Indevido

1 Capítulo único


Notas iniciais
Minha primeira fic não original, não me matem e.e'
Coloquei como livre, já que não possui lemon.
Os trechos em itálico são pedaços da música Magnet- Vocaloid, e não está na ordem da música ;)
Boa leitura!

Indevido


Estava sentado há mais de meia hora naquela cadeira, minha bunda estava adormecida, tentei até dá uns beliscões na mesma sem ser percebido, mas não consegui. Vi o vulto da garçonete novamente se dirigindo para minha mesa, usava um uma blusa vinho, e calça branca, o uniforme da lanchonete, forcei um sorriso.

–O senhor, vai pedir...

–Não, estou esperado uma pessoa.

–Ainda? Quer dizer, é que faz bastante tempo, sabe?Tem certeza se essa pessoa vem?

–Você quer saber a verdade?! Não, eu não sei se ele vem! Não sei se ele ainda gosta de mim! E não sei se vou suportar se ele dizer que não me quer mais!

A mulher era até simpática, mas eu não estava com cabeça para nada. Ele ainda não havia chegado, mesmo sabendo que eram poucas as vezes que podíamos nos encontra, e mesmo assim ele não havia chegado!

Ela franziu o cenho, mas me compreendeu.

–Vou trazer um café, que é um dos melhores desse bairro, viu? E vai ser por conta da casa. – disse sorrindo, e logo em seguida ziguezagueando pelas mesas com toalhas brancas. Suspirei batendo meus dedos contra a mesa.

Não sei por que eu tive que escolher sentar perto da rua! Passei mais de dez minutos dividindo minha atenção para aquela maldita calçada, para o relógio dentro da lanchonete com aqueles números doidos modernos que não dá para entender nada, e para meu café preto. Que como ela havia falado, era realmente bom, e foi por conta da casa.

Depois de café tomado, e quase arrancar todos os meus fios de cabelos só de ansiedade, levantei. Não iria ficar esperando para sempre ele ali. Não, não ia. Meu carro estava estacionado ao lado esquerdo da lanchonete, de modo que não precisei andar muito.

O tempo estava frio, muito frio. Eu usava um sobretudo preto, uma blusa branca que ia até aos pulsos e ainda uma blusa com manga curta por baixo da mais longa, um jeans bem grosso, e mesmo assim ainda sentia um frio dos infernos!

Fiquei passando minha mão na outra, para vê se aquecia mais. Com meus cubos de gelos, que também eram chamados de dedos, peguei no bolso da minha calça um cigarro e o isqueiro.

–LEN!- virei ao ouvir meu nome sendo chamado por alguém que amava,e ele se chamava Kaito.

Seus cabelos azuis, que pareciam ser naturais mesmo sendo tingidos, estavam grudados em sua testa por suor. Ao vê que lhe vi, sorriu se apoiando nos joelhos para buscar ar, seu peito ia e vinha em movimentos de respiração acelerada. Usava uma jaqueta azul fechada, não deixando vê a blusa por baixo e um jeans surrado.

Corri até ele. Eu tenho vinte anos, ele vinte e dois, e mesmo assim; eu sou o mais responsável da relação, o ponto seguro que sempre agüenta tudo. Quando ele se ergueu, provavelmente para dá alguma justificativa, lhe dei um abraço, o fazendo perder um pouco de equilíbrio, mas logo o recuperando.

–Len, desculpe, desculpe, desculpe, desculpe, desculpe, desculpe mesmo. É que meus pais me colocaram para cuidar de uma sobrinha que nem sei quem é, fiquei com a menina durante um tempo, então saí de casa tarde, minha moto não estava pegando, tive que pegar um ônibus e eu não podia sequer falar que tinha um compromisso para que as coisas fossem mais rápidas, já que estamos fazendo isso escondido. – disse o homem de cabelo azul sussurrando ao pé do meu ouvido, eu era mais baixo que ele uns cinco ou oito centímetros.

Uma delgada chama queima no limite do meu coração

Sem avisos, se espalha em uma paixão ardente


Nós sempre nos conhecemos, estudávamos na mesma escola desde pequenos, sempre nos encontrávamos na diretoria por ter saído de sala, enfim, sempre fomos bem unidos. E acabou que com o tempo, mais precisamente dois anos, descobrimos que aquela nossa amizade ia bem além que isso, chegava ao ponto de paixão e amor. Os pais de Kaito nunca haviam se mostrado contra a homossexualidade antes, mas quando o filho mais velho foi me apresentar como namorado, eles explodiram com a bomba de preconceito. Não deixavam Kaito mais me encontrar, nem falar comigo por telefone. Kaito sair de casa sozinho? Nunca, só com os irmãos mais novos, ou com outro alguém da família. Claro, que isso não durou mais que dois meses, já que o azulado já era maior de idade, tinha o poder de mandar sobre si. Mas para ficar de bem com a família, ele disse que aquilo era uma fase e que já havia passado, que não passou de uma ilusão, e blá blá blá. Resultando em nossos encontros escondidos.

Ele puxou meu rosto pelo queixo, o fazendo eu lhe olhar, para logo depois nos beijarmos. Um beijo com urgência, com medo de perder o outro para o mundo preconceituoso, com medo de o amor que o outro nutria se esgotar. Amo o modo como ele acaricia minha pele com as pontas dos dedos, amo quando beija a ponta de meu nariz, quando me chama de bebê, ou quando tem seus acessos de ciúmes que eu adoro provocar. Simplesmente eu o amo.

Sorrimos ao terminar o beijo.

Eu estou preso a você como um imã

Mesmo que eu me vá, nós devemos encontrar um ao outro novamente

Eu te toquei, eu posso nunca voltar e estará tudo bem

Você é tudo no mundo para mim


–Vem, entra no carro. Vamos para meu apartamento, você vai me pagar por toda essa espera. – disse com um tom irônico brincalhão. Eu não consigo nunca soar sexy, sempre sai essa mistura de ironia e brincadeira.

–Cuidado com o que deseja. Será que você agüenta? Eu vou te fazer derreter de tanto prazer. – sussurrou ficando próximo a mim no banco do carro. Kaito já é ao contrario, é um grande conquistador e sedutor. Olhei em seus olhos azuis que brilhavam em malicia, um arrepio percorreu o meu corpo.

Virei para o volante ligando o carro, e logo dirigindo. Percorria as ruas às vezes engarrafadas, às vezes com uma boa circulação, rezando para que eu chegasse logo em casa, porém algo que eu esperava mais do que chega rapidamente, era que um dia nosso relacionamento fosse aceito por todos.

Eu quero te abraçar, eu quero que você me diga

Que você não acha que isso seja um erro

Eu quero que você me beije, eu quero que você me refaça

Eu quero me afogar nesse momento de captação

Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!