Tantos deslizes cometidos

Juntos e implantados

Em minha mente,

Em meu sangue,

Meu coração.

Nesse processo que se repete

E repetirá

Quantas vezes forem precisas

Vou me moldando novamente

Com tudo aquilo

Que sei que virá.

O interior fica mais cheio

Mais amolecido

Escorre por entre dedos

...

O exterior fica mais duro

Mais e mais camadas

Acrescentadas à minha casca

Outra vez um objeto destruído

Com mistérios a mais

Uma nova bela máscara

Para esconder o que há dentro

Até que acenda a chama

Novamente

Até que quebre a casca

E escorra pelo chão

Para começar de novo o processo

Para injetar novamente

Reconstruir-se

A cada construção

Um novo aprendizado

Mais esperta

Mais protegida

Mais imune.

Esperando

O frágil interior um dia

Conseguir encontrar

Algo além da casca

Para sustentar-se