Não é como nadar

Também não é como se afogar

Preciso ficar viva

Para afundar mais

Olhando para cima

A luz

A vida

Parecem tão distantes

A cada dia mais litros e litros

Acima de mim

Ás vezes me pergunto se

Não estou somente parada

E tudo somente se acumula ali

Algumas vezes consigo respirar

Colocar o rosto para fora

Aproveitar o calor

Outras vezes

Uma âncora se agarra à meus pés

E vou mais e mais fundo

No que já existe

Há dias em que tento nadar

Ir à superfície

Outros dias

Me contento em flutuar

Ficar parada

E esperar

Não exatamente pelo que

Uma hipotermia

Um predador

Ou o momento em que

Meus pulmões não conseguirão mais

Respirar

Talvez explodirão

Geralmente espero uma boia

Vindas não sei de onde

Elas me proporcionam o Sol novamente

Mas estouram ou esvaziam

E lentamente

Retorno ao meu lugar

No meio disso tudo

De tanta carga

Pressão

Sem poder fugir