Indigo

5 v • Quebrada.


Notas iniciais
SEXTA FEIRA MUITO LOUCA... I AE AMORAS? >

Eu. Estou. Morta!

Tina me fez ir ao supermercado no sábado. É bem comum aqui na nossa cidade os supermercados fecharem dia de sábado e só abrirem no domingo (nunca entendi isso), mas a maratona que eu fiz para achar o que ela me pediu foi o suficiente para não precisar fazer qualquer dieta.

Acho que se continuar assim chego ao peso que eu queria.

Olho-me no espelho e analiso minha cintura e meu quadril... Lágrimas querem vir aos meus olhos e então eu saio da frente do espelho.

Eu jamais vou ter aquele lindo corpo fino que as modelos Russas que eu tanto admiro têm. Aquele corpo magnificamente perfeito... Eu sempre vou ser essa aberração cheia de curvas e espaços preenchidos.

— Filha? — Papai entra em meu quarto e eu rapidamente abaixo a blusa e tento colocar o melhor sorriso que posso em meu rosto.

— Sim senhor?

— Preciso que você se arrume para irmos ao tal casamento de que lhe falei. — Ele falou extremamente animado.

— Certo!

Ficamos encarando a cara do outro por um período um pouco grande até ele se tocar e dizer "entendi! Já estou indo."

— Valeu! — Tranquei a porta do quarto e procurei uma calça jeans preta e uma blusa branca social. Provavelmente eu iria parecer com as pessoas que estariam servindo o pessoal, mas eu não tinha tido muito tempo para pensar na roupa que iria usar...

A mensagem que eu supostamente deveria receber não chegou. Acho que ele deve ter desistido de ficar com as fotos da filha. Fiquei um tanto chateada pela falta de palavra do homem, mas decidi ignorar quando meu pai bateu em minha porta e disse um "dez minutos.".

Procurei por uma bolsa um tanto mais nova na qual coubesse todas as minhas coisas, depois de ter todo o tipo de lente, dois tripés e duas máquinas (uma a prova d'água e a minha nova de cinco mil dólares) desci as escadas para almoçar.

O almoço foi feito com a rotineira conversa sobre mim, sobre Gabe, sobre o Ethan (meu irmão mais velho) que estava na faculdade e só viria no fim de semana que vêm juntasse a nós para um acampamento em família no sítio do vovô...

Quando disse ao papai que tínhamos algo parecido com cinco minutos para chegar lá ele engoliu o resto do que tinha no copo e me puxou pelo braço sem mesmo me dar tempo de escovar os dentes, o que devo dizer... Foi desagradável.

...

Estou nesse exato momento tentando entrar no bendito casamento, mas tenho de esperar em uma fila na qual todos os que vão trabalhar no evento estão... Bem... São muitas pessoas e eu sinceramente me sinto perdida.

Eu pareço ser a única que esta usando calça jeans, até porquê o sol está cintilante bem no topo da minha cabeça, as outras garotas (mulheres) que vi até agora estão usando vestidos floridos do mesmo tipo só que em cores diferentes. Os garoto estão usando pólo e bermuda jeans. Mesmo modelo só muda a cor da blusa.

Quando as pessoas que estão em minha frente entram e tento entrar, porém sou barrada na porta por um segurança.

— Onde está o cartão de identificação? — Ele era mesmo mal encarado.

— Como? — Não fazia ideia de que cartão era aquele.

— Sinto muito, mas sem o cartão você não entra! — Me tirou da fila e eu voltei para a parte da frente da casa.

Resolvi que tinha que falar com o meu pai.

"Me avisar de que preciso de um cartão não era necessário, não é mesmo?" Falei com um pouco de raiva.

"Eu esqueci querida... O cartão está no porta luvas do carro. Em menos de dois minutos estou ai."

Desliguei a chamada e me sentei no meio fio para esperar o meu pai. Eu estava atrasada alguns minutos, mas ele tinha me dito que a moça para a qual eu iria trabalhar era pontualissima.

Pedi a Deus que ela mesmo se atrasasse.

E em dois minutos meu pai estacionou o carro na minha frente e pela janela me lançou o cartão, ele me deu um beijo na testa assim que me aproximei do carro e acenou.

— Boa sorte Itália! — O barulho do motor foi ouvido e depois ele não estava mais lá.

