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1 Capítulo I
Pansy olhou para o seu tio, incrédula, resistindo à vontade de chorar.
— Isso deve ser algum engano. — finalmente disse, porém com a voz fraca.
Seu tio, Ailfred, estava perto da grande janela, olhando para o jardim com um semblante sério.
— Preciso que saia da mansão imediatamente. Não irá tardar para que esse escândalo esteja em todos os jornais de fofoca.
— Não. — Balançou a cabeça, ainda atordoada. Tinha acabado de descobrir que ela era fruto de uma traição. Que sua mãe já estava grávida de algum desconhecido quando se casou com seu “pai” — O senhor não pode simplesmente me expulsar da minha própria casa. Meus pais a deixaram para mim.
— Isso foi em outra circunstância, agora com esse segredo vindo à tona, muita coisa irá mudar.
— Isso deve ser maldade de alguém que apenas quer sujar o nome da minha mãe. Não há nada que prove que eu não seja filha de Kevin e Georgia Parkinson. Pessoas invejosas estão sempre fazendo calúnias para escandalizar as grandes famílias tradicionais. Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Ou por acaso se esqueceu quando surgiu aquele boato de que nós, os Parkinson's, não éramos sangue-puro de verdade? — Respirou. — De qualquer forma, eu levo o sobrenome Parkinson. Essa casa está no meu nome e eu não vou abrir mão dela. De maneira nenhuma. Entendeu?
Seu tio virou-se para ela, com um toque de raiva no olhar. Ailfred odiava ser desafiado, porém Pansy sempre fazia isso.
— Dessa vez é diferente, Pansy. Embora sejamos uma das poucas famílias de puro-sangues a não fazer parte dos Comensais da morte, estamos na mira do Ministério da Magia por ter compartilhado a ideologia de supremacia puro-sangue. Muitas empresas romperam contratos conosco para não ter o nome manchado. Estamos com o nome desonrado perante as mídias e qualquer escândalo nos derrubará de uma vez. Jurei a sua avó que iria limpar o nome Parkinson, e eu não vou deixar que uma deslealdade de sua mãe coloque tudo a perder.
Atordoada, Pansy apenas olhava para o seu tio. Ela tinha percebido o tom de desprezo dele ao mencionar sua mãe. Sabia que os dois nunca se deram muito bem, afinal Georgia não foi a mulher escolhida por sua avó para se casar com seu pai, no entanto os dois haviam se casado mesmo assim, pois estavam apaixonados. Uma coisa rara nas grandes famílias de puro-sangue. E isso deixava essa possível traição mais difícil de ser acreditada.
— O senhor fala como se estivéssemos falidos. Todos sabem que essas quebras de contratos é apenas para fazer bonito diante ao povo, porém muitos deles ainda mantêm negócios às escondidas, e também compartilham da ideologia de supremacia de puro-sangues. Não sou estúpida, tio. Embora não possa trabalhar diretamente na empresa, sei que estamos longe de cair e, além do mais, não é como se a maior parte de nossa fortuna viesse de negócios legais. Então o que é mais um escândalo diante de tantos outros?
Ailfred franziu o cenho:
— Você se acha esperta, mas conhece apenas uma parte dos fatos.
— Então me explique.
— Eu não lhe devo explicação, menina insolente.
— Deve sim. O senhor quer me expulsar da minha própria casa por causa de um boato que nem ao menos pode ser comprovado. — ela teve que se controlar para não deixar um xingamento sair de seus lábios.
— Tudo bem. Você conhece a Dra. Anne Allgood?
— A Dra. Louca? É claro. Ela saiu em todos os jornais. Uma bruxa nascida-trouxa tão obcecada em ser aceita por Lord Voldemort que fez várias experiências cruéis e desumanas com os nascidos trouxas para ganhar o seu respeito. Foram centenas de vítimas que morreram de formas terríveis com suas experiências, até mesmo crianças. O que ela tem a ver com esse maldito boato?
Ailfred soltou um suspiro.
— Tudo indica que ela seja sua verdadeira avó paterna.
Pansy riu, incrédula.
— Isso não pode ser verdade. Minha mãe nunca se envolveria com esse tipo de gente.
— Escolhemos não nos aliar ao Lorde das Trevas, porém, parece que a família de sua mãe não teve esse mesmo bom senso. Há uma suspeita que a família de sua mãe, em um dado momento, foi conivente com as experiências da Dra. Allgood.
Pansy continuou calada, tentando organizar aquelas novas informações. Ailfred continuou:
— Essa é uma das mulheres mais odiadas atualmente. Foi uma das poucas a ser condenada a pena de morte por crimes de torturas. A coisa é que qualquer bruxo ligado diretamente a ela, está condenado financeiramente e socialmente. Uma verdadeira caça às bruxas de Allgood. Se a família de sua mãe realmente contribuiu com ela, fico feliz que você não seja uma verdadeira Parkinson, assim não teremos o nome condenado por associação.
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