Indescritível
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Perdão pelo atraso. Mas aqui está o///
Boa leitura
Passei uma semana sem falar com Megurine. Estava tentando pensar em um jeito de me reaproximar dela. Falhei miseravelmente.
Almocei sozinha somente no primeiro dia sem Megurine, mas, depois, a mesma garota baixinha de cabelos loiros começou a almoçar comigo.
Seu nome era Rin Kagamine. Ela era irmã de um dos servos de Kaito, e queria deserdá-lo por isso.
Eu me sentia bem com ela. Apesar de ela não apreciar as estrelas como eu, era uma pessoa divertida e animada. Acabei entrando no mesmo clube que o dela, o clube de música. Pelo que eu consegui descobrir, Megurine estava no clube de artes. Quem sabe fosse melhor ficarmos distantes?
- Você quer voltar a falar com Luka? – perguntou Rin, certa vez. Engasguei com meu almoço.
- Por que está me perguntando isso? – questionei entre várias tossidas.
- Ela era sua amiga, não era?
Demorei alguns segundos para responder.
- É. Eu acho que sim. Não sei. – murmurei.
A loira sorriu, compreensivelmente.
- Então por que não vai atrás dela?
Desviei o olhar.
- Não sei se ela quer isso.
Rin suspirou.
- É óbvio que ela quer. Luka fica muito sozinha. Ela sente falta de alguém. E, além disso, ela parece muito com você.
Eu a encarei.
- Como? – Porque, Megurine e eu somos totalmente diferentes. Ela é quieta e conservada. Eu sou agressiva e falante.
- As duas tem uma obseção estranha. – Continuei esperando Rin prosseguir. – Por estrelas.
- Ah... – assenti. Sim, realmente era uma obseção estranha. – Mas eu não sei como eu posso falar com ela.
Rin ponderou sobre minhas opções inexistentes.
- Se bem me lembro, hoje é dia do clube de basquete do meu irmão. Kaito faz o mesmo clube que ele.
- E o que tem? – perguntei.
- Vá na casa dos Shion e converse com Luka. Ele não voltará cedo e ela não se sentirá ameaçada.
- Mas eu não tenho nem ideia de onde eles moram. – Era quase uma mentira. Eu só não sabia a casa.
Rin começou a me explicar onde Megurine morava. Ouvi atentamente e formulei um mapa em minha cabeça. Era bem na esquina onde eles estavam.
Eu abracei Rin.
- Você é um gênio. – gritei. Voltei correndo para a sala de aula.
***
É incrível como quando você quer que o tempo passe, ele se arrasta. E o meu tempo se arrastou muito. Imaginei, por um instante, que nunca mais sairia daquela sala.
Joguei todas as minhas coisas dentro da bolsa e saí correndo. Nunca havia corrido tanto. Cheguei à casa dos Shion em menos tempo do que geralmente levava para ir para casa. Me senti idiota. É, e a Megurine chegaria depois de mim, né? Que ótimo...
Sentei no chão e fiquei esperando.
Ela veio bem depois. Seus cabelos rosa presos. Olhando sempre para o chão. Sozinha.
Quando chegou ao portão, notou minha presença.
- Megurine! – gritei, me levantando. Megurine recuou um pouco, mas depois sorriu.
- O que está fazendo aqui? – disse, procurando a chave certa no seu chaveiro. Uma minúscula estrelinha. Seus dedos se moviam com agilidade vasculhando entre as várias chaves que estavam aqui.
- Eu vim dizer que eu quero ser sua amiga. – falei. Megurine deixou o chaveiro cair. Ela se abaixou para pegar, mas eu fui mais rápido. Entreguei o chaveiro a ela. Megurine me olhou indecisa. Não sabia como reagir.
- Ah, bem, entre. – chamou. Ela olhou para os lados quando entrei, como se estivesse sendo vigiada. Ou fazendo algo de errado.
Megurine fechou o portão e correu abrir a porta. Ela acendeu a luz do hall de entrada. Sua casa era sombria. Típico cenário de casa de filmes de terror antiga. Sentei-me no sofá e Megurine ficou de pé, me analisando. Depois de alguns minutos quieta, ela saiu do cômodo e voltou, um pouco mais tarde, com uma bandeja.
- Aceita atum? – perguntou.
Assenti e peguei um. Não gostava muito de atum, mas tudo bem. Megurine pegou quatro e jogou dentro da boca.
Ela voltou a encarar o chão. Parecia cansada.
- Me desculpe. – murmurou. – Me desculpe por tudo aquilo. Só que, não podemos ser amigas.
Lembrei-me de Kaito e a raiva fez meu sangue ferver.
- Podemos ser amigas escondidas, não é? Será divertido. – falei. – Além do mais, eu não tenho medo do seu irmão.
Megurine abriu a boca para falar algo, mas depois desistiu.
- Certo. – Ela sorriu. Sorri também. Escutei o portão sendo aberto. Fiquei desesperada. Olhei para Megurine. Ela estava pálida. Agarrou minha mão e me levou até seu quarto.
- Fique escondida aí. – Megurine apontou o armário. – Kaito deve ter esquecido alguma coisa.
Assenti e pulei para dentro do armário. Megurine fechou a porta.
- Luka? Você viu meus tênis? Eu não achei na escola. – gritou Kaito. Eu conseguia escutar a respiração de Megurine. Estava rápida.
- Nã-não. – gritou de volta. A porta do quarto de Megurine foi aberta.
- Tem certeza? – perguntou Kaito novamente.
- Sim. – murmurou Megurine.
- Tanto faz também. – resmungou Kaito, fechando a porta do quarto. A porta fez barulho de novo. Megurine deve ter saído.
Olhei pela fresta. Nada. A porta fez barulho de novo e Megurine abriu a porta do armário. Cai no chão. Comecei a rir, nervosa e me levantei.
Megurine ainda continuava pálida.
- É melhor você ir. – sussurrou ela. – Talvez ele volte.
Assenti.
- Ah, amanhã tenho clube de música. Vá lá. Nós conversamos, tá? – perguntei. Megurine assentiu.
Fui embora. Mal sabia eu que estava sendo espiada.
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