Notas iniciais
Primeiramente, oi. Em segundo lugar, gostaria me desculpar pelo atraso. Eu, sinceramente, quase desisti dessa fic, e então eu finalmente decidi escrever, depois de quase 360 dias. Não quero me desculpar com texto, quero apenas pedir o seu entendimento. Agora, nas férias, tentarei postar mais caps e adiantar mais a fic. Muito obrigado por tudo.

25 de Abril de 1834

Não posso expressar meu ódio. Não em palavras, não em canções. Simplesmente... Não posso.

É como se uma agonia crescente dominasse minha alma, em som de uma música partida em pedaços.

É como se vingança fosse o único motivo da existência do meu ser.

É como se eu tivesse me tornado um assassino com ela.

Lembro-me bem desse dia... Era um dia de sol. Normalmente, eu estaria lá no colégio, estudando todas as matérias que, sinceramente, não faziam a menor importância agora. Eu não dava minha importância como ser e como pessoa para aqueles bastardos inglórios que apenas sabiam disparar suas ordens como disparavam mosquetes.

Bem... Não posso apenas falar como se fosse um indigente mal-educado e conformado com sua atual situação. Apesar de querer atear fogo em todas as coisas – todas mesmo – devo relatar os motivos por tal reação. Bem... Vamos começar.

I

O dia foi monótono. Aquela coisa de preparar os pertences para se mudar de novo. Confesso que isso já havia virado rotina, já que de maneira alguma ficamos em alguma casa por mais de duas semanas. Rendi-me finalmente a conformidade e a aceitação de tal situação, ignorando-a por completo quando finalmente acontecia. Nada de tentar afugentar a ideia de que havia alguma coisa por trás de mudanças, nada de contradições, apenas a obediência. Às vezes, questiono-me se sempre obedecer é o certo. As pessoas de hoje obedecem ao seu Imperador, que, uma vez, já obedeceu a uma coroa que provavelmente era controlada e regida por uma força maior. É isso que foi dado a nós como livre árbitro? O direito de ser comandados por pessoas mais fortes que nós?

Antes de tudo aquilo, meu pensamento era algo incompleto, sem pistas de orientação ou formalidade. Apenas faltava uma peça, uma peça que eu, pessoalmente, nunca entenderia sem orientação correta das pessoas sábias.

Deus, eu me lembro de tudo. As roupas sendo guardadas em malas, as espadas de madeiras indo novamente para suas caixas de vidro que, em um período de um ano, só tinham sido abertas e guardadas sem ter um motivo se não o de depósito. Lembro-me perfeitamente de ler a carta do convite da festa de Cristina, antes de guardá-la dentro da mala, entre um casaco de lá preto e um terno esverdeado. Era como se todo o progresso que tive em menos de uma semana virasse a combustão perfeita, e conseqüentemente, fumaça.

Sempre me senti vazio naquela época, antes de saber que eu nunca estive tão só e cavo como estou agora. Por diversas vezes, eu olhava para aquelas paredes de madeiras tão perfeitamente talhadas. Olhava e pensava, e então tinha a perfeita sensação de solidão. Quantas pessoas moravam nessa casa antes da minha família?

Meu pai sentou-se ao meu lado quando terminei de guardar minhas coisas. Lembro-me exatamente de seus movimentos naquele momento: Puxou um fumo do seu terno, acendeu-o com um isqueiro que tirou da manga e então o acendeu. Ele fechou os olhos, guardou o isqueiro e colocou a mão em minha perna. Tinha olhos melancólicos. Perguntei-me se era a verdadeira melancolia que atormentava seu coração. Ele então o tirou da boca, com uma fumaça surgindo de sua boca. Ele tossiu e esticou-o para mim.

– Se chama “cigarro”. – Ele voltou a fumar. Não se preocupava se aquilo fazia ou não mal a ele. – É um veneno... Vai acabar com nossa sociedade no futuro.

