Depois de tanto tempo aprisionadas...

Depois de tanto tempo contidas...

Depois de tanto tempo sendo forte...

Ou pelo menos parecendo ser...

Chega sempre aquele momento

Momento, em que a suposta força...

Simplesmente se esvai

O rosto aquece

A respiração fica irregular

O coração bate mais rápido

A cabeça já não trabalha como antes

Os olhos ardem, marejados

Sente a água invadi-los

Num último esforço para impedi-las

Mãos em punho tentam dispersá-las

Quase machucando

Respira fundo

Calmamente

Tenta relaxar

Mas é inútil

É o momento

A força sumiu

Se foi totalmente

Sente algo frio

Percorrendo devagar o caminho dos olhos a bochecha

Ao tocar não é frio

É quente

E enquanto as lágrimas rolam

Se sente inútil

Fraca, vulnerável

Perigosamente exposta

E um pensamento ecoa

“Por quê?”