Independence - TWILIGHT
1 Capítulo 1
Meu aniversário estava chegando.
Mas esta não era a única novidade que se aproximava.
— Renesmee? — chamou minha mãe, conforme eu observava a vista imensamente linda do alto daquela árvore. — Cadê você?
Em poucos segundos, um flash correu para perto da árvore em que eu estava, com a figura de minha mãe, Bella Swan, surgindo ali embaixo.
Abaixei a cabeça para vê-la. Minha mãe era tão linda. Viver com a minha família era assim: uma constante competição de beleza. E o mais legal era que ninguém saía por atrás. As peles magníficas, os olhos cintilantes, a aparência perfeita… um costume que eu não me cansava de admirar. Todos combinávamos bem quando tratava-se destes tão bizarros traços.
— Vendo a vista de novo? — perguntou minha mãe carinhosamente, cruzando os braços e abrindo um sorriso para mim. Seus cabelos estavam um pouco mais curtos do que o habitual ultimamente. Eu e ela costumávamos competir para ver quem tinha os fios maiores, mas agora a competição era minha. Ainda assim, Bella Swan estava deslumbrante. Ela sempre fora. Eu tinha a mãe mais bonita do mundo.
— Eu gosto — respondi baixinho, abrindo um sorriso contido antes de voltar a observar a floresta. Conseguia ver uma cachoeira daqui, a mesma que eu enrolava e enrolava para visitar. Gostava da sensação de admirá-la de longe, apenas imaginando e imaginando como seria ir até lá. Meu pai costumava dizer que eu viajava demais. Que, às vezes, preferia sonhar em vez de viver os meus sonhos.
Entretanto, embora minha vida sempre houvesse sido colorida e cheia de aventuras, eu tinha de confessar que gostava da ideia de passar horas fantasiando e manipulando a realidade.
Os devaneios nasceram em mim.
Emmett costumava dizer que eu era igual a minha mãe. Quieta, que pensa bem antes de falar. Eu não achava isso ruim. Na verdade, quanto mais parecesse com meus pais, mais bem eu me sentia. Eu os amava.
— Seu pai quer jogar hoje. Está a fim? — Ela arqueia a testa para mim, como se já soubesse da resposta.
— Ah… eu não sei. Estava pensando em ir até a cachoeira.
Antes que eu pudesse pensar em outra desculpa, minha mãe já havia escalado a árvore e apoioado-se num galho ao meu lado, abrindo um sorrisinho esperto ao dizer:
— Você também disse isso da última vez. — Então ela fez uma pausa, balançando a cabeça e rindo ao completar: — Ah, meu Deus. Estou ficando igualzinha à minha mãe. E também à Alice. O que tá acontecendo comigo?
— Simples, mãe. Perdeu seu posto pra mim. Duas solitárias não podem existir ao mesmo tempo e no mesmo lugar — eu disse divertidamente, dando de ombros.
Minha mãe revirou os olhos, embora ainda sorrisse.
— Inacreditável. Nunca imaginei que minha própria filha pudesse me roubar assim — brinca ela. — Me sinto traída.
Ri baixinho.
— Tudo bem. Eu aceito passar o posto pra você hoje. Vou jogar com papai.
O sorriso de minha mãe tornou-se grande e brilhante com a minha frase. Eu ainda me impressionava com a profundidade do amor dela por ele. Ficava claro nos olhares e nos gestos de ambos. Às vezes, na calada da noite, me imaginava encontrando o amor como os meus pais encontraram. Não de forma tão complicada, é claro, mas, ainda assim, eu me imaginava.
Entretanto, não tinha muito tempo pra pensar nisso. Pois, em menos de alguns meses, eu teria que dar adeus a uma parte de mim.
A parte mortal.
Não havia como ter certeza, mas minha intuição já dizia muito. Eu sentia meu corpo mudando. Eu sentia os leves relances da imortalidade completa aproximando-se de mim.
O que, por algum motivo, não me trazia a felicidade que eu pensei que traria. Sempre sentira-me animada com a ideia de finalmente ser como minha família. Total imortal, total vampira, como eles. Porém, agora que estava chegando, a sensação parecia um pouco… assustadora.
O que me causava medo. Medo dos meus gostos não baterem com aquilo que eu estava destinada a ser.
— Maravilha. Vou ser a juíza. Tenho certeza de que você vai arrasar.
Sorrimos juntas, e minha mãe se empoleirou ao meu lado para que pudéssemos ver a vista da cachoeira distante. Ela me abraçou, e descansei a cabeça em seu ombro, tentando relaxar e esquecer da mudança drástica e planejada que minha vida teria em breve.
Eu era uma Cullen, afinal. Estava exatamente onde nasci para estar.
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