Então, apagou o cigarro na própria mão. Fiquei chocado com tal cena. Não expressou nenhuma dor. A ponta flamejante teria provocado dor em qualquer um. Então jogou o cigarro fora por alguma janela. Só então que notei que o fedor daquele negócio era insuportável. Parecia um incêndio reduzido na boca de um homem. Ele riu ao notar minha desaprovação ao cheiro. Aquele homem que era meu pai (Um inglês que não parecia sentir dor) se mostrava surpreendente a cada momento.

Ele então cruzou as mãos. Estávamos na cama do meu quarto, sentados. O meu diário estava em cima da escrivaninha. Então ele me olhou, riu e disse:

– Estás tornando-se um homem, Miguel. – Seus olhos tinham uma espécie de orgulho. Ele estava a ler meu diário? – E vejo isso cada dia que passa. Naquela festa, dias atrás... – Ele tossiu de novo. Mas, dessa vez, foi uma tosse arrumada por ele para interromper uma conversa que teria mais duração depois. – Eu vi que vós mercê está tomando idade e... – Eu tinha a pura expressão de alguém que está apenas em busca da parte crucial. Ele sorriu. Acho que ele tem o mesmo senso de expressões que eu tenho. – O pai de Cristina, Antônio, a oferece para matrimoniar com você.

Juro que fiquei sem palavras. Eu já havia arranjado um matrimônio, como uma mera criança? Deus, eu comecei a pensar que eu era muito persuasivo em primeiras impressões.

– Senhor, eu... Não sei o que... – ele colocou o dedo na frente dos meus lábios. Uma interrupção grosseira, mas abriria espaços para ele falar o que queria.

– Miguel, antes de qualquer coisa, quero lhe contar uma coisa. – Cruzei os braços. Ele se ergueu da minha cama. Tinha um tom sério, ao contrário de todos os tons que já vira antes da parte dele. – Sei que estava naquela reunião algumas noites atrás. Sei que ouviu tudo, e agora sei que é à hora certa de te contar tudo o que aconteceu lá. – Como diabos ele soube? O meu pai foi um mágico? – Todas aquelas coisas de “Credo, Irmandade, Fraternidade” fazem parte de algo histórico. Vem passando de gerações por nossa família, até chegar a mim. Você e seu irmão, eu sei o que você pode achar disso, mas, sinceramente, espero que entenda o que tudo isso significa. – Ele suspirou fundo.

–Pai, todo mundo já desceu. É seguro contar para mim. – Ele riu da minha confiança. Mas então arquitetou a expressão séria de novo.

–Miguel, eu, assim como seu avô e o pai dele antes dele, sou um...

E então alguém começou a bater na porta. Meu pai arqueou as sobrancelhas.

–A carruagem chegou cedo? – Ele se ergueu. Puxou um relógio de bolso do casaco, e saiu do meu quarto, sem me falar nada do que tentava dizer. Ouvi a porta do seu quarto sendo aberta e fechada, antes dele descer as escadas.

Deus, por que sempre os malditos mistérios me encontram na vida? Peguei minha mala, que por sinal, estava leve. Lembro-me de resmungar vezes passadas por estar muito pesada.

E então meus pensamentos foram interrompidos por um tiro. Uma espada atravessando a carne da minha mãe enquanto ela gritava. Ouvi gritos de Francisco e da minha irmã, segundos antes de silêncio. Desci as escadas para o primeiro andar correndo. Lá embaixo, encontrei a maldita cena que me causou raiva. O maldito motivo para eu ter me tornado o que eu me tornei.

Meu pai, morto no chão, junto com mamãe e Francisco, numa sopa quente de sangue. Ajoelhei-me no sangue, sujando toda a calça. Inevitavelmente, lágrimas, seguidas de um grito por minha parte. Chorei, com as lágrimas misturando-se ao sangue. Meu pai havia sido atingido por um tiro na cabeça, que agora era um buraco encharcado de sangue e frios de cabelos negros. Francisco e minha mãe foram golpeados por espadadas na barriga.

Senti ódio, desespero, raiva. E então vi que minha irmã havia desaparecido, e no braço de meu pai, um bracelete com uma lâmina guardada se encontrava. Parecia algum mecanismo como uma arma. No momento, perdido na desolação de ter perdido toda a minha família, nem pensei o que poderia ser aquilo. Para mim, aquilo era um pedaço de nada.

