Indiana Jones e o Mistério do Báltico
2 Capítulo 1
Capítulo 1
Uma interessante reunião.
Londres, Inglaterra. Uma semana depois.
A capital britânica se encontrava excessivamente cinzenta aquela tarde. Tanto devido ao céu, fechado e carrancudo, nuvens negras transitando pelo firmamento, quanto devido às ruas, construções, pessoas... Tudo parecia triste e desprovido de cor, a melancolia da guerra tendo contaminado todos os aspectos da vida na cidade; esta, inclusive, ainda era vítima de bombardeios alemães, sua população desprovida de paz até que aquele sangrento conflito terminasse definitivamente.
Dois homens caminhavam discretos pelas vias quase vazias do subúrbio de Teddington, sudoeste da metrópole. Não estavam em missão para se prevenirem daquela maneira, porém a força do hábito falava mais alto. O primeiro era o intrépido doutor Jones, que usava roupas que compunham um misto entre suas costumeiras vestes acadêmicas – sendo que no momento estava bem longe da universidade – e seu traje de aventuras: um terno cinza surrado com alguns rasgos, uma gravata preta mal-arrumada junto ao peito, óculos no rosto e sapatos um pouco velhos. Logo se via que a guerra o desgastava tanto a ponto de não se preocupar mais com a aparência. O outro era Mac, que vestia um casaco simples sobre uma camiseta branca e suspensórios, botas nos pés. Seu desleixo ficava também evidente.
– Espero que Eisenhower não nos enxote por estarmos tão pouco apresentáveis, Jonesinho... – brincou o inglês.
– Acho que Eisenhower deve ter coisas bem mais importantes com as quais lidar do que dois trapos como nós, Mac.
A afirmação desanimada de Indiana, porém, provavelmente não refletia a realidade: a dupla havia sido convocada no dia anterior para uma reunião extraordinária em pleno SHAEF, o Quartel-General Supremo da Força Expedicionária Aliada. Simplesmente o local de onde os comandantes dos exércitos aliados coordenavam todos os movimentos militares contra Hitler na Europa. O lugar onde o “Dia D” fora idealizado e planejado.
Por fim pararam diante da fachada do prédio em questão, seu aspecto exterior combinando com o ar de decadência e desolação que tomara Londres desde o início do confronto com a Alemanha. Um dos soldados que vigiavam o portão efetuou um sinal através de um dos braços para que o cruzassem. Pelo visto já eram mesmo aguardados.
Ganhando o interior do recinto, depararam-se, logo no primeiro corredor, com o emblema do SHAEF pendurado em uma parede: o escudo contendo uma espada flamejante sob o que parecia ser um arco-íris. Depois de mais alguns passos, os recém-chegados conseguiram identificar os sons que davam vida ao centro de operações: o tilintar de telefones e máquinas de escrever, os “bipes” de telégrafos, trechos abafados de conversas... Além, é claro, de uma pitoresca mistura de cheiros: um incômodo odor de suor, algo também como mofo, tinta, fumaça de cigarro, o aroma sedutor de café...
Entraram então numa ampla sala de estratégia, contendo em sua porção central uma extensa mesa em cima da qual existia um detalhado mapa do continente europeu. Sobre ele, alguns homens e mulheres uniformizados, tanto norte-americanos quanto ingleses, incluindo até alguns franceses, checavam papéis em suas mãos e ficavam atentos às informações fornecidas por fones em seus ouvidos conforme atualizavam os movimentos das tropas aliadas em campo, cada exército sendo representado por artefatos circulares coloridos e as nacionalidades indicadas pelas respectivas bandeiras. Aquilo se assemelhava até a um jogo de tabuleiro em que as peças deveriam ser dispostas com extremo cuidado, a diferença era que naquele caso havia vidas humanas e o curso de uma guerra a serem decididos.
Indy e Mac continuaram caminhando, sentindo algo similar a fascinação com traços de curiosidade. Passaram por um outro setor em que várias damas, sentadas em fileiras diante de máquinas de escrever, redigiam cartas e relatórios aos superiores incansavelmente. Perto dali, oficiais de olheiras nas faces e trejeitos exaustos atendiam a telefonemas quase ininterruptos. O esforço de combate aliado dependia, e muito, daqueles dedicados indivíduos que ali trabalhavam dia e noite.