Voltei para a fila e fiquei bem uns dez minutos de pé, não era tanto tempo porquê a maioria dos funcionários já tinha entrado.

O segurança de antes me olhou feio e acho que se não tivesse levantado o cartão na cara ele tinha me chutado para longe. Abri um sorriso que julguei ser simpático quando ele liberou a passagem me dando um lenço que dizia "Fotógrafa particular.". Talvez o meu ego, que já era grande por conta do sucesso que meu trabalho fazia na minha antiga cidade, tenha fixado um pouco maior.

Meu queixo caiu. Eu literalmente abri a boca mais do que normalmente abro quando fico espantada. O lugar simplesmente parecia um casamento de contos de fadas, tudo parecia mágico e encantador... Aquela noiva era muito sortuda... Provavelmente eu estava estragando o clima mágico com a minha roupa completamente inadequada, eu era a única de calça jeans no local e aquilo me deu um certo constrangimento... Quando fui montar o tripé da câmera principal uma mulher veio correndo na minha direção e me olhou horrorizada.

— O que eu fiz de errado... Eu juro que tenho o cartão e...

— Sua roupa! — Ela mantinha a expressão horrorizada no rosto.

— O que tem ela? — Fiquei um tanto chateada.

— Esta inadequada. Se a noiva sonhar que há alguém na festa dela trajado dessa forma ela tem um surto e cancela o casamento... Não quero nem pensar você precisa vir comigo. — Ela agarrou meu braço mesmo que eu protestasse para poder pegar minhas coisas e não as deixar largada no meio do casamento... Não sei o tipo de pessoa que veio parar aqui.

— Minhas coisas... — Ela continuava me puxando.

— Não se preocupe. Meus funcionários vão olhar para você.

Decidi seguir a mulher, mas ainda assim ela não largou meu braço de forma alguma. Talvez tivesse medo de que eu fugisse ou acabasse esbarrando na noiva.

Sei que me levou para dentro da casa e depois disso trancou-se em um quarto comigo... Juro que pensei que ela fosse me estuprar. Mas ela abriu uma enorme mala no chão e procurou um vestido na arara atrás dela.

Ela jogou na minha cara um vestido com manga três quartos que parava a um palmo de distância de meu joelho, o decote era em V e terminava na cintura do vestido. Ele era coberto por uma renda pesada e mega trabalhada, a cor era o que mais me chamava a atenção... Ele era um vermelho do tipo sangue, ou escarlate... Sei que era extremamente magnífico e que eu jamais poderia usar algo como aquilo.

— Desculpa, mas... Você não teria algo um pouco mais solto? — Questionei olhando o vestido e o meu corpo.

— Claro que não... Você deu sorte de ainda pegar esse vestido aqui! Vista logo ele para que eu possa arrumar o seu cabelo e você possa fazer o seu trabalho. — Ela me repreendeu e me empurrou para um pequeno cubículo dentro daquele cômodo onde tive de me virar para tirar a calça jeans.

Subi o vestido sem dificuldade, mas não consegui subir o zíper que ficava em sua lateral.

— Será que você pode dar uma ajudinha aqui? — Perguntei saindo de dentro do pequeno espaço segurando na parte da frente do vestido para que ela subisse o zíper para mim.

— Claro!

Tive de prender a respiração por um curto espaço de tempo até que ela me soltou e me virou para ficar de frente para ela.

Ela olhou-me novamente dos pés a cabeça e torceu o nariz para o meu pé e para meu "rosto".

Eu estava usando um tênis branco chamado de All Star porque ele era simplesmente o melhor calçado para se passar a noite de pé.

— Vai ter de tirar esse tênis! — Ela abaixou-se para desamarrar meu cadarço quando eu andei para trás.

— Sei fazer isso... Mas a título de curiosidade o que eu vou usar?

— Isso aqui! — Ela pegou um salto alto, com pelo menos dez centímetros azul escuro quase preto, de dentro da mala.

— Nem pensar! Eu mal consigo andar de tênis vou andar de salto? — Gargalhei.

— Ou anda ou não trabalha! — Fiz bico e me sentei na cadeira como ela mandava com o olhar.

— Odeio isso! — Cruzei os braços quando ela começou a mexer nos meus cabelos.

A cada puxão que ela dava neles eu dava um pulinho da cadeira. Ela iria me deixar careca!

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Notas finais
Fala galera!!! Aqui tem mais outro capítulo, espero que gostem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.