E então ouvi passos pesados na minha direção. Eram guardas. Eles iriam me matar, com certeza. Tinha que me defender. No corpo do meu pai, encontrei uma espada e uma pistola. Iria ter que usar tudo o que o meu pai uma vez me ensinou.

E então surgiram. Três deles, todos com sabres. Formaram uma formação de linha, bloqueando todas as saídas. O que bloqueava a porta tinha vestes mais ornamentadas que as do outros dois. Todos usavam sabres.

“As piores armas de se defender: sabres, espadins ou armas longas.” Foi uma das últimas lições de meu pai. Descanse em paz, velho.

O homem do meio riu. Era oficial. Tinha cicatrizes por todo o rosto. O bastardo deve ter lutado mil guerras e sobrevivido a todas.

–Pobre garoto. Acha que seu pai não tentou lutar? Achai-nos fracos de mais para ti, bastardinho? – Seu hálito era de cebolas. Mas eu sentia apenas o cheiro de sangue. Sangue inocente. Sangue do meu tipo.

Então o ameacei com a pistola, com foco e mira nele, pronto para disparar. Era apenas apertar o gatilho. Ele ria. Confesso que, naquele momento, pude sentir o gosto da insanidade. A deliciosa insanidade momentânea. Deus, como foi bom sair do mundo um pouco... Antes de furar aquele maldito com um tiro no peito.

Ele caiu no chão, gritando. Os dois capangas então avançaram prontos para me matar. O primeiro veio com a guarda alta de mais, do jeito fácil para se quebrar. O outro apenas corria, com a guarda baixa. Se for para se utilizar o sabre, utilizava-se direito. Confesso que o peso de uma espada real é maior do que uma de madeira, mais, do mesmo jeito, posso vencê-los tão facilmente quanto se todos aqui estivessem empunhando itens de carvalho.

Saltei para o primeiro, quebrando sua guarda com um chute na canela direita. Ele esperava um golpe de espada, então caiu no chão rolando em direção do seu companheiro de crimes. Um derrubou o outro, o que me ajudou bastante para matar o primeiro. Enquanto ele se levantava, saltei sobre ele, golpeando-o com um único golpe na órbita do olho. Ele gritou, enquanto eu afundava a arma mais e mais em direção ao seu cérebro. Até que sua cabeça já estivesse totalmente perfurada, de um canto a outro. Era apenas um cadáver agora. Como os outros.

Então o segundo se levantou quando a espada foi retirada d’olho d’outro.

Ele viu o quando eu não hesitaria em matá-lo, e o quanto todo o meu aprendizado serviu pela luta. Sabia que eu o mataria tão fácil quanto matei o outro. Seria o ulterior numa seqüência. Prometi a mim mesmo que mataria todos os três sem hesitar, com golpes cruéis. Não me importava se o segundo fosse se acovardar e fugir. Eu o mataria. Ele se ergueu assustado, em guarda com seu sabre. Avancei lentamente, com meus sapatos sujos de sangue. Sangue daquele que um dia fora um capanga medíocre de um homem vão. Ele foi se afastando, em passos cambaleantes, em direção de uma das janelas da minha casa.

–Vai fugir seu maldito?! – Ele então revelou o quanto era covarde. Uma lágrima escorreu por seus olhos.

Eu iria afundá-lo nas mais profundas cavidades do inferno.

Com um golpe rápido e frio, afundei minha espada na sua patela, de modo com que ele ajoelha-se perante mim. Então, com um golpe final, que eu queria ter levado bem menos tempo para executar do que eu levei, cravei a espada em sua têmpora direita, aprofundando até ter certeza que aquele bastardo tinha o cérebro divido ao meio. Então, eu simplesmente ri. Matei dois bastardos tão facilmente que apenas me cabia rir. O que eu havia me tornado? Um monstro?

