Indescritível
5 Capítulo 5
Tudo estava dando incrivelmente certo. Eu sempre ia vê-la no Clube de Arte e Megurine sempre me via no Clube de Música. Rin também começou a nos ajudar, sempre nos dizendo quando Kaito estaria na escola e quando ele não estaria.
Apesar da incrível ajuda de Rin, eu sabia que Megurine não gostava dela. Não fazia a menor ideia do motivo, tendo em vista que Rin sempre me fazia companhia e também tentava conversar com Megurine às escondidas. Mas os olhos azuis de Megurine sempre adquiriam um tom sombrio quando a avistava. Quase como se fosse matá-la ou algo do tipo.
Comecei a achar que era loucura, pois Megurine não seria capaz de odiar nem mesmo uma mosca. Esse é o tipo de pessoa que ela é.
A menina de meus sonhos desapareceu também. Sem querer eu comecei a sentir falta dela. Não entendia qual o meu problema. Talvez fosse porque eu passei muito tempo com ela, contra a minha vontade, que agora eu sentia como se ela fosse parte do meu corpo. Não, como se ela estivesse interligada a mim de uma maneira muito mais profunda, de uma maneira que não consigo entender e ninguém mais entenderia também.
A não ser que houvesse mais como ela. Mais agressivos provavelmente.
Não podia deixá-la morrer. E também não podia contar a ninguém mais, sem que me considerassem louca ou dramática. O melhor foi fingir que ela não existia de qualquer maneira.
Pelo menos, foi isso que pensei.
Sempre ouvi as pessoas falarem que quando se está em uma época boa de sua vida, as coisas começam a dar errado, começam a te desanimar e te fazer desistir muito rápido de qualquer coisa. Não podia ser, era como tirar doce de criança. Eu acreditava que a vida não era assim.
Até eu tentar ignorá-la.
Foi aí que as coisas começaram a ruir.
Megurine havia combinado de ir até o Clube de Música naquela sexta-feira. Apesar de ser para conversarmos, o Clube de Música deixava-a feliz. Eu nunca perguntei por que ela não quis entrar para o Clube, e ela também não me contou. Megurine também tinha direito a ter segredos, assim como eu.
Sentei em um banco perto da janela. Eu a abri e deixei o vento entrar e circular na sala. Lily talvez viesse com Gumi, a namorada da berinjela, e com Akita Neru. Elas tinham combinado de ensaiarem uma música especial comigo, algo capaz de superar muitas bandas de garotas.
É claro que não acreditei, mas ainda assim precisava ir até o Clube.
E eu duvidava que aquelas três aparecessem, pois tinham um trabalho enorme para fazer. Comecei a dedilhar o violão. As notas ecoavam e eu cantarolava algo qualquer.
A porta foi aberta e desviei o olhar. Megurine estava parada, segurando uns livros. Ela sorriu para mim. Eu retribui o sorriso, mas alguns segundos depois percebi que ela estava chorando.
Corri até ela. Megurine desabou no chão e começou a soluçar. Eu não sabia o que fazer. Eu precisava ajudar, mas como?
- O que aconteceu? – perguntei.
Megurine soluçou algumas vezes e inclinou a cabeça, deixando os cabelos róseos encobrirem seu rosto. Eu tentei afastá-los, mas Megurine recuou.
- Megurine – Esperei. – Luka, o que foi?
Ela me mostrou um envelope molhado, o qual não havia reparado antes. Mordi os lábios. Aquilo não era um bom sinal. Ajudei Megurine a levantar e ela se colocou de pé. Parecia tão fraca e tão acabada.
Eu a coloquei em uma cadeira e tirei seu cabelo do rosto, que estava grudado por causa das lágrimas. Não fazia a menor ideia do que estava acontecendo.
A porta foi aberta de novo, não me virei para ver quem era.
- Me ajudem aqui, por favor. – pedi, achando que era uma das meninas.
Ele me segurou.
- Eu achei que tinha mandado você se afastar. – sussurrou ele em meu ouvido, enquanto segurava minhas mãos.
- Você não manda em mim. – rosnei em resposta. Kaito me soltou.
- Vamos embora Luka. – chamou ele.
Luka não se mexeu.
- Ande, se apresse. Vamos logo. – chamou novamente.
- Seu idiota! Não vê que ela está mal? – perguntei. Kaito colocou um dedo em minha boca, para me silenciar.
- Shh... Ela é minha irmã, eu cuido dela do jeito que eu quiser. – respondeu. – Vamos agora!
Luka o empurrou.
- NÃO! – gritou. Ela voltara a chorar.
Kaito se desequilibrou e por pouco não caiu.
- Como é que é? – perguntou.
- Eu odeio você. – murmurou Luka. – Eu odeio você. Odeio, odeio, odeio! Eu quero que você morra!
Retiro o que eu disse anteriormente.
Luka se levantou e Kaito foi atrás dela. A porta se abriu e uma loira, Lily, entrou.
Luka saiu correndo dali, seguida por Kaito. Eu fui atrás dela também, mas acabei caindo. Minha cabeça começou a latejar. Eu gritei. Lily correu para me ajudar.
- Miku?? – chamava.
E lá estava aquela morena, com a espada perfurada em seu corpo. Ela tirou e depois sacou sua própria espada no garoto. Ele tentou se esquivar, mas ela foi mais rápido. Cravou a espada em seu coração.
O garoto caiu.
Dei outro grito. O que raios havia acontecido?
- Miku! Miku! – chamava Lily. Pisquei algumas vezes.
A porta deu outro solavanco. Gumi entrou derrubando tudo.
- Vocês precisam ver! – disse.
- O que aconteceu? – perguntou Lily.
- Kaito Shion foi atropelado. – respondeu.
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