Envolvidos pelo ambiente, os dois agentes secretos até se esqueceram do que haviam ido fazer, e agora se viam inclusive um pouco perdidos. Depois de olhar em volta por um instante, Jones resolveu indagar a uma simpática militar inglesa, cabelos loiros e quepe, que se encontrava perto de si:
– Com licença, senhorita, poderia nos informar onde está o general Ross?
– Oh, vocês dois vieram para a reunião tratando do telegrama nazista, certo? – ela replicou num sorriso, apesar de até então a dupla não ter conhecimento de nenhum telegrama. – Ele os aguarda na segunda porta do próximo corredor, à direita!
A jovem apontou a direção correta para que pudessem assimilar as instruções, e logo eles as seguiram, Indy agradecendo e se despedindo da britânica com um movimento da cabeça. Não tiveram de andar muito até encontrarem a porta indicada e a atravessarem. Um tanto tímidos, penetraram a singela sala de reuniões, que continha uma fraca lâmpada no teto a iluminá-la e, logo abaixo, uma mesa de madeira contendo sete cadeiras ao seu redor, uma delas na extremidade mais próxima da entrada. Nela viram sentado um general norte-americano de pouco cabelo, os fios castanhos aos poucos se tornando grisalhos. Seu semblante, sereno e amigável.
– Bem-vindos! – ele saudou-os ao levantar-se e cumprimentar cada um com um aperto de mão. – Sou o general Robert Ross, OSS. Espero que não tenham achado o quartel-general desorganizado demais. É que em breve estaremos nos transferindo para a França.
– Já ouvi falar do senhor – falou Jones. – Creio ter lido seu nome em algum arquivo de instruções ou correspondência...
– Sim, conforme a guerra caminha para o fim, meus encargos aumentam – rindo, o superior voltou a sentar-se e apontou as demais cadeiras com o intuito de que os dois fizessem o mesmo. – E eu também já ouvi muitas coisas a respeito dos senhores. Alcançaram um improvável sucesso nas mais arriscadas missões. Grande parte de nosso avanço no conflito se deve, sem dúvida, às suas ações atrás das linhas inimigas!
– Não chega a tanto, general, porém fazemos o que está ao nosso alcance! – respondeu Mac, que se acomodara num assento ao lado do amigo.
– É devido a essa nossa duvidosa fama que fomos convocados com tanta urgência para esta reunião? – Indy estava deveras intrigado. – Afinal, o seu mensageiro demonstrou bastante pressa quando nos contatou.
– Não somente a fama de vocês como agentes, doutor Jones. Andei pesquisando sobre o senhor. Professor de arqueologia, caçador de artefatos históricos, muitos deles de caráter místico. Um homem de inúmeros conhecimentos e habilidades.
– Tudo isso consta na minha ficha da OSS, é? – o aventureiro continuava carregado de uma ironia mordaz.
– Não com tantos detalhes. Eu andei me comunicando com um amigo seu na América. Barnett College. O nome dele é Marcus Brody. Conhece-o bem, presumo.
Marcus... Mesmo distante, sempre valorizando a pessoa de Indy e recomendando-o a todos que necessitassem de seu auxílio. Um grande companheiro que o professor já não via há cerca de dois anos. Estava com saudades. Com sorte aquela guerra terminaria logo e eles poderiam se rever, cada um relatando ao outro as novidades num jantar regado a champanhe.
– Acredito que então necessite de informações a respeito de algum achado arqueológico? – cogitou Indiana. – Alguma pista de artefato, ou...
– Senhores, primeiramente, prometam-me que não mencionarão o que revelarei a seguir com ninguém fora desta operação, certo?
– Nós prometemos – a dupla disse em uníssono.
– Ótimo.
Ross levou a mão direita a um dos bolsos do uniforme, retirando um papel de dentro dele, que logo estendeu sobre a mesa. Jones o puxou para perto de si, Mac esticando a cabeça para também conseguir averiguar seu conteúdo. Era um telegrama; a fonte do texto e as frases concisas não deixavam enganar. Enquanto os dois agentes o liam, o general explicou:
– Nós interceptamos isso na fronteira franco-germana há três dias. Aparenta ser uma cópia, levando a crer que o original chegou ao seu destino. Certamente Berlim.
– De onde foi emitido? – questionou Indiana.