Então o Oficial se levantou. Tinha um bigode negro, que, quando contextuado com sua “maligna” face, fazia qualquer um rir. Ainda conseguia se manter de pé com um tiro certeiro no peito. Confesso que não o mataria eu mesmo. Ele aparentava ser mais experiente com espadas do que seus guarda-costas. E, ainda por cima, minha espada havia ficado presa na cabeça do bastardo covarde. Ele vinha se aproximando, com a espada na mão esquerda girando.

–Bastardinho, eu te matarei agora! – Ele sorriu. Então eu finalmente temi, depois de ter matado seus dois inúteis. Ele iria mesmo matar.

Se alguém não tivesse esfaqueado sua garganta antes.

Ele fez um som horrível antes de morrer. Um estertor totalmente desgovernado, sem sentido algum, e então caiu morto no chão. Atrás dele, um homem com capuz. Era um daqueles que salvara minha casa dias atrás. Ele me olhou, abriu os braços e, num gesto solene, me consolidou.

II

Acordei horas depois. Era uma mansão. Com outras vestes, e havia sido lavado. Tudo o que me pertencia estava ao lado de minha suposta cama. Meu diário. Os encapuzados também haviam o trazido. Escrevo nele dias depois de tudo isso.

Ergui-me da cama, cambaleante. O quarto era muito belo, com ornamentos por todo o quanto, com quadros de várias pessoas e espelhos por todos os quantos. Era iluminado por velas, que me pareciam ofuscas. Coloquei a mão em cima de uma delas, exatamente onde o fogo acabava. Pela primeira vez, não senti nada. A melancolia, que uma vez fora tão incompreendida por mim, agora era como uma parte do meu ser.

Havia uma porta, branca. Estava aberta. Fui caminhando até ela, então a abri e sai. Paredes vermelhas por todo o canto. Um caminho reto. Fui seguindo-o. Uma sala. Várias pessoas que eu não conhecia me olhavam. Confesso que nunca havia visto faces tão inesperadas em minha vida. Todas as pessoas ali, sem exceção, eram novidade para mim.

Então, uma das pessoas exibiu seu rosto mais claramente. Freddy. Amigo do meu pai.

Ele tinha olhos neutros. Expressão alguma. Era como se fosse um cadáver humano.

–Miguel, eu sinto muito. – Ele disse apenas essas palavras. Secas, flamejantes. Dispensáveis.

E então uma porta abriu. Não vi portas lá. Apenas ouvia as coisas. Uma bengala. Passos de uma pessoa velha. Virei-me para ver quem era. Era o homem velho de algumas noites atrás. Ele tinha uma face de tristeza absoluta.

Ele não conseguiu segurar uma lágrima quando me viu.

–Então... Você é filho dele? – Ele perguntou. Sua voz estava áspera de choro.

–O único ainda vivo. – A frieza era a única coisa remanescente em minha voz.

Ele indicou uma porta com a bengala, e começou a caminhar até ela.

Então eu o segui. Atrás da porta, mais corredores e então, uma porta. Aqui só há portas? Adentramos num pequeno escritório. Lá havia um homem encapuzado, o mesmo que me salvou. Ele estava lendo um livro do Marques de Sade. Sempre achei de Sade um homem nojento.

Ele fechou o livro, colocando-o numa mesa à sua frente e se erguendo. O velhinho foi até a cadeira por trás da mesa do escritório. Ele se sentou, apoiou a bengala na mesa, e então me encarou. Os únicos olhos mais melancólicos que os meus foram os dele.

–Miguel, eu não sei se seu pai já lhe falou de sua herança.

Eu ri. O que herança importava agora? Eu não tinha rumo. Perderia meu dinheiro muito fácil.

–Dinheiro não me é útil mais, senhor. Nunca mais será.

Ele sorriu. E então cruzou as mãos, apoiando-as em cima da mesa.

–Não se trata de dinheiro, Miguel. Trata-se de um credo. O nosso credo.

Aquele credo que eu conheci noites atrás? Eu me tornaria parte dele? Esse então era o destino que meu pai vinha me falando minutos antes de ser baleado na cabeça?

