisa que não seja escrever a você, ou escrever sobre você, embora eu saiba que você não vai ler. Bom, pelo menos não agora, e não hoje. Provavelmente amanhã também não.

Hoje eu li de novo Eleanor&Park, e você sabe o quanto esse livro me faz ficar sentimental, porque o Park me lembra você em 2013 e me lembra eu agora, porque eu queria te dar esse livro e encaro seu endereço no post-it em formato de coração na minha agenda e penso que quero te enviar, mas que você provavelmente vai franzir a testa e achar isso, no mínimo, estranho.

Por falar em estranho… Você é estranho, e eu acho que já te disse isso, no mínimo, cem vezes. E se não disse eu tenho certeza de que essa é a centésima. O fato de você ser estranho pode ter contribuído e muito para que eu me apaixonasse por você, afinal, o nosso amor sempre foi um pouco estranho.

Voltando ao livro, eu gosto quando a Eleanor diz algo tipo “…Porque não sou mais minha, sou sua”, porque eu me sinto como ela. Um dia eu disse isso a Alguém, e Alguém me disse que isso não é bom. Eu sei que Alguém é sábio, você também sabe, e Alguém me disse que é horrível o fato de eu não me sentir minha e sim sua.

Eu tenho vida própria, respiro, ando, caminho, sinto. Sou um caranguejo, porra! Por que é que, mesmo assim, eu me sinto tão interligada a você? Isso não é estranho se pensarmos bem, desde sempre foi assim. Era quase como se eu fosse incompleta antes de você aparecer, e aí você surgiu e uma peça em mim voltou a se encaixar. Mas isso, apesar de não ser estranho, eu reconheço que é ruim. Quando uma pessoa se torna dependente da outra é algo terrível, porque as pessoas ao redor dizem: pare! Siga com a sua vida. E a pessoa não segue.

Por cerca de três meses eu segui, afinal, foi o tempo máximo que ficamos sem nos falar. Eu não pensava em você todos os dias, mas pensava às vezes e nas vezes que eu pensava, você se tornava o único pensamento em minha cabeça corrompida pelo seu nome. Ainda é assim às vezes, ou muitas vezes.

Mas agora eu me decidi. Eu te amo, mas eu também me amo, e por mais que eu enfrente todo esse azul por você… Uma parte em mim sempre sabe que não será o suficiente, por isso resolvi que não serei mais sua. Serei minha.

Eu ainda peço que a Lua lhe conte o quanto você é amado por aqueles que te cercam, e suplico ao Sol para cuidar de você e te aquecer como o amor no inverno, e peço para as Estrelas te observarem e me darem notícias… Mas você não é mais o Blue de 2013, você não é nem mesmo o verdadeiro Blue, e por mais que eu ainda te ame acima de qualquer pedra no percalço… Bem, isso nunca foi o suficiente antes, por que seria agora?

Resolvi lutar um pouco mais por mim, e um pouco menos por você, e menos ainda por nós dois, assim como você sempre fez.

Te aguardo no dia 11 de junho para o chá da tarde. Não deixe o café esfriar, por favor. Ele ainda está quente por enquanto, mas eu já sinto amornar.

Com todo o meu amor e um pouco menos de azul,

sua não-mais-tão-sua-assim, Incolor.

Notas finais
É... (att 15.05.2020: essa foi a época que eu comecei a ter tipo assim... noção?! lsfajsfk bom, mas eu decaio daqui pra frente, nem se preocupem. A partir do capítulo 6, serão postadas algumas cartas que achei no drive [e o motivo de eu ressuscitar essa fanfic hoje, depois de ficar horas entretido com o meu passado], todas mostram o meu amadurecimento dos 17 aos 20 anos. As cartas dão uma pausa entre o inicio dos meus 16 até os 17, então percebe-se um salto no tempo.)