– Algum lugar na Dinamarca, aparentemente. Deduzimos por isso que a mensagem pode estar relacionada a um fluxo maior que o normal de U-Boats alemães no mar Báltico que temos observado. Afinal ela se refere a submarinos.
Muito intrigado, o arqueólogo leu mais uma vez para si mesmo os dizeres do telegrama em alemão:
TERCEIRO DOS DOZE PORTÕES ENCONTRADO.
NOVO SUBMARINO PERDIDO NA BUSCA.
NOVA EXPEDIÇÃO A SER PREPARADA.
PROFESSOR KRIEGÜER DEVE SER ENCONTRADO.
Aquela situação lembrava muito ao doutor uma outra bem parecida ocorrida anos antes, mais precisamente em 1936... Um comunicado do Cairo a Berlim interceptado pela Inteligência do Exército dos EUA, mencionando a cidade perdida de Tanis e Abner Ravenwood... Fora o marco inicial da busca de Indy pela famigerada Arca da Aliança, uma aventura que por muito pouco não lhe custara a vida. Será que aquele novo telegrama seria também prenúncio de uma nova corrida por uma grande descoberta?
Ao que tudo indicava, era certo que sim.
– Estamos nos perguntando a que pode se referir essa mensagem, porém não chegamos a nenhuma conclusão satisfatória – disse Ross. – O senhor é um especialista, doutor Jones. Talvez possa nos ajudar.
Indy deu um profundo suspiro e então respondeu:
– Se minha conclusão estiver correta, general, e este telegrama não conter nenhum tipo de código obscuro em suas palavras, o que eu duvido, então os nazistas estão procurando Vineta. E já devem estar bem próximos de encontrá-la.
Vineta? Aquilo soou como algo totalmente desconhecido a Ross e Mac. Do que poderia se tratar? Tendo certeza de que eram leigos no assunto, propuseram-se a saber mais por intermédio de Indiana. E foi com esse intuito que o general indagou:
– Perdoe minha ignorância, mas o que é Vineta?
– Não o culpo, trata-se de algo pouco falado até mesmo no meio acadêmico.
Limpou a garganta antes de prosseguir. A explicação seria longa.
– Vineta, ou Jomsborg, é uma suposta cidade perdida, sua localização geralmente situada na costa da Alemanha ou da Polônia, no litoral do mar Báltico. É citada em muitos relatos medievais e sagas nórdicas como a maior cidade da Europa, vivendo do comércio e sendo maior até que Constantinopla, ostentando uma riqueza incomparável. Dizia-se inclusive que as próprias tigelas nas quais os porcos comiam eram feitas de ouro. Povos provenientes de todas as partes do mundo teriam vivido dentro de suas muralhas, que continham doze portões. Seu exército é descrito também como o mais poderoso da região e seu imenso porto seria capaz de abarcar trezentos navios ao mesmo tempo. Enfim, um núcleo urbano como poucos já vistos na face da Terra.
– Minha nossa! – surpreendeu-se Robert. – Mas... O que teria levado ao fim de tamanha prosperidade?
– Ninguém sabe ao certo. Existem duas versões principais, porém, sobre o fim de Vineta. A primeira diz que a cidade foi tragada pelo oceano num maremoto devido à ira de Deus contra a sua população corrompida pela riqueza, por volta do ano 1000. Já a segunda, mais concreta, afirma que um rei dinamarquês teria enviado uma frota para destruí-la por volta de 1100. Seja como for, até hoje nenhuma evidência arqueológica foi encontrada, e a existência da cidade permanece um mito. Alguns estudiosos até a chamam de “Atlântida do Báltico”, devido a todo o mistério que a cerca e por ter também supostamente afundado. Conhecendo os nazistas, a mera suspeita da veracidade de um mito como esse, ainda mais um tão próximo de seu território, já é suficiente para colocá-los em ação...
– Qual poderia ser o interesse deles em Vineta?
– Eles estão perdendo a guerra – falou Mac. – A indústria alemã está arrasada. Precisam de fundos para continuarem batalhando e, como o Jonesinho disse, essa lenda fala que a tal cidade estava abarrotada de ouro!
– Exato. Porém deve haver algo mais... Não creio que o interesse dos nazistas em Vineta se restrinja a um eventual tesouro...