Ele tomou uma pausa um tanto quanto longa. Era seu mistério. O mistério deles.

–Chamai-nos de Assassinos. Nós lutamos pelo livre arbítrio. Os nossos inimigos, os Templários, são todos aqueles que pretendem escravizar nossa humanidade e nos controlar.

–Como os escravocratas? – Perguntei. Ele acenou um sim.

–Seu pai fazia parte dessa irmandade. Ele matava homens que mereciam morrer para a paz mundial.

Por um segundo, processei tudo aquilo na minha mente. Ele se mudava constantemente para fugir dos Templários. Aqueles períodos de longas viagens que ele faziam eram todos, creia eu ou não, em busca de seus alvos. Uma irmandade feita para matar pessoas, algo que, por minhas causas, serviria muito bem. Eu prometera a mim mesmo que mataria a pessoa que ordenou todo o mal a minha família.

–Então, me pergunto. Querem que eu me junte a Ordem? – A pergunta foi meio boba, mas ele acenou um sim. Eu suspirei antes de responder. – Apenas se eu tiver minha vingança.

Ele estava surpreso. Eu não ligava para liberdade, eu ligava apenas para vingança. E era isso que eu seguiria. Liberdade, Arbítrio, tudo isso para mim era idiotice. Ele suspirou. Viu que eu não abandonaria meus objetivos. Lutaria por eles, sim. Seguiria suas ordens, sim, desde que eles não interferissem em meus objetivos. Então ele foi obrigado a concordar comigo.

–Terás sua vingança, sim. Esse homem, Tomás, te levará para América do Norte para seu treinamento. – Eu aceitei. Tomás assentiu e foi em direção a porta, comigo atrás dele. Se estiverem dispostos a me ajudar na minha vingança, que seja. – Miguel. – Me virei. Ele estava tão melancólico quanto eu. Então ele apenas disse. – No futuro, conhecerás a Ordem, e saberás que não é apenas por vingança que lutas.

Não me importei muito no momento. Apenas continuei a andar, com Tomás me guiando.

III

No porto, uma nau aguardava com seus passageiros todos desgovernados.

Era minha última vista do Brasil em anos. Eu provavelmente não voltaria tão cedo – não que eu quisesse. Para minha pessoa, aqui não passava de memórias de algo que eu teria uma árdua jornada para esquecer.

A ponte de subida era de madeira, uma madeira roída por cupins há anos. Não parecia estar em perfeito estado de limpeza também. O capitão do navio era um homem barbudo e fedido. Parecia que não costumava tomar banhos, e suas roupas estavam em péssimo estado.

Ele foi o primeiro homem que me deu um sorriso após tudo o que aconteceu essa tarde.

–Então, esse é o garoto, hein? – Ele tinha um andar cambaleante. Parecia que havia quebrado as duas pernas milhares de vezes.

Tomás assentiu. Pude ver que sua mão estava em minhas costas. Ele então fez um sinal para que o capitão esperasse, e se agachou ao meu lado. Não havia a felicidade tradicional de uma viagem.

Não era apenas uma viagem, e eu sabia disso.

–Miguel... Sei que é difícil para vós... Sei que parece que ninguém está ao seu lado, mais todos estão. – Ele sorriu. Um sorriso tão falso quanto às almofadas que as mulheres de padeiros usam para tentar aumentar o tamanho de seus seios. Mas ainda sim, era um sorriso.

–Não entendes Tomás. Ninguém entende. – Ele desfez o sorriso e se pôs de pé.

Então puxou uma insígnia do bolso, e entregou para mim.

–É da pessoa que ordenou que matassem seu pai. Encontramos junto ao corpo dele. Não queriam que eu lhe entregasse isso, então... Apenas não diga para ninguém que eu lhe ajudei.

Assenti. Ele então se virou e foi embora pelo porto. Olhei para o bordão. Uma cruz vermelha bordada a ouro. Não tinha ideia do que aquilo significava. Quando olhei para trás, para Tom, ele havia sumido.

E então eu subi no nau, pronto para adquirir uma nova vida.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.