Pensativo, Jones levou uma das mãos ao queixo enquanto raciocinava acerca das possibilidades, Ross apanhando de volta o telegrama e o examinando em silêncio mais uma vez. Em seguida, apontando para a última frase no papel, mencionou um detalhe do qual já ia se esquecendo:
– Os alemães citam um nome na mensagem... Um certo professor Kriegüer...
– Eu o conheço, já vi algumas de suas palestras. Heinrich Kriegüer, da Universidade de Leipzig. Grande amigo do meu pai. O maior especialista em Vineta da atualidade.
– É por isso que eles o estão procurando! – concluiu Mac, dando um leve soco na mesa. – Querem a ajuda dele para encontrar a cidade!
– Sim, e estão adiantados. Pelo visto já vasculham toda a área litorânea do Báltico com submarinos há algum tempo em busca de Vineta, e no telegrama afirmam terem encontrado o terceiro dos doze portões. Precisaremos agir bem rápido para ultrapassá-los, general.
– Sabe onde se encontra o professor Kriegüer, doutor Jones? – Ross inquiriu um pouco preocupado. – Afinal ele é alemão, estranha-me não estar colaborando com eles...
– Heinrich é um antinazista convicto. Ele deixou a Alemanha em 1933, logo depois de Hitler subir ao poder. Desde então tem se mudado constantemente de um lugar para o outro. Na última vez que meu pai o mencionou, disse que estava morando num chalé isolado no extremo norte da Noruega. Desejava se afastar de tudo e todos para poder conduzir em paz sua pesquisa.
– Isso dá uma vantagem a nós. Talvez os nazistas estejam com dificuldades de localizá-lo justamente por estar vivendo num lugar de difícil acesso. Julgando que o telegrama foi emitido há no máximo quatro ou cinco dias, ainda temos chances de encontrá-lo antes deles.
– Precisa nos enviar para a Noruega o quanto antes, general Ross. Além de não querermos que o inimigo encontre Vineta, isso se ela realmente existir, a vida de Kriegüer corre perigo.
– Acalme-se, doutor Jones. Nós agiremos em breve, mas antes quero que tome conhecimento do terceiro integrante da equipe de vocês.
– Terceiro integrante? – replicou Mac, trocando um olhar confuso com o parceiro. – Quem pode ser?
– Você já conhece tal pessoa, professor. Trabalharam juntos há alguns anos, se não estou enganado. Ambos têm experiência em exploração subaquática, e tal habilidade será muito importante se as ruínas de Vineta estiverem mesmo dentro do mar.
– Exploração subaquática? – Indy franziu o cenho.
– Creio que sim... Nas ilhas gregas, perto de Creta, não?
Não podia ser! Seria mesmo “ela”? Reencontrariam-se depois de tanto tempo em condições tão inusitadas, ainda mais se preparando para uma nova aventura? Bem, o jeito era mesmo constatar pessoalmente de quem se tratava, e, assim que a porta da sala de reuniões foi novamente aberta, uma linda jovem de compridos cabelos ruivos adentrou-a, seu corpo muito bem esculpido sendo coberto por uma blusa de lã, calças escuras e botas. Assim que ela notou a presença do arqueólogo à mesa, cruzou os braços e falou naquele tom de menina travessa que somente ela dominava tão bem:
– Ora, ora, vejam só quem está aqui!
– Sophia! – Jones abriu um sorriso. – Sophia Hapgood!
A moça alojou-se numa cadeira de frente para Indiana, um perdido Mac alternando a visão entre ele e ela. Ficava inconformado pelo fato do colega conhecer tantas mulheres lindas! Este, por sua vez, relembrava cada momento passado com Sophia anteriormente, desde a expedição de Jastro na Islândia, a incursão da jovem no mundo da parapsicologia e seus supostos contatos com o rei atlante Nur-Ab-Sal... O próprio descobrimento pelos dois da cidade de Atlântida, destruída pela pretensão de seus habitantes em se tornarem deuses! Haviam compartilhado tantas emoções que pareciam já se conhecer por toda uma vida.
– Sim, realmente nós já nos conhecemos... – Indy disse ao general. – Muito bem, aliás...
– Cuidado com o que insinua, doutor Jones! – Hapgood respondeu num tom ligeiramente irritado.
– A menininha mimada vai brigar, é? – o aventureiro a provocava mais por pura diversão do que qualquer outra coisa.
– Mimada, eu? Se enxergue, Indiana! Menininho com complexo por causa do pai ausente!
– Acha que pode me insultar? – exaltando-se, ele levantou-se e apoiou as mãos sobre o móvel. – Você abriu mão de uma carreira acadêmica brilhante numa das melhores universidades do mundo para seguir aquelas crendices de falar com reis mortos!
– Devo lembrá-lo, Indiana, que foram essas “crendices” que permitiram que nós encontrássemos Atlântida?
– Esperem aí! – interrompeu Ross, erguendo os braços num gesto conciliatório e tendo os olhos arregalados. – Estão me dizendo que encontraram Atlântida?
Um breve silêncio se seguiu antes de Jones confirmar, voltando a se sentar:
– Sim, foi em 39... Os nazistas também a estavam procurando, inclusive.
– Você só me surpreende, Jonesinho! – afirmou o inglês, risonho.
– Nada mais me surpreende, meus caros... – suspirou Robert. – Aceitei essa história de Vineta tão facilmente por causa de outras coisas que já ouvi... Um major britânico, por exemplo, insiste que um exército de pigmeus comandado por um tal Preste João ajudou as tropas inglesas a expulsarem os italianos da Etiópia, acreditam?
Indy não pôde evitar sorrir diante de tal descrição.
– E então, quando partiremos para a Noruega atrás de Kriegüer? – perguntou em seguida.
– O quanto antes, há apenas mais uns poucos detalhes a serem arranjados.
– Estamos indo procurar o que mesmo? – quis saber Sophia, que não participara da reunião.
– Eu te explico no caminho... – Jones replicou um pouco seco. – Talvez seja do seu interesse.
– Dificilmente você possui algo que me interesse, doutor Jones.
– Só vai descobrir se procurar, não?
E, portando-se como um cavalheiro, abriu a porta para que Hapgood deixasse a sala primeiro. Ela o fez com um ar petulante, Mac rindo da engraçada situação. Antes de sair por último, o arqueólogo olhou mais uma vez para o general e fez menção de acenar com um chapéu, só então notando que o fiel acessório não se encontrava em sua cabeça. Um tanto embaraçado, disse ao superior:
– Terei de passar no hotel também... Pegar algumas coisas.
E, com um sorriso de Ross, a porta foi fechada.
Glossário – Capítulo 1:
Teddington: Subúrbio londrino situado no sudoeste da cidade. O nome tem sua origem num velho líder tribal inglês. Abriga o Bushy Park, segundo maior parque de Londres.
Dwight D. Eisenhower: Militar e político norte-americano. Foi comandante supremo das forças aliadas na Europa durante a reta final da Segunda Guerra Mundial. O “Dia D” ocorreu sob seu comando. Após o conflito, foi presidente dos EUA de 1953 a 1961. Era conhecido pelo apelido “Ike”, tanto que, no filme “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, que se passa em 1957, Indy, ao ser indagado pela personagem Irina Spalko sobre quais eram suas últimas palavras, responde “I like Ike!” (traduzido ao pé da letra como “Eu gosto do Ike!”).
SHAEF: Supreme Headquarters Allied Expeditionary Force – Quartel-General Supremo da Força Expedicionária Aliada. Centro de operações das forças aliadas na Europa comandado por Eisenhower e estabelecido no subúrbio londrino de Teddington em dezembro de 1943. Em dezembro de 1944 foi transferido para Versalhes, França, e em abril de 1945 para Frankfurt, já na Alemanha.
Dia D: Do inglês “D-Day”, “Doom’s Day” (“Dia do Fim” ou “Dia da Perdição”). Desembarque em massa das tropas aliadas ocorrido na região da Normandia, norte da França, em 6 de junho de 1944. Uma das operações decisivas para a vitória aliada na Segunda Guerra.
U-Boat: Versão inglesada da palavra alemã “U-Boot”, abreviação de Unterseeboot, “barco submarino”, que se refere a submarinos alemães de combate tanto da Primeira quanto da Segunda Guerra Mundial. Neste último conflito, os U-Boats marcaram a superioridade naval alemã na chamada “Batalha do Atlântico”, muitas embarcações aliadas sendo afundadas pelos submarinos antes que fossem desenvolvidos meios efetivos de destruí-los.
Leipzig: Maior cidade do estado da Saxônia, na Alemanha. Sua origem remete à Idade Média como entreposto comercial. Sua universidade foi fundada em 1409, uma das mais antigas da Europa.
Continua...
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